6. SONUÇ VE ÖNERİLER
6.1. Sonuç
O Complexo Guanhães – ou Complexo Basal, no sentido de Silva (2000) – na área estudada compõe-se de três litotipos: um biotita-hornblenda gnaisse, que domina quase a totalidade da unidade; rochas metabásicas, que podem ocorrer como lentes ou corpos em geral hectométricos; e, de forma mais rara, lentes de rochas metaultramáficas.
3.1.1. Biotita-hornblenda gnaisse
Representando a maior porção do embasamento, este litotipo aflora na porção oeste do mapa, formando morros de cristas retas a arredondadas e solo silto-arenoso de cor rosada a avermelhada.
O gnaisse caracteriza-se por bandamento centimétrico a decimétrico, com bandas de coloração branco-acinzentada a cinza, mais raramente com bandas cinza-escuro a pretas, resultantes principalmente da variação no conteúdo de biotita e hornblenda (Figuras 3.3-a e 3.3-b). No contato com os metassedimentos situados a leste, caracterizado por uma zona de cisalhamento reversa a transpressiva dextral, o bandamento é bem marcado, com bandas retilíneas e intercalações mais proeminentes, de dimensões decimétricas a métricas (Figuras 3.3-c e 3.3-d). Nesta porção, texturas miloníticas são comuns, com presença de porfiroblastos rotacionados, sigmóides de foliação, dobras
17 intrafoliais e boudins. Em direção a oeste, o bandamento torna-se mais difuso, possuindo o aspecto bem marcado apenas localmente. As variações no bandamento passam a ser mais discretas, com intercalações de bandas intermediárias entre as máficas e as félsicas, em dimensões centimétricas a decimétricas.
As bandas máficas (Figura 3.3-e) possuem granulação média e textura lepidogranoblástica a nematogranoblástica, variando, respectivamente, com sua composição mais biotítica ou anfibolítica. São compostas por hornblenda (10-70%), biotita (2-60%), plagioclásio (15-20%), quartzo (3-15%), microclina (1-10%) e clinopiroxênio (0-10%). Titanita, apatita, zircão e opacos são acessórios. Os cristais de biotita, anfibólio e piroxênio nestas bandas são alongados e orientados, marcando foliação. Piroxênio frequentemente está uralitizado. Alguns cristais de anfibólio apresentam biotitização, indicando processos retrometamórficos. Titanita é comum, normalmente em finos cristais circundando as massas de anfibólio. Localmente as bandas apresentam enriquecimento em anfibólio, que perfaz mais que 90% da rocha.
As bandas félsicas (Figura 3.3-f) caracterizam-se por textura granoblástica a granolepidoblástica, equigranular, granulação fina a média, com contatos entre os cristais predominantemente retos, variando a irregular. Possuem composição sienogranítica, representada por microclina (55-75%), quartzo (10-30%), plagioclásio (5-10%), biotita (1-4%) e anfibólio (0- 4%). Opacos, zircão, titanita e apatita são raros. Os cristais de microclina e plagioclásio são subédricos, comumente com maclas deformadas. O plagioclásio possui maclas comumente bem grossas. Quartzo está em cristais anédricos a subédricos, comumente com contatos poligonais entre os cristais e extinção ondulante. Biotita é o mineral máfico mais comum, está em finos cristais subédricos a euédricos, orientados.
Bandas intermediárias comumente são compostas por anfibólio (~35%), biotita (5-30%), microclina (20-30%), quartzo (10-15%), plagioclásio (2-5%) e titanita (1-7%).
Dentre as variações locais da composição das bandas, podem ocorrer bandas leucocráticas compostas por quartzo, microclina, plagioclásio e granada; bandas biotíticas, com biotita, anfibólio e microclina; bandas anfibolíticas, compostas por quase sua totalidade por anfibólio.
Intrusões pegmatóides são frequentes, principalmente na porção leste. Estão presentes paralelas ao bandamento, mas sua maior ocorrência é como apófises de dimensões decimétricas a métricas discordantes do bandamento.
