Apesar de um contingente significativo de integrantes do campo educacional ter sido convidado a participar dos debates que iriam informar/justificar a reforma do ensino prevista pelo governo, alguns dentre eles, claramente, assumiram posições de destaque. Sem considerar as projeções advindas das próprias trajetórias pessoais ou de relevo em outros campos, e/ou outras instâncias de consagração,391 pretendo colocar em evidência dois grupos que, de certo modo, ocuparam posições de prestígio durante os dias de realização do Primeiro
Congresso de Instrucção Primaria: aqueles e aquelas que participaram das comissões
encarregadas de discutir as theses e os/as relatores, alguns como porta-vozes dessas comissões e outros, autorizados pela própria condição de congressista, ou ainda, pela própria condição autojustificada pela voz da experiencia.
As comissões, provavelmente, foram “gestadas” tão logo o novo governo tomou posse. Inicialmente, foram criadas duas comissões: uma executiva e outra de organização geral do
ensino primário.392 Ao que tudo indica, essa “primeira versão” das comissões foi constituída por pessoas ligadas à educação, mais próximas do secretário do Interior. Assim é que estão presentes, de um modo preponderante, quase todos os membros do Conselho Superior de Instrução, professores da Escola Normal Modelo e do Externato do Ginásio Mineiro e as diretoras dos grupos escolares da capital. Ou seja, Francisco Campos traz para perto de si, a liderança da educação escolar, fazendo-se herdeiro do governo que o antecedeu, ou seja, buscou aliados dentre aqueles que já possuíam um conhecimento dos acertos e desacertos da escola pública mineira.
Desde a divulgação das primeiras comissões, até a realização do Congresso, foram publicadas no Minas Geraes versões distintas dessas comissões, bem como dos seus componentes e do modo pelo qual foram agrupados. Classifiquei-as em quatro versões e comparei-as no Quadro IV, a partir do qual elaboro as análises que apresento a seguir.393
isoladas representadas pelas cadeiras, as escolas ambulantes) – sendo ou não subvencionadas, não integravam a escola primaria publica, apesar de ministrarem esse nível de ensino.
391 BOURDIEU, 1998.
392 MG, 11 e 12 de outubro de 1926, p. 9.
393 Apêndice B. Gostaria de deixar clara a organização do Quadro IV. Ele é composto de duas partes. A primeira, que é o quadro propriamente dito e a segunda – que se segue ao final da primeira – constituída pelas listas das
Ao compararmos as diferentes listas, constatamos a sua crescente complexificação: duas comissões, no início – para dezenove, na quarta versão – e o aumento significativo do número de integrantes.394 A partir dessa constatação, é possível supor que, na primeira reunião, provavelmente realizada no mês de outubro de 1926 (antes da data de publicação da 1ª versão), tenham sido sugeridos/propostos os dez temas iniciais, em torno dos quais as teses seriam elaboradas; entretanto, na versão final, foram articuladas em torno de doze temas. Quanto aos integrantes, se “traduzirmos” a categoria genérica todas as diretoras de grupos
escolares da Capital da primeira versão, em números, constatamos que o aumento significativo ocorre, de fato, na quarta versão. O Minas Geraes de 10 de maio refere-se à tensão produzida pelas propostas de agregação de novos nomes, durante a votação que “escolheu” (melhor dizendo: referendou), nas sessões do dia 9 de maio, as comissões permanentes do Congresso, em cumprimento às normas regimentais. Ao buscar pela qualificação de cada membro das comissões, constatamos uma inclusão significativa de diretores e professoras do interior do Estado, nesse momento: até a terceira versão, os membros listados estavam vinculados à Capital. Seria essa medida uma “resposta” a alguma pressão efetivada pelos congressistas do interior?
