Nessa etapa foi adotada survey, que buscou informações acerca do nível de envolvimento e preocupação dos responsáveis pelos setores de compras de órgãos públicos para a contratação de produtos e serviços sustentáveis. A sua utilização se justifica por permitir o acesso às informações necessárias à pesquisa, além de se adequar ao tempo disponível para a sua realização. Ademais, o estudo proposto por (FLYNN et al., 1990), encoraja os pesquisadores a utilizarem dados empíricos para adicionar novas perspectivas aos dados teóricos; segundo os autores, o survey é, sem dúvidas, o método mais utilizado quando se pretende buscar opiniões de grupos (de pessoas) com pelo menos alguma característica comum.
O instrumento de pesquisa adotado foi do tipo questionário e a sua elaboração fundamentou-se nos tópicos abordados na fundamentação conceitual, que aponta para várias práticas ambientais, sendo necessária a escolha de algumas delas para compor o questionário utilizado na pesquisa empírica. As principais classificações utilizadas foram de Zhu, Sarkis e Lai (2007) e de Giunipero et al. (2012) sobre green supply chain, Daily, Bishop e Massoud
(2012) sobre treinamento e empowerment ambiental e Brammer e Walker (2011) para fatores externos.
As questões foram estruturadas e de múltipla escolha, conforme quadro abaixo e Apêndice B, sendo dividido em cinco partes: Orçamento, Treinamento Ambiental,
Empowerment Ambiental, Fatores Externos e Compras Ambientalmente Sustentáveis:
Quadro 2 - Assertivas utilizadas no questionário, agrupadas por bloco. Elaborado pelo autor com base em Zhu; Sarkis e Lai (2007) e Giunipero et al. (2012) .
A primeira parte do questionário objetivou identificar a percepção do valor do orçamento destinado à área de compras da unidade pesquisada em relação a unidades Orçamento O - O orçamento destinado à área de compras da minha unidade é superior ao orçamento de unidades similares que tenho conhecimento;
TA1 - Uma adequada quantidade de treinamento ambiental é fornecida para os funcionários dentro dessa unidade;
TA2 - Todos os funcionários desta unidade tem chance de ser treinado sobre assuntos ambientais; T re ina m ent o A m bi ent al
TA3 - De forma geral, os funcionários estão satisfeitos com o treinamento ambiental oferecido na unidade;
EA1 - Os funcionários são livres para tomar decisões sobre assuntos ambientais; EA2 - Os funcionários possuem autonomia para planejar ações ambientais;
E m pow er m ent A m bi ent al
EA3 - Os funcionários possuem autonomia para executar ações ambientais; FE1 - A legislação ambiental vem se tornando mais exigente;
FE2 - Cidadãos vêm se tornando ambientalmente mais conscientes;
F at or es E xt er nos
FE3 - Os fornecedores da minha unidade estão avançando no desenvolvimento de produtos ambientalmente melhorados;
CS1 - Há inserção de critérios ambientais nas atividades de compras; CS2 - Os fornecedores têm sua gestão ambiental checada por auditores;
C om pr as A . S us te nt áve is
similares. A segunda parte buscou identificar a percepção relacionada à quantidade e à qualidade do treinamento ambiental fornecidos pela instituição. A terceira parte objetivou identificar o poder de decisão relacionado a questões ambientais. A quarta parte foi focada nos fatores ambientais relacionados à legislação, sociedade e fornecedores. E a última parte finalizou com a busca pela utilização critérios ambientais e certificações nas compras.
As questões estruturadas foram de múltipla escolha com atribuição de números para pontuar a classificação de atributos. Utilizou-se a escala Likert que exige que os entrevistados indiquem seu grau de concordância ou discordância em relação às afirmativas apresentadas. Cada pergunta apresentou as seguintes categorias de respostas: “discordo totalmente”, “discordo”, “nem concordo nem discordo”, “concordo” e “concordo totalmente”.
Após a estruturação, o questionário foi enviado, por meio eletrônico a cinco profissionais da área ambiental, para que pudessem apresentar considerações a serem analisadas e consideradas antes da realização do pré-teste.
