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A prosperidade científica e tecnológica da era moderna provocou consideráveis revoluções nas estruturas sociais e familiares em âmbito global, e atingiu a alta modernidade com características próprias. O imperativo consumo de produtos industrializados e tecnicamente avançados, principalmente após a I I Guerra Mundial, determinou novas regras de relacionamento e conduta entre adultos e jovens. É possível traçar linhas diretas de relação entre o processo industrial de modernização das sociedades e a atualização dos hábitos familiares de consumo, onde se incluem também diferentes tipos de psicoativos. A proliferação do uso de substâncias psicoativas, em sua variedade e difusão, é uma dessas manifestações emergentes que se produziu

como efeito de uma rede de fatores histórico-culturais. Por uma difusão expansiva dos mercados e da informação na atualidade, ou dos acessos, segundo Lyotard [ 1990] , os hábitos de consumo adquiriram uma configuração deslocalizada e destemporalizada.

As culturas, no sentido do culturalismo, podem ser consideradas como nebulosas de hábitos cuja ação persistente sobre os indivíduos, os quais são seus elementos, é assegurada por esses dispositivos energéticos estáveis que a antropologia contemporânea chama estruturas. As leis de estrutura que asseguram a circulação (o acesso), para as palavras, os bens e as mulheres (retomo a trilogia de Lévi-Strauss) de forma singular, digamos idiomática,

enquanto que outras maneiras são em princípio possíveis, estas leis são normas de acesso. [ ...] Este desancorar começou com a primeira revolução tecnológica que permitiu à indústria (carvão, vapor e/ ou eletricidade) a possibilidade de espalhar sobre todas as culturas (mais ou menos rapidamente, mais ou menos profundamente) objetos que exigiam modos (hábitos) de produção, de intercâmbio e de consumo possíveis e válidos fora do território e fora do momento 27.

As substâncias sempre estiveram presentes nos rituais religiosos, nos processos de cura, nas celebrações grupais, nas ocasiões de lazer e divertimento, desde os primórdios da civilização. Fizeram parte também da experimentação científica, nos procedimentos laboratoriais de análise, síntese e fabricação de medicamentos mais eficazes. Porém, se ao longo da era moderna havia a prevalência desses interesses no ato de administrar e ingerir drogas, isso não estava ainda associado à indústria da recreação e do entretenimento, que se desenvolveu ao longo do século XX. O entretenimento entrou no rol do informal, porém imperativo, estatuto das liberdades individuais, onde paradoxalmente a ordem da experimentação, através do consumo de produtos manufaturados e industrializados, levou à padronização mercadológica da experiência na cultura ocidental.

As vivências associadas aos psicoativos durante os séculos XI X e XX ganharam respaldo teórico e interesse social a partir de obras literárias, cuja valorização estética se extrapola nos dias de hoje [ século XXI ] nas mais diversas formas de produção artística e nas mídias. Nomes como os de Thomas de Quincey, Theóphile Gautier, Gérard de Nerval, Charles-Pierre Baudelaire, Arthur Rimbaud e Marcel Proust ganharam notoriedade, em meados do século XI X, por suas descrições excitantes e sedutoras de experiências pessoais com ópio e haxixe. O famoso Clube do Haxixe 28, que ocorria no Hotel Pimodan em Paris, reunia artistas e intelectuais para reuniões semanais em que se consumiam essas substâncias entre outros alimentos e especiarias. O trabalho

27 LYOTARD, Jean-François. O inumano: considerações sobre o tempo. Lisboa: Estampa, 1990, p. 57. 28 Cf. HAINING, Peter. El Club Del Haschisch. La droga en la literatura. Madrid: Taurus, 1976, p. 77.

literário produzido por vários autores que participaram desses encontros revelou-se no tempo como momento primordial de elaboração e difusão da experiência psicoativa no seio da cultura romântica ocidental.

