Trends in Abroad Educational Researches
4. Sonuç, Tartışma ve Öneriler
Este objeto exigiu uma dinâmica investigativa em um duplo movimento: pesquisa bibliográfica e trabalho de campo.
Nessa perspectiva, se faz necessário observar o pensamento de Lakatos (2010) acerca da pesquisa bibliográfica, quando afirma que esta não pode ser considerada como uma simples repetição do que já foi dito ou escrito sobre um determinado assunto, e sim como um período que propicia um exame do tema a partir de várias abordagens.
Na compreensão de Gil (2008), a pesquisa bibliográfica é elaborada tendo por base a análise de material anteriormente publicado, visando a considerar as várias posições acerca de um determinado tema. Acrescenta que ela se desenvolve ao longo de uma série de etapas. Estas dependem de diversos fatores, tais como: a natureza do problema, o nível de informação que o pesquisador possui acerca do assunto e o nível de precisão que se pretende conferir ao estudo.
Por sua vez, Severino (2007) estabelece que a pesquisa bibliográfica é bastante utilizada no meio acadêmico, principalmente no campo das ciências humanas. Assim, o pesquisador recorre às pesquisas existentes a fim de dar fundamentação a seu trabalho. Nessa perspectiva, utiliza informações ou categorias trabalhadas anteriormente por outros pesquisadores, estando devidamente registrado.
Segundo Minayo (2010), a pesquisa bibliográfica, sendo um momento do processo investigativo, exige leituras suficientemente amplas para delinear o campo analítico, no interior da qual o objeto se situa, isto é, a busca de vários pontos de vista, dos diferentes ângulos do problema, que permitam estabelecer definições, conexões e mediações, demonstrando o “estado da arte”.
Em nosso percurso investigativo, a pesquisa bibliográfica, como momento fundante, se fez necessária em dois níveis distintos de reflexão: primeiro, no nível de
apropriação de um campo analítico novo em nossa formação profissional, qual seja, teorização sobre representações sociais, que se fez premente estudar, implicando um esforço de grande envergadura; segundo, no nível de retomada e aprofundamento de teorizações no âmbito da reforma psiquiátrica e, especificamente, da política de saúde mental.
Nesse nível, buscamos circunscrever categorias-chave para trabalhar as representações sociais dos profissionais do CAPS, tais como: concepção de loucura, institucionalização, desinstitucionalização, saúde mental, clínica ampliada.
Cabe salientar que a pesquisa bibliográfica se fez no início, de forma intensiva, mas ela acompanhou todo o processo, ao longo do trabalho de campo da pesquisa avaliativa e mesmo na construção do texto de dissertação.
As reflexões fundantes, propiciadas em grande parte pela pesquisa bibliográfica, foram permitindo a construção desta pesquisa avaliativa de processo, de caráter predominantemente qualitativo, elegendo como procedimento metodológico o estudo de caso.
Conforme as análises de Goldemberg (2007), o estudo de caso é um método que reúne o maior número de informações detalhadas por meio de diferentes técnicas de pesquisa, tendo em vista abranger a totalidade de uma situação, assim como expor a complexidade de um determinado caso concreto, por meio de uma imersão no objeto em estudo.
Numa busca cada vez maior de aproximação ao objeto desta pesquisa, elegeu-se como fonte de dados às falas dos sujeitos implicados no processo, a partir da utilização da entrevista como mecanismo de coleta de informações em articulação com as descobertas e achados advindas do processo de observação participante.
Para contextualizar os sujeitos da pesquisa e suas falas, fizemos uso complementar de questionários, distribuídos com todos os profissionais no espaço do CAPS geral da SER III.
De fato, trabalhamos com uma triangulação de técnicas para adentrar no campo: observação participante, questionário e entrevista. A articulação dessas diferentes vias na produção de informações e discursos mostrou-se pertinente como um fecundo caminho para chegar às representações dos profissionais dos CAPS.
Cada uma dessas vias tem uma potencialidade investigativa que buscamos explorar em nosso trabalho de campo. Cabem aportes metodológicos sobre cada uma dessas vias.
