Dados bio- sócio- demográficos
Mediante análise dos dados bio- sócio- demográficos da amostra, observou-se que a maioria dos participantes era do sexo feminino. A explicação para este pode estar baseada na explicação da longevidade, onde sabe-se, atualmente que as mulheres possuem uma longevidade maior que os homens (IBGE, 2010); e também pela presença predominantemente feminina nos grupos de convivência para os idosos (Moura, Leite e Hildebrandt, 2008).
A maior longevidade de idosos pertencentes ao sexo feminino tem sido atribuída à menor exposição a determinados fatores de risco, notadamente no trabalho, menor prevalência de tabagismo e uso de álcool, diferença quanto à atitude em relação a doenças e incapacidades e, por último, uma maior cobertura de assistência gineco-obstétrica (Torres, G.V., Reis, Reis e Fernandes, 2009).
160 Constatou-se ainda que os idosos pesquisados encontravam-se distribuídos nas três faixas etárias categorizadas, estando a maioria com idades entre 60 e 70 anos. As três faixas etárias utilizadas (60 a 70 anos; 71 a 80 anos e acima de 80 anos) foram baseadas nos estudos de Minayo (2005), que as denominou de terceira idade, quarta idade e quinta idade, respectivamente.
Conforme descrito anteriormente, utilizou-se como critério de inclusão da amostra, o estado civil dos participantes, sendo permitido apenas que os casados ou com companheiros fixos participassem, uma vez que os itens da escala foram baseados na relação existente entre o(a) idoso(a) e seu/sua companheiro(a). Nesse sentido, observou-se que a maioria (92%) era casada, embora ainda tenham participado da pesquisa idosos que estivessem namorando ou que possuíssem uma união estável. A quase totalidade dos participantes (99%) afirmou ter filhos, sendo a categoria de 1 a 3 filhos a que apresentou maior percentual.
A maioria dos participantes morava com os companheiros (53,5%) e com companheiros e filhos (37%). Para as vivências sexuais este aspecto é bastante relevante, uma vez que a privacidade para o casal é essencial para que a sua sexualidade possa ser desfrutada da melhor maneira possível. Estudos como o de Ribeiro, A., (2002) ressaltam que muitas vezes os filhos são negam a sexualidade de seus pais, não considerando as vivências sexuais como algo possível ou necessário.
Os dados referentes ao grau de escolaridade dos participantes demonstraram que a pesquisa envolveu desde idosos que possuíam apenas o ensino fundamental até os com pós- graduação. No que concerne à religião, observou-se maior predominância de idosos adeptos da religião católica, fato este que corrobora com dados do IBGE (2010), que afirma que o Brasil é um país predominantemente católico. Por fim, foram investigados os aspectos
161 econômicos dos participantes, sendo verificado que a renda pessoal e familiar apresentou-se de forma bem diversificada, abrangendo tanto indivíduos menos favorecidos economicamente até os com maior poder aquisitivo.
Validação da Escala de Vivências Afetivas e Sexuais do Idoso - EVASI
De acordo com as análises do estudo 2 foi possível realizar a validação da Escala de Vivências Afetivas e Sexuais do Idoso (EVASI) que apresentou parâmetros psicométricos satisfatórios. Houve a necessidade de exclusão de dois itens (24 e 38) devido a sua carga fatorial não ser considerada satisfatória de acordo com a literatura (Pasquali, 1997) Por esta razão, esses dois itens não serão incluidos na versão final do instrumento, que contará com apenas 38 itens (Anexo 6).
De forma resumida, o processo de elaboração e validação do referido instrumento seguiu o seguinte percurso:
162 Figura 5: Sinopse – Construção da Escala de Vivências Afetivas e Sexuais do Idoso - EVASI
O instrumento aborda o construto sexualidade de forma ampla, complexa e multifaceta, levando-se em consideração os sentimentos e emoções que envolvem as vivências sexuais na velhice.
