O longo período de redução da importância populacional e econômica do município verificado entre a década de 1930 e 1960, em relação ao conjunto do Estado estava chegando ao fim. Este quadro começou a mudar a partir de meados da década de 1960 com a chamada “revolução verde”, que alterou as técnicas de exploração econômica das áreas do cerrado e abriu novas possibilidades de ascensão social para uma população que se encontrava oprimida pela falta de oportunidades na vida.
A análise da ação do Estado, enquanto elemento reordenador de espaços tem, como objetivo importante, possibilitar a compreensão dos efeitos provocados pelas políticas estatais de reorganização do espaço urbano, bem como possibilitar uma melhor compreensão das relações sociais de produção e das forcas produtivas envolvidas nestes processos, que interferiram no estágio atual dos níveis de qualidade de vida da população residente na cidade de Catalão.
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Desta maneira, analisar as diferentes ações do Estado, enquanto agente (re)ordenador de espaços, tem um objetivo importante, que é o de abrir possibilidade de se compreender os efeitos provocados pelas políticas estatais na reorganização do espaço urbano local. Isto possibilita, também, obter uma melhor compreensão das relações sociais de produção e das forças produtivas envolvidas nestes processos, os quais interferiram nos níveis de qualidade de vida da população residente na cidade de Catalão, tanto no passado quanto no presente.
Para se analisar a reestruturação recente do sudeste goiano, levou-se em conta, primeiramente, a localização e a inserção da região no contexto econômico, político e social no Centro-Oeste Brasileiro. Também, levou-se em conta a inserção da região no processo histórico de (re)produção do sistema capitalista. Neste sentido, segundo Becker (1982, p. 19) a região, no passado, se encontrava localizada na fronteira econômica do país. Por isto, era uma “região periférica em lento crescimento e de reserva para a expansão do sistema econômico”. Após ter visto ocorrer grande parte destas modificações nas suas estruturas políticas, econômicas e sociais, atualmente, ela é parte integrante das chamadas “regiões dinâmicas”. Nestas, como características marcantes, ocorrem processos de incorporação de territórios e de grande parte da população ao mercado produtor e consumidor. Portanto, é próprio do modo capitalista de produção agir desta forma, concentrando população e intensificando as relações capitalistas de produção aí verificadas.
Os momentos políticos e os estágios econômicos e sociais que marcaram, significativamente, a expansão capitalista pelo interior do país, ficaram evidenciados por transformações no comércio, na indústria, na agricultura e na área dos serviços em Catalão. Todas elas tiveram seus horizontes ampliados, com profundas mudanças no perfil do espaço econômico e social e, mesmo político.
Estas medidas de cunho político-administrativo, tomadas ao nível nacional, estadual e, até mesmo, internacional (por exemplo, o Projeto JICA)6, acabaram por impulsionar as forças produtivas e as relações de trabalho na região para um estágio mais avançado. Este processo estava relacionado a sobrevivência do capitalismo dependente desta constante (re)produção e (re)ocupação, que são distintas na forma de um espaço cada vez mais fragmentado, mas também que se apresenta homogeneizado e hierarquicamente estruturado. Isto tem sido obtido, sobretudo, através do consumo coletivo burocraticamente
6 Projeto do Governo Japonês que através da Agência Japon International Cooperation
Association, previa investimentos na agricultura e na pecuária como forma de transformar a região central do Brasil numa grande produtora e exportadora de alimentos.
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controlado, da diferenciação entre centros e periferias em escalas múltiplas, e da penetração do poder estatal no quotidiano das pessoas e nas condições de vida que elas tem para viver dignamente.
É neste sentido que se estabelece à interpretação da inserção da região a partir da configuração do capitalismo no Brasil, com sua “core” região, ou seja: um ponto no território nacional que se denominou chamar de triângulo industrial (São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte) por sua posição, localização e comando da vida nacional. Os impulsos oriundos desta parcela do território agem sobre o espaço, que comandam na forma de uma rede, criando uma “organização inter-empresas” em escala nacional através da emissão de capitais, tecnologia, mão-de-obra especializada, informação, produtos industrializados, etc. Essa infra-estrutura posta a serviço deste capital, formou uma malha que criou, internamente no país, as mesmas características das relações existentes entre os países do mundo, ou seja: relações políticas e econômicas que se configuraram em relações desiguais, criando espaços e sociedades heterogêneas quanto ao nível de qualidade de vida.