Segundo Schivelbusch [ 1995] , a geração do ópio e do haxixe do século XI X foi “uma geração romântica que proclamou o caráter anti-social do artista, assim como a unidade de vida e obra, em ruptura radical com o mundo burguês, pelo qual sentiam uma crescente repugnância”. Alguns dos autores desse período e seus colegas de experimentação tiveram problemas de saúde e faleceram muito jovens, tanto por motivos associados à própria dependência química, como pelas desilusões amorosas e dificuldades financeiras. Suas obras, entretanto, consolidaram certa atração mórbida para novas e excitantes experiências de fantasia e mistério no âmbito de uma transculturação de hábitos e de mercadorias que vigorava junto à indústria e comércio nas sociedades.

De fato, os escritores do século XI X adictos ao ópio e ao haxixe desempenharam uma função surpreendente e diretamente oposta às suas intenções: providenciaram à sociedade

burguesa os argumentos para que as drogas fossem declaradas tema tabu. A imaginação e as propensões anti-burguesas dos poetas, que descreviam o ópio e o haxixe como veículos para a ampliação e a dissolução do eu, escandalizaram a sociedade da época. Foi a

publicação das visões oníricas dos poetas o que chamou a atenção sobre os efeitos das drogas, desconhecidos até então pela sociedade 29.

Concomitante a essa curiosidade estética e intelectual vinculada aos estimulantes, novas formas de divertimento surgiram associadas dessa vez ao aperfeiçoamento técnico de uma série de invenções e ao crescimento das grandes cidades. O advento da eletricidade nas vias públicas e nos ambientes domésticos transformou de modo significativo o aproveitamento da vida noturna por parte das gerações do século XX. O último século do milênio chegou marcado pelas possibilidades de entretenimento e trabalho à luz da eletricidade. A atividade noturna nas grandes cidades estabeleceu novos ritmos e alternativas para a vida cotidiana, garantindo o aumento de ofícios, e reproduzindo-se nos hábitos, seja nos parques de diversões, no prolongamento da jornada nos negócios, ou mesmo junto às tabernas.

O aperfeiçoamento técnico dos meios de transporte e da aeronáutica também trouxe forte impulso à transformação dos costumes em âmbito global. A expansão de uma

29 SCHIVELBUSCH, Wolfgang. Historia de los estimulantes. El paraíso, el sentido del gusto y la razón.

concepção atualizada de vida moderna, entre os interstícios das duas grandes guerras, ficou a cargo do cinema, das telecomunicações, do uso de eletrodomésticos e da televisão. Hoje, dando um salto, podemos pensar na implicação social dos computadores e da I nternet. Ou seja, os hábitos pessoais e familiares mesclam-se ao recrudescimento da era tecnológica deflagrada a partir do século XIX. Novos modos de consumo foram valorizados em sintonia com a realidade da modernização dos recursos. O poder da informação ganhou abrangência global, e isso modificou as relações entre os países e as diferentes culturas. Das técnicas ágeis de fabricação mecânica aos meios de difusão global dos conceitos e produtos, o mundo moderno passou a ser consumido com voracidade pelas sociedades capitalistas.

Quando falamos de uma sociedade de consumo, temos em mente algo mais que a observação trivial de que todos os membros dessa sociedade consomem; todos os seres humanos, ou melhor, todas as criaturas vivas consomem desde tempos imemoriais. O que temos em mente é que a nossa é uma sociedade de consumo no sentido, similarmente profundo e fundamental, de que a sociedade dos nossos predecessores, a sociedade moderna nas suas camadas fundadoras, na sua fase industrial, era uma sociedade de produtores. [ ...] A maneira como a sociedade atual molda seus membros é ditada

acima de tudo pelo dever de desempenhar o papel de consumidor. A norma que nossa sociedade coloca para seus membros é a da capacidade e vontade de desempenhar esse papel 30.