O pré-teste foi realizado pessoalmente, com três setores de compras de órgãos públicos para verificação da sua adequação enquanto instrumento de coleta de dados da pesquisa, o que permitiu o seu aprimoramento por meio de correções e ajustes, tornando-o mais claro e objetivo.
A disponibilização do questionário ocorreu de forma eletrônica, utilizando-se o aplicativo SurveyMonkey. O endereço eletrônico e telefone dos integrantes da população foram obtidos na página virtual de cada instituição. Foram encaminhados e re-encaminhados e-mails solicitando a participação no questionário como é mostrado no Apêndice A, e ainda, visando aumentar a amostra de respondentes, foi utilizado o contato por telefone para confirmar o recebimento do e-mail e ressaltar a importância da participação.
O índice de retorno do questionário foi de 55,88%, ou seja, do total de 102 setores de compras de órgãos públicos que formavam a população, 57 responderam ao questionário. No entanto, 5 questionários estavam incompletos, totalizando 52 (50,98% do total) questionários validados. O alto índice de retorno, pode ser explicado pela proximidade do estudo com a amostra utilizada (setores de compras de universidades públicas do Estado de São Paulo).
3.2 Modelo Conceitual
Com o objetivo de auxiliar na estruturação do trabalho foi desenvolvido um modelo conceitual, para identificar quais são os fatores de influência nas Compras Ambientalmente Sustentáveis, analisando iniciativas de Treinamento Ambiental, Empowerment Ambiental e Fatores externos, considerando também a variável de controle Orçamento, de acordo com o Framework abaixo:
Figura 2 - Framework Conceitual. Elaborado pelo autor.
Orçamento (O) Treinamento
Ambiental (TA1, TA2, TA3)
Empowerment
Ambiental (EA1, EA2, EA3)
Fatores Externos (FE1, FE2, FE3)
Compras Amb. Sustentáveis (CS1, CS2, CS3)
3.3. Abrangência da pesquisa
Abranger ou restringir uma pesquisa significa estabelecer limites para a investigação. O presente trabalho foi realizado junto a Universidades Públicas do Estado de São Paulo, visando garantir maior uniformidade da amostra, e por ser o Estado com o maior orçamento do país.
Os contatos das Universidades foram adquiridos na internet, e as analisadas foram UNESP, USP, UNICAMP e UFSCAR. Ressaltando que um mesmo campus pode ter mais de uma seção de compras, como é o caso da UNESP-Bauru, que possui quatro seções (FC, FAAC, FE e Administração Geral).
4. Resultados
Foi utilizado o programa IBM SPSS Statistics para realizar a análise estatística dos dados coletados.
A Tabela 1 traz estatística descritiva (média, mediana, moda, desvio padrão, mínimo e máximo) para as respostas das variáveis O-CS3. Pode-se notar que a implementação das práticas/iniciativas para as compras sustentáveis pode ser considerada acima do ponto médio (2,50) para a grande maioria das variáveis observadas, exceto para FE1 e FE2.
