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A evasão de estudantes no Ensino Superior é um fenômeno complexo e preocupante, comum às instituições universitárias no mundo contemporâneo. Dados do Censo da Educação Superior 2013 revelam que a taxa de evasão anual dos cursos presenciais atingiu o índice de 24,9%, sendo 27,4% na rede privada e 17,8% na pública, conforme pode ser verificado na Figura 2.

Figura 2: Evasão no Ensino Superior brasileiro 2013

Fonte: INEP, 2013

O conceito de evasão é um primeiro aspecto a ser analisado para que se possa abordar a questão em maior profundidade.

Rosa (2014, p. 247), com base em informações da Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), apresenta a evasão sob três aspectos:

Existem […] três modalidades principais de evasão, sendo elas as seguintes: a) evasão do curso: desligamento do curso superior em razão do abandono, o que pode ocorrer por não realização da matrícula, transferência de instituição de ensino, mudança de curso, trancamento ou exclusão por desatendimento a alguma norma institucional; b) evasão da instituição, que se caracteriza pelo desligamento da instituição na qual o aluno está matriculado; c) evasão do sistema, que configura o abandono, definitivo ou temporário, do sistema de educação superior.

Segundo o MEC, evasão “é a saída do curso de origem sem conclusão ou a diferença entre ingressantes e concluintes, após uma geração completa” (BRASIL/MEC, 1997, p. 19).

Salientamos que o INEP utiliza uma metodologia diferente da que utilizamos para verificar a evasão na UFOP. O referido instituto utiliza ciclos fechados (período compreendido entre matrícula e diplomação, geralmente de cinco anos) e contabiliza todos os cursos da graduação. Em nossos estudos, consideramos a evasão a “saída do

curso”, seja por desligamento, cancelamento, transferência, reopção ou abandono, reiterando que no momento da pesquisa nenhum dos cursos da amostra havia concluído um ciclo (ingresso à diplomação).

Na Tabela 20, apresentamos dados sobre a situação dos alunos (matriculados e evadidos) ingressantes 2013/1 nos cursos em estudo até o primeiro período letivo de 2016.

Tabela 20: Situação dos estudantes ingressantes em 2013/1 (matriculados e evadidos) até 2016/1

Cursos Amostra válida

Ampla concorrência Cotista Geral

Matriculado % Evadido % Total Matriculado % Evadido % Total Matriculado % Evadido %

Medicina 41 27 93,1 2 6,9 29 12 100,0 0 0,0 12 39 95,1 2 4,9 Nutrição 34 12 48,0 13 52,0 25 4 44,4 5 55,6 9 16 47,1 18 52,9 Engenharia Civil 36 17 68,0 8 32,0 25 8 72,7 3 27,3 11 25 69,4 11 30,6 Eng. de Computação 32 8 36,4 14 63,6 22 3 30,0 7 70,0 10 11 34,4 21 65,6 Direito 51 27 73,0 10 27,0 37 12 85,7 2 14,3 14 39 76,5 12 23,5 Serviço Social 47 7 21,2 26 78,8 33 11 78,6 3 21,4 14 18 38,3 29 61,7 Total 241 98 57,3 73 42,7 171 50 71,4 20 28,6 70 148 61,4 93 38,6

Fonte: Elaborado pela autora a partir dos dados do Sistema de Controle Acadêmico da UFOP/PROGRAD, 2016

Verifica-se, na Tabela 20, com exceção do curso de Medicina, uma taxa de evasão bem mais alta do que a média nacional, que, em 2013, segundo o Censo da Educação Superior, era de 17,8% na rede pública (INEP, 2015). A Engenharia Civil é o curso de NSE alto com maior índice de evasão (30,6%). Observa-se, também, uma grande discrepância entre a taxa de evasão dos cursos com estudantes, de acordo com o NSE: os cursos com menor NSE ultrapassam em 50% o número de evadidos. Os cursos de Engenharia de Computação e de Serviço Social possuem os índices mais preocupantes de evasão, ultrapassando os 60%.

Os dados também revelam que, entre os estudantes evadidos, 22% eram cotistas. No curso de Medicina, não foi registrado nenhum desligamento ou cancelamento entre os cotistas, e, no curso de Direito, apenas dois se desvincularam da UFOP, diferentemente dos cursos de Engenharia de Computação e de Nutrição, que

apresentaram os maiores índices de evasão entre os cotistas (70% e 55,6%, respectivamente).

