• Sonuç bulunamadı

Observando o campo da saúde e aprofundando estas observações aos hospitais, sejam eles privados, públicos ou filantrópicos, pode-se notar alguns aspectos que tornam estas organizações especialmente suscetíveis às várias formas de isomorfismo institucional. E embora não seja possível identificar tipos ideais (de isomorfismo) isolando cada uma de suas formas, conforme assevera Misoczky (2005), é possível enumerá-los em diversos aspectos, conforme se segue:

A profissão médica, ocupação fundamental estabelecida nas organizações de saúde, é supervisionada por meio do Conselho Federal de Medicina (CFM) e seus respectivos Conselhos Regionais, órgãos de categoria responsáveis pelo estabelecimento e manutenção do Código de Ética Médica. De acordo com o artigo segundo de seu regimento interno, descrito a seguir:

O Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Medicina, hierarquicamente constituídos, são os órgãos supervisores da ética profissional em toda a República e, ao mesmo tempo, julgadores e disciplinadores da classe médica, cabendo-lhes zelar e trabalhar - por todos os meios ao seu alcance - pelo perfeito desempenho ético da Medicina e pelo prestígio e bom conceito da profissão e dos que a exerçam legalmente (2004, p. 185)

O CFM tem o poder, delegado pelo Estado, de supervisionar, julgar e disciplinar seus profissionais, detendo total competência, amparado pelo Estado, nos quesitos relativos à regulação da profissão médica, estando, entre suas atribuições a conferência e retirada do direito do profissional exercer sua ocupação, estando este direito legitimado para a sociedade por meio da identidade profissional, conforme estatuto do CFM2, que lhe confere um código (número do CRM), que corresponde à

sua licença para atuar. Neste ponto é possível identificar características marcantes do isomorfismo normativo.

Outro aspecto importante se refere à própria área de atuação dos hospitais: O exercício da profissão médica é fundamental para o comprimento de seu objetivo de cuidar da saúde dos pacientes. Por lidarem com vidas humanas, os hospitais estão sujeitos a uma série de legislações e normas institucionais, chamadas de resoluções, emitidas principalmente pelo CFM, que os obriga a estabelecer suas rotinas e processos operacionais, de forma a atender, em sua totalidade, a estas normas estabelecidas. Esta é uma característica marcante do isomorfismo coercitivo.

No campo do isomorfismo mimético, a característica mais marcante é um elevado grau de imitação; é possível observar pequenas organizações de saúde, que seguem em suas práticas médicas, as diretrizes de diagnóstico e tratamento de organizações reconhecidamente estabelecidas e atuantes, em regiões que mantenham índices demográficos semelhantes. Nesse caso, os hospitais universitários, assim como os hospitais com maior nível de complexidade, são grandes geradores dessa padronização, que poderia, equivocadamente, ser interpretada como isomorfismo normativo. Contudo, as chamadas pautas médicas, condutas médicas, ou protocolos médicos, nomes que recebem estes pequenos

2 TÍTULO IV: Das Atribuições dos Conselhos. CAPÍTULO II: Das Atribuições dos Conselhos Regionais de

compêndios de condutas de diagnóstico e tratamento, são materiais de livre utilização, adotados em organizações menores para suprir sua deficiência no desenvolvimento de padrões próprios de diagnóstico e tratamento.

Além do isomorfismo institucional existente nas organizações de saúde, conforme destacado acima, há ainda outros fatores que refletem a presença do isomorfismo competitivo nestas organizações, de acordo com Fennel apud DiMaggio e Powell:

Os hospitais operam segundo uma norma de legitimação social que geralmente entra em conflito com as considerações do mercado sobre eficiência e racionalidade dos sistemas. Aparentemente os hospitais podem aumentar sua gama de serviços não porque haja uma real necessidade de determinado serviço ou equipamento por parte da população de pacientes, mas porque eles somente serão considerados aceitáveis se puderem oferecer tudo o que oferecem os outros hospitais na área (2005, p. 81).

Neste caso, Fennel defende que os hospitais constituem sistemas de mercados pobres, devido à falta de conhecimento de seus pacientes a respeito de outras possibilidades, em termos de preços e hospitais concorrentes. Ainda a respeito deste tema, DiMaggio e Powell (2005) afirmam que a real competição entre os hospitais está baseada, antes da atração de pacientes, na atração de médicos, que em seu turno, trarão seus pacientes aos hospitais.

Este não é especificamente o caso dos hospitais filantrópicos, entre os quais está classificada a organização contemplada no estudo de caso desenvolvido. Contudo, esta é uma observação que em muitas ocasiões é aplicável, não com relação à concorrência por profissionais que tragam até eles seus próprios pacientes. Nestas organizações, paciente é um material abundante, mas, o destaque se aplica com relação à legitimação mediante os serviços de alta tecnologia oferecidos por outros hospitais da mesma área, configurando, também nos hospitais filantrópicos, a existência do isomorfismo competitivo.

Finalmente, por entender que a escolha e implementação de um sistema informatizado de gestão hospitalar não está restrito ao ambiente da Tecnologia da Informação é que se buscou o alicerce teórico para explicar o processo na Teoria Institucional e no Novo institucionalismo. Pois conforme asseveram Wood Jr. e

Caldas (2000), as mudanças que envolvem um processo de implementação de ERP (Enterprise Resource Planning)3 transcendem o domínio da Tecnologia da Informação. A razão é que esta implementação de ERP pode provocar impactos consideráveis no desenho organizacional, no modelo de administração, na interação entre os indivíduos e grupos, na definição de autonomia e limites de autoridade, no estilo administrativo, e até mesmo no processo estratégico da organização.

3 Do português Sige (Sistemas Integrados de Gestão Empresarial).

Segundo Souza e Zwicker (2003) "Os sistemas ERP podem ser definidos como sistemas de informação integrados, adquiridos na forma de pacotes comerciais de software, com a finalidade de dar suporte à maioria das operações de uma empresa. Possuem características que, se consideradas em conjunto, os distinguem de outros sistemas de informação transacionais desenvolvidos internamente nas empresas e de outros tipos de sistemas comerciais. Em síntese os sistemas ERP:

. são pacotes comerciais de software;

. incorporam modelos padrões de processos de negócios; . constituem sistemas integrados de informações; . utilizam um banco de dados corporativo; . possuem grande abrangência funcional;

. requerem procedimentos de ajuste para que possam ser utilizados em determinada empresa (parametrizações e customizações)".