A segunda e a terceira versões são muito próximas em termos de composição. O que as diferencia é a época da sua divulgação: outubro de 1926 e 9 maio de 1927, respectivamente. Ou seja, apesar de uma distância significativa no tempo, elas permanecem bem semelhantes: são compostas de dez temas e os integrantes das comissões são praticamente os mesmos. Entretanto, no dia seguinte à última publicação aqui citada, ou seja, no dia 10 de maio, o
Minas Geraes publica o que tenho considerado como quarta versão, que demarca uma significativa diferença: agora são doze temas; além disso, foram integradas às comissões mais sessenta e nove pessoas, no total de cento e trinta e uma395 e, alguns temas “recebem” sub- comissões. Para quê essa diferença aponta? Se à primeira vista, a publicação da quarta versão pode fazer parecer que, de um dia para outro, ocorreu uma “mudança”, outros indicadores podem nos levar à suposição de uma permanência. Mas, permanência de quê? Se analisarmos a Revista do Ensino n. 19, de dezembro de 1926, que publicou a relação das teses que seriam
comissões transcritas do Minas Geraes. Apesar do Quadro IV estar posicionado em primeiro lugar, tais listas é que foram, inicialmente, objeto da minha organização.
394 Não entra nessa conta a Comissão Executiva, excluída do jornal que publicou a ultima versão, porque, já nessa data, tinha cumprido a sua última função: conduzira a sessão preparatoria e dera posse à mesa definitiva que, a partir de então, assumiu a coordenação geral dos trabalhos do Congresso.
discutidas no Congresso,396 observaremos que, já nessa publicação, as teses estavam organizadas em torno de doze temas e não de dez, como na versão publicada pelo Minas
Geraes, em 9 de maio de 1927. Portanto, a hipótese de uma “mudança” na composição das
comissões, de um dia para o outro, não se sustenta. Na verdade, se cruzarmos ainda, com outras informações, poderemos constatar a permanência. O Quadro V,397 em sua primeira coluna, mostra que os relatores das teses, convidados pelo Secretário do Interior antes da realização do Congresso, estão organizados em torno de doze temas. Além disso, consta desse rol, nomes de membros do interior do Estado.398
Ao retomarmos a análise do Quadro IV para compreender as posições de cada membro no interior das comissões, podemos constatar várias situações: membros que são mantidos na mesma comissão, membros que têm ampliadas as suas vinculações, membros que são excluídos da versão final (alguns são considerados ausentes no Congresso), membros que são transferidos para outra comissão, membros que têm sua atribuição reduzida. Neste último caso, o membro que mais “perde” é Lúcio José dos Santos. Inclusive, foi excluído da
Comissão Executiva, na terceira versão. Para esse lugar, é nomeado Noraldino Lima,399 que só passa a integrar as comissões ligadas às teses, na última versão. É importante lembrar que Lúcio José dos Santos era o Diretor de Instrucção, quando da posse do novo governo, em setembro de 1926.400 Na Revista do Ensino n. 18, de outubro de 1926, que publicou pela primeira vez a relação das comissões,401 salta à vista o destaque que é dado ao nome de Lúcio José dos Santos, integrante de seis comissões num total de onze (contando com a Comissão
Executiva). Entretanto, Lúcio dos Santos está ausente nos trabalhos do Congresso.402 Suponho que algo deva ter acontecido, que motivou seu afastamento. A minha hipótese é a de que a diferença no número de temas em torno dos quais as comissões se posicionaram (de 10 para 12), tal como se apresenta na terceira e quarta versões, respectivamente, pode ser um indício de duas posições distintas, no encaminhamento da realização do Primeiro Congresso de
Instrucção Primaria: a do Secretário do Interior, Francisco Campos e a do Diretor de
396 Apêndice A. 397 Apêndice B.
398 Apesar do pequeno número desses membros: apenas três identificados, para um total de cinqüenta e seis. 399 RE, n. 20, de abril de 1927, p. 418.
400 Pude acompanhar seus atos publicados no Minas Geraes até o final de 1926. Estabeleço essa data porque não fiz uma leitura detalhada dos jornais seguintes. Retomei essa forma de leitura em abril de 1927. Portanto, não posso dizer quando, ou mesmo, em que circunstâncias, Lúcio José dos Santos se afasta da Diretoria de Instrução e é substituído por Noraldino Lima. Essa é mais uma lacuna a ser preenchida.
401 Refiro-me aqui à publicação nesse periódico.
402 Seu nome consta como ausente por motivo justificado na RE n. 21, p. 347, edição essa que publicou a relação dos participantes no evento.
Instrução, Lúcio José dos Santos. Se isso se confirmar, nesse momento do “jogo”, venceu o primeiro.
