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4.6 2004, 2005 yıllarında kullanılan gübre miktarlarına göre toprağa verilen toplam N, toplam P ve toplam K miktarları

5. SONUÇ VE ÖNERİLER

126 Entrevista concedida à autora em 21 de outubro de 2004.

Geração 80 estreou e permaneceu alguns meses em cartaz. Por questões de trabalho e estudo,

Toninho e Marcelo tiveram de sair do elenco, sendo substituídos por Márcio Ribeiro e Ronnie Corazza, respectivamente. Os dois atores receberam uma personagem já definida, um texto já escrito, uma estrutura já delineada, cabendo a eles se adequarem ao conjunto.

O período para pesquisa torna-se bastante curto, dado o caráter quase sempre emergencial em que ocorrem essas trocas de elenco. Há, quase sempre, a colaboração dos colegas no sentido de transmitir o máximo de informações que possam auxiliar o trabalho do novo componente; o material de pesquisa é fornecido e estudado, discussões podem ser feitas com o diretor e o ator que compôs a personagem

.

Tudo no sentido de tentar suprir a ausência do processo – criando um novo processo, espécie de “versão condensada” do original.

No caso dos atores que permanecem o “estranhamento” em relação ao novo intérprete pode durar um tempo maior que em outros trabalhos. Como a elaboração das personagens e relações entre elas havia sido conjunta, contracenar com alguém que não participou do processo, que não foi “cúmplice” na elaboração das relações provoca, muitas vezes, um período de readaptação em que a cena, por não ser mais o que era, vai tateando um novo rumo. Pode ocorrer de essas mudanças não serem necessariamente perceptíveis - o espectador pode achar que a cena continua a mesma, apesar dos atores serem diferentes.

As mudanças internas operam com maior intensidade nos atores veteranos. A atriz Neusa Dessordi, em entrevista à autora deste trabalho, afirma que, quando entra um novo ator num espetáculo realizado em processo colaborativo, a própria relação entre as personagens deve ser reconstruída senão do zero, pelo menos em alguns dos pontos. Ela cita sua personagem Cássia, em

Geração 80. Neusa construiu a personagem que se apaixona pelo colega homossexual, Edu, elaborado

por Marcelo Monthesi. Os dois atores acompanharam a evolução das personagens, interferiram no trabalho um do outro. O que se viu na estréia foi o resultado de uma cumplicidade que ultrapassa a relação entre as personagens e se instala na relação entre dois artistas que compuseram juntos a cena e que, portanto, sentem-se como autores e não apenas como intérpretes.

Continuando, Neusa relata que, ao substituir Marcelo no papel de Edu, dois anos depois da estréia, Ronnie Corazza se inteirou do papel e do processo, mas deu um outro tom à personagem. E, embora os diálogos permanecessem os mesmos, o ator propôs outras reações, “outros olhares” que obrigaram Neusa a “reconstruir” Cássia em algumas cenas, buscando outros estímulos para estar apaixonada pelo “novo” Edu, buscando, ela também, um outro olhar.

De sua parte, Ronnie não teve menos dificuldades ao entrar como substituto no trabalho. Era sua primeira substituição,

e logo dentro de um espetáculo onde os atores permaneceram juntos, durante tanto tempo, elaborando o trabalho. Todo o tempo deles de convivência, de construção, de elaboração de personagem foi tão trabalhado e eu chego para quatro ensaios! Decorar o texto, entender a personagem e tentar criar junto com todo o processo de ensaio. Para mim foi um desafio. 128

Quem faz ou já fez teatro sabe que o processo de substituição ocorre, em geral, a toque de caixa. O ator tem, quase sempre, pouco tempo para estudar a personagem e as marcações – já que o tempo maior para isso foi utilizado durante os ensaios para a elaboração do espetáculo. No caso de

Geração 80, Ronnie assistiu aos vídeos da montagem e os estudou, e ao papel, acompanhado pela

diretora. Ao ir para os quatro ensaios, ele já estava minimamente inteirado da personagem e das marcações. A desenvoltura seria adquirida durante as apresentações ao público.

Para ele, outro grande complicador era o fato de conhecer, do grupo, apenas a diretora. Então, “fora o trabalho, eu tinha de criar uma relação com todas as pessoas, porque eu estaria trabalhando com elas, se não diariamente, pelo menos todo final de semana. Então, você tem que ter uma boa relação para que isso flua e apareça no resultado final do espetáculo.” 129

O resultado final de um espetáculo em processo colaborativo é, portanto, diferente de um outro construído pelas vias convencionais. Pelo que se pôde perceber pelas declarações dos atores, à entrada de um substituto ocorre uma reelaboração do trabalho. Não se trata apenas de se acostumar a um outro parceiro de cena, mas de repetir com ele micro-esferas do processo, pois ele traz elementos novos que precisam ser incorporados. Em geral não há ensaios suficientes para isso, então os atores promovem esses ajustes na própria cena.

O Eduardo de Marcelo Monthesi era mais tímido e romântico, o de Ronnie é mais atirado. O Fernando interpretado por Toninho era mais cruel, o de Márcio mistura sensualidade e um certo descaso. Os demais atores tiveram de reavaliar a relação com Edu e Nando e, com isso, mudar também sua própria interpretação.

A ciranda do elenco, o material produzido que não vai à cena e as substituições não são os únicos fatores a causar angústia no processo colaborativo. Um outro, já abordado ao longo dos itens, também pode ser causador de tensões: a seleção do material com vistas à finalização do espetáculo.

128 Entrevista concedida à autora em 21 de outubro de 2004. 129 Idem.

Benzer Belgeler