Cassar (2009) atenta para o fato de que o conhecimento sobre uma empresa nascente é muito específico, tanto em relação à compreensão de suas próprias características, quanto do contexto de seu ambiente. Dessa forma, é difícil para pessoas externas à empresa analisar sua viabilidade, a capacidade de seus gestores e de desempenho futuro. Além disso, pouca ou nenhuma informação sobre determinada empresa nascente está disponível em meios públicos, que permitam comparação com informações coletadas na própria empresa.
Lockett, Murray e Wright (2002) observam a importância da realização de uma due dilligence no processo de seleção de negócios em estágios iniciais. Dentre as atividades realizadas nesse processo, pode-se citar a realização de estudos de viabilidade, a comprovação de resultados por meio de testes e protótipos, a busca de mecanismos para redução das incertezas e a avaliação da equipe empreendedora, sua experiência em gestão e suas habilidades comerciais.
Dentre as razões de rejeição de propostas, foram estatisticamente significantes48: falta de propriedade intelectual, problemas na avaliação do negócio, dimensão do mercado potencial, dificuldade para entender o mercado, investimento necessário e habilidades técnicas da equipe de gestão (LOCKETT, MURRAY e WRIGHT, 2002)
A PriceWaterHouseCoopers (2008) apresenta pontos de atenção que são importantes para que as empresas obtenham sucesso na captação de recursos de fundos de PE e VC. Dentre eles, foram destacados: (i) política de controle e governança corporativa; (ii) estabelecimento de visão, missão e valores com horizontes e perspectivas de negócios; (iii) plano de negócio claro e objetivo, com metas quantitativas bem definidas e as rotas para atingí-las; (iv) profissionalização empresarial, como utilização de meritocracia para atrair e reter profissionais; (v) ética, integridade e sustentabilidade; (vi) compromisso com clientes; (vii) produtividade; (viii) utilização de fusões e aquisições (M&A) como ferramenta de negócios; (ix) alavancagem financeira com ações e dívida. No entanto, este estudo volta-se prioritariamente ao mercado de private equity, caracterizado por transações de maior vulto em empresas emergentes ou já consolidadas. Ainda assim, alguns desses pontos serão utilizados no modelo teórico elaborado para este estudo.
Alguns trabalhos destacam a importância da proteção intelectual (e.g. patenteamento) ao se tratar de empreendimentos de base tecnológica. Berry (1996) comenta a necessidade da gestão da tecnologia, para direcionar e acompanhar as rápidas, complexas e custosas mudanças tecnológicas no mercado.
Dessi (2005) e Schwienbacher (2007) propõem modelos matemáticos teóricos para explicar a complexidade dos contratos observados quando do investimento em empresas nascentes por fundos de capital empreendedor. Essa complexidade é necessária para garantir que os interesses do intermediário – gestor do fundo de VC – estejam alinhados aos interesses do investidor. Assim, o gestor do fundo tomará decisões eficientes para o negócio. É observada a existência de custos de transação – ameaça de conluio entre empreendedores e gestores de fundos – e assimetria de informação, que podem resultar em custos para os investidores dos fundos. Dessa forma, é necessário incentivar o intermediário (gestor do fundo) a monitorar o negócio, dar-lhe direitos sobre os fluxos de caixa e direitos de controle, para que possa decidir por continuar ou liquidar o negócio segundo os resultados efetivos alcançados. Takalo e
Tanayama (2010) corroboram essa visão ao defenderem a necessidade de monitoramento no período pós-investimento.
Robinson (2000) observa que, em negócios emergentes, é comum que os gestores de fundos de VC exijam mecanismos de tomada de decisões e de controle, como participação no conselho de administração, indicação de gestores e direito de auditoria. Já em negócios em crescimento, nos quais empresas já sobreviveram ao primeiro ciclo (emergente) e já têm algum histórico (track record), eles podem recorrer a outras fontes como private equity (PE), IPO, débito e títulos conversíveis em ações.
Sahlman (1997) chama atenção para o fato dos novos negócios, por natureza, envolverem risco. Assim sendo, os investidores devem estar dispostos a ajudar as empresas investidas a resolver seus problemas, guiar na execução dos planos estratégicos e táticos, recrutar, compensar e motivar a equipe. Ainda, segundo Sahlman (1997), os acordos de investimento devem ser simples, justos, enfatizar confiança mais que amarrações legais, não se desfazer se o real distinguir-se do planejado e não prover incentivos desalinhados com o objetivo das partes.
Shane e Cable (2002) afirmam que os investidores esperam que os empreendedores façam grandes, irreversíveis e confiáveis compromissos com o negócio, como forma de contrabalancear a assimetria de informação entre as partes. Além disso, os mesmos autores (2002) sugerem que novas pesquisas sejam feitas para que se possa concluir que a transferência de informações é um mecanismo central no processo decisório de investimentos e, por conseguinte, em finanças empreendedoras.
Meirelles, Pimenta Jr. e Rebelatto (2008) concluem em seu trabalho que, devido ao rigoroso critério de seleção dos fundos de VC e PE, não há, nessa modalidade de financiamento, espaço para amadorismo e informalidades. Storey e Tether (1998) criticam, por exemplo, que a maioria das ENBTs é gerida por pessoas com horizonte de crescimento e competência estritos ao invés de empreendedores capazes e com objetivo de crescimento.
Clarysse e Moray (2004) afirmam que o principal critério dos investidores é a experiência da equipe empreendedora em negócios e a qualidade da equipe de gestão. Com base nesse critério, explicam que muitas ENBTs não conseguem investimento porque seus fundadores não têm experiência como gestores. Clarysse et al. (2007) concluem que a primeira captação de recursos por uma empresa startup relaciona-se aos recursos que ela conseguiu acumular; já
as próximas rodadas estarão relacionadas ao seu desempenho. Assim sendo, espera-se que as ENBTs que se preparam para receber investimentos, por acumular mais recursos, têm maiores chances de ter sucesso na captação.