Autores como Schumpeter (1997), Freeman e Perez (1988), Tushman e Anderson (1986), classificam as inovações em incrementais ou radicais. Essa classificação se refere particularmente ao grau de novidades decorrente da efetivação da inovação na organização.
Inovações incrementais: correspondem às alterações marginais nos produtos ou processos, acontecendo em qualquer setor e influenciando positivamente a produtividade. Sua origem advém tanto de melhorias quando de invenções aventadas pelo pessoal da produção como também dos clientes desses produtos ou serviços.
Inovações radicais: são transformações fundamentais que ocorrem envolvendo a mudança no paradigma tecnológico vigente, quando do desenvolvimento e introdução de um novo produto, processo ou forma de organização da produção inteiramente nova.
Teece (1986) propôs uma evolução para esta classificação, evidenciando a forma pela qual as empresas se beneficiam de inovações radicais, por meio da apropriabilidade e da complementaridade de ativos. A apropriabilidade significa a
oportunizando ao inovador o retorno econômico. A complementaridade refere-se a todas as outras competências que a empresa deve ter, além daquela específica que dá suporte à tecnologia.
O Manual de Oslo (2005) define quatro tipos de inovação que abrange um extenso conjunto de mudanças nas atividades das empresas:
a) Inovação de produtos: compreende uma mudança significativa em bens e serviços, introduzindo novos bens ou serviços, ou aperfeiçoando os produtos já existentes.
b) Inovação de processos: compreende mudanças significativas nos métodos de produção e/ou distribuição de produtos.
c) Inovação organizacional: refere-se à implementação de novos métodos organizacionais que podem conter mudanças em práticas da organização, transformações no ambiente interno ou nas relações externas da empresa. d) Inovação de marketing: envolve a implementação de novos métodos de marketing, podendo implicar em mudanças na aparência e embalagem do produto, nos métodos de promoção e apresentação do produto e em métodos para a definição de preços de bens e serviços.
Quando se leva em consideração a dimensão tecnologia, não existe dificuldade em identificar tanto uma inovação incremental quanto uma inovação radical. Em contrapartida, ao se analisar conjuntamente os aspectos tecnológicos e as características do modelo de negócio, aparecem correspondências que possibilitam a identificação de três grupos diferentes de inovações: as radicais, as semirradicais e as incrementais.
Segundo Davila, Epstein e Shelton (2007), nem todas as inovações são criadas da mesma forma, uma vez que não explicitam os mesmos riscos nem oferecem recompensas semelhantes. Para os autores, os tipos de inovação são:
Incrementais: quando são estabelecidas melhorias moderadas nos produtos e processos da organização.
Semi-radicais: envolvem mudanças substanciais no modelo de negócios ou na tecnologia de uma organização, mas não em ambas.
Radicais: conjunto de novos produtos e/ou serviços fornecidos de modo inteiramente novo.
No intuito de empregar uma estratégia adequada à inovação, é fundamental buscar o entendimento das características de cada tipo de inovação para perceber o melhor momento de utilizar cada um deles. Os autores ainda sugerem um framework da inovação, ilustrado na figura 2.1, particularizando como os diferentes tipos de inovação se ajustam na “Matriz de Inovação”.
Figura 2.1. Framework da inovação
Fonte: Adaptado deDavila, Epstein e Shelton (2007, p. 58)
Tushman e Anderson (1986) afirmam que qualquer empresa pode alcançar o sucesso em intervalos não muito longos, utilizando-se exclusivamente de mudanças incrementais em sua tecnologia. Um modelo tradicional de mudança de tecnologia pressupõe períodos relativamente longos de evolução (inovação incremental), alternados por breves períodos de revolução (nesse caso, a inovação incremental é ineficaz, sendo imprescindível o uso de uma tecnologia radical).
