Nos estudos para criação do Método de Delfos, o emprego de opinião de especialistas, como já mencionado anteriormente, é colocado no contexto do desenvolvimento de instrumentos de previsão, específico para o campo das ciências não-exatas (HELMER; RESCHER 1958, p. v, p. 55), tendo a confiabilidade e a precisão do julgamento dos especialistas sido discutidos e analisados paralelamente à criação do Método de Delfos.
Em uma das noções de probabilidade, aspecto analisado para fundamentar o uso do especialista em estudos do futuro, está a noção de probabilidade pessoal e subjetiva que permitiu a conceituação do especialista (preditivo) como aquele que é racional. Racional é o especialista que: a) suas previsões são consistentes, ou, pelo menos, quando inconsistentes, está disposto a corrigi-las; b) suas probabilidades pessoais têm uma razoável estabilidade ao longo do tempo, desde que ele não receba nenhuma nova relevante evidência; c) suas probabilidades pessoais são afetadas pelas novas relevâncias (HELMER; RESCHER, 1958, p. 26).
Para Helmer e Rescher (1958, p. 42-44), quando se recorre a especialistas espera-se que eles, com seu conhecimento e experiência, possam assegurar a seleção dos itens de informação de base, determinar os itens e extensão de sua relevância e aplicar estes insights para o julgamento de opinião que são exigidos. Como isto não é suficiente, é necessário colocar em exame sua eficácia de previsão e lançar um olhar crítico nas suas previsões anteriores. O modo mais simples de examinar o desempenho de especialista é em termos de confiabilidade14 e precisão.
O primeiro passo na aplicação do Delfos é a seleção de um grupo de especialistas, o que é um problema complexo quando a categoria de especialista precisa ser bem definida (BROWN, 1968, p. 4). E o sucesso do estudo Delfos reside na seleção dos participantes, uma vez que o resultado depende do conhecimento e cooperação dos painelistas. Assim, o primeiro problema é como selecionar os participantes em potencial (GORDON, 1994, p. 6).
Para a identificação desses especialistas, normalmente, é realizada busca na literatura para verificar quem tem publicado sobre o assunto em estudo, em recomendações de instituições e outros especialistas no processo conhecido como encadeamento. A busca na literatura resulta em uma lista de pessoas que têm publicado sobre o assunto de interesse e esquece pessoas que podem ter alguma coisa a contribuir, mas não têm nada publicado. Recomendações de instituições também sofrem da mesma falha, pois ficam limitadas àqueles que são conhecidos pelas instituições, tendo o encadeamento a desvantagem potencial de identificar grupos restritos (GORDON, 1994, p. 6).
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O grau de confiabilidade é a relativa frequência dos casos que, quando confrontados com hipóteses alternativas, o autor atribui eventuais alternativas corretas, entre elas a de probabilidade pessoal maior do que as outras. O grau de precisão das previsões de um especialista é a correlação entre suas probabilidades pessoais e sua correlação na classe daquelas hipóteses a que ele atribuiu probabilidade. Assim, de um preditor de alta precisão, espera-se dessas hipóteses uma probabilidade de 70%, aproximadamente. A precisão em acréscimo à confiabilidade pode ser suficiente para distinguir um especialista de um pseudo especialista (HELMER; RESCHER, 1958, p. 43-44).
Para identificação de pessoas novas que estão fora das linhas normais de comunicação, mas que podem ser capazes de contribuir com ideias novas e inovadoras, as sugestões são: uso de boletins de comunicações, recomendações de professores de universidades sobre estudantes brilhantes, e participantes e candidatos qualificados por meio de um estudo de Delfos preliminar (GORDON, 1994, p. 6).
Para Brown (1968, p. 4), o especialista pode ser selecionado pelo seu status entre os pares, pela sua própria autoavaliação de relativa competência nas áreas pesquisadas, pela quantidade de informação relevante à qual tem acesso, ou por alguma combinação de índices objetivos e fatores de julgamento anterior.
