Outra fonte de informações utilizada nesta tese é o Regic – Regiões de Influência das Cidades. O Regic é um estudo, realizado pelo IBGE, sobre a rede urbana no Brasil, com a finalidade de estabelecer uma hierarquia desta rede e delimitar os centros de gestão do território, bem como suas áreas de influência. Alguns centros consistem num grupo de cidades que formam grandes aglomerações urbanas, para os quais a unidade de observação é a Área de Concentração da
População (ACP). As ACPs27 são grandes manchas urbanas de ocupação contínua, caracterizadas pelo tamanho e densidade populacional, pelo grau de urbanização e pela coesão da área, de acordo com deslocamentos da população para trabalho ou estudo (IBGE, 2008).
A hierarquia dos centros urbanos identificados é estabelecida com base na classificação dos centros de gestão do território28, na intensidade de relacionamentos e na dimensão da área de influência de cada centro. Dessa forma, cabe que destacar que, centros localizados em regiões com menor densidade populacional ou econômica, ainda que apresentem indicativos de centralidade mais fracos, podem assumir o mesmo nível de hierarquia que centros localizados em regiões de maior densidade. Isto porque a avaliação do papel dos centros se dá em relação ao seu próprio entorno. As áreas de influência dos centros, por sua vez, são determinadas de acordo com a intensidade das ligações entre as cidades.
O Regic já foi realizado quatro vezes, nos anos de 1966, 1978, 1993 e 2007. Para fins desta tese, a hierarquia de rede urbana a ser considerada é a definida pelo Regic de 2007, pois esta reflete a estrutura de rede urbana no período estudado (2000-2009, pelos dados da Rais-Migra), a despeito da ocorrência de pequenas mudanças29 ao longo desse período. O Regic classifica as cidades em cinco grandes níveis que, por sua vez, são subdividos em dois ou três subníveis. A divisão hierárquica, bem como suas subdivisões, estão definidas da seguinte maneira: 1. Metrópoles (a. Grande Metrópole Nacional; b. Metrópole Nacional; c. Metrópole); 2. Capital Regional (a. Capital Regional A; b. Capital Regional B; c.
27 As 40 ACPs identificadas no Regic 2007 foram constituídas pela agregação de 336 municípios.
São elas: Manaus, Belém, Macapá, São Luís, Teresina, Fortaleza, Juazeiro do Norte– Crato−Barbalha, Natal, João Pessoa, Campina Grande, Recife, Petrolina–Juazeiro, Maceió, Aracaju, Salvador, Feira de Santana, Ilhéus−Itabuna, Belo Horizonte, Ipatinga–Coronel Fabriciano–Timóteo, Juiz de Fora, Uberlândia, Vitória, Rio de Janeiro, Campos dos Goytacazes, Volta Redonda–Barra Mansa, São Paulo, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Curitiba, Londrina, Maringá, Florianópolis, Joinville, Porto Alegre, Caxias do Sul, Pelotas–Rio Grande, Campo Grande, Cuiabá, Goiânia e Brasília (Regic, 2007).
28 A função de gestão do território leva em conta níveis de centralidade dos Poderes Executivo e
Judiciário no nível federal, níveis de centralidade empresarial, e presença de diferentes equipamentos e serviços.
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Embora novas cidades tenham surgido entre 2000 e 2009, estas não pertencem a hierarquias urbanas diferentes da sua posição original, ou seja, da cidade a qual pertencia.
Capital Regional C); 3. Centro Sub-regional (a. Centro Sub-regional A; b. Centro Sub-regional B; c. Centro Sub-regional C); 4. Centro de Zona (a. Centro de Zona A; b. Centro de Zona B); 5. Centro Local.
A hierarquia ‘Metrópoles’ é composta pelos 12 principais centros urbanos do País. Tais centros são caracterizados por serem de grande porte e por possuírem forte relacionamento entre si, além de possuírem extensa área de influência direta. Esta está dividida em três subníveis, segundo extensão territorial e intensidade das relações: a. Grande Metrópole Nacional – corresponde à Área de Concentração Populacional de São Paulo (‘ACP-SP’), o maior conjunto urbano do País, com 19,5 milhões de habitantes, em 2007, e alocado no primeiro nível da gestão territorial; b. Metrópole Nacional – corresponde aos municípios do Rio de Janeiro e Brasília, com população de 11,8 milhões e 3,2 milhões em 2007, respectivamente. Juntamente com São Paulo, constituem as principais regiões de influência do país; e c. Metrópole – composta pelos municípios de Manaus, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba, Goiânia e Porto Alegre, com população variando de 1,6 milhões (Manaus) a 5,1 milhões (Belo Horizonte). São o segundo nível da gestão territorial (IBGE, 2008).
