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dos obstáculos naturais às contradições na estruturação da região

Assim, no contexto estratégico e geopolítico do governo federal de integração do território nacional, estudos elaborados pelo CNG (Conselho Nacional de Geografia) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nas décadas de 40 e 50 e publicados na RBG (Revista Brasileira de Geografia), atentavam para as condições de sítio e posição34 da cidade do Rio

de Janeiro com a transferência da capital federal para Brasília. A cidade, então capital federal, estaria prestes a perder tal titularidade para Brasília. As análises das condições de sítio e posição da cidade do Rio de Janeiro foram determinantes para explicar as peculiaridades da cidade no ordenamento de seu território.

Os supostos problemas, oriundos da transferência da capital federal do Rio de Janeiro para Brasília, desencadeavam avaliações de diversos grupos. Os geógrafos atentavam para as condições de sítio de uma cidade. Características do relevo, do clima, do solo, da vegetação, entre outras seriam de grande importância, repercutindo nas condições de conforto dos seus habitantes, nas facilidades de comunicações internas, nas possibilidades de expansão da cidade. No entanto, a posição ou a situação da cidade em relação a outras áreas distintas, mesmo que muito afastadas em relação aos acidentes geográficos, adquiriria maior importância no ordenamento territorial. Deveriam

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Segundo Davidovich e Geiger (1961: 272), ao fator posição, que juntamente com o fator sítio, representa o aspecto geográfico do estudo urbano, cabe o papel mais importante no desenvolvimento dasà idades.àP.àGeo geà 5 àdefi eàposiçãoà e à elaçãoàaoà o ju toà egio al,à sà asesàdeàp oduçãoàdeà matéria-prima e energia, às reservas de mão-de-obra, às zonas de contato ou vias de passagem atu ais .à Eà itando Lysia Bernardes que sintetiza que o fator posição também não se presta a uma classificação geral das cidades, pois se refere apenas a um único período da evolução das cidades, que às vezes, se confunde com a origem. Determinada posição pode ter sido essencial para o desenvolvimento de uma localidade numa certa época sem persistir sempre no mesmo papel. O exemplo já citado de Ouro Preto é ilustrativo (a partir do declínio do período do ciclo da mineração, a capital foi transferida para Belo Horizonte). Por outro lado, pode ocorrer que as cidades, embora permanecendo numa mesma posição, exerçam funções muito diferenciadas: é o caso das localidades do médio Paraíba, que ocupam posição de alinhamento de vale, mas possuem diversificação funcional. Apesar de se identificar como portos, Rio de Janeiro e Santos possuem conteúdo muito diverso. Não se pode encarar a posição de uma cidade como elemento estático: reveste-se de multiplicidade de aspectos, que depende do desenvolvimento da região, de maneira que, por si só, não é suficiente para uma classificação.

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ser considerados os cursos d’água importantes, as fronteiras políticas, as vias mestras de transportes e comunicações, a proximidade ou afastamento do mar; as suas relações como outras cidades e outras regiões do país, tendo em vista, as facilidades ou dificuldades de comunicações, de intercâmbio econômico, etc. Para os geógrafos, a posição seria muito mais importante que o sítio. Para o país, interessaria muito mais a posição em que se acha sua capital, do que o sítio (Guimarães: 1949).

No entanto, na percepção do ordenamento territorial, um inóspito sítio pode ser melhorado graças ao esforço humano, mas o homem nada poderia fazer quanto à posição. O sítio do Rio de Janeiro desde sua ocupação tem sido constantemente remodelado, com aterro de pântanos, arrasamento de morros, abertura de túneis, saneamento de certos bairros, mas, nada poderia alterar o fato de achar-se à beira-mar, de ter a pequena distância a grande barreira montanhosa que é a Serra do Mar, de possuir uma hinterland de determinadas características geográficas, etc.