Em escala nacional, o processo de modernização das estruturas produtivas levou a uma urbanização que foi acelerada pela industrialização nas cidades e no campo. Esta rápida urbanização da população fez com que a problemática urbana se tornasse geopoliticamente cada vez mais importante. Para Bernardes (1989, p. 27) esta rápida urbanização foi entendida: “como um complexo processo de concentração espacial da população, associado ao desenvolvimento das forças produtivas, sendo indutor de mudanças não apenas nas atividades dominantes e no ambiente construído, mas também nos padrões de consumo de bens e serviços”. Por isto, a concentração de determinada porcentagem da população em uma determinada parcela do espaço traz, como conseqüência, a modificação nos padrões de relacionamento, na organização social interna e externa de espaços públicos e privados no meio urbano e na localização, interação e dispersão dos diferentes grupos sociais.
O papel representado pelo Estado brasileiro na tentativa de organizar os espaços urbanos em expansão teve, como conseqüência, a multiplicação de problemas socioeconômicos, políticos e ambientais em um nível de graves proporções que tem afetado a qualidade de vida dos antigos e novos habitantes de qualquer espaço urbano. Estes problemas de ordem infra-estruturais e sociais acumulados como passivos urbanos, principalmente, nas cidades médias e grandes, não foram solucionados no passado e não estão sendo no presente. Estas interferências, além de não resolver a situação do baixo nível da qualidade de vida de grandes parcelas das populações urbanas, têm influenciado, definitivamente, para a criação e a
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manutenção de cidades segregadas em função das acentuadas diferenças econômicas e sociais.
Neste contexto, a cidade de Catalão, influenciada por estes fatores, tem passado por um crescimento econômico e populacional significativo que culminou com uma (re) elaboração acentuada do seu espaço urbano e da qualidade de vida de sua população. Assim, a cidade de Catalão representa, regionalmente, embora em escala menor, o fenômeno da urbanização brasileira. Por isto, constitui um aspecto importante (tratado de forma especial no sub-capítulo a seguir), verificar como ocorreu o crescimento da sua população total e urbana, em uma nova dinâmica econômica e populacional que se iniciou em princípios da década de 1970 e se prolongou até os dias atuais.
A partir da década de 1970, a modificação de velhas estruturas produtivas e sociais verificadas através da expansão capitalista no campo7, teve como resultado, um rápido processo de urbanização da população rural que se caracterizou por profundas contradições nas estruturas sociais dos centros urbanos. As cidades da região sudeste de Goiás não fugiram a esta regra. Suas transformações foram, portanto, oriundas de políticas e arranjos institucionais desenvolvidos pelos governos brasileiros que visavam facilitar a ação do capital nos mais variados setores da vida nacional.
Este “progresso” verificado na forma de urbanização acelerada, modificando as relações sociais e as atividades econômicas, trouxe profundas mudanças para a estrutura da sociedade local e nos seus níveis de qualidade de vida. Neste sentido, a intensificação deste processo resultou em um aumento considerável nas já problemáticas áreas da saúde, da educação, do transporte, da habitação, do emprego, da comunicação, do transito e na estrutura da vida social etc.
Localmente, muitos destes encargos sociais recaíram sobre a administração municipal, que dado a insuficiência de recursos e de diretrizes administrativas, não conseguiu acompanhar, satisfatoriamente, o aumento crescente das carências de uma população que se urbanizava e, que, por isto mesmo, passava a exigir melhores condições de vida através da implantação de uma infra-estrutura urbana mais homogênea.
