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Conforme os resultados das simulações apresentadas, uma restrição da expansão da oferta de terra imposta pelo controle de desmatamento na Amazônia pode causar perdas econômicas nas regiões, dado a relevância da produção agropecuária em sua estrutura produtiva. Entretanto, pode-se pensar numa proposta de desenvolvimento econômico para a região que permita a manutenção da floresta (política de controle do desmatamento) e evite perdas econômicas, por meio de ganhos de produtividade e intensificação do uso do fator terra. Segundo Rebello e Homma (2005), o aumento da produtividade da terra reduziria as pressões sobre os recursos naturais e melhoraria os indicadores socioeconômicos regionais.

A agricultura na Amazônia apresenta uma grande heterogeneidade tecnológica, com alguns produtores utilizando transplante de embriões, mecanização e alta produtividade, e outros se dedicando a agricultura de derruba e queima. Há, portanto, a necessidade de se aumentar a produtividade, tanto da terra como da mão-de-obra, de modo a reduzir a utilização dos recursos naturais com a contínua incorporação de novas áreas derrubadas e queimadas (HOMMA, 2005).

De acordo com o estudo feito por Valentim e Andrade (2009), desde meados da década de 1980, os ganhos de produtividade permitiram evitar a incorporação de 147,5 milhões de hectares dos biomas de Cerrado e da Amazônia à pecuária na Amazônia Legal. Apesar dos avanços, estes sistemas ainda apresentam baixo nível tecnológico. O investimento em inovações tecnológicas para promover a intensificação da pecuária de corte e leite nas áreas desmatadas da região, considerando toda a diversidade de clima e solos existente, é uma questão fundamental.

O objetivo das simulações nesta seção é calcular os ganhos de produtividade da terra que tornariam nulos os efeitos econômicos adversos da política de controle de desmatamento na Amazônia. A ideia por trás desta simulação é de que os agentes econômicos, ou políticas públicas associadas, podem responder à política de controle do desmatamento com modificações na forma de produção da agricultura e da pecuária, de maneira a mitigar as restrições impostas pelo controle do desmatamento

A variável que mede a produtividade setorial do fator terra em cada região no modelo REGIA é exógena nos fechamentos do Cenário de Referência e Cenário de Política (vide Tabela 15),

uma vez que não existe progresso tecnológico endógeno no modelo. Para que a produtividade varie na simulação, é necessário trocar seu status com alguma variável endógena de mesma dimensão. A escolha óbvia neste caso é a produção setorial. Assim, impõe-se o choque de controle do desmatamento, torna-se a produção agrícola e da pecuária fixas, e as respectivas produtividades da terra endógenas. Isso faz com que não haja variação da atividade no Cenário de Política em relação ao Cenário de Referência (anula-se o efeito negativo direto do controle do desmatamento). Logo, para que não haja uma queda da produção, a produtividade da terra precisa aumentar endogenamente para compensar a restrição na oferta de terra causada pelo controle do desmatamento. Desse modo, os resultados vão indicar o nível de produtividade necessário para manter a mesma produção setorial que seria obtida no Cenário de Referência, implicando que a política de controle do desmatamento tenha efeito econômico nulo71.

4.4.1 Resultados para o Nível de Produtividade da Terra

Nas simulações com o modelo REGIA supõe-se que a política de desmatamento acontece no período entre 2012 a 2030, e, desse modo, os resultados apresentados visam mostrar o quanto a produtividade da terra teria que aumentar neste mesmo período para que a produção da região não fosse prejudicada pela restrição na oferta de terra. No cenário de referência, supõe- se que a produtividade da terra aumenta 1% ao ano entre 2012 a 2030. Há também um aumento na produtividade total dos fatores primários em 0,7% ao ano para o mesmo período. Portanto, os resultados reportados nesta seção devem ser entendidos como o aumento de produtividade adicional ao considerado no cenário de referência.

