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V. BÖLÜM 46 !

5. SONUÇ, TARTIŞMA VE ÖNERİLER 46 !

Apesar de ter uma história longa, o mercado de roupas de segunda mão nunca teve um poder econômico global tão vasto como a partir de 1990 (HANSEN, 1999). De acordo com Haggblade (1990), este é um mercado que exporta milhões de dólares, tendo aumentado de tamanho seis vezes entre os anos de 1980 e 1995, passando de 207 milhões de dólares, em exportação, para 1.410 milhões de dólares. Os países exportadores são: Estados Unidos, que dobrou seus números entre os anos de 1994 e 1999, Alemanha, Países Baixos, Bélgica e

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Japão, em ordem decrescente. E os países importadores, também em ordem decrescente, são: África, Países Asiáticos e América Latina (HAGGBLADE,1990).

Os países exportadores compram grandes quantidades de roupas usadas a custos módicos, armazenam em galpões próximos a grandes portos, separam as roupas por tipo e qualidade, exportando as de baixa qualidade para África, média qualidade para América Latina e alta qualidade, roupas de marcas famosas, para o Japão. Somente os Estados Unidos exportam cerca de 50 toneladas por ano de roupas usadas, sendo que no ano de 1995, 16% dos contêineres que deixam os seus portos são de roupas de segunda mão (SCHNEIDER, 2002). Estes dados apresentam a enormidade deste setor, que é por muitos desconhecida.

Nos países importadores como a África, a dinâmica de distribuição deste mercado pode ser melhor entendida através do estudo de Mhango e Niehm (2005) em Malawi, África. Os autores apresentam o fluxo de distribuição das roupas de segunda mão desde sua saída dos países de primeiro mundo até a sua chegada ao consumidor, conforme pode ser observado na Figura 9. Através de seu estudo, entendem que este é um mercado informal, mas que existe uma pequena possibilidade de crescimento formal em Malawi desde que condicionado a uma estrutura organizacional e a um sistema de distribuição efetivo. Os autores consideram, ainda, que o fluxo de distribuição existente em Malawi pode ser encontrado e testado em outros países que apresentem um mercado semelhante, a fim de buscar o desenvolvimento de um mercado de roupas de segunda mão formal.

Figura 9 – Fluxo de Distribuição de Roupas de Segunda Mão em Malawi.

Fonte: Mhango; Niehm (2005, p. 53).

Fornecedores em países desenvolvidos: Estados Unidos, Canadá, Nações Européias.

Atacadistas e organizações de caridade em Malawi.

Distribuição das roupas de segunda mão no atual mercado de Malawi: vendedores de rua, empresas

de pequeno porte, organizações de caridade.

Demanda do consumidor para roupas de segunda mão escolha, qualidade, consistência.

Crescimento potencial para um mercado formal em Malawi.

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O mercado de roupas de segunda mão faz parte de uma indústria peculiar, em função da relação instituições de caridade versus interesses comerciais. Ele é dominado por organizações familiares e organizações de caridade, sendo estas ultimas patrocinadoras de um mercado lucrativo, vendendo cerca de 40% a 75% das doações recebidas (HANSEN, 2000). De acordo com Roux e Korchia (2006) o número de estabelecimentos de mercadorias usadas tem crescido dez vezes mais que outros, além de demonstrar que as roupas são commodities importantes para este mercado. Este aparenta ser um mercado que tem seu funcionamento baseado na informalidade, pois muito pouco se tem informação a respeito de seu funcionamento e números.

Existem diversos motivos pelos quais as pessoas compram roupas de segunda mão. Um fator é o preço acessível por roupas de qualidade, significado de consumo personalizado, para se destacar ou se sentir único, por motivo de rebeldia, evitar o consumismo, evitar a demanda por novos produtos e realizar a reciclagem (ROUX; KORCHIA, 2006). No estudo de Roux e Korchia (2006), outros fatores foram encontrados e alguns confirmados: desejo de exclusividade, compra inteligente e artifício social, nostalgia e rejeição ao enquadramento.

Para Hansen (2004), as roupas de segunda-mão são utilizadas por jovens que querem demonstrar um estilo de uma determinada época, música ou filme. Estas roupas podem, ainda, estar relacionadas a um estilo vintage, remetendo a algum período da história e aos significados de autenticidade. Elas podem ser algo que ajuda a melhorar a vida das pessoas, no caso das doações, que são feitas para países do terceiro mundo, ou carregar o conceito de reciclagem, utilizado na Índia. Enfim, elas podem ajudar a desfazer ou refazer a identidade das pessoas e a transformar a lógica do mercado, já que as roupas usadas não movimentam o mercado tradicional da indústria da moda (HANSEN, 2004).

Conforme pode ser observado ao longo desta sessão, existem diversos tipos de roupas de segunda mão. Estas roupas podem ser doações para caridade, podem ser roupas de alta qualidade, podem apresentar custos modestos, podem ter um caráter de arte e de roupas raras. Podem estar relacionadas à autenticidade, ao consumo personalizado, à rebeldia, a evitar o consumismo, a evitar a demanda por novos produtos e a realizar a reciclagem. Podem ser usadas para demonstrar o estilo de uma determinada época, música ou filme, podem, ainda, estar relacionadas a um estilo vintage, remetendo a algum período da história. Além disso, elas podem ter seus significados relacionados ao desejo de exclusividade, a compra inteligente, ao artifício social, a nostalgia e a rejeição ao enquadramento. Nesta dissertação,

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desloco o olhar para as roupas que apresentam um caráter comercial, ou seja, aquelas que não estão relacionadas à caridade, mas que apresentam uma característica relacionada a roupas de segunda mão de qualidade, de marcas de griffe.

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3 MÉTODO: ETNOGRAFIA NO BRECHÓ CHIQUE

Este capítulo apresenta a metodologia de pesquisa utilizada para a realização desta investigação. Inicio apresentando o delineamento do método etnográfico e os procedimentos metodológicos realizados na pesquisa, como a utilização da observação participante, o diário de campo, as entrevistas em profundidade e o uso de documentos. Em seguida apresento como foi a escolha do campo de pesquisa, a minha entrada no campo e, por fim, como foi o meu processo de saída de campo.

Benzer Belgeler