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De acordo com Selltiz et al (1974, p. 5), "[...] o objetivo da pesquisa é descobrir respostas para perguntas, através do emprego de processos científicos.” Segundo os mesmos autores, cada estudo tem seus objetivos específicos, os quais, entretanto, podem ser agrupados em quatro categorias:

(1) Familiarizar-se com um fenômeno ou conseguir nova compreensão deste, para poder formular um problema mais preciso de pesquisa ou criar novas hipóteses; (2) Apresentar precisamente as características de uma situação, um grupo ou um indivíduo específico (com ou sem hipóteses específicas iniciais a respeito da natureza de tais características); (3) Verificar a freqüência com que algo ocorre ou com que está ligado a alguma outra coisa (geralmente, mas não sempre, com uma hipótese inicial específica); e (4) Verificar uma hipótese de relação causal entre variáveis. (SELLTIZ et al., 1974, p. 59).

Com base nesses objetivos, os mesmos autores classificam os estudos em: (a) exploratórios, relativos ao primeiro objetivo, onde a principal questão refere-se à descoberta de idéias e intuições; (b) descritivos, relativos ao segundo e terceiro objetivos, cuja questão fundamental é a exatidão, sendo necessário reduzir o viés e ampliar a precisão da prova; (c) experimentos, relativos ao quarto objetivo, os quais exigem processos que permitam inferências a respeito da causalidade.

Segundo Yin (2001, p. 21), entretanto, não se deve associar as várias estratégias de pesquisa - estudos de caso, sondagens, levantamentos históricos e experimentos - à hierarquia de estudos - exploratório, descritivo e experimento. Essa associação resultou na idéia errônea de que os estudos de caso eram apenas uma ferramenta exploratória e não poderiam ser utilizados para descrever ou testar proposições. Ainda, segundo Yin (2001, p. 24), a estratégia de pesquisa é determinada por três condições: (1) o tipo de questão de pesquisa proposto; (2) a extensão de

controle que o pesquisador possui sobre os eventos comportamentais atuais; e (3) o grau de focalização sobre eventos atuais em oposição aos históricos. Essas três condições podem ser associadas às cinco principais estratégias de pesquisa em ciências sociais – experimentos, levantamentos, análise de arquivos, pesquisa histórica, e estudo de caso – conforme ilustra o Quadro 8.

Quadro 8 - Situações relevantes para diferentes estratégias de pesquisa

Estratégia Forma da questão de

pesquisa Exige controle sobre eventos comportamentais? Focaliza eventos contemporâneos?

Experimento Como, por que Sim Sim

Levantamento Quem, o que, onde,

quantos, quanto Não Sim

Análise de arquivos Quem, o que, onde, quantos, quanto

Não sim / não

Pesquisa histórica Como, por que Não Não

Estudo de caso Como, por que Não Sim

FONTE: YIN, 2001, p. 24

De forma mais técnica Yin (2001, p. 32) define o estudo de caso como: (1) uma investigação empírica que estuda um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto de vida real, no qual os limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos; (2) enfrenta uma situação tecnicamente única em que haverá muito mais pontos de interesse do que fontes de dados, exigindo várias fontes de evidências; e (3) beneficia-se do desenvolvimento prévio de proposições teóricas para conduzir a coleta e a análise de dados.

Considerando as questões de pesquisa apresentadas no início do presente estudo - como os princípios e técnicas de gestão utilizadas pelas empresas que operam em ambientes dinâmicos e imprevisíveis se ajustam ao modelo de gestão não-linear proposto, e como o grau de ajustamento dos princípios e técnicas de gestão dessas empresas ao modelo de gestão não- linear proposto se relaciona com seu desempenho -, a estratégia de estudo de caso mostra-se adequada, pois focaliza eventos contemporâneos sobre os quais não se tem nenhum controle.

As diferentes situações e número de variáveis de análise possibilitam, segundo Yin (2001, p. 61), quatro tipos de projetos de estudos de caso: (1) projetos de caso único holístico; (2) projetos de caso único incorporado; (3) projetos de casos múltiplos holísticos; e (4) projetos de casos múltiplos incorporados.

O estudo de caso único é semelhante a um experimento único, sendo apropriado nas seguintes circunstâncias: (a) quando ele é decisivo para testar uma teoria; (b) quando ele é raro ou extremo; e (c) quando o caso é revelador. Os estudos de caso único holístico são aqueles que consideram a natureza global do programa, sociedade ou organização objeto de análise. Os estudos de caso único incorporado, por outro lado, são aqueles em se analisam diversas unidades ou variáveis do mesmo programa, sociedade ou organização. Assim, por exemplo, o estudo de caso de uma organização única pode considerar diferentes unidades de processo – como reuniões, funções ou locais determinados (YIN, 2001, p. 64).

Estudos de casos múltiplos são aqueles que contêm mais de um caso único, assemelhando-se aos experimentos múltiplos. Segundo Yin (2001, p. 69),

A lógica subjacente ao uso de estudos de casos múltiplos é igual (ao de experimentos múltiplos). Cada caso deve ser cuidadosamente selecionado de forma a: (a) prever resultados semelhantes (uma replicação literal); ou (b) produzir resultados contrastantes apenas por razões previsíveis (uma replicação teórica).

A possibilidade de replicação, literal ou teórica, dá aos estudos de casos múltiplos um caráter mais convincente e uma robustez maior do que os estudos de caso único. Esse fato tem feito crescer o seu uso em pesquisas sociais.

Da mesma forma que os estudos de caso único, os estudos de casos múltiplos podem ser de natureza holística, quando se analisam as organizações como um todo, ou incorporada, quando se analisam diversas subunidades das organizações. Assim, por exemplo, um estudo de caso de duas ou mais organizações, das quais se busca estudar diferentes unidades ou funções, é considerado um estudo de casos múltiplos incorporados.

Um aspecto crítico nos estudos de casos múltiplos diz respeito ao número de casos a serem analisados. Nessa definição o pesquisador individual deve considerar os objetivos do estudo e o esforço necessário para conduzir diversos casos. De acordo com Yin (2001, p. 69), “[...] poucos casos (dois ou três) seriam replicações literais, ao passo que outros poucos casos (de quatro a seis) podem ser projetados para buscar padrões diferentes de replicações teóricas.”

Com base no anteriormente exposto, o presente estudo foi projetado como um estudo de casos múltiplos incorporados, com replicações teóricas, conforme se discute a seguir.

Benzer Belgeler