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VI. SONUÇ VE ÖNERĠLER

7.1. Sonuç

A empresa missionária estabelecida pela Teologia protestante reformada transferiu para o Brasil algumas particularidades dessa luta interna, na medida em que seus missionários não eram somente pregadores desse novo evangelho, mas também exímios professores e educadores, instalando uma vasta rede de escolas e educandários confessionais por toda a área missionária. O aspecto novo dessa proposta teológico- educacional foi que, embora a maioria deles tenham se formado em seminários teológicos acadêmicos em seu país de origem, ao serem enviados aos novos campos de atuação missionária reproduziam, antes de tudo, sua base ideológico-confessional, fruto dos movimentos de avivamento religioso, baseada nos já citados princípios puritanistas de avivamento, polêmica e moralização. Para Mendonça (1984, p. 215):

a Teologia que eles trouxeram para o culto no Brasil não foi a acadêmica, mas a Teologia das suas formas de crença, no seu conjunto a Teologia dos avivamentos à qual as diversas tradições haviam se esforçado para encontrar meios de ajustamento. De modo que a Teologia dos púlpitos e do culto em geral não foi a dos seminários e academias. Essa mesma defasagem ocorreu no Brasil quando os presbiterianos começaram a formar os seus pastores em seminários. As complicações da Teologia não eram levadas para o púlpito. O púlpito desempenhou no Brasil um triplo papel: o de polemizar contra a Igreja Católica, o de infundir moral e o da explanação bíblica. Esse último papel talvez tenha sido responsável pela única via pela qual o protestantismo pode mostrar a sua presença na cultura brasileira. O conhecimento das línguas bíblicas, a prática da exegese e da hermenêutica sobre os textos sagrados produziu filólogos e gramáticos conhecidos. Por outro lado, a polêmica e o moralismo isolaram os protestantes da cultura, assim como este último, o moralismo, parece ter fechado as portas dos eruditos protestantes para a literatura.

Baseados na ideologia dos avivamentos, os missionários já trouxeram ao Brasil as várias tendências teológicas protestantes que se configuravam no seu país de origem, que, em contato com os novos estratos sociais brasileiros, produziram aqui um sincretismo ‘sui generis’. A primeira barreira ideológica estava nos próprios pressupostos teológicos do calvinismo, quanto às bases de fé constituídas pelos conceitos de predestinação e da soberania e Glória de Deus. Muito embora os conceitos de soberania e Glória de Deus se mantivessem relativamente intactos nas pregações missionárias, como pregar a predestinação dos eleitos, se o objetivo era arrebanhar fiéis entre as fileiras do catolicismo romano? Entretanto, a oratória e a pregação conversionista ou polêmica acabou ganhando muitos adeptos no Brasil, baseada

geralmente na busca da verdade protestante contra o erro católico e o bom pregador era aquele que, além de saber arrebatar os ouvintes a partir de sua oratória dramática, também era capaz de construir uma lógica intelectualizada que justificasse seus argumentos expansionistas.

Assim, o fiel protestante desenvolveu uma postura pietista-puritanista em relação à Bíblia, que o distanciou do escolasticismo dos sistemas teológicos, como já tinha ocorrido na Europa, sendo possível então entender a ambigüidade entre o ensino institucional protestante no Brasil e o comportamento religioso de seus adeptos. Com isso, as denominações, como instituições, são identificáveis, entretanto as formas pessoais de crença religiosa, não. As razões para tal estão na intermediação, isto é, nas formas pessoais das pregações e visões dos missionários itinerantes, aliadas à grande variedade de expressão cultural e religiosa do povo brasileiro receptor dessa mensagem ideologizada. A vivência do cotidiano religioso parece ser mais determinadora dos novos conceitos e adaptações vinculadas às missões, do que sua orientação fiel aos construtctos teológicos das doutrinas dogmatizadas de origem.

Essa tensão entre o espírito pietista-puritanista e a instituição se manifesta mais claramente nas escolas teológicas,13 onde há uma permanente desconfiança mútua, porque a reflexão teológica ali praticada pode facilmente solapar as bases de fé desse mesmo espírito. Tem-se então, de um lado, a sistematização do pensamento teológico em fórmulas de fé, que podem sobrepor-se ao individualismo e, do outro lado, o movimento de idéias pessoais ou setoriais, que podem abrir caminho para o livre- pensamento e predispô-lo à mudanças consideradas “perigosas”. Freqüentemente, a

13 Escolas teológicas: Segundo Pereira (1965, p.11), a fundação de um seminário para a formação de um ministério nacional idôneo no Brasil – a disputa entre os Committees de Nashville e Board na

determinação do local (São Paulo ou Rio de Janeiro), bem como de sua orientação teológica (subentende- se não liberal – O Board de Nova York já mantinha em São Paulo a Escola Americana (1870) e, desde 1875, também uma classe teológica anexa, além do projeto de fundar-se uma Universidade Protestante, hoje modificado no atual Colégio Protestante ou Colégio Mackenzie de São Paulo e temia-se que a orientação teológica menos fervorosa do Colégio, por tratar-se de uma instituição secular, absorvesse o futuro seminário). “O diretor do Colégio Protestante dava mostras de ser um livre pensador ou racionalista, pouco impressionado com os dogmas do cristianismo e com as ordenanças eclesiásticas e mais adstrito à moral da Bíblia, na sua obra de educador. Receava-se, pois que sua influência sobre os futuros ministros do evangelho fosse altamente prejudicial, enfraquecendo-lhes a impressão religiosa e o respeito pelos dogmas, de que seriam eles os pregadores. Além da pessoa do diretor, o próprio plano educativo do Colégio Protestante inspirava justificados receios. O pequeno número dos candidatos ao ministério estaria subordinado à influência e aos interesses da vasta maioria preponderante de meninos e moços estranhos à religião evangélica. Esta subordinação devia forçosamente enfraquecer o preparo intelectual, moral e religioso dos futuros ministros.”

instituição Igreja14 se alia ao espírito pietista-puritanista para manter sob controle suas escolas de Teologia. Existe, por assim dizer, um acordo silencioso entre a instituição Igreja e esta tendência teológica, que administra essa tensão no contexto das escolas teológicas. Os conflitos daí resultantes, via de regra, são solucionados institucionalmente, relativizando a pesquisa e a criatividade no campo da produção teológica. Esse espírito pietista-puritanista anti-Teologia costuma minimizar o efeito da reflexão teológica, impedindo que a mesma venha inquietar as bases confessionais da Igreja como um todo.

2.2.3 A Formação e Organização da Igreja Presbiteriana Independente do

Benzer Belgeler