Na UFOP, o estudante pode perder o vínculo institucional por jubilamento, desligamento por não renovação de matrículas (NRM), desligamento por baixo coeficiente, transferência para outra instituição e cancelamento voluntário. O jubilamento não aparece em nenhum dos casos, pois todos os estudantes ingressantes em 2013/1 estão dentro do prazo de conclusão do curso, que é contabilizado pelo tempo normal do curso, acrescido da metade desse tempo (Medicina – 9 anos; Direito e Engenharias – 7,5 anos; Nutrição – 6,5 anos e Serviço Social – 6 anos).

O desligamento por não renovação de matrícula, nesse estudo, ocorreu em 23 casos, sendo a maior incidência no curso de Serviço Social (oito da ampla concorrência e dois cotistas). O desligamento por baixo coeficiente ocorreu em seis situações, mas nenhum aluno cotista envolvido. Houve uma única transferência de estudante da ampla concorrência do curso de Nutrição.

Os cancelamentos a pedido do próprio estudante ocorreram em 67% dos casos, sendo 14 referentes a estudantes cotistas, dentre os quais, sete da Engenharia de Computação.

Outro tipo de saída dos cursos na UFOP é feito pelo processo de reopção, uma espécie de transferência interna. Nessa situação, conforme registrado no Sistema de Controle Acadêmico da UFOP, houve cinco saídas do curso de Engenharia de Computação, uma do curso de Nutrição e duas saídas do curso de Serviço Social para outros cursos da UFOP, sem a necessidade de nova participação no SiSU.

De acordo com os Gráficos 24 a 29, podemos perceber que há uma tendência geral de que as evasões ocorram mais nos primeiros períodos dos cursos, tanto entre os estudantes cotistas quanto entre os estudantes da ampla concorrência (Gráficos 24 a 29).

Gráfico 24: Evasão por períodos – Medicina Gráfico 25: Evasão por períodos – Nutrição

Gráfico 26: Evasão por períodos – Engenharia Civil Gráfico 27: Evasão por períodos – Engenharia de Computação

Gráfico 28: Evasão por períodos – Direito Gráfico 29: Evasão por períodos – Serviço Social

Fonte: Elaborados pela autora a partir dos dados do Sistema de Controle Acadêmico da UFOP/PROGRAD, 2016

Além das causas apontadas por Coullon (2008) para reprovações e evasões durante os períodos iniciais do curso (transição do Ensino Médio para o Ensino Superior,

adaptação ao novo ambiente acadêmico, rupturas mudanças na vida estudantil e pessoal do estudante, entre outras), o SiSU tem proporcionado ao estudante uma maior mobilidade entre cursos e universidades, principalmente diante da possibilidade de utilizar a pontuação do ENEM em mais de um processo seletivo por ano e de aproveitamento de disciplinas cursadas com aprovação, facilitando para o estudante indeciso, mudar de curso nos primeiros períodos.

Entre os cotistas que responderam o questionário socioeconômico, 93% dos estudantes evadidos pertencem aos grupos de NSE “Mais baixo”, “Baixo” e “Médio baixo”, e apenas um deles, cotista do curso de Engenharia Civil, justificou sua saída por motivo financeiro.

Nos cursos estudados, não há diferença estatisticamente significativa entre a proporção de evasão dos estudantes participantes da política de ação afirmativa e da ampla concorrência, com exceção do curso de Serviço Social (Anexo I). Nesse curso, a evasão entre os estudantes da ampla concorrência é significativamente maior que entre os cotistas, o que aumenta a necessidade de um estudo aprofundado da situação pelos coordenadores do curso e dirigentes da instituição.

Chama-nos a atenção os expressivos índices de evasão nos cursos da UFOP, em especial nos cursos de baixo NSE, o que requer da instituição medidas urgentes para enfrentar o problema. Considerando que os cursos ainda não completaram uma geração ou ciclo (período de matrícula à diplomação), esses índices tendem a aumentar. É preciso analisar as dificuldades enfrentadas pelos estudantes na educação superior, bem como identificar as reais necessidades materiais e didático- pedagógicas que garantam a permanência do estudante nesse nível de ensino.

Benzer Belgeler