Em São Paulo, museus de arte-não universitários, criados por iniciativa privada no final da década de 1940, como Museu de Arte de São Paulo (MASP) e Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP), logo que foram abertos passaram a oferecer cursos para o público em geral. Ambos davam cursos em diversas áreas – música, cinema, literatura, artes plásticas – a partir de uma visão mais ampla da produção artística.
O MASP ofereceu em 1947 três cursos: História da Arte, Monitores para Museus e Vitrinista. Organizou em 1948 o Clube de Arte Infantil, e ofereceu curso de música; em 1949, curso de cinema. Em 1951 e 1952 o MASP organizou o Instituto de Arte Contemporânea, primeira escola de desenho industrial do Brasil.28
Entre 1948 e 1958 o MAM/SP “realiza quase cem conferências, cursos sistemáticos de história da arte...” (Lourenço, 1999:111), oferece cursos de Filosofia, Estética e cria cursos de monitoria para as Bienais. Entre 1952 e 1959 manteve a Escola de Artesanato.
Nos anos 80 a oferta de cursos na área de arte por parte de museus e centros culturais se amplia, com atuação do Centro Cultural São Paulo, o Museu Lasar Segall, o SESC Pompéia e o Museu de Arte Contemporânea da USP, entre outros.
A discussão sobre o papel educativo dos museus já está bastante amadurecida e tem sido amplamente pesquisada dentro dos museus e nas universidades.29 Nossa
arte, Dissertação de Mestrado, ECA/USP, 2000. TOJAL, Amanda P. F. Museu de Arte e Público Especial. Dissertação de Mestrado, ECA/USP, 1999.
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O ensino da arte em museus não-universitários é comum em todo o mundo. Nos EUA, por exemplo, muitos museus criaram cursos logo após sua criação: O Metropolitan Museum de Nova Iorque oferecia palestras para adultos em 1872, dois anos após sua criação; o Boston Museum of Fine Arts utilizou salas vazias para dar aulas para adultos em 1976; e em alguns casos os programas educativos foram iniciados antes do estabelecimento do museu, como o Toledo Museum (1903) e o Cleveland Museum (1915). (Newson, 1978:13)
28 Associação de Arte-educadores, A História da arte-educação em São Paulo: primeiro livro de
registros. São Paulo, 1986:37 e 47.
29 No Brasil, na área de Museologia, a maior parte das dissertações e teses tem como tema
central ou trata em alguma parte a educação em museus. Algumas delas são: ALENCAR, Vera Maria Abreu de. Museu-Educação: Se faz caminho ao andar... Dissertação de Mestrado, PUC/RJ, 1987. ALMEIDA, A. M. A relação do público com o Museu do Instituto Butantan:
discussão refere-se especificamente ao tipo de ação educativa adequada para museus universitários. Essa ação seria mais ampla do que a de museus não universitários por ter que abranger necessariamente o público universitário.
Os museus universitários são formados a partir da doação de coleções públicas ou privadas para instituições voltadas para o ensino, mas não necessariamente o ensino da arte. No Brasil, os museus de arte universitários têm poucas atividades voltadas para o público universitário da área de arte, sendo que muitas vezes os museus foram incorporados às universidades muito antes da criação de cursos de arte.
1995. BRUNO, Maria Cristina Oliveira. O Museu do Instituto de Pré-História: um museu a
serviço da pesquisa científica. Dissertação de Mestrado, FFLCH/USP, 1984. CAZELLI, Sibele. Alfabetização científica e os museus interativos de Ciências. Departamento de Educação.
PUC/RJ. 1992. CINTRA, M. C. R. Olho Vivo - Arte-Educação na exposição Labirinto da Moda:
uma aventura infantil. São Paulo: Tese de Doutorado, ECA/USP, 2000. FREIRE, Beatriz
Muniz. O encontro Museu/Escola: o que se diz e o que se faz. Dissertação de Mestrado. Departamento de Educação. PUC/RJ. 1992. GASPAR, Alberto. Museus e centros de ciências:
conceituação e proposta de um referencial teórico. Tese de Doutorado, FEUSP, 1993.
GRINSPUM, D. Educação para o Patrimônio: Museu de Arte e Escola Responsabilidade
compartilhada na formação de públicos, Tese de Doutorado, FEUSP, 2000. HEIZER, A.L. Uma casa exemplar: Pedagogia, Memória e Identidade no Museu Imperial de Petrópolis.
Dissertação de Mestrado, Departamento de Educação, PUC/RJ. 1994. LOPES, Maria Margaret. Museu: uma perspectiva de educação em geologia. Dissertação de Mestrado, Faculdade de Educação/UNICAMP, Campinas, 1988. OCAMPO, Liana R. Teresa. Os cegos e
os museus: a utilização do museu como espaço educacional para deficientes visuais.