Em se tratando de uma proliferação de objetos e elementos novos produzidos para consumo, ou gadgets de utilidade duvidosa, as demandas se adaptaram à realidade imposta pela economia mundial. A globalização na forma de uma transculturação dos costumes provocou uma enxurrada de referências híbridas, mesmo distantes das regiões de origem, direcionada a uma sutil padronização dos interesses. Voltando-se para a realidade dos sonhos, no campo do conhecimento, a apropriação do universo onírico em sua riqueza própria fez com que fosse transformado em fonte de infinita criação. Cabe-nos aqui indagar, se o racionalismo e espírito técnico-científico do início do século XX não teria empurrado para escanteio essa fertilidade onírica, para mais tarde ter de reconhecer nas suas manifestações espontâneas a criatividade necessária utilizada como combustível de sua atualização conceitual.

O cinema, ao longo de sua curta história, demonstra isso. Obras literárias clássicas, mitos, ficções científicas, romances, contos fantásticos e histórias de terror, todos os gêneros e narrativas que remetem ao campo limítrofe entre realidade e fantasia, foram assimilados e

aplicados às técnicas cada vez mais surpreendentes de construção das imagens. Poder-se-ia dizer que os sonhos foram enlatados ou encaixotados para o consumo universal. Dentro desse panorama em que um vende-se sonhos passou a ser valorizado, como não conceber que o uso de substâncias psicoativas encontrasse aí uma justificativa moderna? Afinal, a motivação para promover estados alterados da consciência vem literalmente de encontro à iniciativa da realização dos sonhos, seja através das técnicas de construção ou reconstrução das imagens ou por meio das substâncias.

A dimensão estética dos alucinógenos, por exemplo, foi inteiramente absorvida pelos mais diversos veículos de comunicação, através das artes gráficas, da música pop, das publicidades, da edição de imagens e outros, fazendo da experiência lisérgica, ou do LSD-25, um elemento exponencial de vanguarda na cultura mundial. Muito do que foi apresentado ao mundo sobre o ácido lisérgico serve-nos como exemplo da força discursiva das mídias na construção de uma idiossincrasia; porém, também nos revela que algo absolutamente inefável como tal experiência produz uma variedade de tentativas de apropriação ou simbolização, cujo extremo desliza para as manifestações artísticas.

A idéia de que existe uma produção simbólica e um sistema de símbolos que dão as indicações e contornos de grupos sociais e sociedades específicas parece que pode ser bastante reveladora e eficaz. Entender cultura como código, como sistema de comunicação, permite retomá-la enquanto conceito sociológico propriamente dito. Não mais um repositório estático de hábitos e costumes, ou uma coleção de objetos e tradições, mas o próprio elemento através do qual a vida social se processa – a simbolização 31.

Toda atualização conceitual referente ao processo de modernização no campo dos costumes veio acompanhada de uma incorporação paralela de psicoativos úteis a essas transformações. Uma vez que a tecnologia abriu espaços no cotidiano para novos estilos de vida e formas de entretenimento, os períodos de lazer e descanso, de diversão, e até mesmo os de prática esportiva, tornaram-se sinônimo de consumo de algumas substâncias. Assim, a exemplo das bebidas alcoólicas, geralmente associadas ao relaxamento, ao prazer sexual, ao término da jornada de trabalho, às celebrações, podemos citar outras drogas e substâncias que se relacionam facilmente às idéias de festividade e de excitação. O gozo proveniente da participação espontânea de grande número de pessoas nos eventos festivos constitui legitimação para seu consumo. Não somente nos períodos de Carnaval, mas nos concertos de rock, nas baladas noturnas e nas festas raves do século XXI, várias substâncias estão incorporadas a esses eventos.

Assim também se caracterizam os estimulantes, como o café e o tabaco, na ordem das atividades intelectuais e sob prisma da produtividade. Os tranqüilizantes modernos, produtos da alta tecnologia nas indústrias farmacêuticas, resguardam a privacidade afetiva da angústia e falta de sentido nos afazeres cotidianos. Podemos citar, ainda, uma grande quantidade de substâncias alucinógenas, alucinógenos 32 [ enteógenos 33] que estão vinculados comumente à busca por estados perceptivos absolutamente alterados, às práticas de devoção espiritual, à contemplação mística do presente e do universo. Na medida em que estamos realizando uma leitura sobre diferentes reportagens que tratam de psicoativos, delas podemos obter exemplos de como cada substância se insere no cotidiano da sociedade brasileira. Portanto, questionamos se as experiências particulares ligadas às substâncias psicoativas na modernidade não conquistaram o mesmo crédito que os sonhos adquiriram nos últimos séculos, enquanto reprodutores visionários de páginas milenares das expressões culturais da humanidade.