Variáveis Média Mediana Moda Desvio Padrão Mínimo Máximo
O - O orçamento destinado à área de compras da minha unidade é superior ao orçamento de unidades similares que tenho conhecimento;
3,1346 3 3 0,76770 2,00 5,00 TA1 - Uma adequada quantidade de treinamento
ambiental é fornecida para os funcionários dentro dessa unidade
3,9038 4 4 0,82271 2,00 5,00 TA2 - Todos os funcionários desta unidade tem
chance de ser treinado sobre assuntos ambientais 3,8654 4 4 1,01032 1,00 5,00 TA3 - De forma geral, os funcionários estão
satisfeitos com o treinamento ambiental oferecido na unidade
3,6346 4 3 0,76770 2,00 5,00 EA1 - Os funcionários são livres para tomar
decisões sobre assuntos ambientais 3,5385 4 4 0,82751 2,00 5,00 EA2 - Os funcionários possuem autonomia para
planejar ações ambientais 3,3846 3 3 0,79592 2,00 5,00 EA3 - Os funcionários possuem autonomia para
executar ações ambientais 3,7308 4 4 0,62983 2,00 5,00 FE1 - A legislação ambiental vem se tornando mais
exigente 2,0769 2 2 0,68158 1,00 4,00
FE2 - Cidadãos vêm se tornando ambientalmente
mais conscientes 2,4231 2 2 0,89325 1,00 5,00
FE3 - Os fornecedores da minha unidade estão avançando no desenvolvimento de produtos ambientalmente melhorado
3,0000 3 3 0,62622 2,00 4,00 CS1 - Há inserção de critérios ambientais nas
atividades de compras 3,2692 3 3 0,74401 2,00 5,00 CS2 - Os fornecedores têm sua gestão ambiental
checada por auditores 3,7692 4 4 0,61406 3,00 5,00 CS3 - Os fornecedores têm suas certificações
ambientais avaliadas 3,4423 3 3 0,69771 2,00 5,00 Tabela 1 - Estatística descritiva (N=52)
Complementarmente, a Figura 3 ilustra a média de cada variável conforme representado na Tabela 1. Pode-se notar que “TA1 - Uma adequada quantidade de treinamento ambiental é fornecida para os funcionários dentro dessa unidade” e “TA2 - Todos os funcionários desta unidade tem chance de ser treinado sobre assuntos ambientais” possuem uma taxa de implementação mais expressiva nos setores da amostra, assim como as variáveis “FE1 - A legislação ambiental vem se tornando mais exigente” e “FE2 - Cidadãos vêm se tornando ambientalmente mais conscientes” possuem uma taxa de implementação menor.
0.00 0.50 1.00 1.50 2.00 2.50 3.00 3.50 4.00 4.50
O TA1 TA2 TA3 EA1 EA2 EA3 FE1 FE2 FE3 CS1 CS2 CS3
Figura 3 - Representação gráfica das médias das variáveis
Analisando a média das variáveis dos Blocos, tem-se TA = 3,8013 (Treinamento Ambiental), EA = 3,5513 (Empowerment Ambiental) e FE = 2,5000 (Fatores Externos), mostrando que os responsáveis pelos setores de compras se sentem confiantes com relação ao Treinamento, fazendo com que este Bloco seja o mais desenvolvido. Seguido de perto pelo Bloco Empowerment, refletindo que as variáveis já estão sendo consideradas, no entanto, é possível melhorar. E por último, e um pouco distante, o Bloco Fatores Externos, mostrando o
sentimento que de que muito deve ser feito para melhorar a legislação e a consciência ambiental da população.
Já a Tabela 2 apresenta a frequência de distribuição das respostas ao longo dos 5 pontos da escala, de “discordo totalmente” a “concordo totalmente”. Percebe-se que a maior parte da frequência se concentrou nos níveis 3 e 4 da escala, indicando adoção de práticas de compras sustentáveis para a amostra analisada. Aqui, novamente, as variáveis FE1 e FE2 destoam das demais, já que possuem freqüência concentrada no nível 2, indicando baixa percepção de preocupação ambiental externa.
Variáveis totalmente 1-discordo 2 3 4 5-concordo totalmente
O - O orçamento destinado à área de compras da minha unidade é superior ao orçamento de unidades similares que tenho conhecimento;
0 17,3 57,7 19,2 5,8 TA1 - Uma adequada quantidade de treinamento ambiental é
fornecida para os funcionários dentro dessa unidade 0 5,8 21,2 50 23,1 TA2 - Todos os funcionários desta unidade tem chance de ser
treinado sobre assuntos ambientais 3,8 5,8 17,3 46,2 26,9 TA3 - De forma geral, os funcionários estão satisfeitos com o
treinamento ambiental oferecido na unidade 0 3,8 42,3 40,4 13,5 EA1 - Os funcionários são livres para tomar decisões sobre
assuntos ambientais 0 13,5 26,9 51,9 7,7
EA2 - Os funcionários possuem autonomia para planejar ações
ambientais 0 13,5 40,4 40,4 5,8
EA3 - Os funcionários possuem autonomia para executar ações
ambientais 0 1,9 30,8 59,6 7,7
FE1 - A legislação ambiental vem se tornando mais exigente 15,4 65,4 15,4 3,8 0 FE2 - Cidadãos vêm se tornando ambientalmente mais
conscientes 3,8 65,4 23,1 0 7,7
FE3 - Os fornecedores da minha unidade estão avançando no
desenvolvimento de produtos ambientalmente melhorado 0 19,2 61,5 19,2 0 CS1 - Há inserção de critérios ambientais nas atividades de
compras 0 13,5 50 32,7 3,8
CS2 - Os fornecedores têm sua gestão ambiental checada por
auditores 0 0 32,7 57,7 9,6
CS3 - Os fornecedores têm suas certificações ambientais
avaliadas 0 1,9 61,5 26,9 9,6
Para a análise estatística bivariada, foi utilizada a matriz de coeficiente de correlação de Pearson, identificando quais associações entre as variáveis dos diferentes conjuntos de fatores. De acordo com Hair Jr. et al. (2005), o Quadro 3 foi elaborado:
Módulo da Variação do coeficiente Força da associação
0,91 a 1,00 Muito forte
0,71 a 0,90 Forte
0,41 a 0,70 Moderada
0,21 a 0,40 Fraca, mas definida 0,01 a 0,20 Fraca, quase imperceptível
Quadro 3. Força das correlações Adaptado de Hair. et al. (2005).
