Neste segundo capítulo, serão percorridos caminhos para o entendimento da figura da mulher a partir da construção da maternidade, dos modelos arquetípicos dela na sociedade. No capítulo três, analisaremos os romances Gli indifferenti e Conversazione in Sicilia, dos escritores Alberto Moravia e Elio Vittorini, respectivamente.
As construções da figura da mãe, nas obras dos escritores Moravia e Vittorini, não estão alinhadas ao arquétipo materno da sociedade italiana. Os autores não retomam o imaginário coletivo da cultura italiana que foi delineado por particularidades e influências da civilização helênica.
Na cultura italiana, a “mamma” foi consolidada como uma figura imagética que se traduz na luta pela família e na proteção da prole, sem perder a ternura. Esta figura imaginária chegou até os tempos atuais por intermédio do teatro, da literatura e do cinema.
Nesse sentido, o filósofo grego Platão, na obra A Repúbica, é o precursor para a identificação das características dos arquétipos mulher/mãe na sociedade helênica, pré- determinando o papel dela. Assim, ele construiu a noção e a fundamentou no entendimento da mulher como o elemento centralizador da família. Essa concepção perdurou e perdura, nas sociedades, ao longo da história.
Ainda na referida obra platônica, especificamente, no capitulo V, é discutida a construção de uma cidade perfeita e é aludida a possibilidade de execução desse projeto. É, neste momento do texto do filósofo grego, que, por intermédio da interrogação de Glaucon e Adimanto sobre o papel da mulher em todas as atividades da cidade para a construção de uma polis perfeita que vem definido o papel da mulher na sociedade.
Essa definição do papel do indivíduo na polis Platônica se relacionava à divisão em funções que eram distribuídas de acordo com os deveres, a natureza e com o nível
da educação de cada grego que formava a sociedade. Segundo o estudioso grego, três classes sociais estruturavam a polis grega: o povo que deveria produzir para a sustentação da sociedade, os guardiões que deveriam proteger a cidade e os governantes que eram os intelectuais, sempre homens, que constituíam a sociedade grega.
O texto platônico apresenta as diferenças entre o gênero masculino e feminino, no sentido de estabelecer os exercícios pertinentes a cada uma das funções para que a cidade tivesse um bom funcionamento. As funções dos relacionamentos humanos, visando ao fortalecimento da polis grega, foram determinados a partir das castas, conforme pode ser observado na citação que segue:
[. . . ] os homens superiores se encontrem com as mulheres superiores o maior número de vezes possível e inversamente, os inferiores com as inferiores, e que se crie as descendências daqueles, e a destes não, se queremos que o rebanho se eleve as alturas. . . (PLATÃO, 2012: 154)
A rigor, essas castas eram determinadas com o intuito de constituir sociedades fortalecidas. É interessante notar que os relacionamentos entre as castas não eram determinados pelo casamento, que inclusive, não existia; entretanto, havia a indicação para que a mulheres pudessem procriar entre 20 a 40 anos, tendo presente a hierarquia das funções determinadas nas castas.
A construção platônica de idealização da mulher e da figura materna atravessou o tempo, tendo sido repetida na literatura e na sociedade por estudiosos e pensadores. Nessa repetição, foram sendo reafirmadas as posições preconceituosas em relação ao feminino, tendo sido observado em A República, a mulher como um objeto ativo com finalidade de reprodução dentro de um determinado período de tempo, e sido concebido ainda como um ser humano menor, quer moral, quer intelectualmente.
Assim, pode-se observar que desde os tempos de Platão, o éthosda polis grega caracterizava a mulher com a função de procriar e cuidarda prole, da casa e do marido. Esta estava subordinada a uma figura masculina, como foi informado anteriormente na
introdução. Assim, pode ser constatada a função dela na sociedade conforme trecho a seguir:
As mulheres todas serão comuns a todos esses homens, e nenhuma coabitará, em particular, com nenhum deles; e por sua vez, os filhos serão comuns e nem os pais saberão quem são os seus próprios filhos, nem os filhos, os pais . (PLATÃO: 2012, p. 152)
É interessante notar ainda a esse propósito que esses relacionamentos entre homens e mulheres eram pautados não pelo sentimento, nem pelo casamento, mas não eram amorais. O disposto para a polis grega sobre as funções procriadoras desses grupos era o seguinte: eles deveriam se dedicar a formação da cidade forte durante um determinado período da vida, sendo para as mulheres até 40 anos e para os homens até 50. Entretanto, cabe ressaltar que é dessa reflexão que surge o arquétipo do feminino/mãe, que será indiciado na época do fascismo italiano, no século XX.