Yin (2010) assegura ser a observação participante uma modalidade de observar na qual o pesquisador não é simplesmente um observador passivo, pois pode assumir vários papéis na situação de estudo de caso e participar realmente nos eventos que estão sendo estudados.
O autor segue em suas análises, destacando que a observação participante proporciona algumas oportunidades incomuns para a coleta de dados do estudo de caso, trazendo como oportunidade mais diferenciada a capacidade de obter acesso aos eventos ou grupos que, de outro modo, seriam inacessíveis ao estudo.
Em outras palavras, para alguns tópicos, pode não haver um meio de coletar evidências que não seja por meio da observação participante. Outra oportunidade diferenciada é a capacidade de captar a realidade do ponto de vista de alguém “interno” ao estudo de caso, não de alguém externo a ele. (YIN, 2010, p. 139).
Ainda de acordo com Yin, muitos estudiosos argumentam que essa perspectiva é valiosa na produção de um retrato “preciso” do fenômeno do estudo de caso, havendo a possibilidade de o pesquisador manipular os eventos menores. A manipulação não será tão precisa como nos experimentos, mas pode produzir uma variedade maior de situações com o objetivo de coletar dados.
Ainda no contexto da observação participante, Minayo (2010) assevera que esse tipo de método pode ser considerado parte essencial do trabalho de campo no âmbito da pesquisa qualitativa. Acrescenta que o reconhecimento dessa importância é significativo, ao ponto de alguns teóricos a adotarem para além da estratégia no conjunto da investigação, mas também como método em si mesmo, tendo em vista a interpretação do real.
É interessante notar que a observação participante foi amplamente utilizada, tendo início já nos primórdios deste estudo, podendo ser justificado em função de a pesquisadora ser membro da equipe pertencente ao campo institucional pesquisado.
Concordamos com Minayo (2010) quando ela afirma que a observação participante é parte essencial do trabalho de campo na pesquisa qualitativa, um processo em que o observador está presente em uma determinada situação social visando a realizar uma investigação científica. Ao participar do contexto sociocultural
dos sujeitos, o observador colhe as informações e dados e simultaneamente o contexto é por ele modificado.
Foi nessa direção que tomamos parte em alguns atividades realizadas pela equipe, como adentrar ao grupo terapêutico de terapia ocupacional e o grupo de arteterapia. Assim sendo, priorizei a observação no ambiente cotidiano dos grupos, sempre relacionada às práticas que direta ou indiretamente permitissem um olhar voltado às formas de posicionamento dos profissionais. Gradativamente, a pesquisadora, numa postura discreta e crítica, ia interpretando e compreendendo aquele cotidiano compartilhado com os membros do grupo.
Priorizamos a observação participante, tendo em vista essa convivência mais direta e prolongada com as minhas fontes (médicos, assistentes sociais, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, psicólogos e artistas) e, assim, durante a participação de uma consulta médica, pude observar minuciosamente as falas, os gestos e silêncios, ampliando dessa forma a interpretação da realidade. Interessante destacar que, durante essa observação, havia por parte do profissional uma preocupação em dialogar os casos dos usuários que adentravam o consultório. Foi uma experiência compartilhada extremamente rica.
Pude também, durante esse período, contar com a colaboração de uma das enfermeiras da instituição que, sempre que possível, fazia articulação com outros profissionais no intuito de facilitar os processos de observação.
Na convivência mais de perto e com um olhar mais crítico e reflexivo, voltado à realidade sob estudo, fizemos um esforço para compreender e interpretar os códigos partilhados pelos grupos. A referência a grupo no plural ocorre pelo estabelecimento da formação de alianças entre membros de uma mesma categoria profissional. Foi possível verificar a existência de conflitos, divergências, intrigas entre os profissionais, o que acabava exigindo da pesquisadora um cuidado metodológico intenso, demandando comportamento atento e minucioso na forma de abordar essas pessoas e sempre respeitando seus posicionamentos.
Observamos também alguns atendimentos/ acolhimentos individuais, sempre a partir da permissão do usuário. Assim sendo, alguns aspectos foram considerados, como o período de tempo utilizado para realização do acolhimento, a forma de atender, bem como a forma de comportamento do usuário.
