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de atividades criadoras, descobri que os estereótipos não mais me agradavam, parecendo-me extremamente monótonos. Ao aprender que podia criar, comecei a rejeitar os desenhos sempre iguais. Eu tomava consciência de meu poder criador e me lançava em busca de um desenho que era meu e que eu perdera pela vida. Quando passei a ministrar aulas para adolescentes via, em seus trabalhos, incontáveis estereótipos que me incomodavam tremendamente. Tentava questionar com os alunos a validade de tais desenhos, sugerindo-lhes outras possibilidades de representação, chamando a atenção para a impessoalidade dessas expressões (VIANNA, 1995, p. 2).

Ao tornar-se professora, Vianna (1995) afirma que percebeu nos desenhos dos seus alunos a p ese ça fo te dos este e tipos e uestio a a so e a i pessoalidade das e p ess es produzidas por eles. Quando passou a lecionar em cursos de formação de professores é que tomou consciência da complexidade desse tema. Nas suas aulas discursava sobre os prejuízos e as consequências do uso indiscriminado dos estereótipos na escola. Apesar de seu discurso, poucos eram aqueles professores/alunos que conseguiam resistir à sedução dos estereótipos. Para Vianna (1995) os estereótipos são comparados a ervas-daninhas, pois quanto mais se arranca, mais nascem. Há tanta verdade nessa afirmação, que ao entrar em algumas escolas particulares ou públicas é possível visualizar paredes e murais abarrotados deles. Mas por que escrever sobre o desenho estereotipado que muitos insistem em reproduzir? A necessidade de copiar modelos acompanhou por muito tempo, e ainda acompanha o ser humano. Segundo Via a , se p e e isti a i ú e as at izes a uais e at izes e tais .

A mais conhecida das matrizes é a folha de papel reproduzida no mimeógrafo a álcool, largamente utilizada nas escolas. Além do mimeógrafo, temos diversos recursos para reproduzir estereótipos: todos conhecem processos simples de transferência da imagem de um suporte para outro. Atualmente nas escolas, as máquinas de xerox fazem essas reproduções muito melhor e em menos tempo (VIANNA, 1995, p. 4).

Vivemos numa sociedade em que os estereótipos são largamente produzidos, multiplicados e utilizados. Modelos e cópias são difundidos e aceitos. Tais reproduções são armazenadas em ossas ga etas e tais. Basta ue e pa a ue as ossas os o sigam, sem muito esforço, representá-las Via a, p. . N o difí il pe e e ue tudo isso apa e e ai da hoje os desenhos estereotipados de crianças e adultos.

Ainda segundo Vianna, tais desenhos são repetidos de forma enfadonha em todos os lugares e, principalmente, nas escolas. Em todos os espaços da escola, nos materiais didáticos e nos trabalhos escolares das crianças, os desenhos estereotipados podem ser vistos em larga e a iada ua tidade. A es ola pa e e se o ha itat atu al dos este e tipos p. . Se a es ola

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valorizasse efetivamente a educação do gosto estético de professores, crianças e jovens, não seria o terreno fértil onde crescem e se reproduzem estereótipos. Como não é dada aos professores, de uma maneira geral, a oportunidade de se envolverem com a arte, somente ficando essa vivência aos professores de Artes Visuais, muitos deles dizem que tais desenhos são pueris e tornam o ambiente mais agradável, mais atraente e mais interessante para a ia ça. P ati a e te todos aplaude e gosta dos dese hos ue e feita o a ie te escolar. Assim, as crianças aprendem, desde cedo, a conviver naturalmente com os estereótipos, como modelos a serem seguidos, por serem aceitos e valorizados nesse ambiente de formação (VIANNA, 1995, p. 08).

Mas, se em muitas escolas as pessoas gostam e aceitam tais desenhos, por que questioná-los? O que eles têm de tão negativo?

No que se refere a esse tipo de desenho fica notório que ele tende a inibir o poder criador e a individualidade de cada criança. É preciso compreender e valorizar a necessidade vital que cada criança tem de registrar suas impressões sobre aquilo que está à sua volta. Nesse aspecto, repetir modelos estereotipados socialmente não possibilita à criança vivenciar e experimentar, no ato de desenhar, suas descobertas e necessidades de deixar no papel aquilo que bem entende. Para superar essa prática socialmente aceita e repetida, torna-se necessário oportunizar à criança práticas com outros tipos de desenhos, no intuito de afirmar o seu poder criador e de construir com ela possibilidades de expressão, através de ambientes que a estimulem e instiguem. Infelizmente, na Educação Infantil o uso de desenhos mimeografados para as crianças colorirem ainda é uma realidade que precisa ser superada. A discussão de alguns aspectos da história do desenho no ensino/aprendizagem em Arte nos ajuda a compreender como esses processos aconteceram ao longo do tempo e como ainda influenciam a maneira de ensinar e aprender sobre o desenho.

Nesse sentido, apresentamos as contribuições de La Pastina (2008) que também analisa o tema do desenho como cópia. Em sua dissertação de mestrado, a autora apresenta a ideia de apropriação, interação e cópia no desenho infantil, discutindo uma perspectiva diferente sobre a maneira de explorar essas experiências das crianças. Em sua pesquisa, a autora destaca como as fontes externas inspiram as crianças no momento em que desenham. As crianças desenvolvem diferentes alternativas como a cópia, o decalque e fazem combinações na folha de dese hos opiados. Pa a La Pasti a , o dese ho opiado pode ai da se internalizado, decorado e repetido sem a fonte da imagem. Em todos os casos a criança

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i te age o algo ou algu . É o ue esta os ha a do de i te aç o o dese ho i fa til (LA PASTINA, 2008, p. 62). Essa interação acontece quando a criança tem contato com outras pessoas, ao manipular livros, gibis, ao observar a decoração da sala de sua casa, ao manipular imagens representadas na sala de aula e também através das imagens televisivas.