Muito antes da sua fundação no dia 1º de março de 1565 por Estácio de Sá, a transposição dos grandes obstáculos físicos, marcou o processo de expansão da cidade. Do local de sua fundação, entre o Morro Cara de Cão e o Pão de Açúcar, e após a transferência para o Morro do Castelo em 1567, por Mem de Sá, a cidade passou a se expandir em direção à planície. O sítio não se mostrava favorável às intervenções urbanísticas e nem à sua expansão. O sítio original (Morro do Castelo) atendia muito mais às expectativas militares de defesa que lhe eram atribuídas na época para a construção de um núcleo fortificado. No entanto, devido aos obstáculos naturais do próprio sito original a ocupação e expansão em direção à planície ocorreu por numerosas intervenções urbanísticas.

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Figura 2 – Fundação da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro – primeiro núcleo

As intensas intervenções antrópicas, tendo esses elementos físicos como obstáculos combinados com índice pluviométrico elevado, resultaram num terreno susceptível às grandes inundações e deslizamentos de encostas, embora o sistema hídrico de abastecimento se tornasse insuficiente diante do crescimento da população. A cidade do Rio de Janeiro constituiu uma exceção às cidades litorâneas, que geralmente se desenvolvem perto da foz de um grande rio, que lhes garantiria abastecimento de água doce. A ocupação e expansão da cidade foi resultado de um constante processo de combate às dificuldades naturais locais, mas com sérios efeitos indesejáveis ao meio ambiente.

A cidade em formação, confinada entre o brejo, o mar e a montanha foi alvo de intervenções pelo governo de modo a conquistar a planície, as colinas e os

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vales avançando sobre as regiões ribeirinhas alagadiças e montanhas a fim de ampliar o espaço em ocupação. Desmontes, aterros, terraplenagens, abertura de túneis entre outras técnicas foram fundamentais no processo de expansão do perímetro urbano. A cidade se expandiu incorporando diferentes sítios de modo diverso e em épocas diversas resultado das diferentes funções adquiridas e das intervenções no espaço urbano. A gestão do espaço sempre foi complicada no Rio de Janeiro, e seu custo bastante elevado.

No período colonial, as vantagens da posição da Guanabara, como a proximidade das Minas Gerais, contribuíram para a função de capital, mesmo depois de esgotadas as minas de ouro e consolidada a fronteira com os domínios espanhóis, mesmo assim; o Rio de Janeiro não perdeu sua posição de capital e desenvolveu-se como uma grande metrópole. A própria situação de capital, com seus órgãos de governo, pela presença da côrte e pelas condições de vida urbana e a função política e administrativa da cidade criaram uma concentração de vias de circulação que foram se expandindo para o interior.

Tendo por base estudos iniciais quanto às condições de sítio e posição da cidade do Rio de Janeiro, Bernardes (1962: p.4) sintetiza que embora as condições de sítio da cidade tivessem importância nos primórdios de sua ocupação quando assumiu a função de um núcleo fortificado, tais condições tinham se transformado em verdadeiros obstáculos para a sua expansão urbana.

Se ótimas eram as condições do sítio para a implantação de um núcleo fortificado, logo elas se tornaram um entrave ao desenvolvimento da cidade quando esta, ultrapassada a fase militar de fixação, ganhando a praia e a planície, precisou recorrer a obras de aterro e drenagem e palmo a palmo foi conquistando o atual espaço urbano.

Elementos físicos e naturais, como a Baía de Guanabara e a Serra do Mar, foram decisivos na posição da cidade e no desenvolvimento de suas respectivas funções assumidas ao longo de sua história; e, consequentemente, às ocupações de seu espaço. A função, como um entreposto comercial e porto exportador, assumida pela metrópole desencadeava a ocupação da Baixada da Guanabara em busca de terrenos agricultáveis para terem seus produtos

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exportados pela Baía de Guanabara. O próprio obstáculo natural da Serra do Mar levou atividades econômicas a se voltarem muito mais para as relações exteriorizadas do que em direção aos demais centros regionais próximos.