Primeiramente, são analisados os resultados para os setores de Arroz, Milho, Trigo, Cana de açúcar, Soja, Outros de Lavoura e Mandioca. A Tabela 41 apresenta os resultados regionais para estes setores em variação percentual anual, ou seja, a taxa anual de crescimento da produtividade da terra. Como estes setores utilizam em sua estrutura de produção o mesmo tipo de uso da terra, no caso, a lavoura, a variação da produtividade requerida entre os setores é pequena. Isso acontece porque o modelo analisa o aumento da produtividade da terra, e a categoria de uso da terra para esses setores é a lavoura.

71 Não estamos considerando que o ganho de produtividade tenha algum custo econômico para os setores ou para o governo. Poderia ser o caso de que esse aumento de produtividade exigisse maior investimento dos setores ou investimentos públicos.

Tabela 34 - Resultados para o aumento da produtividade do fator terra – desvio acumulado em relação ao Cenário de Referência entre 2012 a 2030 (em var. % ao ano)

Mesorregião UF Arroz em Casca Milho em Grão Cana de Açúcar Soja em Grão Outros de Lavoura Mandioca

Madeira Guaporé RO 1.20 1.20 - - 1.18 1.14 Leste Rondoniense RO 0.93 0.93 0.93 0.93 0.93 0.92 Vale Juruá AC 1.27 1.27 - - 1.25 1.24 Vale Acre AC 1.16 1.16 - - 1.15 1.14 Norte Amazonense AM - - - - 1.29 1.27 Sudoeste Amazonense AM 1.40 1.39 1.40 - 1.37 1.35 Centro Amazonense AM 1.32 1.32 1.32 - 1.31 1.29 Sul Amazonense AM 1.05 1.05 1.05 1.05 1.03 1.00 Norte de Roraima RR 1.13 1.13 - 1.13 1.12 1.11 Sul de Roraima RR 0.89 0.89 - 0.89 0.87 0.83 Baixo Amazonas PA 1.29 1.29 - 1.29 1.28 1.27 Marajó PA - - - - 1.15 1.12 Metropolitana de Belém PA - - - - 0.24 0.24 Nordeste Paraense PA 0.51 0.51 - 0.51 0.51 0.50 Sudoeste Paraense PA 0.96 0.96 - - 0.94 0.91 Sudeste Paraense PA 0.90 0.90 0.90 0.90 0.90 0.89 Norte do Amapá AP - - - - 0.99 0.97 Sul do Amapá AP 1.17 - - - 1.16 1.15 Ocidental de Tocantins TO 0.00 0.00 - 0.00 0.00 -0.01 Oriental de Tocantins TO 0.00 0.00 0.00 0.00 0.00 -0.01 Norte Maranhense MA 0.85 0.85 - - 0.84 0.80 Oeste Maranhense MA 0.93 0.93 0.93 - 0.92 0.92 Centro Maranhense MA 1.25 1.25 1.25 1.25 1.25 1.24 Leste Maranhense MA 0.01 0.01 0.01 0.01 0.00 -0.01 Sul Maranhense MA 0.00 0.00 0.00 0.00 0.00 -0.01 Norte Matogrossense MT 1.11 1.11 1.11 1.11 1.11 1.09 Nordeste Matogrossense MT 1.21 1.21 1.21 1.21 1.21 1.19 Sudoeste Matogrossense MT 0.97 0.97 0.97 0.97 0.96 0.96 Centro-Sul Matogrossense MT 0.00 0.00 0.00 0.00 0.00 -0.01 Sudeste Matogrossense MT 0.00 0.00 0.00 0.00 0.00 -0.01

Fonte: Elaboração própria com base nos resultados das simulações com o modelo REGIA

Nota-se que a produtividade anual da terra deveria crescer em torno de 1% ao ano, adicionalmente ao crescimento do cenário de referência, para que a política de controle do desmatamento não causasse nenhum impacto negativo na produção. Segundo Gasques et al. (2008), a produtividade da terra no Brasil cresceu 3,26% ao ano entre 2000 e 2005, o que sugere que esta taxa seria factível, mesmo na Amazônia. Por exemplo, pelos resultados obtidos, os ganhos de produtividade da terra teriam que ser de 0,5% a 1,4% ao ano, em relação ao cenário de referência para neutralizar o efeito do controle do desmatamento. Isto implicaria em um aumento da produtividade entre 2,2% a 3,1% ao ano, incluindo o aumento da produtividade ao ano do Cenário de Referência. Desse modo, parece que este valor seria

possível de ser alcançado, considerando o aumento da produtividade da terra entre 2000 e 2005 que foi de 3,26% ao ano.