Quem convive com crianças, seja em casa, na escola ou em outros espaços, já deve ter presenciado situações em que elas tentam copiar imagens advindas de suportes diferenciados. Esse assunto é controverso e problemático. De acordo com La Pastina (2008), seria necessário perguntar o motivo que leva as crianças a fazerem cópias de desenhos e se esse exercício de copiar seria saudável para elas. Sendo assim, podemos também nos perguntar sobre a existência de diálogo entre o desenho da criança e as imagens com as quais ela convive e manipula em seu cotidiano. La Pastina (2008) faz uma distinção entre apropriação, cópia e decalque. A cópia, segundo a autora, acontece quando a criança tenta, ao observar um desenho, fazer sua cópia de forma fiel ao original. A apropriação se realiza quando as crianças acrescentam algum detalhe ao desenho original. Sobre o tema da apropriação, já fiz uma descrição anterior, a partir da definição feita por Ana Amália Barbosa sobre o processo de apropriação na releitura da obra de Arte. Em relação ao decalque, La Pastina (2008) define que é um processo feito com uma folha transparente colocada por cima do desenho na qual a criança contorna as formas do desenho original. Segundo a autora, os pesquisadores Brent Wilso e Ma jo ie Wilso utiliza o te o e p esta i age s. Este te o pode se utilizado para denominar cópias ou mesmo apropriação (WILSON e WILSON apud LA PASTINA, 2008).

Na história do ensino do desenho, a cópia fiel sempre foi muito valorizada na pedagogia tradicional, quando o professor trazia modelos prontos e as crianças deveriam copiar para exercitar a técnica. Nas escolas brasileiras de ensino de Arte, voltadas para uma perspectiva tradicional, o modelo pronto para a criança copiar sempre esteve presente. Com a chegada da pedagogia nova, muitos padrões rígidos relacionados à cópia no desenho foram rompidos. No caso do desenho, a livre expressão, conquista do modernismo, chega para questionar os pad es a ad i os e a igidez da pia do dese ho p oposto pelos p ofesso es. A ia ça deveria agora criar livremente, bastava deixar aflorar suas potencialidades. O adulto não deveria interferir com seus modelos de Arte, e a criança deveria se manter afastada da i te fe ia adulta LA PASTINA, , p. .

Com a livre expressão outras questões aparecem e dificultam também a compreensão do desenho, principalmente da criança pequena. Confundida com o espontaneísmo, as crianças

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deveriam estar livres para fazerem o que quisessem sem nenhuma interferência do adulto. No entanto, segundo La Pastina (2008), para Brent e Marjorie Wilson, a não interferência do adulto é praticamente impossível, pois o adulto está em constante contato com o desenho da criança e a criança está envolvida com os diferentes suportes imagéticos no seu cotidiano, como os desenhos de outras crianças e de outros adultos, com ilustrações de livros e de revistas, com a Arte dos museus e as imagens televisivas. Nesse sentido, torna-se impossível manter qualquer criança afastada de tudo isso (WILSON E WILSON apud LA PASTINA, 2008). Para esses autores a cópia representa uma situação controversa: ao mesmo tempo em que possibilita às crianças desenvolverem habilidades como a perspectiva, a percepção de detalhes, por exemplo, também pode criar um esquema congelado, ou seja, a criança não consegue sair da cópia e explorar outras alternativas de desenhar.

Nesse sentido, La Pastina (2008) argumenta, que alimentar as crianças com muitas imagens para desenhar, com suportes diferenciados, construídos pelo professor juntamente com as crianças torna-se indispensável. Eles sugerem construir uma coleção de pinturas, fotografias, desenhos e ilustrações variadas, que possibilitem às crianças saírem da convenção artística para a invenção. Por isso, orientam que sejam desenvolvidas com as crianças propostas de i e ç o, jogos pa a au e ta o ú e o e a a iedade de coisas para desenhar, incrementar as expressões faciais, tentar desenhar figuras em ação etc. (WILSON e WILSON apud LA PASTINA, 2008). A defesa deles é a reinterpretação de uma imagem e não a cópia. A partir da imaginação, combinar elementos conhecidos de uma forma nova (LA PASTINA, 2008).

São muitos os autores que se posicionam de maneira distinta em relação ao desenho. Apresento alguns deles que discutem o desenho na Educação Infantil e trazem contribuições para essa área. Derdyk (2014), também em diálogo com Wilson e Wilson, afirma que ao desenhar, tanto o adulto quanto a criança vivem simultaneamente uma experiência perceptiva e cognitiva, não sendo essa experiência apenas manual ou Artesanal, porque o desenho é uma construção do pensamento. O desenho como uma expressão gráfica muito antiga e presente na humanidade desde os primórdios, atravessou os tempos e aparece em distintos suportes, materiais ou i st u e tos, os ofe ta do u epe t io e te so de possi ilidades espa iais, a ifestaç es e atuaç es, o est ito e i u s ito ape as de t o do u i e so g fi o DERDYK, . p. . Qua do ossa efe ia so e o dese ho est ela io ada a oisa de l pis e papel essa aç o logo e o he ida po todos a ueles ue f e ue ta a es ola. Mas para Derdyk,

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Benzer Belgeler