As dificuldades de domínio e ocupação pelo ambiente hostil eram superadas pelas características de sua posição geográfica que gerava fatores positivos e compensavam as condições de difícil ocupação local. Bernardes (1960: p.97) acrescenta que “essa expansão do Rio de Janeiro, apesar da inadequabilidade de muitos dos sítios conquistados, se iniciou desde logo, com o aparecimento de novas funções, pois, com efeito, diversos outros fatores ligados ao elemento posição, intervieram nesse sentido, garantindo, desse modo, a permanência do aglomerado crescente”.

A região que se constituía, tinha na cidade do Rio de Janeiro um grande mercado consumidor, cujas necessidades crescentes atuaram diretamente nas formas de ocupação da região. As atividades econômicas dos centros regionais localizadas em torno da área central dependiam do mercado carioca. O papel monopolizador da metrópole carioca na expansão de sua área metropolitana foi decisivo para a construção de sua região metropolitana. A configuração territorial da região e sua infraestrutura física são resultados do acúmulo de funções assumidas pela metrópole (Bernardes, 1987)

A estruturação da cidade do Rio de Janeiro e de sua área de influência refletiu espacialmente os momentos marcantes de inserção do país no contexto da economia mundial. Da função portuária-exportadora de mercadorias oriundas dos engenhos da Baixada e das regiões próximas à função de centro econômico, político, administrativo e industrial do país, o acelerado crescimento da cidade esteve associado ao desenvolvimento de novas funções e da ampliação das antigas sob o predomínio dos interesses de uma elite que se urbanizava e do setor imobiliário especulativo que contribuíam para a segmentação do espaço urbano e a periferização da população de baixa renda, constituindo uma configuração urbana centro-periferia.

Vários fatores contribuíram para a configuração urbana centro-periferia, como a valoração da terra com base nos investimentos públicos do governo legitimada pelas leis e normas urbanísticas elitistas, da flexibilização dos códigos de obras, das dificuldades de regularizar a propriedade do solo urbano, das proximidades das amenidades urbanas, da acessibilidade aos meios de

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transportes, assim como do planejamento urbano nas estruturas do governo quando supostamente buscava reduzir os impactos dos elementos externos (custos sociais) e garantir os investimentos do governo. Destaca-se a capacidade de barganha da elite urbana no processo político de manipular uma alocação dos investimentos públicos em infraestrutura e bens na área central que desencadeava uma valorização da terra e impunha a expulsão da população de baixa renda para as áreas periféricas de menor valor do ponto de vista dos investidores.

Este ciclo constante de valoração da terra, pelo retorno do pagamento dos benefícios pela população de alta renda que concentra os investimentos públicos nas áreas centrais, implicava diretamente na redução dos números de unidades industriais que passaram a buscar condições mais competitivas nas áreas periféricas ou fora da área de influência da cidade, em outros municípios e Estados. Assim, como a indústria de construção que, com o apoio do governo teoricamente direcionava seus investimentos para a construção de residências para população de baixa renda, passou para as construtoras que direcionaram seus investimentos às classes mais favorecidas, porém mais lucrativos, penalizando a política habitacional e agravando as condições de acesso à habitação principalmente da população de baixa renda.

O acúmulo das funções assumidas pela cidade do Rio de Janeiro ao longo dos anos foi dando as diretrizes da expansão e do ordenamento de seu próprio território, sem planejamento a partir de investimentos e de equipamentos mantidos pelos fluxos de mercadorias, pessoas e serviços que incorporavam a região de influência do Rio de Janeiro. Em outras palavras, a ocupação e expansão da área urbana estiveram muito mais atreladas, também ao papel político atribuído à cidade do Rio de Janeiro do que pelas determinações naturais de seu sítio, considerado um tanto quanto hostil (Bernardes, 1987).

A posição geográfica da cidade do Rio de Janeiro assumiu uma dimensão estratégica singular no processo de ocupação e consolidação do espaço, em contraposição, às características físicas de seu sítio, que impunham uma constante adaptação do homem ao meio às expectativas de ocupação e expansão da sociedade. No entanto, a importância da posição estaria muito mais ligada a um único período de evolução da cidade relacionado à sua origem. Não se justificaria a posição pelo fato da perda de sua importância com

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o passar dos anos e com as mudanças relativas às diferentes funções assumidas pela cidade em outros contextos históricos, políticos e econômicos.