Esse recurso de observação participante foi sempre acompanhado do registro de dados em diário de campo, uma atividade quase cotidiana desde que adentramos
o campo de pesquisa. Nele, foram registradas todas as ocorrências, as conversas informais, as eventualidades, as dificuldades e principalmente as impressões produzidas ao término de cada entrevista.
Interessante ressaltar que, independente de estar ou não em campo, a pesquisadora fazia uso do referido recurso. “Diário de campo nada mais é do que um caderninho de notas, em que o investigador, dia após dia, vai anotando o que observa e que não é objeto de nenhuma modalidade de entrevista” (MINAYO, 2010, p. 295).
Aprofundando a discussão que envolve o uso das técnicas deste estudo, cabe refletir a definição de questionário na perspectiva de Gil (2008), para quem essa é uma técnica de investigação composta por um número significativo de questões apresentadas por escrito aos respondentes, visando ao conhecimento de opiniões, crenças, sentimentos, interesses, expectativas e situações vivenciadas.
Segundo Severino (2007), o questionário refere-se a uma combinação de questões sistematicamente articuladas, tendo por objetivo levantar informações escritas pelos sujeitos pesquisados, no sentido de conhecimento de opiniões acerca dos temas em pauta.
De acordo com Minayo (2010), o questionário diz respeito a um instrumento de captação de dados que requer cuidados e todo rigor científico para o alcance de sua validade. A autora conclui seu raciocínio dizendo:
No caso da pesquisa qualitativa, os questionários têm um lugar de complementaridade em relação às técnicas de aprofundamento qualitativo. Pois, nas abordagens qualitativas, o foco é posto na compreensão da intensidade vivencial dos fatos e das relações humanas, ao passo que os estudos quantitativos se dedicam a conhecer e a explicar a magnitude dos fenômenos. (MINAYO, 2010, p. 268).
Refletindo sobre o questionário à luz do pensamento de Minayo (2010), no sentido da utilização desse instrumento em articulação com a pesquisa qualitativa, definimos, antes de começar as entrevistas, apreender o perfil dos trabalhadores do CAPS investigado. Para essa finalidade, construímos um questionário como via complementar (Apêndice II) que foi denominado “Questionário de abordagem para construção do perfil dos trabalhadores do CAPS”, havendo solicitação de seu preenchimento pelos profissionais. Ressalta-se que foram distribuídos a todos os trabalhadores de nível superior, independentemente de participarem ou não da
entrevista. Assim sendo, das 26 unidades entregues, 19 foram devolvidas, atendendo ao que se destinava.
O questionário considerou informações como sexo, idade, profissão, titulação acadêmica, forma de vínculo com a instituição, tempo de serviço e capacitação na área de saúde mental. As informações obtidas foram sistematizadas, de modo a permitir a visualização dessas informações numa espécie de “retrato instantâneo” acerca do perfil dos profissionais do CAPS. Cabe salientar que o consolidado dessas informações será exposto em seção específica deste trabalho.
Quanto à utilização da entrevista no processo de coleta de informações, se deu por concordamos com Minayo (2010) quando refere que a entrevista, do ponto de vista mais amplo de comunicação verbal e como coleta de informações acerca de certo objeto científico, representa a estratégia mais utilizada para realização de trabalho de campo. Também se compreende que ela pode configurar uma conversa a dois ou entre vários interlocutores, realizada a partir do entrevistador, cujo objetivo é a construção de informações concernentes ao objeto de pesquisa, além da abordagem de temas relacionados de acordo com os objetivos propostos.
A autora acima propõe uma classificação para a técnica de entrevista de acordo com as suas características e forma de organização: sondagem de opinião; entrevista aberta ou em profundidade; entrevista focalizada; entrevista projetiva e entrevista semiestruturada.
Em meio a essas formas de entrevistas, elegemos como apropriada ao estudo a entrevista semiestruturada, que, para Minayo (2010), caracteriza-se por permitir a combinação entre perguntas fechadas e abertas, sendo possível ao entrevistado discorrer sobre o assunto em pauta sem se prender à indagação formulada. Ela acrescenta que as qualidades desse tipo de entrevista consistem em enumerar de modo mais abrangente possível as questões que o pesquisador deseja abordar no campo, a partir de suas hipóteses ou pressupostos advindos da definição do objeto em estudo.
