• Sonuç bulunamadı

Ao referenciarem a questão de construir um olhar para o mundo, a formação e consciência do/a aluno/a, ainda falam em valores, mesmo que vistos como transformadores para a construção do conhecimento desses/as alunos/as. Para Monteiro (2001) a categoria “saber docente” consegue estabelecer relações dos/as professores/as com os saberes que dominam para poder ensinar e aqueles que ensinam, sendo fundamentais para a constituição de sua identidade e para o seu desenvolvimento profissional.

E por “conhecimento escolar”, que de certa forma, não deixa de transversalizar esta pesquisa, como conhecimentos em que se se configuram por si, e são criados a partir das necessidades e injunções do processo educativo e particulares a cada situação de ensino no cotidiano escolar, como quando Melissa reflete sobre o que considera conhecimento:

Conhecimento? Bom, da minha parte, conhecimento de vida, de experiência de sala de aula, do dia a dia. É aquilo que eu falei para você, eu não tive formação nenhuma. Mas a gente vê tudo que está acontecendo, sou uma pessoa que costuma estar sempre bem...atualizada né.

Por isso, um conhecimento que envolve tanto questões relativas aos conhecimentos de referências pessoais como aos conhecimentos desenvolvidos nas práticas cotidianas dentro e fora da escola, estreitamente vinculados à pluralidade histórica e sociocultural dos sujeitos envolvidos nas situações de ensino.

113 Transformar o mundo passa por um processo de valoração no sentido de quais seriam essas transformações, de que maneira elas seriam construídas e qual alcance teriam. A participante Roberta mostra uma característica que a ela é muito pertinente, agregada ao sentido que a disciplina de História possa ter além de seus conteúdos disciplinares que lhe são configurados, considerando até que “[...] as pessoas de humanas entendem melhor os outros, que os professores, por exemplo, de exatas [...]”.

Eu acho que a História contribui bastante para isso, para sensibilidade, para... (pausa pensativa novamente)...mais sensata, mais sensível, eu acho que os professores de História...muito mais...sei lá...mais sensíveis as coisas. Os saberes pessoais e da experiência continuam sendo o ponto de referência, mesmo que eles não sejam vistos por esse âmbito para o/as depoente/es, mas Vilma esboça uma análise sobre a questão da formação do professor imbricar-se com essa produção de conhecimento, ou seja, reitera a afirmação de Tardif (2006) de que os saberes docentes são múltiplos e plurais.

Assim não é possível analisar apenas uma dada perspectiva. É um discurso sinuoso, que apresenta nuances diversas, às vezes num mesmo bloco de perguntas da entrevista registrada.

Então lutar para transformar o mundo envolve esses comportamento complementares (que ele cita anteriormente: respeitar o espaço do outro,

ser respeitado e não faz o mal a ninguém), então, isso é uma questão em que todos os sentidos eu sempre procuro exigir...né...exigir de todo mundo que está ao seu lado, não exigir autoritário, mas no sentido de convencer, no sentido de ganharas pessoas para respeitar as demais, respeitar os espaços, respeitar o espaço da escola, respeitar o direito do outro estudar, respeitar as diversas preferências, tanto sexuais, como artísticas, como de modo de vida (Julio).

Eu acho que a gente tem que ser essa formiguinha no deserto, sempre acreditar e radiar isso. Porque cada pensamento nosso também se irradia, se nós conseguimos pelo menos, pelo mínimo, fazer algumas discussões, permear isso, a gente consegue transformar sim. Talvez nas formações mais humanistas e não sei, porque vai depender de quem vai formar você, se esse professor também tem essa visão humanista. E a gente não tem esse controle. Esse controle de formação religiosa, política, social, econômica, de ser humano para ser humano e talvez a gente não consiga fazer isso e consiga colocar um padrão de conhecimento, mas nós temos que favorecer e incluir a discussão, sempre (Vilma).

A educação não pode ser pensada como categoria autônoma, e separá-la de outras realidades sociais e instituições, nas quais os próprios/as professores/as se encontram também,

114 ou seja, não vem de um lugar apenas, por isso saberes, no plural e não no singular, ou como um saber do conhecimento, da área da Pedagogia ou da Didática, mas saberes contextualizados e condicionados no trabalho (TARDIF, 2006).

Esses saberes, nessa trajetória, relacionam-se fortemente com os alunos em sala de aula e outros atores da escola. Ou seja, não apenas saberes produzidos na subjetividade, mas são saberes sociais em função de se construírem partilhados por todo um grupo de agentes com formação, condições, organizações e estruturas de trabalhos comparáveis, cujo acesso se dá na relação com outros/as professores/as, possuidores de saberes que repousam sobre sistemas legitimadores como universidade, a administração escolar, as políticas públicas e a estrutura curricular, e voltam-se para práticas e sujeitos sociais, ou seja, seus objetos são sociais. Também, porque ensinam e as maneiras como o fazem, envolvem o tempo e as mudanças sociais, são históricos e adquiridos no contexto de uma socialização profissional (TARDIF, 2006).

Dá medo, porque a gente não sabe se esses professores vão ter esse feeling, que nem Perrenoud 32 diz dez competências ai para administrar isso. E se

aparecer, se ele mostrar que ele é, porque na hora de você apresentar as discussões, de fato você mostra quem você é. E será que ele vai mais criticar do que aceitar? Então é mais complexo ainda, muito complexo (Vilma). Ah! Acho que com o passar do tempo, com o passar dos anos, convivendo com tanta gente, as coisas foram se moldando, digamos assim, mas os espaços diversificados de atuação acho que me ajudou muito nessa formação, muito, muito, muito (Roberta).

Benzer Belgeler