Ao longo do processo de urbanização da cidade, os morros e montanhas cariocas obtiveram importâncias diferenciadas desde defesa do território, lugar de cultos religiosos, alternativa de moradia às áreas inundáveis e insalubres até serem destinados aos pobres, assim como os rios, as lagoas e os pântanos que permeavam a área urbana precisavam ser dominados, controlados e utilizados para alguma finalidade. Todos esses componentes do quadro natural da cidade sempre estiveram dissociados da área urbana, do planejamento urbano e das medidas de preservação. Por muito tempo os recursos naturais ficaram ausentes das normativas e regulamentações urbanísticas destinadas a controlar a expansão do espaço urbano.

Os escassos recursos hídricos, como rios e córregos da cidade, sempre foram tratados como meros canais destinados ao abastecimento de água ou ao escoamento de dejetos. Ao passo do processo de apropriação do espaço, os rios e córregos da cidade foram e ainda são percebidos e tratados como meros “canais” destinados ao abastecimento de água e ao escoamento de tudo aquilo que não presta ou não serve mais. Seu manejo e, consequentemente, sua inserção na paisagem foram fortemente fundamentados em paradigmas tecnicistas. A necessidade de captação de águas para abastecimento em pontos cada vez mais distantes do centro urbano, devido ao aumento da poluição e à diminuição do volume hídrico dos rios, fez com que a utilidade de preservá-los se tornasse abstrata para a população. Rios e córregos passaram a ser vistos e tratados apenas como “valas”. Daí, resultou a dificuldade coletiva e, consequentemente, institucional, de reconhecer suas funções na paisagem carioca ( Schlee e Tângari, 2008), o que anulava toda e qualquer possiblidade de preservá-los, assim como de uma percepção coletiva que levasse aos necessários avanços institucionais.

A expansão urbana da região da Guanabara não ocupou toda a área do antigo Distrito Federal, porém, se realizou em diversas direções, acompanhando as grandes vias de comunicação para o interior e sem se prender aos limites político-administrativos. A progressão urbana extravasou das fronteiras do antigo Distrito Federal, fazendo expandir os pequenos centros fluminenses vizinhos da capital e criando as chamadas cidades-dormitórios

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como Niterói, São Gonçalo, Duque de Caxias, São João de Meriti, Nilópolis, Nova Iguaçu e Queimados e outras localidades menores.

Figura 3 – Plano de um Trecho do Rio de Janeiro e de Niterói

A Baixada Fluminense, com destaque dos municípios de Nilópolis, Nova Iguaçu, Magé, São João de Meriti, Duque de Caxias, englobava as primeiras áreas (hinterlândia) que sofreram influência econômica e cultural da cidade do Rio de Janeiro, e foram incorporadas à área metropolitana do Rio de Janeiro. O espaço da Região Metropolitana do Rio de Janeiro foi se consolidando ao passo que as relações sociais relacionadas à industrialização, ao comércio e serviços foram se estabelecendo, agregando outros municípios a sua área de influência35.

35 A Lei Federal no 14, de 1973 não teria incluído o Rio de Janeiro entre as regiões metropolitanas de

então, por estar o Grande Rio dividido entre dois Estados, o do Rio de Janeiro e o da Guanabara. Em 1974, a Lei no 20, que determinava a fusão entre os dois estados num único, o Estado do Rio de Janeiro, incorporaria todos os dispositivos da referida Lei no 14, bem como criou o Fundo Contábil para o Desenvolvimento da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, destinado a financiar os programas e projetos prioritários para a Região.

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Figura 4 – Delimitação do Grande Rio

Quando criada, a Região Metropolitana do Rio de Janeiro – RMRJ, contava com 14 municípios.

Desde então, sua composição alterou-se. Saíram municípios que faziam parte de sua primeira composição: Petrópolis, que passou a fazer parte da Região Serrana; Mangaratiba; Itaguaí, os dois primeiros passando a fazer parte da Região da Costa Verde; e Maricá, que passou para da Região da Baixadas Litorâneas.