As invenções e atualizações promovidas pela revolução tecnológica justamente respondem aos anseios de conquista material, distribuição e segurança equânime no panorama dos ideais da modernidade. Porém, as relações comerciais desiguais entre países, guerras e injustiças contra populações, divergências ideológicas entre segmentos sociais, problemas históricos relacionados à distribuição dos recursos naturais, tecnológicos e financeiros, fatores de poluição ambiental, todos esses aspectos deturparam e frustraram absolutamente os ideais humanitários estabelecidos na magna carta dos direitos humanos, revelando a manutenção de interesses capitalistas de grupo e estabelecendo a ética individualista como paradigma universal. Se havia um projeto moderno, científico e cultural, de um melhoramento tecnocrático das condições básicas da humanidade, esse entrou em processo de deterioração ao longo do século XX, conforme os fatos foram trazendo à tona a inconsistência do discurso ideológico, cujos efeitos apontam os pensadores da pós-modernidade.

A modernidade começou onde o começou o capitalismo, onde começaram a filosofia e a ciência modernas, quando a pintura se tornou portátil e a música saiu da igreja. A crise da modernidade, que coincidiu com a crise do império da razão, foi um processo lento, tendo se

32 Segundo Henrique Carneiro [2005]: Alucinógenos. O termo foi cunhado na década de 1950 por um grupo

de pesquisadores em psicofarmacologia para referir-se a um tipo específico de plantas e drogas sintéticas, que incluíam cactos, cogumelos, sementes e flores, o LSD, a mescalina, a psilocibina, a DMT, a harmina e harmalina, entre outras. O THC, princípio ativo da maconha, também pode ser classificado como um alucinógeno.

33 Segundo Henrique Carneiro [2005]: Enteógenos. Termo proposto, em 1976, por R. Gordon Wasson, J. Ott,

C. Ruck e J. Bigwood, em substituição a ‘alucinógenos’ ou ‘psicodélicos’, para referir-se a plantas sagradas de uso tradicional em diversas regiões e culturas, cujos efeitos [...] possuem características comuns: êxtase, contemplação, introspecção profunda, sensações inefáveis. A palavra resulta de dois radicais gregos que significam ‘ter Deus em si’ [entheos, Deus, gen, gerar],a mesma raiz para o termo entusiasmo.

acelerado no final do século XI X, com Nietszche, para terminar sua derrocada em Freud. Aquilo que é chamado de modernismo nas artes funciona como uma passagem intermediária entre a modernidade e a pós-modernidade, passagem marcada pela desconstrução

implacável dos códigos e valores do moderno. [ ...] A única e nítida diferença, que marca a passagem para o pós-moderno, está na crescente incredulidade, a partir dos anos 60, em relação aos ideais heróicos, aos sonhos utópicos que o modernismo acalentou. A perda irremediável de valores, crenças e sonhos que essa incredulidade provocou, trouxe consigo uma tendência para a exacerbação das facetas diametralmente opostas àquelas que foram prescritas pela razão na era moderna 34.

Avaliando o percurso do pensamento moderno, nesse sentido, convém destacar a posição de Lyotard [ 1987] ao se pronunciar sobre essa mesma desconstrução citada em Santaella. O autor coloca a humanidade e seus interesses coletivos ao largo dos processos científicos e tecnológicos. Haveria, então, uma fenda entre os dois processos, do que resulta um desfalecimento dos discursos ético-humanitários, voltados para a satisfação e conforto da maioria, em razão da concepção particularista de viver essa crescente tecnologia.