Outro parâmetro utilizado foi o Alfa de Cronbach, que é utilizado para medir a confiabilidade do tipo consistência interna de uma escala, ou seja, para avaliar a magnitude em que os itens de um instrumento estão correlacionados (CORTINA, 1993). Na Tabela 4 constam os valores de Alfa de Cronbach para as variáveis TA1 até CS3, nos seus respectivos blocos.
Alfa de Cronbach TA1, TA2, TA3 0,562 EA1, EA2, EA3 0,823 FE1, FE2, FE3 0,519 CS1, CS2, CS3 0,618 TA1~CS3 0,738 Tabela 3 - Alfa de Cronbach
Os resultados mostram que o Alfa de Cronbach global é de 0,738, sendo considerado adequado segundo Hair et al. (2005).
A Tabela 4 mostra as correlações entre as variáveis, separadas por blocos (Bloco Orçamento: O; Bloco Treinamento Ambiental: TA1, TA2 e TA3; Bloco Empowerment Ambiental: EA1, EA2 e EA3; Bloco Fatores Externos: FE1, FE2 e FE3; Bloco Compras Ambientalmente Sustentáveis: CS1, CS2 e CS3).
De acordo com Hair et al. (2005) é desejável que a maior parte das correlações seja maior que 0,30. Neste estudo, 8 das 12 correlações estão acima deste valor (correlações em negrito). Nem todas as relações são significativas, uma vez que o nível de significância considerado ideal é inferior a 0,05; os valores significantes, isto é, p value inferior ou igual a 0,05 receberam sinal de (*). Na Tabela também se pode ver que as relações do Bloco
Empowerment Ambiental (“EA1 - Os funcionários são livres para tomar decisões sobre
assuntos ambientais”, “EA2 - Os funcionários possuem autonomia para planejar ações ambientais” e “EA3 - Os funcionários possuem autonomia para executar ações ambientais”) possuem fatores mais expressivos, indicando uma melhor relação entre elas. Já nos demais blocos, as correlações são mais fracas e nem sempre significativas, alertando que essas correlações podem, na realidade, significar que relacionamentos entre as variáveis estão desagregados, ou seja, não são considerados sistêmicos.
TA1 TA2 TA3 TA1 1
TA2 0,385* 1
TA3 0,316* 0,213 1
EA1 EA2 EA3 EA1 1
EA2 0,632* 1
EA3 0,622* 0,602* 1
FE1 FE2 FE3 FE1 1 FE2 0,461* 1 FE3 0,230 0,105 1 CS1 CS2 CS3 CS1 1 CS2 0,482* 1 CS3 0,257 0,334* 1 Tabela 4 - Coeficientes de Correlação de Pearson (N=52)
5. Discussões
Analisando a relação TA1 x TA2 percebe-se que é fraca, mas definida. Assim, se pouca quantidade de treinamento é oferecida e nem todos tem acesso ao treinamento, então fica prejudicada a capacidade dos funcionários de contribuir nas atividades ambientais, conforme apresenta Ramus (2002).