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Figura 3.3. A) e B) Aspecto do biotita-hornblenda gnaisse nas porções mais internas do embasamento, com bandamento centimétrico a decimétrico, irregular a reto. C) e D) Bandamento decimétrico a métrico do gnaisse próximo à zona de cisalhamento, predominando na foto a banda félsica em (C). E) Fotomicrografia da banda máfica do gnaisse. F) Fotomicrografia da banda félsica do gnaisse.
B
A
D
C
Qtz Micr Pl HblF
E
mm 250 µm Ttn Bt19 3.1.2. Metabasitos
Este litotipo possui duas variedades litológicas, cujas principais diferenças encontram-se na textura e, subordinadamente, na composição mineralógica modal. Ambos ocorrem como lentes ou bandas paralelas ao bandamento do biotita-hornblenda gnaisse ou ainda como corpos de dimensões decamétricas a quilométricas, de direção predominantemente leste-oeste. O solo gerado por estas rochas é vermelho a vermelho escuro, a vegetação é densa e os morros possuem cristas arredondadas.
Por estar comumente intercalado e transposto junto ao bandamento gnáissico, a relação primária entre o gnaisse e o metabasito é comumente mascarada. Apenas em um afloramento, mostrado na Figura 3.4-a, observa-se que estes corpos intrudem o gnaisse cortando-o ou concordante ao seu bandamento.
Figura 3.4. A) Relação possivelmente intrusiva dos metabasitos no gnaisse, tendo sido deformado e intrudido por pegmatitos posteriormente. B) Aspecto em amostra de mão dos anfibolitos, com textura nematoblástica bem marcada. C) Hornblenda-fels com textura granoblástica.
A
20 O primeiro dos subtipos é um anfibolito, preto quando fresco, acinzentado a avermelhado quando intemperizado, com textura nematoblástica, equigranular, granulação média e foliação bem marcada. Os cristais de anfibólio são alongados e orientados e, menos comumente, cristais de quartzo e plagioclásio também estão discretamente estirados (Figura 3.4-b e Figuras 3.5-a e 3.5-b).
Sua composição principal é: anfibólio (61-76%), plagioclásio (5-30%) e quartzo (5-18%). De maneira variável ocorrem granada (0-6%), titanita (0-6%) e clinopiroxênio (0-4%). Apatita, zircão e opacos são raros. O principal anfibólio é a hornblenda, que está em cristais prismáticos, subédricos a euédricos, alongados, com forte pleocroísmo. Plagioclásio está em cristais subédricos e comumente não apresentam as maclas polissintéticas, sendo bem distinguível principalmente nas rochas mais alteradas, em que a sericitização e caolinização são comuns. O diopsídio é o piroxênio presente nestas rochas, apresenta frequentemente uralitização e possui matizes pálidas, variando de verde a verde azulado. Granada é comum, em cristais anédricos a subédricos de até 1 mm de diâmetro.
O segundo litotipo é um hornblenda-fels, que se diferencia do anfibolito pela ausência de foliação, apresentando estrutura maciça (Figuras 3.4-c e 3.5-c e 12-d). A textura destas rochas é granoblástica e a granulação fina. Sua composição é: anfibólio (~57%), diopsídio (~20%), plagioclásio (~10%), granada (~8-10%), quartzo (~4%) e titanita (~2%). Hornblenda forma aglomerados de dimensões em torno de 0,5-1 cm, de cristais finos, majoritariamente com 0,2 mm de diâmetro. Os prismas são curtos, largos e pequenos. No centro destas massas, o diopsídio se destaca pelo seu relevo mais forte, pleocroísmo fraco e cor mais pálida. Possuem em torno de 2-3 mm de comprimento. Granada é bastante comum e está presente principalmente circundando as massas de anfibólio/piroxênio. Plagioclásio ocorre em cristais subédricos, pouco alongados, ainda preservando maclas polissintéticas segundo lei da albita. Localmente as maclas tornam-se difusas e apresentam extinção ondulante. Quartzo ocorre em cristais subédricos de contatos poligonais. Titanita está em cristais subédricos, também crescendo próximo aos cristais de anfibólio e possuem em média 1mm de maior alongamento.
