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7. SONUÇ VE DEĞERLENDİRME
Esta reflexão da evolução do termo cultura aconteceu de maneira intencional no intuito de esclarecer alguns questionamentos que surgiram no processo de pesquisa.
56 Atualmente, o interesse de pesquisadores e de instituições acerca do debate crítico sobre a temática das juventudes vem crescendo, mas, apesar disso, a produção científica, na área, ainda se mostra incipiente (SPÓSITO, 2009).
Nesse sentido, dentro das possibilidades de reconhecer os diversos olhares e as diversas formas de se conceber a juventude, suas perspectivas produzem distintas teorias. Attias-Donfut (1996) propõe que, para se realizar uma análise sociológica da categoria juventude, se faz necessário adotar uma visão multidimensional e pluritemporal a partir de três eixos:
“1- o período de juventude, no quadro da organização do conjunto das etapas da vida; 2- a inscrição dos jovens na filiação e nas relações de gerações; 3- a formação de “agregados sociais”, na origem dos movimentos sociais ou de formas específicas de ações ou de expressões, suscetíveis de exercer uma influência nas sociedades” (ATTIAS- DONFUT, 1996, p.15).
Não obstante, Pais (2003) sugere um processo sistemático, amplo e complexo dos estudos da área sociológica que tem como enfoque a juventude com base em duas correntes: uma voltada ao aspecto geracional e a outra voltada à concepção classista. A corrente geracional compreende a juventude como uma fase da vida que enfatiza o aspecto unitário/global da juventude, tomando-a como uma categoria etária, ou seja, a idade é considerada uma variável que se sobrepõe em relação às outras categorias, seja da esfera socioeconômica ou cultural.
Segundo Pais (2003), nessa perspectiva teórica, duas teorias se apresentam: a primeira é a teoria da socialização, desenvolvida no funcionalismo, difusa e defendida pelo sociólogo israelense Shmuel Eisenstadt, na obra "De geração a geração" publicada em 1956, na qual, tinha por objetivo mostrar que os desentendimentos ou as descontinuidades intergeracionais são vistos como distúrbios nos processos de socialização, e toma a juventude no sentido de fase da vida. A segunda é a teoria das gerações, exposta nos escritos do sociólogo húngaro Karl Mannhaeim, em 1952, a qual difunde a ideia de que, se não existissem descontinuidades intergeracionais, não existiram gerações.
Todavia, tanto para uma vertente teórica quanto para outra, o foco de debate e discussão se encontra na continuidade/descontinuidade dos valores intergeracionais, permanecendo na base da formação da juventude como uma geração social. A geração social, nesse caso, é produzida mediante um autorregistro a outras gerações (das quais se divergem). A juventude é vista e encarada como um período de maturidade que leva à idade adulta, em que
57 faz parte de um processo de rompimento, conflitos e crises de gerações, traduzidas em forma de tensão ou de conflito (PAIS, 2003).
Assim, é possível afirmar que muitos homogeneízam a categoria juventude, principalmente quando comparada a outras gerações, que apresentaram distanciamentos comportamentais bem significativos. Enquanto isso, há outros que visualizam a categoria juventude de forma heterogênea e singular, diferenciando os jovens uns dos outros, por tendências e comportamentos.
Para Pais (2003, p.49), a cultura juvenil, transcendente dos jovens, se opõe às culturas das outras gerações adultas pelo fato de existirem, nessa conjuntura, diferentes tipos de socialização dessa cultura juvenil, pois, nesse caso, uma refere-se à socialização contínua, livre de grandes conflitos, com referência à outra. Para os defensores e difusores dessa socialização, as participações das novas gerações na vida social apresentariam duas características, isto é, a socialização dos jovens, integrada em um conjunto existente de convívio societal e a juvenilização da sociedade. Em outras palavras, seria a "influência dos jovens nos sistemas de relações e valores dos adultos, rejuvenescendo a sociedade".
A segunda maneira de socialização faz menção aos rompimentos, confrontos ou conflitos geracionais, quando a interrupção entre as gerações se traduz em um enfrentamento ou tensão. Ao se fazerem presentes num estado de instrução de vivacidade social e teórica, os jovens vivenciam e experimentam esses processos de maneira singular, única, construindo uma consciência geracional. Assim, conhecem e sentem o mundo como membros de uma geração, compartilhando circunstâncias e problemas. Nos seus estudos, Pais (2003), ainda, apresenta outras duas maneiras correlacionáveis nessa vertente. A primeira é a relação aproblemática, quando prevalece a noção de etapa intermediária não conflitante, e que não aceita a existência de uma cultura juvenil específica, mas de uma etapa dividida com a geração adulta. A segunda é a relação problemática, na qual os jovens e as outras categorias se veem como sendo outros, isto é, como culturas totalmente distintas, expressando roteiros/estilos próprios, podendo pensar e repensar os jovens como contracultura que se opõem à cultura adulta.