A relação TA1 x TA3 também é fraca, porém definida. Se a quantidade de treinamento oferecida for baixa, então a satisfação com estes treinamentos também será baixa, e conforme Vialli (2010), a população brasileira ainda não é tão consciente e exigente para propor mais treinamentos e melhorar a satisfação com eles.
Já a relação TA2 x TA3 é mais fraca que as duas anteriores, porém ainda definida. Se nem todos os funcionários recebem treinamento, então a satisfação com estes treinamentos será baixa, como propõe Jabbour e Santos (2008), argumentando que todos os membros de uma organização devem receber treinamento ambiental.
No Bloco Empowerment, as relações merecem destaque, já que apresentaram maiores índices e são classificadas como moderadas. EA1 x EA2: se os funcionários possuem liberdade e autonomia para planejar ações, então é mais provável que consigam contribuir para que as metas e informações ambientais fluam pela organização (GOVINDARAJULU; DAILY, 2004).
A relação EA1 x EA3: se os funcionários são livres para tomar decisões e executar ações, então eles podem colaborar com o moderno estágio da gestão ambiental empresarial (JABBOUR; SANTOS, 2013).
Já a relação EA2 x EA3: se os funcionários possuem autonomia para planejar e executar ações ambientais, então são capazes de influenciar de maneira mais ampla e profunda a tomada de decisão organizacional, potencializando amenizar as mudanças climáticas (MARKEY; MCIVOR; WRIGHT, 2015).
Na relação FE1 x FE2, a força da associação também é moderada, e se a legislação vem se tornando mais exigente e os cidadãos tem se tornado mais conscientes, então é possível ver que o Estado assume seu papel de formador de consciência cidadã, grande consumidor e incentivador da economia na luta pela preservação do meio ambiente (NALINI, 2011).
A relação FE1 x FE3, é classificada como fraca, mas definida, e se a legislação vem se tornando mais exigente e os fornecedores estão desenvolvendo produtos ambientalmente melhorados, então percebe-se que existe uma consideração dos efeitos ambientais em todos os processos da cadeia de suprimentos, desde a extração das matérias-primas até a destinação final dos produtos (EMMETT; SOOD, 2010).
Já a relação FE2 x FE3 é classificada como fraca, quase imperceptível, e se os cidadãos estão mais conscientes e os fornecedores preocupados com o meio ambiente, então toda a cadeia de suprimentos deve estar envolvida e integrada, e seus atores devem estimular demandas por produtos sustentáveis (MCMURRAY et al., 2014).
A relação CS1 x CS2 é moderada, e se há inserção de critérios ambientais nas atividades de compras e os fornecedores são checados por auditores ambientais, então o setor de compras terá efeito significativo sobre o desempenho ambiental através de estratégias que incluem a redução e eliminação de desperdícios, a reciclagem e a reutilização de materiais (CARTER; ELLRAM; READY, 1998; NINLAWAN et al., 2010).
A relação CS1 x CS3 é fraca, mas definida, e se há inserção de critérios ambientais nas atividades de compras e os fornecedores tem suas certificações avaliadas, então as atividades de coleta e processamento de informações dos fornecedores, estabelecem critérios de avaliação, os quais visam avaliar o desempenho ambiental dos produtos recebidos, bem como dos fornecedores que os forneceu (LEE, 2008).
E finalmente, a relação CS2 x CS3 é fraca, mas definida, e se os fornecedores são checados por auditores ambientais e tem suas certificações avaliadas, então estes fornecedores estarão conseguindo alcançar os paradigmas do desenvolvimento sustentável e responsabilidade ambiental, que têm se estendido muito além do cumprimento das regulamentações ambientais (RAO, 2007; SHARFMAN et al., 2007).
6. Conclusões
Esta seção apresenta as principais conclusões do estudo, de acordo com as seguintes considerações: (a) sobre ao alcance dos objetivos declarados; (b) quanto à contribuição ao campo de pesquisa ao qual está inserido; e (c) quanto às limitações e possibilidades de estudos futuros.