No município de Catalão, especialmente em sua parte nordeste, ocorreu a implantação do chamado capitalismo rural “modernizante e conservador”, através do
7Este fato pode ser avaliado comparando os dados do IBGE, sobre a utilização de fertilizantes nas atividades
agrícolas. Para se ter uma idéia das mudanças, em 1970, o uso médio de fertilizantes químicos por estabelecimento rural era de 122 quilos e o orgânico 36. Quinze anos após, em 1985 este número tinha saltado para 1198 e 1146 respectivamente. O mesmo fenômeno se deu em relação ao número de tratores (1970 – 26, 1975 – 110) e colheitadeiras (1970 – 5, 1975 – 27).
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estabelecimento intensivo de grandes e médios produtores rurais, vindos do sul e sudeste do Brasil, centros hegemônicos e de expansão de capitais no país. Estes empreendimentos incorporaram o espaço rural através do urbano no processo de acumulação e concentração do capital nos centros hegemônicos do país, com a importação da produção de matérias-primas locais, principalmente produtos agrícolas e minerais. Também, ocorreu a implantação de atividades comerciais e da prestação de serviços bancários que transferiram produtos e lucros provenientes da região para os centros nacionais, na forma de mais-valia adquirida nas relações de produção local.
A importância da transformação na estrutura agrária regional, conforme se encontra registrado na figura 10, mostra a profundidade das transformações no espaço rural entreo ano de 1970 e o de 1996. Automaticamente, as mudanças ocorridas no campo, sob o ponto de vista do encolhimento da área e do número de pequenas propriedades tiveram, principalmente na década de 1980, conseqüências diretas no elevado crescimento populacional verificado no espaço urbano de Catalão. Como conseqüência destes fatores, a estrutura fundiária do município apresentava, no ano de 1996, uma grande quantidade de pequenos estabelecimentos agropecuários com menos de 100 hectares que ocupavam uma área muito pequena. Por outro lado, existia um reduzido número de grandes propriedades com mais de 1000 hectares, que correspondiam a uma alta participação no conjunto das terras.
0 80 160 240 320 400 480 560 640 720 800 880 960 1040 1120 1200 1970 1980 1991 1996
até 100 hectares de 100 a 1000 hectares de 1000 a + hectares
Figura 10 – Número de estabelecimentos agropecuários de Catalão, por grupos
de área total entre 1970 e 1996.
Fonte: Censos Agropecuários: IBGE. 1970, 1980, 1991 e 1996. Org. Edir de P. Bueno.
A modernização das atividades rurais transformou a estrutura fundiária do município, provocando a concentração de terras em poucas propriedades e o aumento do parcelamento das pequenas propriedades. Isto aconteceu, principalmente, em função das baixas rendas obtidas com os produtos agrícolas durante os últimos 25 anos e dos incentivos concedidos por parte do Governo Federal à poupança e à especulação financeira. Esta fez com
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que muitos produtores rurais se desfizessem de suas propriedades, mudassem para as cidades da região e, posteriormente, se tornassem empobrecidos por terem se transformado em trabalhadores não qualificados que exerciam atividades no meio urbano, pouco rentáveis economicamente. Esta não qualificação profissional fazia com que as atividades desempenhadas fossem de baixa remuneração, não sendo, portanto, compatíveis com o custo e o modo de vida urbano.
Além das mudanças verificadas na estrutura fundiária, ocorreram também alterações importantes nas relações entre capital e trabalho. Assim é que Mendonça (2004) ao estudar as transformações sócio-econômicas na região de Catalão, constatou que a precarização das relações sociais constituía condição para o capitalismo se reproduzir. Segundo este estudioso estas relações se caracterizavam da seguinte forma:
A sociedade goiana, sertaneja, latifundiária e coronelista, apresentavam o trabalho assalariado em algumas atividades e, paralelamente, relações não-capitalistas de produção, através do “sistema de partilha” na pecuária e sistemas de parcerias e meação nas atividades agrícolas. Diversas profissões foram consagradas como essenciais à existência das atividades agropecuárias. As figuras do boiadeiro, do lavrador, do mascate, do carreiro, do ferreiro e do amansador de animais, entre outras, eram algumas das formas com que o trabalho se expressava, [...]”. (MENDONÇA, 2004, p. 265)
Por isto, a vida rural goiana até a implantação e predomínio da chamada modernização conservadora do campo nas décadas de 1960 a 1980, era marcada pelas relações sociais de trabalho precárias8, que ainda, no início do século XXI, persistem em poucas propriedades pequenas e médias. Uma condição típica destas relações precárias de trabalho era a exploração do trabalho familiar por parte do proprietário da terra, bem como pelo chefe da família que em muito afetava a condição de vida de seus membros.
