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7. SONUÇ VE ÖNERİLER

O Nordeste Brasileiro se destaca pela fertilidade na produção de Literatura de Folhetos. Os poetas populares que escreveram até 1930 a exemplo de “Leandro Gomes de Barros, Francisco das Chagas Batista, João Martins de Athayde e João Melchíades foram os primeiros a publicar folhetos e pela frequência de suas publicações possibilitaram o surgimento dessa literatura” (TERRA, 1983, p. 38).

Existiam 20 tipografias que imprimiam folhetos entre 1904 e 1930, sendo Recife e a Paraíba os centros de produção e impressão no período. Em Juazeiro do Norte, no Ceará, surge a partir de 1936 a Tipografia São Francisco, tornando-se posteriormente uma das maiores tipografias do Brasil.

Em se tratando do suporte, o folheto é uma brochura impressa em papel jornal, apresentando capas multicoloridas, amarela, verde, azul, rosa, em tom pastel, com

7 Francisca Moreira – anotação em 20/09/2010 na residência da colaboradora. Rua Rui Barbosa, 621, Juazeiro do Norte - Ceará.

dimensões de 15 a 17 X 11 centímetros, possuindo uma variedade de 8, 16, 32 ou 48 páginas, conforme o número de folhas dobradas em oito.

Dependendo da extensão da história, eram publicados em mais de um volume, a exemplo do Papagaio misterioso, Elzira, a morta virgem, História de um pescador, Mabel ou lágrima de mãe. Por isso mesmo, chamavam-se folhetos, livro ou romance. Um texto invariavelmente em verso constitui o corpo do livro.

No período compreendido entre o final do século XIX e os anos 20, vários estudiosos, como por exemplo, Ruth B. Lemos Terra, Mauro W. B. de Almeida, Antônio A. Arantes afirmam que os folhetos se consolidam com características gráficas, processo de composição, edição e comercialização.

As capas começaram a apresentar, acima do título, o nome do autor ou do editor, ou de ambos; surge o “tipista”9, uma pessoa com habilidade para compor um texto, catando letras em caixas de madeira, que se assemelham a um tabuleiro; o impressor, que passa a operar máquinas de grande porte, imprimindo folhas grandes, contando com a colaboração de um ajudante, “o juntador de papel”, atento para evitar o “empastelamento”, ou seja, várias folhas coladas, o que ocasionaria um desperdício de material, isto é, papel e tinta; um revisor para detectar falhas na composição e corrigi-la imediatamente; a seguir, um trabalho artesanal de dobragem das folhas, colagem das capas, aparo das arestas numa guilhotina e, posteriormente, o empacotamento para a comercialização.

Vendidos em bancas, nas feiras, a preços populares, esses volumes magrinhos comportam um mundo em suas páginas. Assim, a leitura de um folheto atingia um número bem maior do que as pessoas que os adquiriam, pois realizava-se a leitura em voz alta e coletivamente.

Para (BOLLÈME10 apud TERRA, 1983, p. 35), “nem sempre a aquisição de livros é feita por pessoas que leem, mas pode-se comprar os livretos sem saber, para serem lidos ocasionalmente, e para adquirir qualquer coisa que seria como um objeto mágico, o papel que fala”.

9 Palavras ligadas ao universo das tipografias. Com a ajuda dos colaboradores desta pesquisa, construímos um pequeno glossário. Conferir em Apêndice - B

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Geneviève Bollème, historienne de la littérature, suivant les conseils de Fernand Braudel dont elle fut la secrétaire durant cinq ans à L’École pratique des hautes études supérieures, elle s’engagea dans la recherche sur la littérature populaire. Sur ce thème elle publia Les Almanachs populaires au XVII et XVIII siècles en 1969 avant de rédiger La Bibliothèque Bleue La littérature populaire en France du XVII au XIX siècle en 1971. Dans cet ouvrage, Geneviève Bollème se propose de nous présenter la Bibliothèque Bleue,littérature peu connue de nos jours mais qui entre le début du XVII siècle et le milieu du XIX siècle, eût en France un immense succès. Pour Geneviève Bollème, cela revient à donner aux novices une définition limpide de la Bibliothèque Bleue d’une part, et à prouver que cette littérature n’est pas pauvre et seulement destinée au plus grand nombre d’autre part. Disponível em : <http://www.oboulo.com/etude-livre-genevieve-bolleme-bibliotheque-bleue-litterature- populaire-france-xviie-62328.html> Acesso 20/11/2010

Segundo Stênio Diniz11, em uma das nossas gravações, ao se referir às pessoas que iam à gráfica comprar folhetos, ele foi muito enfático, advertindo-me que o que estava dizendo era digno de registro:

Isso pode marcar. Ia pra feira, saía dos sítios... - Olhe, vai pra feira?

- Compre arroz, feijão, farinha, carne de jabá e alguns cordéis, os que saíram novos mais os antigos que já tinham sido lidos demais...

As pessoas iam de cesta na mão comprar também lá na tipografia porque fazia parte da própria cesta. (Grifos nossos)

Os folhetos possuíam um lugar assegurado no rol das compras; integrar a “própria cesta” revela um vínculo com um bem cultural, marcando a identidade de um povo que consumia folhetos em momentos de labuta, farinhadas, moagens, debulha de milho; e em momentos de folga, ou seja, quando libertos dessa faina, iam ouvir os versos.

Embora distingam essa separação, trabalho e folga, tem-se a sensação de um mundo indissolúvel, marcado pela magia da palavra que atenua a dureza do trabalho e preenche as supostas horas de folga. Tenho ouvido vários depoimentos sobre o efeito dos folhetos no cotidiano de muitos leitores/ouvintes. Constata-se uma relação inseparável entre texto e leitores. Seu Clementino, um maranhense de Colinas me disse que mesmo na roça, pegado no cabo da enxada, o verso vem todinho e distrai.

O momento da venda, no espaço da feira, por exemplo, também se convertia num tempo de puro encantamento, onde leitor e ouvintes, seduzidos pela palavra que brotava em cantos ou em falas tornavam-se unos. Unicidade quebrada quando o folheteiro, estrategicamente, interrompia a narrativa para anunciar que quem quisesse conhecer o resto da estória, deveria adquirir o verso.

Mergulhados na atmosfera da estória, a compra acontecia; a cesta estava completa com ‘arroz, feijão, farinha, carne de jabá e cordéis’ e, nessa cesta, uma identidade em constante reafirmação.

O folheto dialoga vigorosamente com a cantoria, outro sistema oral. A história do pavão misterioso, por exemplo, possuía um lugar assegurado nas cantorias.

3.2 Folheto e cantoria

11 Stênio Diniz, xilógrafo, poeta, é neto de José Bernardo da Silva, o fundador da Tipografia São Francisco, objeto de estudo deste trabalho. Gravação feita em sua residência. Rua Coronel Raul, Juazeiro do Norte – Ceará – 21/07/2010