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Para mensurar o consumo de recursos naturais e impactos ambientais, e assim, desacoplamento, os métodos geralmente utilizados e referenciados pelo PNUMA são: Life- Cycle Assessment (LCA), Material Flow Accounting (MFA) e técnicas de insumo-produto.

Os impactos ambientais podem ser estimados por meio de análise do Ciclo de Vida (Life-Cycle Assessment) em combinação com técnicas de insumo-produto (UNEP, 2011). A análise de insumo-produto é uma abordagem desenvolvida por Wassily Leontief (1970) e adaptada por pesquisadores do Green Design Institute da Universidade de Carnegie Mellon na década de 1990, que permite rastrear as extrações de recursos e as emissões de poluentes por setor econômico, como as emissões de gases de efeito estufa relacionadas a cada atividade econômica (GRAMKOW, 2011). Em um modelo de insumo-produto, a economia é representada por setores industriais e categorias de demanda final. Sua estrutura descreve a interdependência de todas as atividades de produção e consumo em uma economia. Através do requisito de produção de cada setor é possível obter as emissões e uso de recursos associadas a cada setor e assim atribuir as pressões ambientais às categorias de demanda final, tais como: governo, famílias, investimento, exportações entre outros (UNEP, 2010; OLIVEIRA, 2011).

A avaliação do ciclo de vida possibilita uma análise dos impactos ambientais de um produto desde a extração dos recursos até o descarte após o consumo e permitindo, dessa forma, o cálculo de inputs (materiais extraídos do sistema natural, por exemplo, água) e outputs (após a transformação em produtos, materiais transferidos ao sistema natural, por exemplo, emissões) relevantes de um sistema de produto. Este método é muito utilizado em trabalhos que medem os impactos causados pela emissão de gases de efeito estufa. Um dos métodos de LCA que é frequentemente utilizado para construção de indicadores e categorias

de impacto ambiental em países desenvolvidos de regiões temperadas é o ReCiPe18, que pode

ser adaptado para outras áreas. As normas de ISO 14.040 apresentam algumas definições de LCA, de impactos ambientais relevantes e categorias diferenciadas, como de ecotoxicidade, mudanças climáticas e destruição do ozônio estratosférico (GOEDKOOP, 2013; UNEP, 2010; 2011).

Os indicadores de LCA são geralmente descritos como impactos sobre o meio ambiente e sobre a saúde humana e pertencem a dois conjuntos de categorias de impacto, que são: midpoint e endpoint. Esse dois conjuntos são modelos utilizados para mensurar impactos ambientais. O primeiro, midpoint descreve classes homogêneas de impactos no que diz respeito ao tipo de efeito ou mecanismo; apresenta 18 categorias de impactos19 que se referem

aos problemas ambientais bem reconhecidos e que correspondem, geralmente, ao foco de políticas ambientais, como: mudança climática, acidificação, toxicidade, depleção do ozônio. Na segunda abordagem, endpoint, é feita uma modelagem de toda trajetória da cadeia de impacto ambiental (por exemplo: desde a extração de combustíveis fósseis às doenças causadas pela emissão de gases derivados da queima desses combustíveis) e definidas as categorias que representam valores de impactos ambientais finais, classificados como: danos à saúde humana, à diversidade do ecossistema e à disponibilidade de recursos naturais (GOEDKOOP et al., 2013; UNEP, 2010b; WEGENER SLEESWIJK et al., 2008).

A figura 1 demonstra de forma simplificada a representação dos níveis midpoint e endpoint em uma análise de Ciclo de Vida para as categorias de impacto de eutrofização da água doce e depleção do ozônio. Os indicadores das respectivas categorias de midpoint são crescimento de algas e diminuição da camada de ozônio, enquanto os indicadores de endpoint são danos ao ecossistema (medidos por espécies/ano) e à saúde humana (medidos por anos de vida perdidos).

18 Esse método recebe o nome de ReCiPe, pois descreve formas (receita) de calcular indicadores de LCA e

também representa as iniciais dos principais contribuintes para sua construção: RIVM and Radboud University, CML, and PRé Consultants (GOEDKOOP et al., 2013).

19 As 18 categorias de impactos de midpoint são: mudança climática; destruição do ozônio; acidificação terrestre;

eutrofização da água doce; eutrofização marinha; toxicidade humana; formação de oxidantes fotoquímicos; formação de partículas; ecotoxicidade terrestre; da água doce; e marinha; radiação ionizante; ocupação do solo agrícola; ocupação do solo urbana; transformação de terras naturais; depleção da água; de recursos minerais; e de combustíveis fósseis (GOEDKOOP et al., 2013).

Figura 2- Estrutura de midpoint e endpoint de LCA

Fonte: Elaboração própria.

Outro método utilizado para mensurar os impactos ambientais e também o uso de

recursos é a “Contabilidade do Fluxo Material” (Material Flow Accounting - MFA), que propicia uma visão completa de todos os inputs e outputs das economias nacionais em termos físicos, ou melhor, em fluxos de massa medidos em toneladas, através do cálculo da diferença entre os inputs e outputs, subtraindo-se as exportações de recursos das importações do ambiente doméstico. Este cômputo refere-se ao acúmulo total dentro da economia e a geração interna de resíduos e emissões (UNEP, 2010). A figura 2 mostra resumidamente o fluxo de materiais em uma economia, a quantidade de insumos físicos retirados da natureza (inputs), a acumulação de materiais e os resíduos e emissões que saem da economia e vão para o ecossistema (outputs) em um modelo de MFA.

Figura 3 – Fluxo de materiais em toda a economia

Fonte:Elaboração própria.

Os indicadores derivados da MFA, como o “Consumo Interno de Materiais” (Domestic Material Consumption - DMC), representam um agregado de consumo material direto e muitas vezes são expressos em categorias de materiais, como biomassa, minérios, combustíveis fósseis e minerais. Outro indicador que mede desacoplamento de forma agregada é o “Consumo Ambientalmente Ponderado de Materiais” (Environmentally weighted Material Consumption - EMC). Esta abordagem compara diferentes materiais em termos de impactos, utilizando-se de uma base de inventários de LCA (VAN DER VOET et al., 2004 apud UNEP, 2010, p.71).

O Consumo Interno de Materiais dividido pelo número total da população indica o consumo per capita de recursos naturais, também conhecido como taxa metabólica, a qual

indica o padrão de vida material de um país (UNEP, 2011) 20. O consumo de recursos naturais

em âmbito global equivale à soma total de matérias-primas extraídas no período de referência, enquanto o consumo doméstico em um país corresponde à extração interna de recursos naturais somadas as importações e subtraídas as exportações desses recursos. O termo taxa

20 Por exemplo, segundo UNEP (2011a), uma pessoa a mais no Canadá significa, em média, um aumento de 25

toneladas de uso de recursos, enquanto uma pessoa a mais na Índia equivale a um adicional de consumo de 4 toneladas de recursos por ano.

metabólica vem da consideração metafórica de que as economias modernas funcionam como organismos vivos que possuem um perfil metabólico, cuja posição dominante ou impacto sobre o meio ambiente pode ser indicado pelo tamanho da transferência metabólica, ou seja, a quantidade de materiais desses ‘organismos’ que foram retirados do ecossistema e retornaram a este de forma alterada (EUROSTAT, 2001).

Benzer Belgeler