• Sonuç bulunamadı

Fruto da necessidade de percebermos o presente eivado de incertezas, indecisões, incompreensões e revolta (interior ou exterior) recorremos normalmente à memória da História para nos trazer o elixir da pacificação e, sobretudo, da compreensão. Na Educação como em muitas outras vertentes, precisamos que o tempo passado e as suas experiências, nos traga essa racionalidade que a pressão do presente muitas vezes não nos deixa alcançar. (Luís Alberto Alves)

A palavra “Educação”, em português, vem de “Educar”, a origem desta, por sua vez, é do Latim EDUCARE que é um derivado de EX, que significa “fora” ou “exterior” e DUCERE, que tem o significado de “guiar”, “instruir”, “conduzir”. Ou seja, em latim,

educação tinha o significado literal de “guiar para fora” e pode ser entendido que se conduzia tanto para o mundo exterior quanto para fora de si mesmo.

No seu sentido mais amplo, educação significa o meio em que os hábitos, costumes e valores de uma comunidade são transferidos de uma geração para a geração seguinte. A educação vai se formando através de situações presenciadas e experiências vividas por cada indivíduo ao longo da sua vida. Para Brandão, Educação é:

(...) como outras, uma fração do modo de vida dos grupos sociais que a criam e recriam, entre tantas outras invenções de sua cultura, em sua sociedade. Formas de educação que produzem e praticam, para que elas reproduzam, entre todos os que ensiname-aprendem, o saber que atravessa as palavras da tribo, os códigos sociais de conduta, as regras do trabalho, os segredos da arte ou da religião, do artesanato ou da tecnologia que qualquer povo precisa para reinventar, todos os dias, a vida do grupo e a de cada um de seus sujeitos, através de trocas sem fim com a natureza e entre os homens, trocas que existem dentro do mundo social onde a própria educação habita, e desde onde ajuda a explicar — às vezes a ocultar, às vezes a inculcar — de geração em geração, a necessidade da existência de sua ordem. (BRANDÃO, p. 04)

A educação existe aonde não há escola, em todas as vivências do ser humano. Podemos dizer então que a educação é o processo mediante o qual se afeta a uma pessoa estimulando-a para que desenvolva suas capacidades cognitivas e físicas para poder se integrar na sociedade em que vive.

No sentido técnico, a educação é o processo contínuo de desenvolvimento das faculdades físicas, intelectuais e morais do ser humano, a fim de melhor se integrar na sociedade ou no seu próprio grupo. Educar é a ação de promover a educação, que compreende todos os processos, institucionalizados ou não, que visam transmitir determinados conhecimentos e padrões de comportamento a fim de garantir a continuidade da cultura de uma sociedade.

Nas sociedades modernas, a educação é considerada um direito humano elementar e um direito coletivo, um fenômeno universal, histórico e necessário para que os povos possam subsistir, visto que a educação é considerada a melhor ferramenta de luta contra qualquer tipo de exclusão e contra as injustiças. Possibilita o crescimento individual, a produção e a reprodução social e cultural e permite a sobrevivência humana. Brandão, mais uma vez completa: “A educação ajuda a pensar tipos de homens, mais do que isso, ela ajuda a criá-los, através de passar uns para os outros o saber que o constitui e legitima. Produz o conjunto de crenças e ideias, de qualificações e especialidades que envolvem as trocas de símbolos, bens e poderes que, em conjunto constroem tipos de sociedades” (BRANDÃO, p. 11).

Pensando essa educação que transforma e que cria o novo homem é que Ruth Cavalcante se constituiu, através da educação em família, no interior do Ceará, com o contato direto com a natureza, posteriormente a educação vinculada à religião católica e depois vinculada com o social e com a política. Essa mistura de educação formal e educação informal a constituiu num ser atuante, inquieta com o que era imposto, seja pela igreja, seja pelos governantes, atuante em movimentos estudantis e participativa na vida política do seu estado. Ela se descobriu professora, antes mesmo de saber a teoria, se sentiu incomodada com a falta de formação para as classes menos favorecidas e não mediu esforços pra transformar sua realidade, se tornando uma mediadora cultural, sempre com um projeto político-cultural, dedicado a mediação através da comunicação com públicos externos compostos por um público não especializado, e foi na maioria das vezes criadora e mediadora, desafiando as questões teóricas de sua atividade intelectual por querer alcançar a igualdade para todos.

A temática da mediação cultural nas últimas três décadas voltou a ocupar um papel de relevância nos discursos que apelam à formação de um público cada vez mais preocupado com o contexto político, das artes e cultura em geral.

Na Europa. A questão da mediação cultural assume um papel importante na política a partir de 1970, evidenciada nos programas de formação atraiando públicos ligados às artes, a cultura e a educação. Compreendendo assim, a mediação cultural como um imperativo social (Lamizet, 1999), que entende a importância da cultura como sustentáculo civilizacional, associada a memória histórica e social, contribuindo para que pessoas se construam no espaço público, favorável ao desenvolvimento de práticas coletivas de sociabilidade e de cidadania ativa.

Analisando a época do contexto educacional da professora Ruth Cavalcante, podemos constatar que a mesma desenvolveu suas práticas educativas já imbicadas no seu próprio processo histórico bem como na influência de Paulo Freire e da formação política advinda dos grupos aos quais ela participava, como a Juventude Estudantil Católica - JEC7 e a Ação Popular - AP8, levando-a a uma posição de destaque por ser uma líder nata e por ter

7Associação civil católica reconhecida nacionalmente pela hierarquia eclesiástica em julho de 1950 como setor da Ação Católica Brasileira (ACB) encarregado de difundir os ensinamentos e a doutrina da Igreja junto aos estudantes de nível secundário. Desapareceu em 1966, quando a nova orientação firmada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) levou ao esvaziamento da ACB e de seus ramos especializados. Disponível em: http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-tematico/juventude-estudantil-catolicajec

8 Organização política de âmbito nacional, fundada durante um congresso promovido pela Juventude Universitária Católica (JUC) em Belo Horizonte, entre 31 de maio e 3 de junho de 1962. Integrada basicamente por membros da JUC e da Juventude Estudantil Católica (JEC), seu objetivo era formar quadros que pudessem “participar de uma transformação radical da estrutura brasileira em sua passagem do capitalismo para o socialismo”. Disponível em: http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-tematico/acao-popular-ap

uma prática social que antecede sua formação profissional, o que podemos evidenciar de mediação cultural na medida que a mesma articula permanentemente a produção e a recepção culturais num constante processo dinâmico.

Tomando a mediação cultural como um ato autônomo, com identidade e ações próprias, definidas em relação a produção e recepção de informação e cultura, é que definimos a prática impulsional da professora Ruth Cavalcante por assim resumida a mediação mais produção mais recepção o que leva como produto final dessa ação reflexiva a transformação e a uma consciência crítica, que podemos encontrar nas abordagens de Paulo de Freire.

Sendo assim, ela se estrutura e se constrói a partir das vivências do professor, das suas experiências teóricas, práticas, emocionais e sociais: “[...] É uma construção que tem a marca das experiências feitas, das opções tomadas, das práticas desenvolvidas, das continuidades e descontinuidades, quer ao nível das representações quer ao nível do trabalho concreto” (MOITA, 2007, p. 116).

3 A PROFESSORA RUTH CAVALCANTE ENTRE A MILITÂNCIA E A

Benzer Belgeler