3.MATERYAL VE YÖNTEM
5. SONUÇ VE ÖNERİLER
Luedemann (2002, p.109-114) toma fragmentos de memórias de Makarenko para explicitar, por meio da constatação, tanto por parte de Semion (pai de Makarenko), quanto pelo próprio pedagogo, de como hábitos da vida principesca se estenderam e foram constituídos, também, como diretores das atividades dos proletários, quer dizer, penetraram em suas vidas cotidianas na forma de angustiantes necessidades de acumulação capitalista:
[...] Era triste perceber o quanto as pessoas destruíram suas próprias vidas em nome da acumulação, da riqueza, da ascensão social, arruinavam suas vidas e a de seus filhos. Um dos caminhos para a acumulação era através de um “bom” casamento [...]. Naquele pequeno universo eram reproduzidos os séculos de opressão do tsarismo. Cada família operária possuía o seu pequeno tsar: o pai [...] Uma nova educação deveria levar em conta essa realidade e, em novas bases, construir novos hábitos.
Salienta-se que, ao explicitar que Makareko realizou a crítica às correntes pedagógicas dominantes na sua época e, a autocrítica acerca de sua própria prática pedagógica, Luedemann (2002) favorece a elevação do movimento pelo qual o pedagogo ucraniano produz “generalizações”, para além da restrita vida cotidiana. Assim, a autora cria condições para que se eleve a evidente consolidação da necessidade de uma nova educação, uma que movimentasse até mesmo a própria vida cotidiana “para cima”. Para tanto, só haveria um caminho, aquele que deveria ser pavimentado por uma educação explosiva.
De Lukács (1951, 1971, p.418), depreende-se a constatação da necessária
reviravolta no processo de transformação das relações sociais, como até mais difícil do que a queda da burguesia:
Marx já disse isso, claramente aos trabalhadores revolucionários, há cem anos atrás: “Vocês têm que passar por 15, 20, 50 anos de guerras civis e lutas entre povos, não só para
mudar as relações, antes, para mudarem também a si mesmos...” Sob as condições desenvolvidas, mais concretamente, da ditadura proletária, quando este processo de desenvolvimento se manifestou na grandiosa iniciativa dos “Sábados Comunistas” (“kommunistische Subbotniks135”)
Lênin formulou a questão da seguinte forma: “... isto é o início de uma reviravolta que é mais difícil, mais essencial, mais radical, mais decisiva do que a queda da burguesia, pois esta é uma vitória sobre a própria indolência, sobre seu próprio modo indisciplinado, sobre o egoísmo pequeno-burguês, sobre os hábitos que o maldito capitalismo deixou como herança ao trabalhador e ao camponês.[Conteúdo entre parêntesis, meu]. Constitui-se, ainda como imprescindível, o desdobramento da vida cotidiana como palco da oposição entre a generalização do conceito espontâneo e a
generalização do conceito científico. E, na concreta circunstância histórico-social em que Makarenko se encontrava, tratava-se, pois, do embate entre a imposição imediata de elementos da particularidade capitalista (a necessidade da acumulação de capital, a indolência e a indisciplina, dos que submetem a vida cotidiana à mediação principal do dinheiro) e a cobrança que a apropriação de elementos da universalidade impunha à consciência daquele que dela se apropriava (tal era o caso de Makarenko). A revolução havia feito surgir, na particularidade russo-soviética, novas mediações que acirravam a contradição entre o velho e o novo. A necessidade de uma nova vida ganhou o corpo coletivo.
De Luedemann (2002, p.114-115), destaca-se que:
[...] de acordo com o princípio marxista da vida comunista, “De cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo suas necessidades”, [...] cabe à tarefa educativa, tanto nas escolas, quanto nas famílias, nos organismos sociais, organizar e selecionar na cultura das necessidades humanas à altura moral que só pode ser atingida em uma sociedade sem classes. O que seria o novo homem da sociedade comunista senão aquele que além de suprir suas próprias necessidades individuais, como consumidor, é também produtor, voltado para o bem coletivo. O prazer do novo homem deixaria de ser o de consumir e acumular; seria moralmente mais elevado: criar, consumir e dividir.
Mediante o conteúdo exposto no excerto anterior, destaca-se que, não obstante, a mediação dos propósitos comunistas acirrasse a contradição entre os elementos alienantes da particularidade e a universalidade objetivada em elementos que cobravam, da consciência de Makarenko, a luta pela emancipação humana, o movimento da história se dava, ainda, submetido ao “vento do século”.
Mas, que conteúdo condensaria o tal “vento do século”, do poema de Mandelshtam?
Nesta pesquisa, defende-se e, reitera-se que se trata do mesmo conteúdo da constatação de Marx (1852, 2011, p.203) de que “os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado.”, quer estas escolhas herdadas tenham determinado a produção de objetivações que trazem consigo o teor para-si, quer tenham se constituído como determinantes na objetivação de fetiches.
Afirma-se, então, que a apropriação e a regulação consciente do conjunto de objetivações, legado pelas tradições das gerações que precederam Makarenko, permitiram que o pedagogo ucraniano alcançasse as condições necessárias para atuar numa direção específica: na realização de “um projeto educacional sério”. Adverte- se, entretanto, que o conjunto de objetivações ao qual, nesta pesquisa, se refere não se constituiu tão somente por aqueles legados pelas gerações que o precederam em sua concreta vida, isto é, de sua direta e imediata genealogia, trata-se daquele conjunto legado pelas gerações das quais medraram as mediações humano-genéricas tais como os contos ucranianos, vivificados pela mãe e, o conteúdo estético-literário universal, na qualidade de acumulação objetivada e, disponível, em sua particularidade, à efetiva realização do processo de apropriação.