Nesse sentido, é importante, para esta Dissertação, o entendimento do significado da palavra arquétipo22, no que se refere a modelo. Observa-se que, a partir de A República, o papel da mulher na sociedade, em geral, tem sido reconhecido como se referindo à gestação e ao cuidado com a prole.
Ao longo da história, pode ser percebido como a sociedade constituía-se no matriarco. Na época do neolítico, por exemplo, período em que a agricultura era bastante forte, foi possível fixar moradias perto dos rios para a facilitação do cultivo e da abundância de alimentos. A agricultura tinha definido os papeis tanto para homens como mulheres. Desta maneira, nessas sociedades, já havia a valorização da capacidade reprodutora da mulher em cuidar, gerar e amamentar e, ao mesmo tempo, da sua capacidade de participação nos trabalhos de cultivo e criação de animais .Portanto, a
22 Arquétipo- (latim archetypum, -i, original, modelo, do grego arkhétupos, -on, modelo primitivo) /s. m.
1. Modelo pelo qual se faz uma obra material ou intelectual. 2. [Filosofia] Modelo ideal, inteligível, do qual se copiou toda a coisa sensível. (Para o platonismo, as ideias são os arquétipos das coisas; para o empirismo, certas ideias são os arquétipos de outras ideias. ) 3. [Psicologia] Na estrutura de Jung, estrutura universal proveniente do inconsciente colectivo que aparece nos mitos, nos contos e em todas as produções imaginárias do indivíduo. adj. 4. O mesmo que arquetípico.
sociedade matriarcal é uma sociedade ginecocrática, onde o sexo feminino tinha a participação no trabalho braçal na lavoura e em casa, bem como na procriação. Nas comunidades sem Estado, como em muitas localidades da Europa e da Ásia, pode ser observado o predomínio da sociedade do matriarcado.
Observa-se que a evolução da sociedade humana, com o desenvolvimento da produção de valores e de normas sociais, fez surgir os clãs, distribuídos em tribos e aldeias. Nestes, a função reprodutora da mulher favoreceu a sua subordinação ao homem.
A rigor, as atividades humanas, ligadas ao campo e à criação de animais para o seu sustento, estavam solidificando a sociedade neolítica, favorecendo a sua permanência em um determinado local, deixando de ser nômade. Este evento possibilitou o aumento da população, pois a mulher era um ser sagrado e a ela era atribuída a função de procriação. No entanto, ao longo da história, a mulher perde seu papel de força na sociedade.
Nesse sentido, a perda de importância do papel feminino na História fez surgir outro tipo de sociedade, que passou a organizar os seus ofícios, gerando um comércio em que a moeda regulava as trocas. Tratou-se de uma evolução do comércio, que movimentou o local que, primeiramente era dividido em clãs, em tribos e aldeias, e reforçou a propriedade privada, fortalecendo-se com o surgimento do Estado, da propriedade privada e da família. Assim, o homem passou ser considerado o proprietário dos meios de produção e à mulher coube a função de reprodutora.
Com a constituição do Estado, da propriedade privada e da família consanguínea
houve um favorecimento da consolidação do patriarcado,como mecanismo de descendência
sanguínea, com o objetivo de os filhos legítimos terem tido por legado a riqueza e a propriedade do pai. Com a instauração do patriarcado, a condição da mulher no grupo social sofre uma perda de poder. Esse quadro perdura até o século XXI, com algumas exceções históricas, como a Revolução Francesa, mas que aqui não serão aprofundadas, apesar de bastante interessantes, visando a não se afastar do tema da presente Dissertação.
Ainda em relação aos ideais do filósofo grego sobre o feminino e o materno, é interessante notar a apropriação e adaptação feitas pela Igreja Católica, uma vez que esta utilizou esses pensamentos platônicos para embasar os seus dogmas e influenciar a sociedade ocidental ao longo dos tempos.
