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SONUÇ VE ÖNERİLER 93

Para definir Igreja é necessário observar alguns equívocos que transformam a igreja em uma celebração com o fim em si mesma. Na atualidade, vemos uma inconsistência no testemunho cristão, uma concorrência religiosa e a falta de credibilidade que destroem a fidelidade do evangelho da reconciliação, esses são alguns fatos que fazem a Igreja perder a essência e se tornar uma instituição com fragilidades. Peter Savage nos apresenta quatro modelos de fragilidade sobre a Igreja que operam no nível popular, demonstrando o equívoco e a superficialidade das definições:

―Muitos vêem a Igreja como um auditório, aonde os crentes vão para ouvir a exposição da Bíblia. Para outros, a igreja é um teatro, em que se reúnem os fiéis para testemunhar o drama do sacramento encenando diante deles. A igreja pode ser vista, ainda, como uma corporação eficiente e altamente orientada para programas, como uma equipe pastoral de tempo integral envolvida em vender a religião no varejo, para as massas e muitos vêem a igreja como um clube social a que as pessoas se filiam para suprir certas necessidades, exatamente, como podem filiar-se a outras organizações para suprir outras necessidades‖90.

Essas afirmações demonstram além dos equívocos, as distorções no entendimento da Igreja. Por isso, pretendemos apresentar como Comblin pensa esses equívocos e demonstrar sua visão sobre a Igreja, para perceber algumas rotas de fuga desses equívocos e assim teremos sustentação para demonstrar através do pensamento do autor uma proposta sobre Igreja.

Para Comblin, o primeiro equívoco se dá em não poder definir a Igreja com categorias de instituição pelos seguintes motivos:

90 SAVAGE, Peter. The Church and Evangelism (in) The New Face of Evangelism René C. Padilla,(org.). EUA:

―Se Igreja se concentra na instituição, sucede o que sucedeu com os fariseus: ela faz das palavras de Deus um depósito, uma propriedade, um código de costumes, leis, expressões com as quais ela se identifica; ela se contempla a si mesma no momento em que crê contemplar a Deus: contempla o seu próprio vazio‖91.

Portanto, se as pessoas acreditam que a palavra é monopólio da instituição, essa crença não passa de um equívoco, pois isto acaba por transformá-la em um grupo que pode ser considerado absolutista, pois, a verdade somente será encontrada nelas, a conversão surgirá somente através delas, os códigos de costumes serão a fonte para provar a transformação dos salvos. Tal como, a constante presença nos cultos realizados no templo aos domingos, por serem um local e dia sacralizados, limitando a compreensão sobre a ação divina, ao ponto de acreditarem que Deus fala, salva e transforma as pessoas somente neste lugar específico e dia, essa demonstração de fé passa a ser antropocêntrica e vazia.

Nesta instituição as pessoas se reúnem através de uma submissão à autoridade da estrutura, a mesma procederá da própria organização e os que são separados para o sacerdócio ou pastorado, servirão somente à instituição e esta se tornará opressora ao ponto de desenvolver costumes imprescindíveis no convívio da comunidade para definir um estilo de vida comum e se fechará para as dificuldades das pessoas que não fazem parte da instituição. Comblin afirma:

―Numa instituição, a unidade procede da submissão de todos a uma mesma estrutura: impõe-se a todos a mesma atitude transformada em costume; a autoridade deriva da própria instituição e os sacerdotes servidores da instituição‖92.

91 COMBLIN, José. O enviado do Pai. São Paulo: Paulus Editora, 1999, pg.07. 92 Ibidem pg 08.

Com essa afirmação do autor pode-se concluir que a instituição se torna um grupo fechado, demonstrando sua circularidade entre seus membros, pois se suportam por causa dos costumes que foram estabelecidos. Aqueles que permanecem neste tipo de equívoco perdem a vida, pois, não se tornam solidários com os que se encontram de fora.

David J. Bosch ao desenvolver as ideias sobre em que momento a igreja deixou de ser movimento e se tornou instituição, apresenta as diferenças entre esses dois elementos, corroborando com o pensamento de Comblin em relação a Igreja não ser uma instituição, mas sim, um movimento:

[...] ―ela deixou de ser um movimento e transformou-se numa instituição. Há diferenças essenciais entre uma instituição e um movimento, diz H. R. Niebuhr: aquela é conservadora, este é progressista: aquela é mais ou menos passiva, sucumbindo às influências externas, este é ativo, influenciando ao invés de ser influenciado: aquela olha para o passado, este para o futuro. Além disso, poderíamos acrescentar que aquela é ansiosa, ao passo que este está disposto a assumir riscos: aquela resguarda fronteiras: este às cruza‖93.

Pode-se dizer que o movimento é totalmente diferente da instituição não tendo medo do futuro, assumindo os riscos, influenciando, ativamente e deve ultrapassar as fronteiras impostas pela cultura ou mesmo pela religião de um povo, gerando um movimento preocupado com o ser humano e suas dificuldades.

Para Comblin o segundo equívoco se dá em não poder definir a Igreja com categorias de comunidade pelos seguintes motivos:

―A igreja não é comunidade: pelo menos o seu ser não procede da colocação em comum dos homens que se reúnem nela. Por isso mesmo a comunidade jamais se regula como se regulam comunidades humanas: nestas não há mais do que uma soma dos indivíduos. Numa comunidade,

93 BOSCH, David J. Missão Transformadora: Mudanças de paradigma na teologia da Missão. São Leopoldo:

a unidade procede do consentimento e da convergência de todos os associados, e a autoridade emana da vontade comum; os dirigentes atuam em nome dos sócios que representam‖94.