A hierarquia ‘Capital Regional’ é constituída por 70 centros que, assim como a ‘Metrópole’, se relacionam com o estrato superior da rede urbana (São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília). Possui capacidade de gestão no nível imediatamente inferior ao da ‘Metrópole’ e área de influência de âmbito regional. Este nível também possui três subdivisões: a. Capital Regional A – constituída pelas capitais estaduais não classificadas no nível metropolitano e Campinas, possui mediana de 955 mil habitantes e 487 relacionamentos; b. Capital Regional B – constituída por 20 cidades, possuem mediana de 435 mil habitantes e 406 relacionamentos; e c. Capital Regional C – constituída por 39 cidades, com mediana de 250 mil habitantes e 162 relacionamentos (IBGE, 2008).
O nível de hierarquia ‘Centro Sub-regional’ é composto por 169 centros com atividades de gestão menos complexas, com área de atuação mais reduzida, e seus relacionamentos com centros externos à sua própria rede dão-se, em geral, apenas com as três metrópoles nacionais. Sua presença é maior nas áreas de maior ocupação do Nordeste e do Centro-Sul, e menor nos espaços menos
povoados das Regiões Norte e Centro-Oeste. Possuem duas subdivisões, a saber: a. Centro Sub-regional A – constituído por 85 cidades, com mediana de 95 mil habitantes e 112 relacionamentos; e b. Centro Sub-regional B – constituído por 79 cidades, com mediana de 71 mil habitantes e 71 relacionamentos (IBGE, 2008).
O nível ‘Centro de zona’ é composto por 556 cidades de menor porte e com
atuação restrita à sua área imediata. Também possuem duas subdivisões, a saber: a. Centro de Zona A – composto por 192 cidades, com mediana de 45 mil habitantes e 49 relacionamentos; e b. Centro de Zona B – compostos por 364 cidades, com mediana de 23 mil habitantes e 16 relacionamentos. Por fim, o último nível de hierarquia urbana é o ‘Centro Local’, composto pelas demais 4.473
cidades, cuja centralidade e atuação não extrapolam os limites de seu hinterland rural imediato, e servem apenas aos seus habitantes, de modo que não possuem relacionamentos relevantes. A população é dominantemente inferior a 10 mil habitantes, apresentando mediana de 8.133 habitantes (IBGE, 2008).
Como o objetivo desta tese é analisar as hipóteses de diferenças de chances de mobilidade sócio-ocupacional, entre migrantes e não-migrantes, em espaços urbanos diferenciados, considera-se que utilizar a divisão hierárquica da rede urbana, estabelecida pelo Regic, é apropriado para estes fins. Pois se considera que, ao agregar as cidades em grupos – de acordo com o tamanho de sua população, com a diversidade de produção e serviços ofertados, e com o nível de relacionamento com seu entorno – em última instância, o Regic estabelece grupos heterogêneos entre si que, internamente são homogêneos no que diz respeito à relevância socioeconômica. Dessa forma, as hierarquias estabelecidas pelo Regic serão consideradas nesta tese como as localidades de análise de modo que, ao comparar as diferenças nas chances de mobilidade em cada uma dessas localidades, está-se comparando como tais chances mudam entre espaços hierarquicamente diferenciados.
Os recortes regionais adotados neste estudo seguem as cinco grandes divisões descritas no Regic, a saber, ‘Metrópoles’, ‘Capital Regional’, ‘Centro Sub- regional’, ‘Centro de Zona’ e ‘Centro Local’. Contudo, devido a sua importância como principal centro urbano e econômico do país, e principal destino migratório
entre as décadas 1960-1980, considera-se interessante destacar a ACP de São Paulo como uma hierarquia isoladamente, de modo a comparar este com os demais recortes regionais e captar possíveis mudanças na importância desse centro no período atual em relação aos períodos anteriores. Desse modo, a divisão regional adotada nesta tese é constituída por seis hierarquias urbanas: 1. ACP de São Paulo (‘ACP-SP’); 2. ‘Metrópole’ (corresponde aos subníveis ‘Metrópole Nacional’ e ‘Metrópole’,), 3. ‘Capital Regional’ (agregando as três subdivisões estabelecidas no Regic); 4. ‘Centro Sub-regional’ (agregando as duas subdivisões estabelecidas no Regic); 5. ‘Centro de Zona’ (também agregando as duas subdivisões estabelecidas no Regic); e 6. ‘Centro Local’.