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Sonuç: Radikal Zihniyet Dönüflümü

Belgede Eleştirel düşünme (sayfa 36-64)

A Educação do Campo é considerada, entre as pessoas entrevistadas, uma educação ampla, que vai além da escola, que está presente nas relações do cotidiano. Uma educação que valoriza o espaço rural, a vida no campo, as pessoas, a história, a cultura... Cada pessoa entrevistada, no entanto, enfatiza uma dimensão da construção do conhecimento:

A primeira é a dimensão do conhecimento em meio às relações sociais, familiares e comunitárias que têm como valores o respeito às pessoas e ao ambiente, à cultura e à história do local:

Pra mim, educação do campo é educação em todos os sentidos, só que não é passada de uma forma formal. É educação mesmo, de você falar bom dia, falar muito obrigado, se despedir, o respeito com a família, respeito com os mais velhos, respeito com a cultura do lugar também,

com a crença, respeito com a terra. (...) É uma coisa engraçada, porque você chega, os mais novos, não sei se você já prestou atenção. Se tiver um mais velho perto, pode nem ser parente, mas ele já vai lá tomar benção. Porque ele sabe que ele tem que ter respeito com os mais velhos. E não é só porque alguém impõe esse respeito não. Porque é uma consideração, ele sabe que aquela pessoa tem uma história, que ajudou a construir o lugar... (...) Educação do Campo, acho que ela lida muito mais com essa coisa de educação mesmo, de respeito, de crença; e a outra educação [escolar, tradicional] é mais uma questão de aprendizado, de conhecimento, de ter títulos, ter diplomas e tudo mais. Mas esqueceu um pouco dessa educação que forma o caráter das pessoas, forma o ser humano. Eu considero todas as ações que o sindicato faz, que eu faço, que a comunidade faz, enquanto igreja, enquanto famílias, algumas famílias, o grupo de reflexão... Eu considero que isso é educação do campo. (...) É muito mais que um Ecojovem, por exemplo. Convívio com a família... Acho que é educação do campo (Renata de Souza Gomes, agricultora e organizadora do Ecojovem, em entrevista realizada em nov. 2010).

Outra dimensão é a construção do conhecimento entorno da agricultura, do trabalho, e da mobilização social nas organizações tais como o STR, associação e cooperativa, que constroem alternativas de trabalho, de produção e comercialização agrícola com mais respeito à natureza:

É respeitar a terra, saber lidar com a terra, saber trabalhar, saber exatamente o que fazer com a terra. Que a gente vive da terra a vida inteira e não sabe lidar 100% com a terra. O pai da gente é dono da terra, só tem um jeito de trabalhar, que não é errado, que é o jeito dele... (Juscelio Lauriano de Souza, agricultor e participante do Ecojovem, em entrevista realizada em nov. 2010).

É uma coisa bem complicada até de explicar. Conhecer na propriedade mesmo, o quê você pode observar e tirar de proveito pra pessoa, pra gente. Conhecer mesmo aquele lugarzinho que a gente mora, talvez a gente não veja com o olho o quê tem ali na propriedade (...). Até mesmo aprender a fazer caldas... Troca de experiências... Trabalhar na roça, a questão de plantar, a gente vive cada dia aprendendo. O meio social, a maneira de aproveitar da natureza, respeitar; a agroecologia, a gente viver em troca, até dos microorganismos que a gente nem vê, mas saber respeitar, quase que se torna uma troca, uma troca de aprendizado. A natureza nos dá e nós em troca tentamos cuidar dela. É envolvido todo mundo. Todo mundo tem o que ensinar todo mundo sempre tem que

aprender mais coisa. Entre os vizinhos, até mesmo a natureza, a gente tem muito que aprender com ela. As pessoas, a família, tudo se integra. Quem vem de fora, ensina. Quem vai, leva uma coisinha diferente, uma experiência. A questão da economia... O que você deve produzir na zona rural, até mesmo comprar na cidade, tem a economia solidária, cooperativa de crédito, que seria uma maneira das pessoas na roça terem outra visão também em economizar, ao mesmo tempo, questão produtiva também, investimento na propriedade... (Gilvane D. de Amorim, agricultor e organizador do Ecojovem, em entrevista realizada em nov. 2010).

Outra dimensão contrapõe a Educação do Campo à relação entre professor e aluno que desvaloriza o campo. Traz uma ideia de Educação do Campo como mudança de pensamento, como uma nova forma de ver o campo:

Educação do Campo: Consciência... Os professores não estarem falando que o melhor está na cidade, que está no campo e que aqui a gente pode fazer muita coisa boa. Pode não ter dinheiro, mas pode viver com saúde. Quer viver bem, tem que viver na roça. Antes de tudo a educação do campo está na nossa mente: a gente vai passar aquilo que aprendeu (Rúbia de Souza Pereira, estudante e organizadora do Ecojovem, em entrevista realizada em nov. 2010).

Embora enfatizem diferentes dimensões, há uma lógica central nestas representações das (os) participantes do Ecojovem sobre Educação do Campo: a ideia de uma educação que ressignifica o campo, que traz novos olhares sobre o espaço rural, sobre a vida e o trabalho na roça. Esses novos olhares incluem o respeito à natureza, à terra, ao modo de vida e à cultura do campo. E, dessa forma, a educação do campo é também vista como um instrumento do fortalecimento dos valores do campo e de busca por alternativas de organização social e produtiva mais sustentáveis. Tudo isso fora da escola formal.

Essa ênfase na qualidade de vida, nas organizações de agricultores e no respeito à terra e às pessoas do campo pode ser entendida a partir do contexto das organizações dos agricultores em Divino e do conjunto de ações que são realizadas pelas organizações dos agricultores e pelo

CTA que, em diversos espaços, enfatizam a importância de se repensar as relações de trabalho no campo, a juventude e a questão de gênero, pensar uma agricultura sustentável, sem agrotóxicos, mais diversificada, que se preocupe com a preservação das águas e da biodiversidade. Como uma destas ações, podemos citar as experiências recentes do CTA e STR de Divino na organização dos intercâmbios agroecológicos, que têm buscado socializar as práticas agroecológicas e de transição agroecológica na zona da mata.

Belgede Eleştirel düşünme (sayfa 36-64)

Benzer Belgeler