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5. SONUÇ ve ÖNERİLER

Ainda com base no estudo da rede urbana do Norte de Minas, um outro ponto considerado importante, em relação às transformações urbanas contemporâneas no país, é reconhecer o papel de Montes Claros como cidade média na rede urbana brasileira.

As cidades médias têm sido locais privilegiados para atrair investimentos devido à sua diversidade funcional e organização interna. Elas oferecem boa infra- estrutura, um comércio diversificado, serviços modernos (incluindo os serviços de produção e os pessoais), incentivos fiscais e financeiros e qualidade de vida aos seus habitantes.

A presença de boas escolas, faculdades, shoppings, hipermercados, lojas de departamento, parques urbanos, opções de lazer e de serviços requintados,

associados à possibilidade de uma vida mais tranqüila, segura e confortável, longe da “correria” e da violência urbana das grandes cidades, têm sido fatores decisivos na escolha de um empresário para investir em uma cidade média, por exemplo.

O questionamento que cerca o futuro das cidades médias brasileiras reforça sua posição de centralidade junto às regiões circundantes, onde serviços especializados criam um ambiente técnico-científico-informacional propício à atração de novos investimentos. Um questionamento que se faz em relação à rede urbana do Norte de Minas é: a dinâmica social e econômica de Montes Claros tem sido também capaz de reestruturar a região do Norte de Minas?

Como se viu no item 3.1, os incentivos governamentais para o desenvolvimento das cidades médias brasileiras fez parte de uma estratégia de planejamento do governo federal, principalmente no período militar, que visavam amenizar as grandes desigualdades regionais, desconcentrar a economia e conter o crescimento excessivo das grandes cidades e metrópoles brasileiras (que eram alvos dos fluxos migratórios que contribuíam para a proliferação de favelas e crescimento da pobreza urbana).

Mas, será que estimular o crescimento das cidades médias, não significa transferir para elas os problemas urbanos de uma grande cidade, tornando-as seleiros de uma população marginalizada? O que se percebe é que muitas das cidades médias brasileiras, como é o caso de Montes Claros, já crescem com os mesmos problemas de uma cidade grande (apesar de em menor proporção) como aumento da periferização, maior segregação sócio-espacial e proliferação de assentamentos irregulares.

Assim, as recentes transformações urbanas verificadas em Montes Claros tendem a seguir o curso das atuais mudanças ocorridas na sociedade e nos espaços urbanos das grandes cidades ou metrópoles brasileiras. São exemplos disso: a saturação das áreas centrais; o surgimento de novas centralidades; a refuncionalização de edificações; a construção de novos empreendimentos em vazios urbanos com potencial mercadológico (especulação imobiliária); a maior verticalização; a intensificação do tráfego; a valorização comercial de eixos viários,

localizados próximos aos anéis rodoviários para a implantação de grandes equipamentos; o aumento de condomínios fechados destinados a uma população de alta renda; entre outros.

Se por um lado, as cidades médias têm sido privilegiadas para atrair o capital financeiro (em função de sua diversidade econômica e da formação de uma sociedade de consumo), por outro lado, é preciso considerar o impacto do crescimento das cidades médias na configuração do seu espaço intra-urbano e na articulação da rede urbana brasileira. Assim, o planejador urbano precisa se atentar ao fato de que, como aponta Santos (1993), as médias cidades de hoje podem se tornar, no futuro, grandes cidades.

Amorim Filho (1984), no seu estudo sobre a classificação funcional das cidades médias mineiras46, definia Montes Claros como uma “cidade média de nível superior” devido ao seu papel de centro polarizador regional. Montes Claros ainda não era considerada pelo autor, um “grande centro regional” como já eram os casos de Uberlândia e Juiz de Fora, pois não possuía a diversidade de serviços que estas cidades apresentavam.

Percebe-se, atualmente, que Montes Claros, mesmo exercendo a função de um centro tradicional de uma vasta região pobre, ainda não apresenta uma organização interna e diversidade de serviços47 que lhe permitem caracterizá-la como um “grande centro regional”, como continuou sendo o caso de Uberlândia, que possui uma maior projeção no cenário nacional. Montes Claros ainda se enquadra em uma escala de abrangência regional, isto é, sua rede de relações e de polarização se restringe, de certa forma, apenas à região do Norte de Minas, Noroeste de Minas, Jequitinhonha e Sul da Bahia.

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Nesse estudo, Amorin define quatro níveis hierárquicos para cerca de 100 cidades médias de Minas Gerais: grandes centros regionais, cidades médias de nível superior, cidades médias propriamente ditas e centro urbanos emergentes.

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Diniz (2000) apresenta algumas atividades ou serviços que caracterizam os grandes centros urbanos: atividades comerciais, centralização financeira (bancos, corretoras, títulos e bolsas de ações), serviços educacionais e de pesquisa (universidades e instituto de pesquisa), serviços de consultoria e apoio (marketing, advocacia, auditoria), sedes empresarias, escritórios de representação comercial, transporte de cargas e passageiros, serviços de hotelaria e restaurantes, medicina avançada, atividades culturais e de lazer etc.

Talvez, em uma visão a médio ou longo prazo, esse quadro mude e Montes Claros se torne um “grande centro regional”, mediante a expansão da sua hinterlândia e alcance de novos mercados nacionais. É difícil imaginar um processo retroativo ou de estagnação econômica para Montes Claros, isto porque, a cidade já construiu uma sólida rede de articulações com a região e com outros centros do país. Apenas com o propósito de uma reflexão, são apresentadas algumas evidências dessa transformação em Montes Claros que sustentam a afirmação acima:

• setor educacional - significativo número de unidades de ensino superior e oferta crescente de cursos de pós-graduação;

• setor de saúde - modernização dos hospitais e clínicas da cidade e avanços no tratamento médico (desenvolvimento de exames, consultas e cirurgias mais específicas);

• setor industrial – expansão das atividades industriais e presença de

indústrias de fronteira tecnológica na cidade como a Novo Nordisk e a

Vallé;

• entreposto comercial – diversificação das atividades comerciais e diferentes opções de locais para compras (centro da cidade, shopping center, galerias comerciais, supermercados) e maior diversidade de produtos, incluindo marcas e grifes ou mercadorias ligadas ao consumo de luxo;

• lazer e entretenimento – opções de restaurantes, bares, cinema, shopping, parques, clubes, locais de festas, eventos, feiras, exposições, shows musicais;

• ligações rodoviárias – a cidade é um importante entroncamento rodoviário do país;

• mão-de-obra qualificada - prestação de serviços por profissionais liberais mais especializados (médicos, arquitetos, publicitários,

engenheiros, advogados, consultores e outros), incluindo também a prestação de serviços de tecnologia avançada;

• sede de empresas – possui importantes empresas, instituições financeiras, e escritórios de órgãos públicos; entre outros.

Benzer Belgeler