6.1 Quanto aos objetivos do estudo
O objetivo geral deste estudo foi investigar qual é a intensidade de características de treinamento ambiental, empowerment, fatores externos e práticas de compras públicas ambientalmente sustentáveis em alguns setores de compras públicas localizados em universidades públicas . As principais conclusões deste trabalho são:
• Os setores da amostra estudada indicam que muitas práticas/iniciativas estão sendo implementadas para viabilizar as compras sustentáveis.
• Os responsáveis pelos setores de compras estão recebendo treinamento e possuem autonomia para buscar as compras sustentáveis.
• As Leis Ambientais vem se tornando mais exigentes, no entanto, ainda continuam muito insuficientes e são incapazes de gerar consciência na população de um modo geral.
• O GSCM no setor público tem se mostrado incipiente, evidenciando um Estado com muita dificuldade em criar sinergia com seus fornecedores e consumidores.
• O setor de compras de órgãos públicos pouco tem conseguido fazer para gerar o desejado “efeito dominó” em toda a sociedade para buscar uma mudança de pensamento, não por sua culpa, mas pela combinação de fatores.
6.2 Quanto à contribuição ao campo de pesquisa
De acordo com Brammer e Walker (2011), apesar de sua longa história e escala significativa, o estudo sobre gestão ambiental dedicado ao setor público tem sido objeto considerável de pesquisa acadêmica apenas relativamente recentemente. Esta pesquisa acrescenta um pequeno fragmento nessa imensa lacuna.
A pesquisa de Sarkis, Gonzalez-Torres e Andenso-Diaz (2010) com 157 empresas de grande porte do setor automotivo da Espanha concluiu que o treinamento ambiental é uma variável mediadora do sucesso das práticas de gestão ambiental nas empresas analisadas. Conclusão corroborada pelas análises do Bloco Treinamento, mostrando que os responsáveis pelo setor de compras se sentem capacitados para buscar alternativas sustentáveis.
A proposição de Jabbour e Santos (2013), de que o empowerment dos funcionários está diretamente relacionado e pode colaborar com o moderno estágio da gestão ambiental empresarial, é comprovada pelo alto índice de empowerment dos responsáveis pelo setor de compras, facilitando as compras ambientalmente sustentáveis.
A importância de se relacionar treinamento e empowerment para buscar estratégias ambientais é comprovada por Daily, Bishop e Massoud (2012), que propuseram um modelo que liga os seguintes fatores de recursos humanos: treinamento ambiental, empowerment
ambiental e trabalho em equipe, tanto dos funcionários como dos gestores, com o desempenho ambiental percebido pelos gestores.
Os resultados obtidos a partir de dados empíricos permitem constatar as dificuldades encontradas em integrar toda a cadeia de suprimentos, divergindo dos teóricos propostos por Emmett e Sood (2010), que dizem que o GSCM considera todos os efeitos ambientais em todos os processos da cadeia de suprimentos, desde a extração das matérias-primas até a destinação final dos produtos. E de Seuring et al.(2008) e Seuring e Muller (2008), que definem a gestão sustentável da cadeia de suprimentos como a gestão dos fluxos de informação, material e capital, bem como a cooperação entre as empresas da cadeia de suprimentos, levando em consideração os objetivos das três dimensões do desenvolvimento sustentável: a econômica, ambiental e social.
Do mesmo modo, pode-se perceber que nas universidades públicas do Brasil ainda existem muitos obstáculos para alcançar as conclusões de Markey, McIvor e Wright ( 2015), que mostram o setor de educação, particularmente universidades, se destaca por ser de longe o mais pró-ativo na execução de estratégias de sustentabilidade em seus cursos/treinamentos. E também, de Uyarra et al. (2015), que reforça a importância do papel do Estado, tratando-o como um consumidor/cliente inteligente e exigente, capaz de criar políticas, padrões e regulamentações, liderando inovações e capaz de argumentar a favor das compras sustentáveis.
E apesar de alguns estudos comprovarem as alterações legais para favorecer as compras sustentáveis no Brasil (BARCESSAT, 2011; SANTOS; BARKI, 2011; SOUZA, 2012), a visão dos responsáveis pelos setores de compras é que o poder exercido pelo Estado