Os critérios para seleção dos especialistas para Adler e Ziglio (1996 apud SKULMOSKI; HARTMAN; KRAHN, 2007, p. 10) são: conhecimento e experiência no assunto estudado; capacidade e vontade de participar; tempo suficiente para participar; efetiva capacidade de comunicação.
O melhor modo de descrever este padrão de opiniões dos especialistas é em termos de média e interquartil (BROWN; HELMER, 1964, p. 1-3). A média é um número único a ser usado como representativo da opinião coletiva do grupo, e intervalo interquartil uma medida da divergência de opinião entre os especialistas. Este intervalo contém a média de 50% das respostas (BROWN; HELMER, 1964, p. 2).
Quando Gordon e Helmer (1964) relatam o primeiro trabalho para previsão de longo alcance com a aplicação do Método de Delfos e explicitam sua aplicação, deixam claro as interações e o padrão de apresentação da opinião dos especialistas em números estatísticos. No primeiro questionário, os especialistas foram indagados sobre a lista das principais descobertas científicas. O agrupamento e a eliminação das respostas levou a uma lista de 49 itens que foram apresentados na próxima rodada, solicitando para cada item a probabilidade da implementação para cada um dos intervalos de tempo determinados. Para cada item, cada distribuição da probabilidade de cada respondente obtida do segundo questionário foi usada para determinar, aproximadamente, o ano que, na opinião do respondente, tinha a possibilidade de ser implementado. Estas respostas apresentadas em medianas e quartis, foram analisadas e avaliadas para identificar se existia um consenso razoável entre os respondentes. Esse resultado foi informado no terceiro questionário para que os especialistas respondessem se concordavam com
o consenso ou não. Como continuaram a ocorrer desacordos, novos questionários foram apresentados (GORDON; HELMER, 1964, p. 7-10).
Helmer (1966), ao defender que o Método de Delfos pode ser aplicado no planejamento educacional, exemplificou o resultado de um estudo mostrando a distribuição das respostas com indicação da mediana e com um indicador da dispersão de opiniões, o intervalo de quartil, isto é, o intervalo que contém a média de 50% das respostas. A convergência de opinião tem sido observada na maioria dos casos onde a abordagem Delfos tem sido aplicada (HELMER, 1966, p. 2-3).
Dalkey, Brown e Cochran (1969) reforçam esta defesa de Helmer dizendo que estudos anteriores têm demonstrado que os procedimentos de Delfos levam ao aumento da precisão das respostas do grupo e, frequentemente, tanto a propagação de respostas (desvio padrão de resposta a uma questão) quanto um índice de autoavaliação (média das avaliações individuais independentes sobre uma série de perguntas) são indicadores válidos da precisão média de respostas do grupo (DALKEY; BROWN; COCHRAN, 1969, p. 1). Os dois conceitos, média e interquartil, são básicos para o tratamento de dados do Método de Delfos (BROWN; HELMER, 1964, p. 4).
Se o Método de Delfos, desde o seu início, foi a técnica empregada para o estudo do uso da opinião de especialistas (HELMER, 1963), a técnica do uso da coleta de opiniões a partir de um painel de especialistas continuou a ser enfatizada por Bernice Brown (1968, p. 2-3) e outros. Helmer (1967b, p. 5) assinalava que, embora esse método ainda estivesse no seu início, no sentido intuitivo, as pessoas estavam satisfeitas com a capacidade do método em extrair respostas.
Mais recentemente, Harer e Cole (2005, p. 3-4), citando M. A. Ziglio e E. Ziglio (1996), enfatizam que a qualidade do estudo de Delfos baseia-se na seleção dos especialistas, cujas medidas específicas devem guiar o processo de identificação e seleção.
2.1.4 Variações, potencialidades, deficiências e recomendações para aplicação do Método de