O número de Municípios foi ainda alterado pela emancipação dos distritos, a partir dos anos 90. Foram emancipados: Belfort Roxo, Guapimirim, Queimados, Japeri, Tanguá, Seropédica e Mesquita.

Atualmente com a Lei Complementar No 105, de 2002, a RMRJ conta com 17 municípios: Rio de Janeiro, Belfort Roxo, Duque de Caxias, Guapimirim, Itaboraí, Japeri, Magé, Nilópolis, Niterói, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados, São Gonçalo, São João de Meriti, Seropédica, Mesquita e Tanguá.

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Mapa 1 – Região Metropolitana do Rio de Janeiro – 1974

Fonte: IPLANRIO/IBAM (modificado)

Mapa 2 – Região Metropolitana do Rio de Janeiro – 2009

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Concomitantemente à apropriação e consolidação do espaço com a forte presença intervencionista do governo e do setor privado, os terrenos sofriam uma valorização orientada pelo mercado imobiliário, excluindo a maioria da população de baixa renda do direito ao solo urbano e conduzindo-a a ocupar áreas longínquas dos locais de trabalho ou a ocupação dos terrenos desvalorizados desencadeando inúmeros problemas de locomoção, de habitação e de sobrecarga da infraestrutura urbana.

O crescimento “espontâneo”36 da cidade do Rio de Janeiro ocorreu sem um

plano de governo que orientasse a expansão e teve as imposições do meio, como obstáculos ao longo do processo de domínio e apropriação do espaço, com reflexos na estrutura fundiária e na paisagem urbana. Nas áreas centrais como nos subúrbios e na Baixada, a ocupação do espaço ocorreu de forma descontínua, seja devido aos obstáculos físicos e as condições do sítio37, seja pelo interesse de particulares que ora retardavam o desmembramento de suas propriedades, ora o favoreciam através de loteamentos.

As dificuldades impostas pelo sítio à expansão da cidade e a ausência de planejamento resultaram nos graves problemas urbanos como ineficiência dos bens e serviços públicos, escassez de terrenos, favelização, impactos ambientais, dificuldades de acessibilidade, despreparo do espaço urbano às diferentes necessidades dos grupos sociais, sobrecarga nos equipamentos urbanos, fragilidade nas ocupações das encostas, com sérios impactos locais que se agravaram ao longo dos anos.

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O crescimento espontâneo relaciona-se ao processo de crescimento demográfico associado às transformações do território cujo crescimento urbano passa a constituir uma dessas variantes dessa transformação. A ausência de mecanismos de regulação do território em rápida evolução origina o crescimento espontâneo em vez de um desenvolvimento urbano equilibrado. O processo de ocupação do solo é regido pelos interesses predominantes sem planejamento, fruto da ausência do Estado na região, sem preocupação em reservar espaços para futuras e necessárias adaptações do espaço às necessidades da sociedade como habitação, lazer, educação, saúde, saneamento, drenagem, circulação entre outros equipamentos e infraestrutura urbanos. A precária infraestrutura e a ocupação do solo não planejada expõem a população residente aos vários riscos sociais e ambientais.

37 Abreu (2010: 214, volume 2) expõe que em seus clássicos trabalhos sobre o Rio quinhentista, Lysia

Bernardes afirmou corretamente que foram as vantagens da posição geográfica e não as características do sítio que determinaram o estabelecimento da cidade de São Sebastião no morro mais tarde o he idoà o oà doà Castelo .à Naà ealidade,à seà ãoà existisseà taisà ualidadesà oà auto à efe e-se as qualidades já discutidas em outro capítulo de sua obra), dificilmente a cidade teria prosperado, tantos foram os óbices que os primeiros colonizadores tiveram de superar para afirmar a presença portuguesa num sítio que lhes era decididamente pouco favorável, senão hostil.

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A formação da metrópole do Rio de Janeiro relacionou-se ao ciclo industrial do país no século XX. O desenvolvimento das atividades industriais, que se fez acompanhar da expansão da vida urbana, acarretou a diminuição relativa da

Benzer Belgeler