Nessa perspectiva, as reflexões de Trivinos (2009) são válidas quando refere que a entrevista semiestruturada possibilita aos entrevistados certo grau de liberdade e espontaneidade, importantes ao alcance da compreensão da realidade investigada, em profundidade por parte do entrevistador.
Corroborando com os autores acima, Bleger (2007) afirma que essa modalidade de entrevista permite ao entrevistador maior flexibilidade, possibilitando
uma investigação mais profunda acerca do que está sendo dito pela pessoa escutada. Desse modo, o conjunto de informações produzidas forma uma base empírica que agregará dados para a reflexão acerca do objeto em análise.
Outro instrumento de trabalho de campo na pesquisa qualitativa igualmente importante diz respeito ao roteiro de entrevista, pois ele permite ao pesquisador, quando devidamente elaborado, fazer perguntas bem estruturadas, visando a propiciar a continuidade da conversação, conduzida por uma sequência lógica, na medida do possível, para o entrevistado.
Conforme reflete Minayo (2010), o roteiro de entrevista refere-se a uma lista de temas que desdobram os indicadores qualitativos de uma investigação. Deve haver nessa lista, como substrato, um conjunto de conceitos que formam todas as fases do objeto de pesquisa e visa, na sua forma de elaboração, à operacionalização da abordagem empírica do ponto de vista dos entrevistados. O resultado final do roteiro deve apresentar alguns aspectos: as questões levantadas devem fazer parte do delineamento do objeto; permitir haver ampliação e aprofundamento da comunicação; contribuir para que venham à tona os juízos e as relevâncias sobre os fatos e relações acerca do objeto, a partir dos interlocutores.
Nas palavras da autora,
Um roteiro difere do instrumento questionário. Enquanto este último pressupõe hipóteses e questões bastante fechadas, cujo ponto de partida são as referências do pesquisador, o roteiro tem outras características. Visa a compreender o ponto de vista dos atores sociais previsto como sujeitos/objeto da investigação e contém poucas questões. (MINAYO, 2010, p. 190)
Assim sendo, antes de dar início às entrevistas, foi elaborado um roteiro com oito questões norteadoras, tendo por objetivo facilitar o processo de exposição das falas dos entrevistados, buscando provocar um fluxo e uma ampliação da comunicação para melhor compreender as visões dos interlocutores da pesquisa.
O referido roteiro foi elaborado contemplando questões que atravessam a atual política de saúde mental, tais como: transtorno mental, reforma psiquiátrica, institucionalização, entre outras (Apêndice III).
Importa frisar que o uso das entrevistas semiestruturadas facilitou notadamente a expressão das ideias dos profissionais entrevistados. As eventuais intervenções realizadas pela pesquisadora ocorreram com o objetivo de instigar a
produção de fala dos sujeitos, a fim de elucidar aspectos obscuros das declarações, bem como de estimular o próprio relato das experiências.
Assim sendo, na medida em que os discursos adentravam o âmbito das políticas públicas e seus desdobramentos, a questão ia sendo aprofundada a partir desses estímulos, tendo em vista que a finalidade central da pesquisa era saber as representações sociais dos sujeitos em relação à questão em pauta.
As entrevistas foram realizadas com 17 profissionais do universo total dos trabalhadores que compõem a equipe do CAPS geral da Secretaria Executiva Regional III, considerando o critério definido em relação ao nível de instrução, ou seja, só foram entrevistados profissionais com nível de instrução superior.
As entrevistas foram sendo agendadas de acordo com a disponibilidade de horário de cada profissional, constituindo-se na maioria das vezes em algo que demandou da pesquisadora o exercício da resiliência, pois o fluxo dentro de um serviço CAPS pode ser imprevisível e bastante dinâmico. Como resultante dessa dinamicidade e imprevisibilidade, a maioria das entrevistas acabou sendo marcada e remarcada várias vezes.