O equívoco citado acima é o de se falar somente entre os homens, é de contemplar somente os homens e de ouvir somente os homens. Comblin escreve sobre a vontade comum dos homens associados e desta forma a direção divina não existe, o que torna o ambiente vazio. Portanto, nestes dois equívocos a Igreja coloca no lugar de Jesus os sistemas de doutrinas morais, sociais, políticas, segurança e privilégios, ou seja, não existe lugar para o Espírito que traz a dinâmica e vida para o povo de Deus. Gutiérrez alega que a Igreja coloca a doutrina correta acima do serviço redentor, ela limitou-se na ortodoxia e acabou deixando a ortopráxis nas mãos dos que estavam fora dela e do número dos crentes95, permitindo a visualização de outro equívoco, gerando assim a paralisia na comunidade que deveria ser um movimento. Este equívoco é revelado no pensamento de Moltmann. Este autor demonstra através da história o fato de a Igreja permitir que o Império tome conta do bem estar do homem enquanto ela estaria responsável somente com a salvação da alma, pensamento que perdura até os dias de hoje96.

É necessário enfatizar outro equívoco que está relacionado com a unidade da Igreja para realizar sua missão de alcançar o mundo. Os cristãos, como igreja, necessitam de uma concordância em todas as convicções para trabalharem juntos. Sabemos que a união de todas as instituições seria um empobrecimento do cristianismo: a multiplicidade e as diferenças existentes entre as igrejas são expressões da riqueza e complexidade do Espírito Santo no nosso meio. Para Sung a unidade deve ser no espiritual e não institucional, pois ele entende que a unidade do espírito está no serviço ao pobre:

94 Ibidem pg.07.

95 GUTIÉRREZ, Gustavo. Teologia da Libertação. São Paulo: Editora Loyola, 2000, pg. 23.

96 Somente com o advento da Igreja Imperial de Constantino alastrou-se a tendência para espiritualização da

pobreza, porque a Igreja teve que entregar o cuidado pelo bem estar ao imperador, tendo que restringir-se ao cuidado da salvação das almas. Do contrário, teria continuado o conflito que Jesus havia desencadeado com o Evangelho dos pobres, e não teria sido possível uma harmonia entre o poder espiritual e o poder político no império cristão.

―A unidade espiritual e não institucional deve se dar em torno do serviço aos pobres e as pessoas que sofrem com as injustiças e os preconceitos, na luta pela construção de novas relações interpessoais e sociais que sejam sinais da presença do Reino de Deus entre nós‖97.

Para Comblin, há outras relações que geram unidade tais como: fidelidade a Deus e ao mundo. Este movimento tem origem no Pai e chega ao mundo, vindo da atenção que se dá ao outro. É nesta dinâmica que acontece o ser Igreja:

―Na Igreja de Jesus Cristo, a unidade deriva do movimento que procede do Pai e se estende ao mundo. Cada membro é um elo numa corrente. Cada um recebe de outro; o amor do Pai manifestado no Filho comunica- se a cada um pela mediação de outros. Cada um permanece atento ao outro de quem procede a manifestação de Jesus Cristo; a unidade procede da vontade de receber fielmente e da atenção ao outro. Pois não recebemos a luz de Cristo do nosso semelhante como um eco da nossa própria consciência, e sim do estrangeiro, (Jesus), que nos fala a partir de outra linguagem e nos obriga a sair das nossas fronteiras pessoais. Por outro lado, a unidade procede também do movimento para os outros, para o mundo, para todo homem, caracterizado justamente como outro. A unidade procede da vontade de sair da própria personalidade para buscar o encontro com o outro que é diferente e na sua diferença, sem o obrigar a entrar na nossa diferença. A unidade procede dessa dupla explosão das fronteiras: as fronteiras que nos separam da origem e as que nos separam do destino final. A unidade procede da dupla fidelidade ao Pai e ao mundo numa submissão à corrente que passa. Trata-se de uma unidade de circulação de transmissão. A autoridade procede do Pai, origem de todo o movimento e os dirigentes não são outra coisa a não ser os incentivadores do movimento e os guias da autenticidade‖98.

Pode-se notar que através do movimento surge a unidade, pois ela somente pode acontecer se a Igreja se tornar a companhia dos discípulos de Cristo, ou seja, o povo de Deus, que está em movimento, denominado Reino de Deus, sabendo que não haverá lugar confortável, mas haverá situações de dificuldades, onde as atitudes dos discípulos serão a

97 SUNG, Jung Mo. Cristianismo de Libertação Espiritualidade e Luta Social. São Paulo: Paulus Editora, 2008,

pg.90.

resposta vivenciando a importância do outro e respeitando a diferença que existe entre as pessoas ao ponto de cooperar em todas as necessidades realizando assim o Reino de Deus. Assim, pode-se afirmar como Galilea que o cristão tem a obrigação não só de constatar as misérias e injustiças, mas também buscar suas causas para resolvê-las dentro do que é possível99.

Benzer Belgeler