O levantamento quantitativo
Os questionários da primeira etapa da pesquisa foram elaborados em julho de 2013 e foram submetidos a um pré-teste junto a uma amostra de 15 alunos de licenciatura em
Ciências Biológicas de outra universidade37. A princípio foram elaborados dois questionários
– um para licenciandos não bolsistas e outro específico para os bolsistas do PIBID. A aplicação do pré-teste mostrou que seria mais eficiente elaborar um instrumento único para ambos os públicos. Além disso, o instrumento testado mostrou-se extremamente extenso, por conter grande número de questões abertas. A realização do pré-teste permitiu identificar as lacunas do instrumento e reformulá-lo. Após a reformulação, o novo questionário ainda foi
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Trata-se dos alunos de Estágio Supervisionado em Ciências da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, onde esta pesquisadora é docente.
submetido a novo pré-teste e algumas pequenas alterações foram realizadas, especialmente quanto à formatação (veja Apêndice 2).
A primeira etapa da coleta de dados foi realizada nos dias 26 de agosto e 02 de setembro de 2013, durante as aulas de Estágio Supervisionado III, ministradas para os turnos matutino e noturno, respectivamente. Durante o semestre letivo, três alunos desistiram de freqüentar as disciplinas, portanto, o universo dos alunos que cursavam Estágio III no segundo semestre de 2013 era de 63 licenciandos. Foram aplicados questionários para as duas turmas ofertadas pela manhã, que totalizaram 20 matriculados, dentre os quais 14 respondentes. Nas três turmas restantes, ofertadas no turno da noite, estavam matriculados 46 alunos, dentre os quais 38 respondentes. O total de questionários respondidos somou 52. Os dados coletados foram tratados estatisticamente, o que nos permitiu traçar o perfil dos alunos desta disciplina, em sua maioria formandos no curso de licenciatura em Ciências Biológicas do segundo semestre de 2013. A opção pelo uso de questionários se deu em função de ser este um instrumento que possibilita recolher informações em amostras de maior alcance, economizando tempo e recursos, e permitindo o levantamento de dados quantificáveis (GIL, 2008).
O levantamento qualitativo
A segunda etapa consistiu na realização de dois grupos focais, realizados nos dias 25 de novembro e 05 de dezembro de 2013, respectivamente. O grupo focal foi a técnica escolhida para recolher informações sobre as expectativas profissionais de alunos não bolsistas e bolsistas do PIBID e compará-las entre si.
Segundo Barbour (2009), entrevistas com grupos focais são adequadas a estudos que buscam entender atitudes, preferências, necessidades e sentimentos individuais e entre grupos. Essa é uma técnica qualitativa, não-diretiva, cujo resultado visa o manejo da discussão de um grupo de pessoas que tem características comuns. Nesta técnica o mais importante é a interação que se estabelece entre os envolvidos, permitindo análise de atitudes e expressões verbais, bem como das diferenças entre opiniões expressadas. Portanto, é um instrumento adequado quando se pretende comparar opiniões, em busca de similaridades e diferenças, tanto individuais quanto entre grupos.
O primeiro grupo focal teve como público-alvo os licenciandos não bolsistas do PIBID. Compareceram ao grupo focal sete alunos, sendo 2 deles do turno da manhã e os
demais do turno da noite. Para a realização do segundo grupo focal contamos com a participação de 7 bolsistas e 1 ex-bolsista do PIBID Biologia. A opção pela investigação dos licenciandos não bolsistas se deu em função da possibilidade de um estudo comparativo com os bolsistas do PIBID.
Segundo Barbour (IBIDEM), a composição ideal dos grupos varia entre 6 a 10 participantes, motivo pelo qual selecionamos em torno de 7 integrantes para cada grupo. Morgan (1998) apud Barbour (2009) ressalta que o grupo focal deve ser composto por um grupo com características semelhantes, mas que seja relativamente diverso no que tange às contribuições individuais para o enriquecimento das discussões no grupo. No nosso caso,
buscamos os licenciandos que já haviam passado pela mesma experiência – o Estágio
Supervisionado – para a composição dos grupos.
Outro aspecto levantado pela autora supracitada é o tempo de duração dos grupos, que não deve exceder duas horas, para não tornar-se cansativo para os participantes. Também a mediação do grupo focal deve ser cuidadosa. O papel do mediador é garantir a fluidez do grupo, fazendo intervenções que ajudem a manifestação das interações entre os participantes (BLOOR et al., 2001 apud BARBOUR, 2009). Os dois grupos focais foram conduzidos por esta pesquisadora, uma vez que os alunos não tinham nenhum contato pessoal ou profissional conosco, o que poderia gerar constrangimentos.
Outro aspecto importante sobre a condução de grupos focais é a elaboração prévia de um roteiro semiestruturado, com questões ou tópicos que guiarão a discussão no grupo. É importante começar por questões gerais que vão se afunilando a perguntas mais específicas. Ressalta-se que o roteiro é um guia flexível, e não um protocolo estruturado. Isso porque os moderadores precisam reagir rapidamente e saber aproveitar os comentários dos pesquisados para aprofundar ou esclarecer os tópicos. Barbour (2009) sugere que se faça uso de estratégias que facilitem a entrada nos tópicos escolhidos, como começar com perguntas inofensivas ou materiais de estímulo, que lancem mão do humor ou sejam úteis para quebrar o gelo entre os participantes. É importante também que as questões exploradas no roteiro sejam seguidas de probes38, tais como ―Fale mais sobre isso‖, ―Dê um exemplo‖, etc. Os roteiros dos dois grupos focais que conduzimos encontram-se no Apêndice 3.
Barbour (2009) sugere que, sempre que possível, se tenha um observador assistente, que registre o fluxo da discussão e o clima de interação no grupo. Em nossos grupos, contamos com a colaboração de pelo menos um observador assistente, que auxiliou nas
gravações em áudio e vídeo e fez o registro do fluxo e clima dos grupos, anotando a primeira palavra de cada fala e fazendo comentários sobre o clima da discussão (ex: ―vários falam ao mesmo tempo‖, ―Fulano interrompe Cicrano‖, etc).
Após gravados, os grupos focais foram transcritos na íntegra39. Os sinais empregados
nas transcrições baseiam-se em Buty e Mortimer (2008), objetivando manter explícitas algumas diferenças da linguagem oral e da escrita: a barra / significa pausa curta na sequência da fala; ? significa mudança no tom, indicativo de pergunta; trechos entre colchetes [ ] significam comentários de análise; falas entres parênteses duplos, (( )), significam que se trata de fala da pesquisadora. Já os símbolos (...) significam trechos de falas eliminados da transcrição a fim de incorporar recortes significativos ao presente estudo.