De acordo com o Censo Agropecuário do IBGE em 1970, das 6.499 pessoas trabalhando na área rural, 4,9% eram crianças menores de 14 anos e 19,1% eram mulheres que não tinham seu trabalho remunerado. No Censo Agropecuário de 1980, das 3.990 pessoas ocupadas em atividades rurais, 11,5% tinham menos de 14 anos e 20,2% eram mulheres que se encontravam na condição descrita. Os dados presentes no último Censo Agropecuário de
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Os agregados eram camponeses/posseiros, que viviam num pedaço de terra e visavam à reprodução social da família. Já os parceiros, que normalmente viviam de forma precária nas áreas urbanas, normalmente, se dedica ao cultivo de pequenas glebas com o intuito de assegurar, parcamente, o sustento da família. Os retireiros, responsáveis pela produção leiteira, pelo fabrico do queijo e da manteiga, mas que tinha na atividade da cria e a recria do gado bovino a sua atividade principal. O companheiro é diarista, quase sempre um trabalhador da
terra, que trabalha ao lado do contratante para executar uma tarefa que exige maiores cuidados, daí a presença
constante do empregador. O peão solteiro é um trabalhador contratado, para exercer as atividades que exigem maior esforço físico, principalmente, na pecuária leiteira mediante a necessidade da ordenha manual. Destaca-se ainda o trabalhador de empreitada que eram empregados em serviços que exigem maior esforço físico e/ou maiores habilidades manuais que empregadas na construção de galpões, casas e/ou currais que, possuindo preço diferenciado, sua condição de vida geralmente são melhores (sic).
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1996, apontaram que das 5.609 pessoas ocupadas em atividades rurais no município, apenas 37,2% recebiam algum tipo de renda. Para se ter uma idéia da difícil condição de vida das pessoas residindo na zona rural do município em 1980 (em 32,5% das propriedades rurais), se contava apenas com a força humana em suas tarefas diárias. Os adultos e, principalmente, as crianças não tinham apenas suas vidas presentes comprometidas pelo trabalho pesado e cansativo das rotinas rurais mas, também tinham o seu futuro, já que cresciam longe das escolas, dos cuidados com a saúde e da higiene pessoal, como por exemplo, a escovação diária dos dentes.
Outro fato que chama a atenção nestas relações de trabalho precário, estava na questão da moradia pois, na grande maioria dos casos, as famílias dos trabalhadores rurais também residiam em habitações precárias. Estas, normalmente, eram de chão batido, com fogão a lenha em seu interior, com colchões feitos de palha de milho e de capim e telhado elaborado com folhas de palmeiras. Ou seja, não era só a condição de trabalho que era precária mas, também, a vida. As transformações econômicas ocorridas na agropecuária do município fizeram com que ocorressem mudanças importantes nesta situação. Hoje, a maioria do trabalho desenvolvido no meio rural está marcada por assalariamento e muito pouco destas relações de trabalho e condições de vida persistem. Neste contexto, pode-se considerar que, o processo de urbanização possibilitou a melhoria da qualidade de vida, uma vez que a moradia destes muitos ex-trabalhadores rurais passou, por exemplo, a contar com água tratada.
Estas transformações, entre tantas outras, ocorridas na região e no município de Catalão, podem ser melhor compreendidas, se forem comparados ao tipo de economia que era praticada pela população rural, até a década de 1960, quando se produziam poucos excedentes agro-pecuários e, aquela praticada no início do século XXI. No início da incorporação desta região periférica do sistema capitalista nacional, vivia-se na zona rural, próximo de um estilo semifeudal de produção. Isto ocorria porque, até a década de 1960, as propriedades rurais da região eram quase auto-suficientes. Dependiam da vida econômica das sedes municipais, em poucas coisas, tais como: a compra de sal, ferramentas em geral, venda de gado excedente etc. A produção agropecuária era quase que exclusivamente realizada pelos componentes da família e seus vizinhos. Somente os excedentes eram vendidos ou trocados na cidade por aquilo que era necessário para a travessia do ano, até a safra seguinte.
