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José Ephim Mindlin foi responsável pelos primeiros movimentos para organização e criação da Escolinha de Arte de São Paulo (EASP). Como ação inicial, ele reuniu em sua casa um grupo de mulheres composto por Ana Mae Barbosa, Elizabeth Loe , Esthe Mi dli Gui a ães, Julieta D Ut a Vaz, Regi a Go es e Ma ia Hele a Guglielmo, ele juntou mulheres inteligentes e inquietas que ele já tinha ouvido falar que gostariam de trabalhar com Arte e/ou com Educação33.

Para esse mesmo encontro, José Mindlin também viabilizou a participação de Augusto Rodrigues, artista pernambucano e um dos diretores da Escolinha de Arte do Brasil (EAB), de onde se desdobrou o Movimento Escolinhas de Arte (MEA). Sua participação foi, possivelmente, uma indicação de Ana Mae Barbosa, que já tinha experiências anteriores com o MEA, conforme apresentado anteriormente. Ela também já havia tido contato com Augusto Rodrigues e tinha conhecimento de que para criar uma Escolinha do Grupo MEA tinha que ter o apoio da Escolinha de Arte do Brasil 34. O comparecimento de Augusto Rodrigues, de certa forma, chancelava a presença do MEA na capital paulista, através da EASP.

No documento, Escolinha de Arte do Brasil: análise de uma experiência no processo educacional brasileiro (1978, p. 530), na seção que apresenta a fundação de Escolinhas de Arte em território nacional e estrangeiro, foi registrada a orientação e apoio, por parte da Escolinha de Arte do Brasil, para fundação da Escolinha de Arte de São Paulo. Orientação e apoio que continuaram em outubro de 1967, quando uma parte do grupo organizador e criador da EASP viajou para a cidade do Rio de Janeiro-

33 BARBOSA, Ana Mae. Op. Cit. São Paulo, 22 nov. 2012. 34

RJ, para participar de estágio e entrevistas com professores especializados e diretores da Escolinha de Arte do Brasil (EAB)35.

Em São Paulo, as fundadoras da Escolinha de Arte de São Paulo (EASP) se encontraram periodicamente durante todo o ano de 1967. Nesses encontros, buscavam se conhecer, dialogando, trocando experiências, estabelecendo-se como um coletivo heterogêneo em que cada integrante apresentava uma especialidade.

De acordo com a formação e experiências de cada participante, o quadro docente e administrativo da EASP foi tomando forma. Inicialmente, o ensino de artes plásticas ficou sob a responsabilidade de Elizabeth Loeb, que era artista plástica e de Ana Mae Barbosa que trazia a experiência da Escolinhas de Artes do Recife. As aulas de teatro seriam oferecidas por Esther Mindlin Guimarães, atriz, participante do Teatro Amador, mais especificamente do Grupo de Teatro Experimental (GTE) 36. Maria Helena Guglielmo ficou responsável pelas aulas de dança na EASP, o convite para integrar o grupo se deu por sua experiência como aluna de dança no curso oferecido por Maria Duschenes37. Julieta D Ut a Vaz e a e a egada do seto ad i ist ati o da instituição, pois a Julieta era muito inteligente e organizada, ótima gestora (...)38 e à Regina Gomes, coube as funções de auxiliar no setor administrativo, na recepção dos estudantes e, em alguns momentos, como auxiliar nas aulas ministradas por Ana Mae Barbosa.

Com os encontros buscava-se dar organicidade ao funcionamento da Escolinha de Arte de São Paulo (EASP), assim foi desenvolvido com o grupo que ia iniciar a Escolinha, um trabalho de análise dos objetivos, de estudo da área de ação específica e comunitária e dos métodos e processos de ensino de arte (BARBOSA, 1969, p. 10). Esses estudos consideravam o próprio cenário de ensino de artes, que se apresentava

35 FREIRE, Madalena. Relatório de atividades da E.A.S.P. Documento não publicado, faz parte do acervo

pessoal da arte/educadora Ana Mae Barbosa.