O feudalismo, por exemplo, tem as suas origens no século IV d. C, expandindo- se pelas regiões sob o domínio latino, que, após a derrocada do Império Romano, predominou na Europa durante a Idade Média. Observa-se, neste momento, a ascensão da Igreja Católica que passou a ser a responsável por disseminar os valores da doutrina cristã e influenciar sobremaneira o papel hierarquizado dos indivíduos na sociedade medieval.
A Igreja tinha uma forte estrutura política e econômica que era fundamentada em uma formulação de estrutura hierárquica organizada em Clero, Nobreza e Servos. Essa divisão era um reflexo da Santíssima Trindade e do pensamento predominantemente religioso. Por isso, teve condições suficientes para alargar o seu campo de influências nos padrões e comportamento da sociedade medieval quer na cultura, quer na religião.
Durante o período medieval, existiram mulheres que desempenhavam importantes funções e, ainda, tinham suas ações submetidas aos homens. As mulheres, tanto camponesas quanto nobres, exerciam funções diferenciadas. As primeiras trabalhavam no campo e as nobres teciam e organizavam a casa. Algumas senhoras, devido à viuvez ou às guerras, exerciam os direitos de senhor feudal, porém, nada dessas tarefas modificavam o olhar sobre elas. Continuavam sendo vistas como frágeis e dependentes de uma figura masculina.
Nesse período, as leis da sociedade medieval tinham dogmas embasados nos conceitos platônicos no que se refere à mulher. A Igreja Católica teve sua história marcada por um antifeminismo, que determinou o papel social restrito e casto do feminino, exemplificado em muitas obras literárias, como por exemplo, a Beatriz, de Dante Alighieri.
A Idade Média representou o período de maior poder que a Igreja obteve na sociedade. Primeiramente a influência era apenas no campo religioso, depois se estendeu ao político e ao econômico, com as coroações dos imperadores realizadas pelo Papa; e com os movimentos das cruzadas e pagamentos dos tributos do povo, respectivamente.
A instituição religiosa por suas leis e dogmas, permaneceu inabalada até a metade do século XV, quando surgiu a Reforma Protestante, com Martinho Lutero (1483-1546). A partir desses ideais luteranos houve a Reforma Calvinista com a liderança de João Calvino (1509-1564) e, também, a Anglicana, feita pelo rei Henrique VIII (1491-1547). Esses eventos enfraqueceram a hegemonia católica, obrigando a Igreja a organizar a Contrarreforma. Em todos esses eventos, o feminino era representado sempre como uma ameaça, se não estivesse ligado a um elo religioso ou matrimonial.
A Reforma Protestante foi uma reforma religiosa que assumiu posições contrárias às tomadas pela Igreja Católica e possibilitou a valorização do feminino a partir da maternidade. Outro ponto que indica a retomada de valorização da mulher, mesmo que pequena, na Reforma Protestante, foi a abertura de colégios de alfabetização para mulheres visando à leitura bíblica, como um ato e obrigação de cada indivíduo quer homem, quer mulher.
De fato, o ato de saber ler e escrever, era um ofício antes ligado apenas ao clero católico, que monopolizava o conhecimento e a alfabetização/catequização e, por conseguinte, o acesso às escrituras sagradas.
A esse propósito, cabe lembrar que, nos âmbitos familiares, tanto católicos quanto protestantes, tinham a concepção do patriarcado e reforçavam os poderes dos homens sobre as mulheres. Tal proposição pode ser confirmada na citação que segue:
A hierarquia do masculino e do o feminino lhes parece da ordem de uma Natureza criada por Deus. Isso é verdade para os grandes livros fundadores- a Bíblia, o Corão. (PERROT, 2012: 83)
Essa hierarquia, em particular do feminino, é um dos pontos de divergência entre as duas religiões que se referem à imagem arquetípica. Para os protestantes, a mulher de pastor é uma representação para atrair a participação de outras mulheres, ao contrário, do que faz a Igreja Católica, que se utiliza do texto sagrado e de imagens, em particular, da Virgem Maria, para abordar os seus fieis. A aproximação se refere ao exemplum que ambas as representações de feminino têm como ponto principal, o fato de serem imaculadas.