Meu argumento é que o projeto moderno (de realização da universalidade) não foi abandonado, nem esquecido, e sim destruído, liquidado. Há muitos modos de destruição, e muitos nomes servem como símbolos disso. ‘Auschwitz’ pode ser tomado como um nome paradigmático para a ‘não realização’ trágica da modernidade. Entretanto, a vitória da tecnociência capitalista sobre os demais candidatos à finalidade universal da história humana é outra maneira de destruir o projeto moderno que, por sua vez, simula que tem de realizá-lo. O domínio por parte do sujeito sobre os objetos pelas ciências e tecnologias contemporâneas não vem acompanhado de maior liberdade, e tampouco traz mais educação pública ou um caudal de riqueza maior e melhor distribuída. Vem acompanhado de uma maior segurança a respeito dos fatos. Mas esse domínio só reconhece o êxito como critério de juízo 35.

Nesse sentido, podemos conceber que os processos de modernização em âmbito global trouxeram em seu cerne a expressiva definição de uma ética individualista, tanto em virtude da funcionalidade e do ritmo acelerado promovido pela revolução tecnológica, como também por sua implicação no espírito de competição e êxito fomentado pelo capitalismo. Segundo Outhwaite & Bottomore [ 1996] , o individualismo ético encara a moralidade como essencialmente orientada para o indivíduo – seja na forma do egoísmo ético, de acordo com o qual o único objeto moral da ação

34 SANTAELLA, Lúcia. “O debate pós-moderno”. In: Cultura das mídias. São Paulo: Experimento, 1996, p.

130.

35 LYOTARD, Jean-François. “Apostilla a los relatos”. In: La posmodernidad (explicada a los niños).

de um indivíduo é o seu próprio benefício, ou na de um outro e mais radical conjunto de idéias, de que descende o existencialismo, de acordo com o qual o indivíduo é a própria fonte dos princípios morais, o arbítrio supremo dos valores morais e outros.

Ao lado das constantes transformações históricas promovidas no século XX e das atualizações nos conceitos modernos – até onde se denomina pós-moderno – a vivência particular do sujeito em sua originalidade natural tornou-se um mito narcisista fundamental e ordenador da experiência. A aparente facilidade com que são consumidas substâncias psicoativas, na atualidade, serve como exemplo dessa forte tendência social, a que chamamos de farmacotimia. Transparece enquanto resíduo sintomático, portanto, o consumo exacerbado de produtos que trazem efeitos psicoativos, fronteira moral e auto-erótica das liberdades individuais em relação aos discursos científicos e disfunções sociais.

Muitos observadores afirmam que o narcisismo é hoje em dia o modo hegemônico do pensamento e da ação nas sociedades mais desenvolvidas. Receio que se trata tão somente da repetição cega (compulsiva) de um luto anterior, o luto de Deus, que cedeu lugar justamente ao modo moderno e ao seu projeto de conquista. Na atualidade, esta conquista só conseguiria perpetuar a dos modernos, com a diferença de que renunciaria conseguir a unanimidade. Já não exerceremos mais o terror em nome da liberdade, e sim em nome de ‘nossa’ satisfação, a satisfação de um nós definitivamente limitado a sua própria

particularidade 36.

Por esse viés, as práticas de consumo de substâncias que reportam os indivíduos à alteração do sistema percepção-consciência, em sua relatividade individual e coletiva, vislumbradas a partir da perspectiva universal dos sonhos, lançam uma indagação sobre o espaço e função que ocupam nas sociedades modernas. A farmacotimia social representa uma opção coletiva de satisfação adequada às contingências do capitalismo tardio, cujo tecido discursivo sobre os valores e identificações fragmenta-se em elementos difusos e simbolicamente desagregados. Ao lado do sonho, enquanto motivação inconsciente, e não como ideal de unanimidade social, o uso cultural dos psicoativos demonstra que a economia, a ciência e a técnica não são as únicas garantias de satisfação substitutiva. Isso provoca o questionamento pregresso sobre como se propagou através das mídias – no caso desse estudo, a mídia impressa – a revisão das possíveis mudanças e as disposições gerais em torno da farmacotimia.

36 LYOTARD, “Misiva sobre la historia universal”. In: La posmodernidad (explicada a los niños). Barcelona:

Capítulo 2

Benzer Belgeler