Dois textos, publicados na RE, podem nos dar uma idéia a respeito das prováveis divergências no direcionamento mais geral do Congresso. Um deles, sob o título Congresso de Ensino
Primario, noticia que o Governo do Estado, auctorizado a reformar o ensino, resolveu
auscultar a opinião, pelos seus orgãos mais legitimos e mais esclarecidos. Diz que reformar o ensino
por meio das leis que pareçam as melhores, colhidas aqui e acolá, embora ás vezes nos paizes mais cultos, é um grave erro. Nada, pois, mais racional e mais justo do que ouvir aquelles que, pela sua experiencia no paiz, pelo seu amor ao ensino, pelo seu patriotismo, digamos mesmo: pelo seu brio profissional, estejam em condições de aconselhar as leis que, não sendo embora as mais perfeitas em these, sejam as melhores que a nossa situação, tradições, habitos e recursos comportam.403
A seguir, traz a relação de onze comissões: a executiva e as vinculadas aos dez temas que serão discutidos no Congresso, bem como a relação dos integrantes que compõem cada uma delas. O outro texto,404 publicado na edição seguinte, traz a relação das oitenta e duas teses, agrupadas em doze temas – são acrescentadas Questões de Pedagogia e Instituições
Auxiliares da Escola. Se é verdade que as comissões elaboraram as teses, como informa o primeiro texto citado, por que, a partir de então, tais comissões não passaram a se organizar em torno de doze temas? Por que a terminologia dos temas das teses não se unifica?405 Teriam as teses sido produzidas e publicadas à revelia das comissões?
Resta perguntar por que a quarta versão criou subcomissões para alguns temas. Em princípio, pode-se pensar que a tais subcomissões estavam destinadas, para relato, certo número de teses, distribuídas de uma forma igualitária. Entretanto, constata-se que a distribuição dos relatores em cada subcomissão é desigual e, portanto, não segue esse padrão.
Os relatores têm suas primeiras referências apontadas, aparentemente, no dia 27 de abril de 1927, ou seja, bem próximo do início do Congresso.406 Nesse dia, o Minas Geraes publicou a
403 RE n. 18, de out 1926, p. 346.
404 RE n. 19, de dezembro de 1926, p. 347.
405 Na RE n. 18 está registrado: Hygiene Escolar e Educação Physica, Programmas, Educação Civica; na RE n. 19, o registro é o seguinte: Hygiene e Educação Physica, Programmas e Horarios, Educação Moral e Civica. 406 Essa é a data por mim encontrada no MG. Entretanto, alguns relatórios/conclusões publicados nesse jornal durante o Congresso, trazem, ao seu término, datas anteriores a essa. Portanto, isso nos leva a crer que a distribuição, de pelo menos algumas teses para relato, foi feita antes.
relação das pessoas que foram pelo sr. Secretario do Interior encarregadas de relatar as theses mais importantes que seriam objecto de estudo e deliberação dos membros do
Congresso de IP.407 A partir dessa mesma data, e, reiteradamente nos dias subsequentes, é solicitado às pessoas remetterem, com urgencia, ao gabinete do sr. Secretario do Interior, as
theses que lhes foram distribuidas com os respectivo relatorios. Pretendo aqui analisar essa condição específica de que foram revestidos alguns congressistas, a partir de dois momentos: o da distribuição das teses para relato e seu consequente encaminhamento para a Secretaria do Interior – isso marca uma diferenciação entre teses distribuídas e encaminhadas – e o momento da apresentação de relatórios e/ou conclusões, durante os debates. O Quadro V, sobre os relatores das teses, foi produzido tomando em consideração esses dois momentos.408
De modo geral, a distribuição das teses pareceu uma determinação administrativa, simplesmente. Entretanto, no encaminhamento dos relatórios, podemos constatar uma diversidade de situações: teses encaminhadas equivalentes às que foram distribuídas; teses diferentes das que foram distribuídas; teses que não tiveram a sua distribuição publicada, mas que foram encaminhadas; teses que foram encaminhadas, mas que não foram especificadas e teses que foram distribuídas, mas não foram encaminhadas (ou não tiveram o encaminhamento dos seus relatórios publicados). Quando se compara essa relação e os relatórios publicados no Minas Geraes, verifica-se uma significativa disparidade, em termos numéricos: são 35 solicitações de relatórios, que, aparentemente, foram encaminhadas à Secretaria do Interior, para 19 relatórios publicados.409
Na distribuição, algumas teses não tiveram os nomes dos seus relatores especificados:
Programmas e Horarios e a OGE 13. O Minas Geraes de 2 e 3 de maio publicou: – As teses
sobre programmas e horario [sic] e a 13ª. these sobre organização geral do ensino, vão ser
relatadas pelas directoras dos grupos escolares e escolas infantis da Capital.410 O mesmo jornal, no dia 6 de maio, publicou três notícias. A primeira: – Na sala de sessões da Camara
dos Deputados, sob a presidencia da senhora professora d. Helena Penna, directora do grupo ‘Barão do Rio Branco’, reuniu-se hontem, a maioria das professoras da Capital, que discutiram, com grande animação e vivo interesse, varios assumptos que serão objecto dos