O terceiro modo de sociabilidade, designado por Pais (2003), tende a analisar as condições descontínuas de intergerações, buscando compreender o desentendimento existente entre a comunidade jovem e a comunidade adulta. Nesse sentido, para a corrente de gerações, os vestígios de continuidade e de descontinuidade intergeracional é perceptível, visível e calculável a partir dos processos de socialização de instituições públicas e sociais
58 específicas, isto é, a escola, a família, o ambiente religioso, entre outras, pois as gerações mais jovens reproduzem juízo de valores e toda uma conjuntura de sinais de continuidade geracional.
Porém, na medida em que os processos de interiorização não acontecem de maneira passiva, desencadeia sérias rupturas culturais entre as várias gerações. Com isso, instituem-se, por consequência, pautas e estilos à cultura adulta. Portanto, de acordo com Pais (2003), a atual geração teria um poder inédito, pois implicaria no mundo adulto com novos roteiros e estilos de ações que seriam aceitáveis, apresentando a juventude como uma categoria de referência externa, causando um status juvenil e incitando o desejo pelas antigas gerações.
Sendo assim e considerando a discussão exposta acima, pode-se considerar que, na corrente de caráter geracional, o principal problema ou entrave se movimenta e articula em torno dos artifícios de reprodução social, atrelando isso aos conteúdos e às características das relações sociais entre gerações.
Por outro lado, na teoria empregada pela corrente classista, o cenário da reprodução social também é de extrema relevância, entretanto o enfoque central se volta para a reprodução de gênero, de etnia, enfim, de classes sociais. Dos pensadores que adotam essa abordagem teórica, destacam-se o sociólogo francês Pierre Bourdieu (1983) e o sociólogo britânico Paul Willis (1991). De modo geral, apresentam uma criticidade quanto ao conceito de juventude associada a uma simplória fase de vida e, mesmo compreendida como categoria, perpassa por relações de classe.
Com base nessa perspectiva, a passagem dos jovens para a vida adulta seria marcada pelas desigualdades sociais, com fortes relações às condições de classe. Dessa forma, a juventude não se classifica e nem se enquadra como classe social, mas como parte indissociável das relações de classe. Acompanhando a evolução histórica dos diferentes períodos da diversidade humana, pode-se destacar que o indivíduo jovem se percebe de várias maneiras, nas quais ele reconstrói sua própria imagem e, por vezes, a do outro, o que determinará as relações de grupos (PAIS, 2003).
Nesse caso, Pais (2003) é pontual ao dizer que é uma tendência da visão classista desvalorizar e não considerar as trajetórias dos jovens, não dando muita importância para as potencialidades e as possibilidades de mobilidade social. Nesse aspecto, o autor faz uma dura crítica de modo a evidenciar os processos sociais que afetam, diretamente, os jovens, afirmando que não podem ser resultados, apenas, de determinações e de posicionamentos de classe, uma vez que outras possibilidades, como interações locais, cinesia social, trajetórias
59 peculiares, entre outras situações, necessitam ser levadas em conta, pois, também, interferem nesse processo.
Outra crítica apresentada por Pais (2003) a essa vertente refere-se à relutância em explicar acontecimentos comuns de reconhecimento para jovens de distintas classes sociais, limitando atributos, apenas, às condições sociais determinadas sobre os fatores sociais ou modos de vida. Isso ocorre da mesma forma em que se acaba atribuindo uma uniformidade cultural ou de modos de vida entre jovens de uma mesma classe social, supondo-se, assim, um determinismo disfarçado ou camuflado.
Portanto, é necessário ressaltar que, nessas duas correntes sociológicas, o conceito de cultura juvenil faz grandes associações ao de cultura dominante, pelo fato de que, na corrente geracional, a cultura juvenil se sistematiza pela oposição à cultura dominante de uma geração mais velha. Por outro lado, a corrente classista compreende que a cultura juvenil é uma forma de contraste e de embate à cultura de uma determinada classe dominante (PAIS, 2003).
Assim, em ambas correntes o conceito de cultura juvenil é compreendido como processo, exclusivamente, interno ou de interiorização de normas/padrões, como mecanismo de socialização, ou seja, um processo de significação e de ressignificação, compartilhado de linguagens, sinais e signos específicos de regras e de valores. Toda essa discussão apresentada permite compreender que uma reflexão sociológica contemporânea deve transitar e circular, entre as duas correntes de forma que seja possível envolver os diversos aspectos existentes em uma e em outra vertente, no sentido de captar e absorver a complexidade do fenômeno global designado juventude.