Dissertação de Mestrado, Centro de Educação e Humanidades, Universidade Estadual do R.J. l987. SANTOS, M.C.T.M. Processo Museológico e Educação: construindo um Museu didático -
comunitário, em Itapuã. Tese de Doutorado, UFBA, 1995. TAMANINI, Elizabete. Museu Arqueológico de Sambaqui: um olhar necessário, Dissertação de Mestrado, FE/UNICAMP,
1994.. VALENTE, Maria Ester Alvares. Educação em Museus. O público de hoje no museu de
105 5. Coleções de universidades do Brasil: afastadas do ensino universitário?
Vejamos a data de abertura ao público dos museus de arte universitários a partir de levantamento realizado por nós em 1998 e atualizado com as fontes disponíveis30:
Nome do Museu Universidade Área do acervo Data
abertura
1.Museu de Arte Sacra da Bahia UFBA Arte Sacra 1959 2.Museu de Arte da UFC - MAUC UFC Arte Contemporânea 1961 3.Museu de Arte Brasileira - MAB FAAP / SP Arte 1961
4.Museu de Arte Contemporânea -
MAC USP Arte Contemporânea 1963
5.Galeria Brasiliana UFMG Arte 1966 6.Museu de Arte Assis Chateaubriand
– MAAC UEPB Arte 1967
7.Coleção de Artes Visuais – IEB USP Arte 1968
8.Museu do Seridó UFRN Arte Sacra / História 1968 9.Galeria de Arte Espaço Universitário UFES Arte Contemporânea 1978 10.Museu de Arte e de Cultura Popular UFMT Arte Contemporânea 1974 11.Museu da Gravura Brasileira URCAMP/ RS Arte - Gravura 1977 12.Museu de Arte Popular UFPB Arte local 1978 13.Museu D. João VI UFRJ Arte 1979 14.Galeria de Arte UNICAMP UNICAMP /
SP Arte Contemporânea 1984 15.Museu Regional de Arte UEFS / BA Arte 1985
16.Pinacoteca UFPB Arte local 1987
17.Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo UFPel / RS Arte local 1996
Os museus de arte universitários foram criados nos últimos 42 anos, sendo o Museu de Arte Sacra da UFBA o mais antigo de todos, fundado em 1958 e aberto ao público em 1959. O Museu de Arte Sacra da UFBA e o Museu D. João VI da UFRJ apresentam obras do período colonial e também do século XIX, enquanto todos os outros dão ênfase às manifestações artísticas do século XX, incluindo a arte popular.
A maior parte dos museus foi constituída para valorizar e divulgar a arte regional, com exceção do Museu de Arte Brasileira da FAAP, a Galeria Brasiliana da UFMG, o Museu de Arte Contemporânea da USP, Coleção de Artes Visuais do IEB, Museu D. João VI e o Museu Regional de Arte da UEFS. Estes são resultantes de doações de coleções já formadas por iniciativa de pessoas de fora das universidades. No caso de São Paulo e Rio de Janeiro, impera ainda a vontade dessas cidades definirem-se como as metrópoles brasileiras. Indicador dessa intenção são os museus históricos com
30 Gostaríamos de chamar atenção para as fontes: os cadastros preenchidos pelos museus
para a Vitae e/ou CPC/USP muitas vezes procuram mostrar o museu melhor do que ele realmente é, alterando ou “embelezando” algumas informações. Além disso, alguns desses formulários foram preenchidos há mais de quatro anos, trazendo dados desatualizados. Por isso, procuramos manter contato direto com profissionais desses museus e encontrar documentos que complementassem os dados, de maneira a nos aproximar de um quadro mais próximo da “real” condição de cada museu.
pretensões de contar a história nacional31, tanto no Rio de Janeiro (Museu Histórico
Nacional) como em São Paulo (Museu Paulista)32.
A Galeria Brasiliana, em Belo Horizonte, resultou da campanha de formação de museus regionais encabeçada por Assis Chateaubriand. Dois museus, localizados fora das capitais, são resultantes dessa mesma campanha dos anos 60 – O Museu Regional de Arte da UEFS e o Museu Assis Chateaubriand da UEPB. Além desses, estão localizados fora das capitais dos estados os seguintes museus: Museu do Seridó em Caicó/RN, Museu da Gravura Brasileira em Bagé/RS, Museu Leopoldo Gotuzzo em Pelotas/RS e Galeria de Arte da UNICAMP em Campinas/SP.
As chamadas “galerias” praticamente não têm acervo e são prioritariamente espaços para exposições temporárias – Galeria de Arte da UNICAMP e Galeria de Arte da UFES.33
Dos 17 museus de arte universitários, 2 pertencem a entidades privadas, 4 a universidades estaduais e o restante a universidades federais.
Apresentaremos a seguir o perfil desses museus, salientando sua formação, objetivos e procurando possíveis relações de trabalho com as faculdades, institutos e departamentos de áreas afins. A ordem é cronológica de incorporação pelas universidades, e os museus da USP serão apresentados no próximo capítulo.