407 Essa lista seria acrescida de outros nomes nos dias 2 e 3 de maio. 408 Apêndice B.
409 À parte as razões para tal fato (não quero dizer, com isso, que sua compreensão não seja importante), esse quadro permite, entre outras, orientar-nos para uma busca a respeito da publicação de tais textos em outros veículos impressos, como, por exemplo, a Revista do Ensino.
proximos debates e deliberações do Congresso de Instrucção. A segunda: – Hoje, ás 19
horas, haverá uma reunião das commissões do jardim da infancia, no grupo ‘Affonso Penna’. A terceira: – Às 20 horas, no mesmo local, são convidados [sic] a comparecer todas as
directoras dos grupos escolares da Capital para tratarem das theses relativas a programmas e horarios. Se a Capital já se apresenta numa posição privilegiada, ao encaminhar para a participação no Congresso, todas as diretoras e professoras dos grupos escolares, escolas infantis e escolas isoladas (e não, uma espécie de “representação”, como ocorre com os participantes do interior), tem sua posição reforçada, quando aos seus integrantes é dada a oportunidade de debaterem e se posicionarem, antecipadamente, a respeito dos temas que serão objeto de discussão.
Quem foram os relatores convidados antes do início do Congresso de IP? O Quadro I organiza-os a partir dos vínculos institucionais e/ou função de cada um.
Quadro I
Relatores das teses, antes da realização do Primeiro Congresso de Instrucção Primaria
SETORES F
Comissão Executiva (membro) 2
Conselho Superior de Instrução (membro) 2
Diretor de Grupo Escolar 10
Diretora de Escola Infantil 1
Inspetor Regional de Ensino 5
Outros Membros do Congresso 11
Professora de Escola Infantil 4
Professor da Escola Normal Modelo 8
Professor de Grupo Escolar 8
Professor do Ginásio Mineiro 3
Não qualificado 1
TOTAL 56
Fontes: Jornal Minas Geraes/1927 seguintes: 27 de abril (p. 6); 01 de maio (p. 9); 02 e 03 de maio (p. 4- 5); 05 de maio (p. 7); 06 de maio (p. 8); 07 de maio (p. 4); 08 de maio (p. 8).
Considerando que se trata de um Congresso sobre o ensino primário, há um setor convocado a participar, mas que não é convidado a relatar: refiro-me aos professores das escolas isoladas. Fora isso, os demais congressistas ligados a esse nível de ensino (primário), totalizam 31 (os vinculados aos grupos escolares, escolas infantis e escola normal), o que representa 56,4%, dentre os qualificados. Os demais relatores (24, ainda entre os qualificados) representam 43,6%. Há aqui uma aparente preponderância. Entretanto, se considerarmos o conjunto de congressistas que foram listados em setores específicos antes do Congresso (Minas Geraes,
de 28 de abril de 1927), constatamos que os que estão vinculados ao ensino primário “representam” 92%, contra 8% de outros setores ou níveis escolares. Assim, verificamos que não há uma proporcionalidade na “representação”. A maior inversão é a que demonstra a participação dos relatores qualificados como Outros Membros do Congresso: “representam” isoladamente 20% no Quadro I, para 4% na listagem que orienta os cálculos anteriores. Esse exercício não elimina a importância aparentemente atribuída aos professores e diretores do ensino primário e escola infantil. Entretanto, a exclusão dos professores de escolas isoladas, nos leva a pensar que, no projeto educacional do novo governo, provavelmente estivesse a intenção de encaminhar toda a organização do ensino primário em instituições maiores, e assim, concluir o ciclo das “escolas de mestres” para a “escola de diretores”, iniciado com os grupos escolares.411
Além dos relatores convidados, há os que, por iniciativa própria, enviaram à Secretaria do Interior, textos relativos ao temas do Congresso conforme se segue.
