Alguns autores acreditam que aspectos da tarefa desempenhada pelo indivíduo podem ter um papel importante na percepção de conforto/desconforto do usuário (GROENESTEIJIN et al 2009)
Estes avaliaram os efeitos dos controles de cadeiras de escritório, do ângulo do assento e do encosto e o design em relação às tarefas desempenhadas pelos usuários e concluíram que para projetar é importante saber o que as pessoas fazem. Observar e aplicar questionários e entrevistas com usuários finais são importantes métodos para melhorar os produtos.
Estudos de conforto tendo como método a análise da atividade do usuário são freqüentes na indústria de veículos pesados (caminhões). Em um estudo de Tan et al (2008) foram levantadas as principais técnicas objetivas de mensuração do desconforto. A literatura mostrou que o método de mapeamento de pressão é o mais utilizado entre os pesquisadores, por fornecer dados facilmente quantificáveis, que podem indicar as áreas que estão contribuindo para o desconforto nos estágios iniciais do processo de design. Medidas de postura também podem ser utilizadas para detectar mudanças de posturas dos motoristas de caminhões efetivamente, sendo a mudança freqüente de postura um grande indicador de desconforto. Da mesma forma, medidas fisiológicas como ritmo cardíaco e muscular (através da eletromiografia) podem medir o conforto de poltronas objetivamente.
Além deste estudo, Seigler (2002) realizou uma outra pesquisa na qual comparou duas poltronas para caminhões, uma constituída por espuma de poliuretano e revestimento de poliéster, poltrona comumente utilizada, e uma poltrona constituída por estofamento inflável. As poltronas foram avaliadas quanto à medidas de vibração e distribuição da pressão e os resultados mostraram que a poltrona de estofamento inflável fornece maior conforto ao motorista, uma vez que atenua a vibração e auxilia na distribuição uniforme da pressão.
Estudos em poltronas de operadores (tratores, por exemplo) também são comuns. Eles mostram que muitos fatores podem influenciar o conforto sentado, tais como o suporte postural fornecido ao corpo, a distribuição da pressão e as propriedades térmicas. Os julgamentos de desconforto sentado são influenciados por características estáticas da poltrona (por exemplo, dureza do estofado) e características dinâmicas (por
exemplo, vibração). Quando a vibração é baixa, as avaliações de desconforto são dominadas pelas características estáticas da poltrona. Ao contrário, quando o nível de vibração aumenta, o desconforto é mais influenciado por esta (EBE, GRIFFIN, 2000). Existem normas que estabelecem as dimensões ótimas para poltronas de tratores, como a ISO 4253 (1003), mas de acordo com DHINGRA, TEWARI, SINGH (2003), não há uma poltrona ideal capaz de fornecer suporte à todas as posturas assumidas pelo operador durante seu trabalho, ressaltando a importância de se analisar a atividade do mesmo.
Na indústria automobilística, de acordo com Kyung, Nussbaum, Babski-Reeves (2008), falar de conforto para motoristas de automóveis é diferente de falar de conforto em cadeiras de escritório, uma vez que a primeira envolve maiores restrições da postura em um espaço mais limitado, várias atividades de controle e inclui ainda o fator vibração, que pode levar à desordens músculo-esqueléticas.
Na indústria ferroviária, é relevante o estudo de Bronkhorst, Krause (2005), que se destacou pela metodologia utilizada para projetar poltronas confortáveis para passageiros de trens. O projeto se iniciou com a observação do comportamento dos passageiros durante a viagem. Algumas medidas foram feitas para monitorar as atividades dos mesmos, suas posturas, tamanho e movimentos. Das 1700 observações, as quatro atividades mais freqüentes foram selecionadas, bem como as características antropométricas essenciais.
Um tipo particular de poltrona, tratada como S1 e tida como preferida dos passageiros, foi escolhida para servir de benchmark. Esse tipo de poltrona foi testada com o tipo de poltrona mais velha (S2) que foi usada durante as observações de campo. Dezoito sujeitos, selecionados de acordo com as características antropométricas encontradas no estudo de campo participaram do teste, representando os usuários finais. Eles foram induzidos a sentar em posições semelhantes àquelas adotadas durante as tarefas do estudo de campo.
Questionários foram usados para perguntar aos sujeitos do teste sobre várias partes da poltrona (assento, apoio lombar, etc). Modificações foram feitas na poltrona S1 baseadas nas informações do questionário. Na fase três do estudo, as modificações do S1 foram testadas por um grupo de novos sujeitos para confirmar ou ajustar o projeto. Os fabricantes construíram um protótipo da nova poltrona, conhecida como S3. Na próxima fase, o protótipo S3 foi testado contra o S1 no laboratório em um período de longa duração, além de feita uma comparação pareada para checar os efeitos da nova
poltrona no conforto dos passageiros. Os resultados mostraram que 83,3% das pessoas preferiram a poltrona S3 em relação à S1 (16,7%), comprovando a eficácia da metodologia adotada na pesquisa.
Outro estudo proposto por Branton, Grayson (1967), também na indústria ferroviária, utilizou uma metodologia interessante para estabelecer um modelo de análise de poltronas de trem. Para isso, o comportamento sentado de viajantes de trem foi registrado através de duas técnicas: primeiro, 5000 observações de posturas sentadas foram feitas durante viagens de 5 horas usando um método de codificação. Cada postura foi representada por um total de 4 figuras: a primeira figura referia-se à posição da cabeça, a segunda do tronco, a terceira dos braços e a quarta das pernas. Depois, filmagens foram feitas de uma amostra de 18 sujeitos viajando na mesma rota. Dois tipos de poltronas foram estudadas e diversos fatores foram analisados para estabelecer as comparações: a freqüência de ocorrência de certas posturas, o tempo que determinada postura era tolerada pelo sujeito, o número de mudanças de postura, o uso dos fatores da poltrona e a seqüência de posturas. Os resultados do estudo mostraram que o grau de estabilidade que uma poltrona oferece pode ser aferido observando as atividades compensatórias por parte do sujeito que está sentado, como por exemplo, a modificação da postura.
Para Han et al (1998), o conforto do passageiros de trens depende não somente do espaço alocado entre as poltronas mas também das atividades desenvolvidas pelos mesmos. No desenvolvimento de sua pesquisa um questionário foi conduzido para levantar atividades representativas de um passageiro de trem. As atividades foram divididas em categorias: trabalhar, comer, dormir, conversar com os companheiros, ler jornais ou revistas, ouvir música ou viajar sem nenhuma atividade especial (relaxar). Estas atividades foram classificadas em três grupos de acordo com a postura adotada durante a atividade: postura ereta, postura relaxada que requer mais espaço e postura estendida que requer o máximo de espaço para a atividade confortável. As atividades que exigiam postura ereta foram trabalhar e comer; as que exigiam postura relaxada foram ler e conversar e as que exigiam postura estendida foram dormir, relaxar e ouvir música. Na medida em que o ambiente restringe a execução das atividades, seja por não permitir a adoção da postura adequada, seja por impedir a realização da mesma por outro motivo, o passageiro tende a perceber o conforto de maneira diferente.