Na Idade Média, as mulheres camponesas pobres não podiam pagar pelos serviços médicos, por esse motivo praticavam o curandeirismo. Nesse sentido, a cura era conseguida por meio do poder de ervas e, não só isso, os partos eram realizados por elas em casa. Esse e outros cuidados foram transmitidos de geração a geração. Essas mulheres representavam uma ameaça à comunidade médica e também aos dogmas cristãos.
Muitos cientistas, bruxos e, principalmente, mulheres foram julgados pelos tribunais. Essas últimas devido ao exercício do curandeirismo foram consideradas uma ameaça às leis da igreja com a acusação de não respeitarem a medicina pelo uso de ervas e elixires. Muitas dessas foram queimadas na fogueira por esse motivo.
A sociedade do período medieval era dominada pelos escolásticos que compunham a ordem da igreja e por conseguinte, dela faziam parte. A falta do conhecimento sobre a natureza feminina causava medo aos homens e a Igreja, que se baseava no Antigo Testamento, sobretudo, na imagem representativa de Eva, a pecadora, originária da costela de Adão e, portanto, da carne. Sendo por isso considerada inferior ao homem. Esse traço promoveu apenas a função procriadora da mulher e a sua submissão à figura masculina.
A partir do século XI, a igreja utilizou três argumentos para fortalecer o papel da mulher na sociedade medieval, sendo eles: o casamento, o papel de boa esposa e a maternidade. Baseando-se nesta tríade, a mulher estaria restrita a um só homem que tinha a função de dominá-la e educá-la de acordo com os ensinamentos cristãos.
A igreja tinha fundamentado o argumento tríade sobre o papel da mulher em três modelos femininos: Eva, a causadora do pecado original e da perdição da humanidade; Maria, como uma renovação de Eva, sendo mãe do redentor da humanidade e reconciliadora com Deus; e Maria Madalena, a pecadora que representava a possibilidade de salvação para aqueles que tinham se arrependido voltando-se para Cristo.
Deste modo, essas três figuras femininas concebidas pela igreja indiciavam o papel das mulheres no período medieval. É interessante notar que o objetivo era o de sacralizar o casamento, a moral cristã para conter a mulher e sempre submissa ao mando do homem na sociedade. Desta maneira, para PERROT (2012: 64), a imagem da Virgem Maria passou a ser usada com uma renovação contra o processo de desvalorização representado por Eva. A igreja consagra a Virgem como virtude suprema, celebrando este modelo de mãe. Por tal motivo, foi atribuída extrema importância ao hímen e à virgindade.
A história da diferença entre os sexos é tema desde Platão, conforme mencionado antes. Este assunto foi tratado também por Aristóteles. Em ambos os estudos, o aspecto do feminino se refere à carência da natureza da mulher, sendo considerada um defeito e uma fraqueza. Segundo Aristóteles, “a mulher é um homem mal-acabado, um ser incompleto, uma forma mal cozida” (PERROT, 2012: 63). Para BOURDIEU (2011: 104), os modos de pensar e os modelos arcaicos, tendo como exemplo o peso da tradição aristotélica, materializou o entendimento do homem como o principio ativo e, o da mulher, como elemento passivo. Isso contribuiu para a consolidação de questões culturais que, com o passar dos tempos, indicam o sexo feminino como um corpo subalterno.