Quadro II
Relatores do Primeiro Congresso de IP, por iniciativa própria
NOMES TESES/ASSUNTOS
Amandina Carmelita Magalhães
Respostas às principaes theses que serão discutidas no Congresso de Instrucção Primaria
Arthur Baptista Campos Methodo simultaneo para o ensino da leitura e da escrita
Aymoré Dutra Considerações sobre algumas das theses do Congresso
Carmelia Baptista de Salles Estudo sobre diferentes theses
Donato Eugenio da Silva Ligeiras apreciações sobre as theses a serem discutidas no Congresso de Instrucção Primaria
Fausto Gonzaga Theses ao Congresso de Instrucção Primaria
Firmino Costa Contribuição para o estudo das theses
Jacintho Pereira de
Almeida Commentarios a varias theses que vão ser discutidas no Congresso
João Lopes Junior Respostas a algumas theses
Lindolpho Gomes Remodelação do ensino normal
Mario Franca(Francia?)
Pinto Respostas às theses
Maria da Glória Carvalho 5ª, 6ª, 7ª, e 8ª theses sobre educação physica
Maria Ottilia Lopes 3ª these sobre questões de pedagogia
Nephtalli Gonzaga de
Mello Trabalho sobre varias theses que vão ser discutidas no Congresso
Olympia Santos Observações sobre as theses do Congresso
411 Essa perspectiva parece manter-se até hoje. Segundo os resultados, reiteradamente apontados pelo SAEB/Sistema de Avaliação da Educação Básica, o diretor de escola tem sido considerado como um fator significativo no processo de escolarização de crianças e adolescentes. Ou seja, os dados apontam uma estreita correlação entre os resultados obtidos pelos alunos e a direção da escola.
Ricardo de Souza Cruz Os actuais livros de leitura
Ricardo Martins Opinião sobre as theses
Fontes: Jornal Minas Geraes/1927: 02 e 03 de maio (p.4-5); 05 de maio (p. 7); 06 de maio (p. 8).
Quem são eles? Dois não foram identificados: Arthur Baptista Campos e Carmelia Baptista de Salles.412 Três são inspetores regionais de ensino: Lindolpho Gomes, Mario Francia Pinto e Ricardo Martins. À exceção do professor Firmino Costa, que também consta da lista de relatores convidados, os demais são todos do interior do Estado: duas professoras e nove diretores. Sem contarmos os não identificados, os congressistas do interior, nessa relação, representam 73%. Se compararmos com os relatores do Quadro I (em que apenas três, dentre cinqüenta e cinco, são do interior), podemos pensar que esse setor tinha “algo a dizer” e, para isso, toma sua própria iniciativa. Quanto aos assuntos, constatamos desde abordagens mais gerais sobre as teses, até a ênfase em assuntos mais específicos.
Chegamos, por fim, aos relatores que têm seus nomes registrados durante a realização do
Congresso. A partir da análise do Quadro V e das publicações do Minas Geraes, podemos constatar as seguintes situações: a dos relatores que foram previamente escolhidos e que apresentam suas conclusões (e relatórios, em alguns casos) durante a realização das sessões; a dos relatores que são indicados posteriormente, em substituição aos previamente indicados e que produzem suas próprias conclusões; os relatores que enviam suas conclusões, mas que têm seus textos lidos por outros congressistas, por motivo de ausência. Além disso, alguns congressistas apresentam pareceres às teses para as quais não foram previamente escolhidos.413
Alguns dos relatores que foram substituídos constam como ausentes no Congresso414 e outros não. Compreender porque os congressistas presentes se furtam a essa atribuição demanda estudos mais detalhados. Uma hipótese é a de que a entrada, nas comissões, de um número significativo de congressistas do interior, tenha demandado “espaço” para o exercício da função de “relator das teses do Congresso”, demanda que talvez possa ter sido atendida, sem maiores tensões, se partirmos do pressuposto de que as prováveis “anfitriãs de fato” do evento – as diretoras e professoras da capital – pudessem estar muito ocupadas no desempenho das
412 Seriam membros do magistério primário que não foram convocados/convidados?
413 No caso de Maria Rosa Moreira, única relatora que não consta nem da lista dos presentes ao Congresso, nem