Com a penetração do capital financeiro industrial no espaço rural regional, estas condições de produção, atualmente não mais existem, porque a abertura de estradas, a melhorias dos meios de comunicação e os incentivos fiscais, alteraram a estrutura social e
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espacial das famílias da região, do município e da cidade de Catalão. Esta incorporação da região no processo capitalista recente, através da intensificação da produção e da distribuição de matéria-prima e produtos industrializados, fez com que quase desaparecessem os processos artesanais de produção familiar antes existentes.
Com a instalação de grandes propriedades agropecuárias, utilizando técnicas de cultivos altamente industrializadas, principalmente na parte nordeste do município de Catalão, fez com que a paisagem rural registrasse uma brusca transformação. Como se sabe as características físico-químicas do solo do cerrado são pobres em nutrientes minerais, sendo constituídos basicamente de sílica, alumina e óxido de ferro, que por isto são bastante ácidos. Por isto era considerado improdutivo ou explorado de forma precária (pecuária extensiva e produtos agrícolas para subsistência). Porém, com a introdução de novas técnicas agrícolas, imensas extensões de terra, tornaram-se viáveis para o cultivo das chamadas monoculturas de exportação, principalmente a soja e, em menor escala, o milho. Para o mercado interno coube o feijão. Estas transformações foram possíveis a partir da aplicação dos métodos produtivos caracterizados como sendo a “revolução verde”. Conforme Chaves (1992, p. 10) ela foi definida como: “[...] gestada internacionalmente sob o patrocínio de fundações privadas e governos dos países ricos, como uma estratégia veiculada ideologicamente como contribuição do sistema ao combate a fome no terceiro mundo”.
Mas, a concentração fundiária demonstrada na figura 10, caracteriza-se também pela intensificação do processo produtivo, a partir da aplicação de elevado índice tecnológico. Assim, apesar das constantes crises relativas às políticas agrícolas do governo federal para o setor, a agricultura tornou-se uma das principais pilastras da economia do município. A grande variedade de culturas é favorecida por alguns fatores tais como: solos profundos típicos do cerrado e de fundos de vale, clima favorável, topografia plana, abundância de cursos d'água e a posição geográfica dentro da área de economia com maior dinamicidade no contexto nacional, etc. A planura do cerrado desta parte do Brasil central possibilitou ainda, o cultivo da soja e do milho em larga escala e, principalmente, em aspecto recente, a utilização dos pivôs centrais para a irrigação do feijão e do trigo.
Na agricultura do município outros produtos também merecem destaque, dentre eles: arroz, feijão, trigo, café, cana-de-açúcar, laranja, banana, mandioca, abacate, abacaxi, manga, tomate, hortaliças e legumes, que são cultivadas em escala comercial. A diversidade de culturas tem grande importância econômica, uma vez que têm contribuído para elevar a renda do produtor, renda esta que em sua maior parte serve para aquecer a construção
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civil e o comércio, além de atualmente absorver um significativo contingente de trabalhadores residentes na cidade de Catalão.
A análise efetuada dos dados sobre a agricultura no município a partir dos intervalos de tempo dos Censos Agropecuários (1970, 1980 e 1991) e a previsão de safra de do IBGE para 2000, possibilitou uma melhor compreensão do comportamento da área utilizada e da produção entre 1970 e 2000. Assim, entre 1970 e 80, ocorreu uma pequena redução na área plantada, mas a produção agrícola sofreu uma forte redução no seu total devido a uma colheita menor de milho (-26,4%) e de cana-de-açúcar (-89,6%). A forte redução na cana-de-açúcar foi devido ao fato de que a Usina Martins, que produzia açúcar e