É necessário lembrar ainda que: as mudanças políticas, sociais e econômicas, que tiveram início no século XVIII, trouxeram uma nova maneira de se pensar o homem e a mulher. Essa nova forma de pensar, legitima àquele momento, a ideia de diferença sexual masculina e feminina. Com a Modernidade chegou-se a uma nova concepção para a mulher que contribuiu para identificar o seu lugar na sociedade, tendo em vista que no século anterior havia outra maneira de definir o sexo. Assim, conforme declara
PERROT (2012:11), no século XVIII ainda se discutia se as mulheres eram seres humanos como homens ou se estavam mais próximas dos animais irracionais. Tanto homens como mulheres eram o sexo único, ou seja, sexo masculino superior e sexo feminino inferior. A respeito deste assunto, PERROT afirma que:
Refere-se à Revolução Francesa como um acontecimento histórico de extrema importância, que teve como um dos principais efeitos a definição das esferas públicas e privadas, por meio da valorização da família e da diferenciação dos papéis sexuais que passaram a funcionar em oposição: homens políticos e mulheres domésticas. (PERROT, 2012:17)
Nas transformações socioeconômicas está o surgimento da sociedade industrial e capitalista. Com a nova sociedade, a mulher, como mãe, ocupou o seu espaço familiar e a família burguesa se centralizou em torno dos filhos a fim de construí-los para uma burguesia forte. Assim, na visão do século XVIII, a mulher adequou-se à função materna, à família e à casa, representando o lugar de exclusividade do feminino. Desse modo, a violência simbólica que sacralizou a mulher a partir do século XVIII, expandiu- se no século seguinte, subordinando as mulheres a tarefas domésticas e também a família.
O horizonte do século XVIII delineava a vocação da mulher pelas suas características biológicas, o útero, determinando que a sua natureza fosse dirigida à função materna e ao doméstico, ou seja, o privado e, aos homens, o público.
A educação das meninas devia estar voltada para a formação de um caráter dócil, passivo e servil, sendo enfatizado o cuidado em relação ao marido e aos filhos para que servissem melhor aos seus maridos de quem dependeriam. Tal ensinamento diferenciado entre meninas e meninos persistiu durante o século XVIII, atingindo o seu ápice no século XIX.
A expansão do pensamento liberal e o modelo crescente de uma sociedade individualista não somente atingiu a França, mas também se espalhou por toda Europa.
As mulheres estavam inseridas neste novo cenário de liberalismo e, ao mesmo tempo, viviam ainda a mesma educação de organizadora do lar.
Assim, elas estavam incluídas neste cenário contraditório entre os ideais de igualdade e liberdade formulados pela sociedade moderna e, de outro lado, a sociedade patriarcal com todos os seus dogmas.
Tal contradição fez com que algumas mulheres rompessem o espaço privado e se libertassem das suas obrigações tradicionais; para isso, foram em busca do seu reconhecimento como cidadãs. Entretanto, para atingir tais objetivos foram necessárias mudanças, principalmente no que diz respeito a sua educação, uma vez que queriam adequar-se às novas exigências da modernidade que foi marcada pela sua inserção na esfera pública. Três componentes contribuíram para a inserção do sexo feminino na esfera pública: a primeira, foi a pratica da caridade, pois realizavam visitas aos pobres e doentes; a segunda, o trabalho operário; e a última, a migração feminina que se expandiu devido ao êxodo rural.
Das mudanças que surgiram no século XIX, grifa-se o feminismo, movimento de cunho político, social e coletivo, que objetivava a igualdade de direitos entre os sexos e a emancipação feminina. Buscando os questionamentos do papel da mulher na sociedade não apenas centrado na esfera privada/lar, as mulheres proporcionaram uma série de mudanças em relação aos desejos sexuais, às escolhas profissionais, ao redescobrirem o corpo e o prazer, bem como a amizade, a fraternidade e a homossexualidade.
O modelo de família patriarcal, que era a base da sociedade no século XIX, deu lugar a outras formas de famílias. Hoje em dia, veem-se casais heteros e homossexuais de mães ou pais criando seus filhos sozinhos. Esse quadro vem redesenhando o funcionamento e a estrutura da família contemporânea. Para a estudiosa PERROT (2012: 168), as mulheres estão caminhando para a sua revolução sexual, buscando a igualdade ainda inacabada como ela mesma diz ao viajar pelo mundo.
A rigor, como referido ao longo desse capítulo, o papel da mulher e do homem na sociedade permaneceu bem definido desde os primórdios da historia. À mulher cabe
a educação dos filhos e o bem- estar da família, já aos homens compete o sustento, devendo ser oprovedor da família e, muitas vezes, da comunidade em que vive, tendo de assumir o dever de “chefe de família”. Esse papel do masculino manifesta-se na sociedade por meio do patriarcado e sublinha a submissão da mulher pelo homem. Tais