Outra forma de classificação é proposta por Francis e Bessant (2005) quando os mesmos identificam a inovação tecnológica em quatro categorias, com os quatro P‟s da inovação:
Inovação em produtos: baseia-se nas modificações ocorridas nos produtos e serviços ofertados por uma organização.
Inovação em processos: fundamenta-se nas transformações advindas dos caminhos percorridos quando da criação e transferência dos produtos e serviços.
Inovação em posicionamento: consiste em definir ou redefinir o posicionamento de uma empresa ou de um produto no mercado.
Inovação de paradigma: constitui-se em definir ou redefinir os paradigmas da organização, podendo ser internos (valores organizacionais e política de tomada de decisão) e externos (o modelo de negócios, a forma conceitual que a empresa utiliza para prosperar no mercado).
De forma análoga, Rothwell (1992), Maillat (1993), Asheim e Isaksen (1996) e Jonsson, Persson e Silbersky (2000) destacam três categorias de inovações, conforme mostrado na figura 2.2:
Inovações incrementais: são pequenas melhorias relacionadas aos produtos e processos já existentes (ASHEIM; ISAKSEN, 1996; JONSSON; PERSSON; SILBERSKY, 2000).
Inovações principais (adaptáveis): evidenciam aperfeiçoamentos em produtos já existentes, ou a inserção de novos produtos e processos no interior de um negócio já constituído (MAILLAT, 1993; JONSSON; PERSSON; SILBERSKY, 2000).
Inovações radicais: representam o desenvolvimento de um novo produto que pode, como conseqüência, originar novos mercados ou um novo paradigma tecnológico (JONSSON; PERSSON; SILBERSKY, 2000).
Figura 2.2. O alcance da inovação
Damanpour, Szabat e Evan (1989) ponderam que as inovações podem ser de natureza técnica ou de natureza administrativa.
Inovações técnicas: incidem no elemento operacional, influenciando o sistema técnico de uma organização (equipamentos e métodos de operação utilizados para transformar matéria-prima ou informações em produtos ou serviços).
Inovações administrativas: ocorrem no componente administrativo e afetam o sistema social de uma organização. Elas estão relacionadas às mudanças na estrutura organizacional ou às atividades administrativas diretamente ligadas aos objetivos estratégicos da organização.
Christensen (1997) caracterizou as inovações como de ruptura (originariamente chamada pelo autor de disruptive innovation e traduzida também por alguns especialistas do tema como inovação “disruptiva”) que geralmente costumam ser confundidas com as inovações radicais.
Inovações de ruptura: são consideradas simples ao se comparar com as tecnologias e processos que as antecedem, e sua estrutura usualmente se baseia em uma associação de elementos pouco valorizados pelas organizações já constituídas. Caracterizam-se por oferecer menos que os consumidores de mercados consolidados estão habituados a receber e, por isso, inicialmente fazem parte de mercados emergentes que não utilizam os produtos/serviços disponíveis, seja por falta de recursos ou excesso de sofisticação. Apesar das ideias de ruptura originarem-se a partir de organizações estabelecidas, muitas vezes elas são ignoradas em razão do pouco grau de incentivo financeiro oferecido aos seus produtos de linha.
Cabe destacar a classificação das inovações segundo o seu grau de abrangência, especificado pelo Manual de Oslo (2005, p. 24, 69) quanto à originalidade das inovações:
Nova para a empresa: quando a novidade implementada está limitada ao âmbito da empresa, mesmo que as mudanças já existam em outras empresas.
Nova para o mercado: quando a empresa é a primeira a introduzir a inovação em seu mercado. O escopo geográfico do que é novo para o mercado está sujeito, pois, à própria visão da empresa sobre seu mercado de operação e pode incluir empresas domésticas ou internacionais.
Nova para o mundo: quando a empresa é a primeira a introduzir a inovação em todos os mercados e indústrias, domésticas ou internacionais. Assim, uma inovação nova para o mundo implica em um grau de novidade qualitativamente maior do que uma inovação nova somente para o mercado.