LINGUAGEM
EXTERNA MENTAL
FORMA EXTERNA FORMA INTERNA
COMPARTILHADA INDEPENDENTE
NÃO GENERALIZADA GENERALIZADA
DETALHADA REDUZIDA
O trânsito das ações por essas etapas garante a transformação de ações externas, com a orientação e controle do professor, em ações internas, reduzidas, independentes e generalizadas, desenvolvendo o pensamento teórico nos futuros professores de Química. Dessa forma, em um tempo menor, o licenciando pode construir e assimilar um procedimento racional para a solução de tarefas.
Quadro 5 – Processo de assimilação da atividade, segundo a Teoria da Assimilação de P. Ya. Galperin Fonte: Núñez (2009, p. 125)
As principais etapas nas quais se realiza a ação representam os níveis sucessivos da transformação do fenômeno objetivo em algo cada vez mais próprio, que, durante o processo de execução, depende cada vez mais só de nós. Na etapa material e materializada, dependemos da presença do objeto externo; na etapa da linguagem, das demandas de outras pessoas sobre o conteúdo e a forma de comunicação e, somente na etapa mental, havendo assimilado o conteúdo objetivo da tarefa e seu reflexo na linguagem, o sujeito transforma-se em amo absoluto do material estudado, assimilando-o completamente (GALPERIN, 2001b).
A passagem pelas etapas de assimilação não ocorre de maneira uniforme, no sentido de todos os licenciandos atingirem, ao mesmo tempo, as mesmas metas. Como esclarece Talízina (1988), alguns estudantes podem estar mais adiantados que outros. Uns precisam permanecer em uma etapa anterior, enquanto outros podem avançar à etapa seguinte. Com relação à organização do processo, é adequado dar a possibilidade de executar a tempo a próxima etapa ou, pelo contrário, retardar a nova etapa. Essas situações estão sujeitas a vários fatores e são circunstanciais à dinâmica da aprendizagem em grupo, mas é importante considerar o ritmo de aprendizagem dos licenciandos assim como evitar atrasos desnecessários no andamento das etapas de assimilação.
Galperin (2001b), alerta para o fato da não linearidade das etapas de sua teoria, quando aponta que nem toda ação deve passar por essas etapas, mas apenas a parte nova. As operações que já foram assimiladas numa experiência anterior podem ser executadas ao nível das habilidades já adquiridas. Desse modo, atualiza-se ou forma-se apenas naquilo que o licenciando precisa elevar o grau de desenvolvimento de seus conhecimentos ou assimilar como novo.
5 PERCURSO METODOLÓGICO DA PESQUISA
A estratégia metodológica utilizada neste estudo propôs-se a organizar e sistematizar a investigação sobre o processo de formação da habilidade de interpretar gráficos cartesianos, tomando-se como ponto de partida a Tese deste pesquisador: A formação da habilidade de interpretar gráficos cartesianos como parte do conhecimento profissional, desenvolvida por meio de um Sistema Didático que toma como referência as etapas da Teoria da Formação por Etapas das Ações Mentais e dos Conceitos de P. Ya. Galperin, constitui-se como um processo de aprendizagem que garante a assimilação da orientação do sistema de operações ao nível mental, de forma sólida, com alto grau de generalização, independência e consciência e com alto poder de transferência a novos contextos.
Os sujeitos da pesquisa eram estudantes de Licenciatura em Química da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), no período de 2012.1. Todos os licenciandos estavam matriculados na disciplina de Estágio Supervisionado III e estavam realizando seus estágios em escolas da rede pública da Grande Natal/RN. O estudo iniciou com quatorze estudantes, mas apenas seis participaram de toda a formação. Destes, três eram homens e três eram mulheres e a idade média do grupo era de vinte e três anos.
Em função da natureza do objeto de estudo, desenvolvemos nossa pesquisa como estudo de intervenção por meio de uma experiência formativa com um grupo de licenciandos em Química da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) em prol da formação destes na habilidade de interpretar gráficos cartesianos fundamentada na Teoria de Galperin.
Gonçalves (2012) afirma que a experiência formativa tem como centralidade o processo de aprendizagem experiencial, articulado em nível hierárquico, que abrange: o saber- fazer, conhecimentos, funcionalidade e significação, técnicas e valores num espaço-tempo e a oportunidade de uma presença para si e para a situação, por meio da mobilização de uma multiplicidade de registros.
Essa proposta de intervenção na forma de experimento formativo no sentido histórico dialético é do tipo exploratória, descritivo e de natureza qualitativa. De acordo com Leite (2008), a pesquisa exploratória, como o próprio nome sugere, explora algo novo, baseia-se no empirismo e seus resultados tem um grande valor, pois servem de base para outros estudos quando sua abordagem não possui bibliografia extensa.
A pesquisa qualitativa possui o poder de analisar os fenômenos com consideração de contexto. Para Leite (2008), ao contrário das pesquisas quantitativas, o método qualitativo se baseia em objetivos classificatórios, utilizando, de forma mais adequada, os valores culturais e
a capacidade de reflexão dos indivíduos. Segundo o autor, uma investigação realizada sob
essa visão “não peca por desconsiderar as causas e inter-relações sutis que possam permear-se
entre a análise e as conclusões, desconsiderações essas que podem distorcer verdades entre o
meio e o fim” (LEITE, p. 100, 2008).
Para estudar o processo de formação da habilidade, foi organizado um Sistema Didático fundamentado na teoria de Galperin por meio do qual se analisou o grau de desenvolvimento da habilidade do grupo de estudantes de Licenciatura em Química, antes, durante e depois do processo formativo.
O percurso metodológico da pesquisa, de acordo com os objetivos propostos para o estudo, organizou-se em três momentos:
a) Estruturação do sistema didático;
b) Desenvolvimento da experiência formativa; e c) Organização e análise dos dados.
A organização da metodologia do estudo pode ser discriminada pelo Esquema 1, a seguir:
Embora essas etapas apresentem-se numa sequência, na prática não se efetivaram nessa linearidade, uma vez que, no desenvolvimento da formação da habilidade, foram replanejadas atividades e a análise dos dados, movimento necessário na tomada de decisões acerca da estruturação de um sistema didático e de um processo de aprendizagem dinâmicos cujo objeto e atores são seres humanos, socioculturalmente multideterminados.
5.1 Estruturação do Sistema Didático
O Sistema Didático proposto tem como objetivo organizar o processo formativo da habilidade de interpretar gráficos cartesianos fundamentado nas etapas de assimilação propostas ela teoria de Galperin.