Ressalta-se que, como integrante da equipe investigada e sujeito do campo, a pesquisadora buscou, em todo o percurso investigativo, construir um distanciamento/ proximidade crítica, no sentido de permanente vigilância epistemológica, pensada na perspectiva de Sousa (1994) ao refletir sobre o poder instituído e propondo, ao invés do “distanciamento crítico”, uma “proximidade crítica”, ou seja, “nem guiar” e “nem servir”, mas fazer o que é necessário sem perder a autonomia de pensar criticamente. Assim sendo, para vivenciar a tarefa investigativa como pesquisadora, buscou entrar no período de férias. Logo, nessa ocasião esteve sempre no espaço institucional como pesquisadora, com o tempo dedicado exclusivamente à realização das entrevistas.
No entanto, muitas vezes a dinâmica do campo exigiu que a pesquisadora ajudasse na execução do trabalho, realizando o acolhimento de usuários, como forma de otimizar o tempo do profissional para a realização da entrevista.
No tocante ao encerramento da coleta de informações, esta ocorreu considerando as múltiplas dimensões do objeto investigado, numa perspectiva de maior aprofundamento, abrangência e diversidade no processo de compreensão da realidade investigada.
Nessa direção, foi realizado um número suficiente de entrevistas, de modo a recobrir todas as categorias profissionais que constituem a equipe do CAPS geral da SER III, conforme mostra a tabela abaixo.
Tabela 1
Número de profissionais do CAPS geral SER III por categoria cobertos pela pesquisa
Período: 2012
Função Número de profissionais
Artista 1
Assistente Social 1
Coordenador de Equipe 1
Coordenador Regional de Saúde
Mental 1 Enfermeiro 2 Médico 5 Psicólogo 3 Terapeuta Ocupacional 3 Fonte: Autora. 5.5 Parâmetros éticos
Por se tratar de uma pesquisa envolvendo seres humanos, foi necessário obedecer às exigências burocráticas legais, em conformidade com a resolução 196/1996 do Conselho Nacional de Saúde, que estabelece a regulação de pesquisas dessa natureza.
Desse modo, a pesquisa inicialmente foi inscrita na Plataforma Brasil, que diz respeito a uma base nacional unificada de registros de pesquisa envolvendo seres humanos, permitindo que as pesquisas sejam acompanhadas nos diversos estágios.
Após inscrição na base de registros, a pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Maternidade Escola Assis Chateaubriand, que aprovou o projeto em 31 de julho de 2012.
O supracitado Comitê de Ética submeteu a uma apreciação os instrumentos de coleta de informações pertencentes ao estudo. Tais foram: roteiro de entrevista semiestruturada (Apêndice III) e Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (Apêndice IV).
Assim sendo, na segunda quinzena do mês de outubro de 2012 foram iniciadas as entrevistas, que aconteceram individualmente nas dependências do CAPS, em salas cuidadosamente reservadas, no sentido de garantir o sigilo das informações.
Por ocasião, foi informado sobre o Termo de Consentimento e Livre Esclarecido (TCLE) e, após assinatura do referido termo, houve solicitação e consequente permissão para o uso de gravador, a fim de assegurar a fidedignidade do conteúdo das falas dos sujeitos.
Nesse contexto, registra-se ainda a exceção de três entrevistas que foram realizadas em outros ambientes institucionais diversos ao CAPS. Uma delas chamou atenção pela singularidade reservada, uma vez que sua realização se deu durante a noite, num banco de jardim de uma universidade.
Buscou-se criar uma atmosfera acolhedora entre entrevistado e entrevistador para que pudessem sentir-se confortáveis ao expressar suas opiniões acerca do tema em questão.
Ao tempo em que se esquadrinhava a construção dessa ambiência de conforto para os entrevistados, existiu um amplo esforço da pesquisadora no sentido de fazer o distanciamento/ proximidade críticos necessários (demandou um exercício diário e desgastante em certa medida) de seu objeto de estudo, uma vez que ela é parte dele, e dessa forma tornando-se mais vulnerável à construção de posições valorativas, derivadas, sobretudo, da interação existente entre a pesquisadora e os sujeitos entrevistados.
Sobre esse aspecto, nos fala Goldenberg (2007) que, para obtenção de uma entrevista realizada com sucesso, se faz necessário atentar para alguns aspectos,