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Em termos da área revisada, essa u nidade estrutural mostra pequena expressividade,

manifestada às proximidades do canto NW (meridiano 390 W com paralelo 50 S), sendo

representada por estreitas faixas de milonito gnaisses e milonito xistos. Estes últimos constituídos, em parte, por uma var iedade a talco, clorita e anfibólio. O conjunto é sublinhado por meso e microdobras, e sigmóides de foliação e mineral de transcorrência dextral.

Ademais, para um melhor entendimento dessa ZCSP, as observações foram estendidas para SW, já que havia intere sse para o estudo geofísico e que os dados de campo entre Quixadá – Banabuiú - Morada Nova e Cristais (fora da área) acusavam uma grande dispersão dessa ZC, em diversas e não expressivas faixas miloníticas para importância que se tem dado a ZCSP. Os mais importantes domínios de concentração de

strain transpressional foram marcados às proximidades do Complexo Granitóide

Quixada-Quixeramobim (pares conjugados de shear bands refletindo uma compressão NW-SE), sem contudo mostrar forte extensividade para NE.

Como resultado dos perfis executados e dos informes bibliográficos, essa ZCSP tem como característico do seu desenvolvimento, o emplacement de importante volume de magmas granitóides com pulso preferenciais de sin - a tardi-cinemáticos, e a formação de macrosigmóides de rochas metassedimentares (fácies anfibolito), que contrastam com os tratos contíguos de composição dominantemente ortognáissica. Tardiamente, mostra influencia na elaboração de bacias molassóides, com plutonismo ácido associado.

Entre a área-tipo e Mombaça, Acopiara e Tauá, ficou caracterizada por seções de rochas da série milonito (conceito de Sibson 1977), incorporando heterogeneidades de

strain, com bandas ou lentes menos deformadas ( pods), de larguras centimétricas a

métricas. Foram reconhe cidos milonito gnaisse, milonito xisto, protomilonito e ultramilonitos/filonitos.

Os milonitos exibem, freqüentemente, bandamento composicional e colorimétrico, de larguras de milímetros a centímetros, em parte refletindo os caracteres da rocha mãe e, em parte, a heterogeneidade do strain (Cavalcante 1993b).

No sentido SW observa -se um aumento na taxa de rochas das série cataclasito, coexistindo com as da série milonito, mas de geração subsequente. São representadas, freqüentemente, por brechas com fr agmentos de litotipos da série milonito numa matriz fina quartzosa, cuja elaboração foi creditada aos movimentos transtensionais eopaleozóicos ligados ao desenvolvimento da bacia molassóide de Cococí (Grupo Rio Jucá, Fig. 2.3).

Pelo lado do bloco Mombaç a (Fig. 2.3), observa-se dobras abertas que foram giradas progressivamente no sentido a essa ZCSP, chegando ao desenho de dobras de eixos curvos (sheath folds).

Estatisticamente, no quadro atual, os indicadores cinemáticos (minerais rotacionados com somb ras de pressão, sigmóides de foliação, boudins, relações entre S- C-C’) de meso e microescalas apontam para rotação horária, com situações intermediárias onde essa indicação inexiste ou é discreta.

A foliação milonítica é preferencialmente de alto angulo (  700), enquanto a lineção

carácter de transcorrência dextral só encontra um maior destaque quando essa ZCSP solicita granitóides de megacristais neoproterozóicos (p.ex., segmen to entre Senador Pompeu e Quixeramobim).

Em termos de metamorfismo, essa ZCSP, onde observada, admite que sua maior diferenciação, no contexto geral do arranjo estrutural -metamórfico, foi iniciada em tempos posteriores a formação da foliação de média pres são das supracrustais metapsamito-pelíticas da Seqüência Arneiroz (Complexo Ceará - na concepção de Medeiros et al. 1993 e Oliveira & Cavalcante 1993). Seu desenvolvimento acarretou cortes e deslocamentos na isógrada de média pressão (zona da cianita), alé m de mostrar- se associado com o aparecimento de uma segunda geração de sillimanita, em sítios com farta transferencia e convecção de fluxo térmico (com destaque para os domínios sob a influência da ascensão de importantes volumes de magmas granitóides - informes adicionais para a ZCSP e outras próximas, v. Caby et al. 1991 e 1995, e Arthaud et al. 1987a,b e 1988). Assim, nos sítios onde esta influência não é sentida a mineralogia é francamente de fácies xisto verde.

Fotografia 4.35 – Biotita-muscovita xisto da Formação Minhuins exibindo porfiroblasto de biotita

gerado em F2 e rotacionado em F3, com discretos kinks. Fitas de quartzo em subgrãos, com forte extinção

ondulante, apontam para uma cinemática de rotação dextral. Muscovitas de S3, em formas sigmoidais,

também registram esta relação vetorial. Local da amostragem: 6 km SE de Venha Ver (RN). Fotografia com aumento de 4x (2,5 cm = 0,25 mm) e com nicóis cruzados. Plano subparalelo a xz. Fotógrafo: J. C. Cavalcante.

Fotografia 4.36 – Pórfiro sigmoidal de k-feldspato subgranularizado com inclusões de quartzo e biotita,

em sistemas oblíquos e perpendiculares à S milonítico (S3) e concordantes. Denuncia uma transcorrência

dextral para a Zona de Cisalhamento Icozinho. Metatufo da Formação Minhuins. Fotomicrografia com aumento de 4x (2,5 cm = 0,25 mm) e nicóis cruzados. Plano paralelo a xz. Fotógrafo: J. C. Cavalcante.

Fotografia 4.37 - Cristais de opacos (magnetita) com sombras de pressão, biotitas lenticulares a

sigmoidais e relação S-C-C' apontando para a cinemática dextral da ZCI. Fotomicrografia com aumento de 1 x (2,5 cm = 0,975 mm) e nicóis cruzados. Local: 5 km SE de Venha Ver.

Fotógrafo: J. C. Cavalcante.

Fotografia 4.38 - Relação S-C-C' em metatufo ácido da Formação Minhuins. Destaque para uma

fase de baixa temperatura representada por domínios representados, predominantemente, por clorita e epídoto (ce).

Fotomicrografia com aumento de 4 x (2,5 cm = 0,25 mm) e nicóis cruzados. Local da amostragem: 7 km SE de Venha Ver.

Fotógrafo: 1. C. Cavalcante.

Fotografia 4.39 - Visão microscópica mais ampla da fase de cloritização dos metamorfitos

metavulcanossedimentares da região de Venha Ver -Poço Dantas. Os espaços ocupados pela clorita e epidoto marcam um desenvolvimento em regime frágil, numa cinemática de falhas transcorrentes com geração de estruturas do tipo pull-apart.

Fotomicrografía com aumento de Ix (2,5 cm = 0,975 mm) e nicóis cruzados. Fotógrafo: 1. C. Cavalcante.

Fotografia 4.40 - Ortognaisse do "embasamento" oriental do Grupo Serra de São José, afetado por falhas extensionais subparalelas aos veios graníticos leucocráticos. Mergulho m édio dos gnaisses é para NW, enquanto o dos veios é para SE.

CAPÍTULO 5 GEOFÍSICA Os resultados da interpretação geofísica não são conclusões, mas hipóteses, que podem ser testadas por meio de uma integração com outros resultados; eles não indicam, por si só, o modelo correto, mas permitem rejeitar aqueles que lhe são incompatíveis.

J. G. Luiz & L. M. da Costa (1995)

Benzer Belgeler