163 7.1.9 Considerações Parciais
Ao término deste estudo pôde-se constatar que os objetivos do mesmo foram alcançados, uma vez que foi realizada a validação da Escala de Vivências Afetivas e Sexuais do Idoso- EVASI (Anexo 6). Ressalta-se aqui, a extrema importância deste fato, pois até então inexistia um instrumento objetivo voltado para a avaliação da sexualidade dos idosos. A partir de agora, os profissionais de saúde podem desfrutar de um instrumento psicometricamente adequado que poderá subsidiar os trabalhos no campo da pesquisa e da prática gerontológica. Desta forma, cobre-se uma lacuna na literatura brasileira, haja vista que não existe atualmente nenhuma escala direcionada a avaliação das vivências sexuais dos idosos.
A temática da sexualidade envolve muitos mitos e tabus, caracterizando-se como algo constrangedor e difícil de conversar. A população idosa, em especial, evita esta temática por temer uma má interpretação por parte da sociedade em geral que não vê com bons olhos as vivências sexuais na velhice. Em contrapartida, profissionais de saúde têm demonstrado receio em realizar investigações sobre as vivências sexuais dos idosos, por considerarem falta de respeito com essa população. A aplicabilidade desse instrumento irá possibilitar uma investigação mais aprofundada, onde o idoso poderá responder sem constrangimento sobre suas vivências sexuais, fornecendo informações importantes ao profissional de saúde.
Os resultados ora obtidos, embora promissores, devem ser tomados apenas como uma abordagem inicial das características psicométricas da escala, sendo necessário que investigações futuras sejam realizadas no sentido de fornecer evidências adicionais acerca da validade do instrumento, por meio de uma futura análise confirmatória.
164 CAPÍTULO VIII- ESTUDO 3 AVALIAÇÃO DA SEXUALIDADE E DA QUALIDADE DE VIDA DO IDOSO
165 Estudo 3- AVALIAÇÃO DA SEXUALIDADE E DA QUALIDADE DE VIDA DO IDOSO
8.1 MÉTODO
8.1.1 Tipo de estudo
O estudo 3 refere-se a uma pesquisa de campo, de cunho descritivo, com abordagem quantitativa, realizada com a finalidade de avaliar as vivências sexuais dos idosos, utilizando- se para tanto, a escala anteriormente construída (EVASI). Também foram objetivos deste estudo mensurar a qualidade de vida dos idosos participantes e comparar os resultados de ambas as avaliações.
8.1.2 Amostra
Participaram deste estudo 200 idosos, homens e mulheres, com idades iguais ou superior a 60 anos (M = 66,79; DP = 4,87). Como critério de inclusão da amostra, assim como no estudo 2, estabeleceu-se o fato do(a) idoso(a) ser casado(a) ou possuir um(a) companheiro(a) fixo(a), uma vez que os itens da escala referem-se as vivências sexuais relacionadas ao idoso(a) e seu/sua companheiro(a).
8.1.3 Lócus
Este estudo foi realizado em locais públicos de socialização (praças) e também em dois Grupos de Convivência: no Clube da Pessoa Idosa e no Projeto Envelhecimento Saudável, conforme descrição a seguir:
166 a) Clube da Pessoa Idosa
Conforme descrito no estudo anterior, o Clube da Pessoa Idosa é um grupo de convivência para idosos, localizado no bairro do Altiplano, mantido pela Prefeitura Municipal de João Pessoa-PB. São ofertadas diversas atividades, como oficinas, cursos e esportes.
b) Projeto Envelhecimento Saudável:
Trata-se de um projeto de extensão realizado pelas Faculdades de Enfermagem e Medicina Nova Esperança - FACENE/FAMENE, localizada no bairro do Valentina também no município de João Pessoa- PB. Tem por objetivo trabalhar educação e saúde dos idosos, bem como incentivar a auto-estima dos participantes. Promove, periodicamente, oficinas, passeios, palestras, comemorações de datas festivas, além de distribuição, gratuita e mensal, de cestas básicas.
8.1.4 Instrumentos
Os participantes responderam à Escala de Vivências Afetivas e Sexuais do Idoso – EVASI (anexo 6), ao WHOQOL-Old (anexo 7) e ao questionário bio-sócio-demográfico (anexo 4). O primeiro instrumento, construído e validado no estudo anterior, foi aplicado em sua versão final, composta por 38 itens, divididos em três dimensões, conforme descrito na tabela 11.
167 Tabela 11:
Dimensões e itens da Escala de Vivências Afetivas e Sexuais do Idoso - EVASI
DIMENSÕES ITENS
Dimensão 1