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Figura 3.5. A) Anfibolito formado majoritariamente por hornblenda e plagioclásio, com textura nematoblástica marcante. B) Fotomicrografia em detalhe de anfibolito, com cristais de hornblenda orientados, granada e titanita. C) Fotomicrografia do hornblenda-fels ao microscópio, com textura granoblástica. D) Detalhe dos cristais de diopsídio no centro de cristais de hornblenda.
3.1.3. Rochas metaultramáficas
As rochas metaultramáficas ocorrem como corpos de extensão decamétrica ou em camadas boudinadas, intercaladas no biotita-hornblenda gnaisse (Figura 3.6-a). Possuem comumente estrutura maciça, cor preta e granulação média a grossa. Macroscopicamente são facilmente identificados cristais de anfibólio, algumas vezes formando agregados fibrorradiais de aproximadamente 1 cm de diâmetro. Duas variadades principais foram encontradas, sendo ambos xistos, mas com um deles preservando minerais ígneos, como ortopiroxênio e olivina, e o outro completamente metamorfisado, sendo composto principalmente por tremolita e clinocloro (Figura 3.6-b). De forma rara, o primeiro pode ocorrer com fenocristais de piroxênio (Figura 3.6-c).
A primeira variedade é um clinocloro-tremolita xistos com textura nematolepidoblástica, composta predominantemente por uma matriz fina de clinocloro (50%) e tremolita (20%) envolvendo clastos de ortopiroxênio (12%), clinopiroxênio (5%) e anfibólio (2%) (Figura 3.7-a). Cristais de hercynita (1%) encontram-se pintalgados pela amostra. Os cristais de piroxênio são
Pl Hbl Grt
B
A
1 mm 250 µm Ttn Pl Hbl Hbl Cpx Pl HblD
C
250 µm 1 mm Cpx Grt Hbl Cpx Hbl22 centimétricos, atingindo até 2 cm de comprimento, em cristais anédricos. Tremolita ocorre como cristais finos, subédricos, orientados na matriz da rocha (e em meio ao clinocloro) atingindo até 1 mm de comprimento. Clinocloro é o mineral predominante, os cristais estão orientados, marcando foliação, lamelares, subédricos, com até 3 mm de comprimento, mas predominando com em torno de 1 mm de comprimento.
O outro litotipo é um xisto composto majoritariamente por tremolita (~50%) e clinocloro (~30%), com textura nematoblástica, granulação média a grossa, com cristais de tremolita de até aproximadamente 1 cm de comprimento (Figura 3.7-b). Os cristais de tremolita são anédricos a subédricos com fraturas preenchidas por carbonato (14%) e talco (5%). Os cristais de clinocloro possuem granulação média a grossa, também alcançando 1 cm de comprimento, com formas subédricas a euédricas, localmente fraturados. Hercynita (1%) ocorre como cristais pintalgados pela amostra, mais raramente concentrados, anédricos a subédricos até 1 mm de largura (Figura 3.7-c).
Figura 3.6. A) Lente de metaultramáfica intercalada no gnaisse do embasamento e boudinada, Mu: metaultramáfica, Gn: gnaisse. B) Rocha metaultramáfica composta principalmente por clinocloro e tremolita. C) Rocha metaultramáfica do embasamento, composta principalmente por piroxênio em cristais centimétricos (cristais prismáticos na foto).
B
A
C
Mu
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Figura 3.7. A) Fotomicrografia de rocha metaultramáfica intercalada no embasamento, composta principalmente por clinocloro (Ccl) e talco com cristais de piroxênio intensamente uralitizados. B) Rocha metaultramáfica composta predominantemente por clinoanfibólio e talco. C) Cristal de hercynita em rocha metaultramáfica.