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VI. SONUÇ VE ÖNERİLER
A teoria, segundo May (2004) é útil para a interpretação de dados empíricos, mas também permite uma orientação mais geral em relação aos aspectos políticos, históricos, sociais e econômicos e possibilita uma base para a reflexão critica sobre o processo de pesquisa. Nesse sentido, o presente trabalho segue a análise interpretativa dos dados coletados a partir do escopo teórico construído pelo pesquisador.
A análise, segundo Gaskell (2002), não é um processo puramente mecânico; ela depende de intuições criativas. Nesse sentido, para o autor é fundamental a busca por contradições, pela maneira como as atitudes e opiniões se desenvolvem nas entrevistas, pelas clássicas racionalizações por parte do entrevistado. Assim, a análise aqui realizada apresenta
uma interpretação dos dados, tendo em vista o contexto em que foram realizadas, suas perspectivas ideológicas, área de atuação e momento histórico em que foram construídas.
A perspectiva aqui adotada para análise dos dados bibliográficos e das entrevistas segue a análise de conteúdo que, conforme Dellagnelo e Silva (2005) é uma técnica de análise de dados extremamente útil para a os estudos organizacionais, por enfatizar a necessidade de sistematização de procedimentos e apoiar-se no estudo da linguagem. As autoras, a partir da classificação de Bardin, estabelecem que o processo de análise é composto das seguintes etapas: (a) pré-análise, onde se busca fazer uma leitura geral do material, a fim de escolher e organizar o material a ser analisado; (b) exploração e análise do material, onde é realizada a codificação e categorização dos dados coletados; e, (c) interpretação dos dados, realizada com base na teoria e na percepção do pesquisador. Um ponto importante nesta última etapa, segundo Dellagnelo e Silva (2005, p. 113), ―é a capacidade do pesquisador de questionar
aquilo que vê imediatamente, as evidências, as idéias prontas‖, isto é, ―sua capacidade de
buscar novas interpretações‖.
2.5.1 Análise dos dados da observação participante
Nas observações, segundo May (2004) as anotações realizadas dependerão do foco das questões do pesquisador. Segundo o autor, seus interesses teóricos orientarão as suas observações que, por sua vez, serão modificadas a partir desse processo de campo. Nesse sentido, os dados coletados por meio da observação participante contribuíram para a qualificação da inserção e no entendimento do campo pelo pesquisador. As anotações contidas no caderno de campo não foram analisadas detalhadamente como os próximos itens que serão apresentados, pois serviram apenas como orientadores para a coleta e para a análise complementar dos dados coletados.
2.5.2 Análise dos dados das entrevistas em profundidade
Segundo May (2004) a fala do entrevistado deve ser situada pois pode ser resultado as situação vivenciada por ele no momento da entrevista. Outro ponto importante, segundo o autor é compreender a posição do falante em termos de classe, etnia, gênero e posição ocupacional, por exemplo. A imersão no campo da cultura também foi central na análise dos
dados, pois permitiu a identificação dos termos e dos significados atribuídos pelos entrevistados e pelos documentos aos elementos que compõe o fenômeno aqui estudado.
Ao longo do processo de análise das entrevistas, segundo May (2004), alguns elementos devem ser observados, como (a) justificações ou desculpas; (b) motivações e razões; e, (c) identidades sociais. Ainda sobre a análise das entrevistas, May (2004) aponta algumas limitações que podem impactar no esforço de interpretação dos dados: (a) os relatos podem ser imprecisos; (b) embora os relatos possam ser reflexos genuínos da experiência do entrevistado, podem haver circunstâncias ou eventos dos quais os mesmos não estejam a par; e, (c) o entendimento mais completo do relato do entrevista só pode ser obtido pelo exame do contexto ou das circunstâncias aos quais os entrevistados se referem. Nesse sentido, o autor aponta que ―a única maneira na qual o pesquisador poderia examiná-los é estar lá no
momento‖ (op. cit. p.171). No intuito de sanar essas limitações, mais uma vez a inserção do
pesquisador no campo foi central.
As entrevistas foram então inicialmente transcritas. Posteriormente, foi realizada uma leitura de todas as entrevistas para criar um panorama geral dos argumentos dos entrevistados, procurando levantar pontos em comum, pontos discordantes e lacunas nos textos. A seguir, as entrevistas foram analisadas individualmente, sendo escolhida para iniciar o processo aquela que aparentemente contivesse uma descrição mais detalhada sobre os itens investigados.
Para facilitar a compilação dos dados, ao longo do processo de análise foi utilizada a seguinte codificação: (a) ao longo da releitura das entrevistas os pontos sem relevância para o alcance dos objetivos da pesquisa foram descartados; (b) os trechos que contiverem argumentos importantes para a compreensão de algum aspecto a ser investigado foram sublinhados; (c) os pontos vitais dentro dos argumentos serão destacados em negrito; (d) os atores, eventos, datas e pessoas destacadas pelo entrevistado como importantes no campo foram grifados em negrito vermelho; (e) as menções à relação entre cultura e desenvolvimento foram marcados em azul; e (f) ao encontrar informações incompletas que possam gerar dúvidas ao longo da entrevista, foi acrescentado o símbolo ―?‖ e buscou-se complementar o argumento do entrevistado com dados bibliográficos levantados a posteriori; e, (f) cada argumento do entrevistado foi comentado individualmente, no intuito de questionar, destacar, apontar uma contradição ou refletir a respeito de algum ponto levantado no trecho da entrevista, por meio da inserção do símbolo. Um exemplo dessa codificação é apresentado a seguir:
“Nosso município tem destaque na área da saúde (a) e está colaborando com a criação de um
partimos da idéia de que a cultura representa o resgate da cidadania. Nós reproduzimos aqui a idéia, trazida pelo representante da secretaria de estado de cultura, no ano de 2008, o sr. Machado de Assis: a cultura tem relação parcial com o desenvolvimento, já que outros fatores também são centrais (?). Nosso plano de cultura defende que a cultura é sinônimo de
avanço econômico e para isso estamos trabalhando”( Entrevistado X).
Na redação final do presente documento as marcações foram retiradas para facilitar a leitura. Após o processo de codificação, foi realizada uma nova releitura das entrevistas, já buscando realizar uma comparação final entre os dados e as categorias de análise. Espera-se que tal codificação dê mais consistência e agilidade na identificação dos dados relevantes presentes nos depoimentos dos entrevistados.
A estratégia de análise também vai ao encontro da proposta de Gibbs (2008) que defende a utilização de marcações para a codificação dos dados. Além disso, o conteúdo será tratado a partir de um processo de codificação baseada em uma estrutura de conceitos prévia (GIBBS, 2008), que aponta que as categorias ou conceitos utilizados no processo de análise podem ser previamente originados na literatura, em estudos anteriores ou em aproximações iniciais com o campo.