A Tabela 42 apresenta os resultados para os setores de Fumo, Algodão, Frutas Cítricas, Café em grão e Exploração Florestal e Silvicultura. A média de crescimento da produtividade da terra nestes setores continua sendo em torno de 1% ao ano. Nos setores da lavoura, as mesmas regiões citadas anteriormente, incluindo o Norte Amazonense, necessitariam um aumento um pouco maior da produtividade, acima de 1,2% ao ano. No caso da Exploração Florestal e Silvicultura, além das regiões mencionadas, o Vale do Acre, Marajó e Norte Matogrossense também precisariam aumentar um pouco mais a produtividade anual da terra.

Tabela 35 - Resultados para o aumento da produtividade do fator terra – desvio acumulado em relação ao Cenário de Referência entre 2012 a 2030 (em var. % ao ano)

Mesorregião UF Fumo em Folha Algodão Herbáceo Frutas Cítricas Café em Grão Exploração Florestal e Silvicultura Madeira Guaporé RO - - 1.18 1.19 1.13 Leste Rondoniense RO - - 0.93 0.93 0.95 Vale Juruá AC 1.26 - 1.26 - 1.30 Vale Acre AC - - 1.15 1.15 1.30 Norte Amazonense AM - - 1.29 - 1.28 Sudoeste Amazonense AM - - 1.38 1.39 1.38 Centro Amazonense AM - - 1.31 - 1.25 Sul Amazonense AM 1.04 - 1.03 1.04 0.95 Norte de Roraima RR - - 1.12 - 1.09 Sul de Roraima RR - - - - 0.83 Baixo Amazonas PA - - 1.28 1.28 1.25 Marajó PA - - 1.15 - 1.26 Metropolitana de Belém PA - - 0.24 - 0.36 Nordeste Paraense PA 0.51 - 0.50 - 0.61 Sudoeste Paraense PA - - 0.94 0.95 0.84 Sudeste Paraense PA - - 0.90 0.90 0.70 Norte do Amapá AP - - 0.99 - 1.05 Sul do Amapá AP - - 1.16 - 1.17 Ocidental de Tocantins TO - - 0.00 - 0.00 Oriental de Tocantins TO - 0.00 0.00 - 0.00 Norte Maranhense MA - - 0.83 - 1.17 Oeste Maranhense MA - - 0.92 - 0.88 Centro Maranhense MA - - 1.25 - 1.18 Leste Maranhense MA - - 0.00 - -0.01 Sul Maranhense MA - 0.00 -0.01 - 0.00 Norte Matogrossense MT - 1.11 1.11 1.11 1.30 Nordeste Matogrossense MT - 1.21 1.21 - 1.27 Sudoeste Matogrossense MT - 0.97 0.96 0.97 1.04 Centro-Sul Matogrossense MT - 0.00 0.00 - 0.00 Sudeste Matogrossense MT -0.0065789 -0.0049474 -0.0102632 -0.0043158- 0.00 0.00 - -0.0019473680.00

Os resultados de produtividade da terra dos setores da pecuária são apresentados na Tabela 43. Observa-se, que como nos demais usos da terra, o aumento da produtividade requerido é em torno de 1% ao ano. Vale Juruá, Centro Amazonense, Baixo Amazonas e Marajó seriam as mesorregiões com as maiores necessidades de aumento da produtividade da terra, pouco acima de 1,2% ao ano.

Tabela 36 - Resultados para o aumento da produtividade do fator terra - – desvio acumulado em relação ao Cenário de Referência entre 2012 a 2030 (em var. % ao ano)

Benzer Belgeler