36Esther Mindlin Guimarães participou do Grupo Teatral Experimental que foi fundado em 1942 por

Alfredo Mesquita (1907- 1986) e do Grupo Artistas Amadores, coordenado pela dramaturga Madalena Nicol (1921- 1978). Entre as peças na qual esteve no elenco Esquina Perigosa, de J. B. Priestley, encenada no Teatro Municipal de São Paulo.

37 Pioneira do ensino de dança moderna no Brasil, foi responsável por introduzir no país os métodos de

Emile Jaques Dalcroze (1865-1950) e Rudolf Laban (1879-1958). De acordo com o depoimento de Regina Gomes para o estudo, as aulas com Maria Duschenes era o que tinha de melhor em dança naquele momento.

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naquele momento, que conforme Ana Mae Barbosa explicitou em depoimento para o presente estudo, teoricamente, ela entende que:

As diferenças eram mínimas, vivíamos em uma ditadura, a ideia de liberdade de expressão, a ideia de estimular você, a sua imaginação, todas essas eram ideias correntes. A Fanny [Abramovich] foi aluna do CIAE, (...) eu acho que ela assimilou muita coisa (...). Dona Hebe também tinha essa linha, apesar de ter sido aluna do Theodoro Braga, que era meio rígido, ela não era, sempre foi uma pessoa querendo estimular muito a imaginação das pessoas, das crianças não é? Então, eu não via diferenças teóricas.

Dessa forma, entendo que não havia um distanciamento entre as diferentes propostas que coabitavam esse contexto de ensino de artes, o que prevalecia entre as pessoas envolvidas no projeto Escolinhas de Arte de São Paulo (EASP) era, como afirma Madalena Freire, o desejo de marcar posição e esse marcar posição não era para se desfazer do trabalho do outro, mas marcar posição de um caminho diferente, de um caminho no qual a gente acreditava39.

As reuniões entre as arte/educadoras permaneceram entre o final de 1967 e início de 1968, quando Esther Mindlin e Elizabeth Loeb decidem deixar o grupo. Como especialista do campo de teatro, Joana Lopes foi convidada para integrar a equipe, pois, a Joana, (...) já tinha um trajeto político, educacional, artístico formado. A Joana tem uma história muito forte de participação política, de um teatro na educação politicamente engajado. Então, a Joana era uma pessoa que já tinha uma experiência importante40

. Naquele mesmo início de ano chegou ao Brasil, após três anos de exílio,

a educadora Madalena Freire que se integrou ao projeto, conforme ela relata:

Foi nesse retorno que eu, por acaso, me encontro com Ana Mae e digo: Ana Mae, voltei! Onde você está? E ela me disse: Venha direto já para a Escolinha! E aí eu fui, comecei a trabalhar com um grupo de crianças na faixa dos dois aos cinco anos de idade e aí me encontrei mais uma vez comigo mesma, relembrando toda a experiência vivida durante a adolescência na Escolinha do Recife, mas foi aí que eu comecei41.

A arte/educadora Regina Machado, que participou do grupo, como estagiária, relembra a chegada de Madalena Freire:

39 FREIRE, Madalena. Entrevista concedida a Sidiney Peterson. São Paulo, 16 de set. de 2013. 40 MACHADO, Regina. Entrevista concedida a Sidiney Peterson. São Paulo, 21 jan. 2013. 41

Lembro-me da Ana Mae falar: olha vai chegar a professora Madalena Freire, naquele momento a Madalena não estava no Brasil ainda. (...) Ela estava chegando do exílio, casada, iniciando seu percurso no campo da Educação. Fisicamente era muito menina, mas era a filha do Paulo Freire que viria trabalhar na Escolinha. É engraçado, tenho pouca memória das aulas da Madalena, mas sei que ela era muito séria, muito42.

Composto o quadro docente, a Escolinha de arte de São Paulo (EASP) foi planejada para oferecer aulas de artes plásticas, dança, teatro, expressão corporal, tendo como responsáveis, Ana Mae Barbosa, Maria Helena Guglielmo, Joana Lopes e Madalena Freire.

2.3 Sobre o público atendido na EASP e sua participação na construção de

Benzer Belgeler