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O primeiro objetivo específico pretendeu investigar a percepção de docentes sobre a espiritualidade em uma instituição de ensino superior em Olinda – PE, à luz do modelo de Rego; Cunha; Souto (2005).

Esses resultados permitem ver que realmente essa IES pode ser considerada uma organização onde se percebe espiritualidade, tendo em vista os depoimentos que apontam para o envolvimento, relacionamento, sentimento de satisfação, prazer e alegria, sentimentos esses que favorecem o clima organizacional nesse ambiente de trabalho (cf. Quadro 5).

Pode-se observar que os docentes percebem a ‘alegria no trabalho’, nesta Instituição. Para eles, ela demonstra um clima saudável, prazeroso e aconchegante, que permite entrosamento e até mesmo o desenvolvimento de laços afetivos; é capaz de revigorar forças e energia.

Para essas pessoas, o trabalho é um motivo para a alegria nas atividades em que desenvolvem quotidianamente (REGO; CUNHA; SOUTO, 2005). Pode-se pensar que esses docentes encontram satisfação naquilo que fazem, uma vez que isto concorre para lhes deixar mais felizes, conforme os dados indicam (LAMA; CUTLER, 2004).

Constata-se também que os entrevistados percebem o ‘sentido de comunidade na equipe’, nessa IES. Segundo os depoimentos, há um bom relacionamento e entrosamento entre eles; declaram haver, ainda, apoio e suporte mútuo entre os colegas de trabalho. Para Ashmos e Duchon (2000) esse tipo de relacionamento assemelha-se a uma comunidade.

Para os docentes que participaram desta pesquisa, essa IES lhes provê um ambiente no qual se tem a ‘oportunidade para a vida interior’. Eles fazem referência a um ambiente agradável, que lhes permite se aproximar da natureza; falam de um ambiente saudável e que proporciona boa energia. Por fim, refere-se à oportunidade de realizar sonhos, tal como afirmam Rego; Cunha; Souto (2005), quando definem espiritualidade em organizações.

Outra característica identificada nessa Instituição é o

alinhamento de valores’ que há entre os seus e aqueles da IES. Pelas respostas pode-se constatar que os docentes declaram gostar dessa IES e de seus trabalhos; reconhecem ter carinho por ela e sentem fazer parte da mesma, além de reconhecê-la como parceira. Para Dehler (1994) e Hawley (1995) é importante o alinhamento entre os valores da organização e do indivíduo e isto denota a espiritualidade de uma organização (REGO; CUNHA; SOUTO, 2005).

Finalmente reconhecem o ‘sentido de serviço à comunidade’ presente nessa IES, significando que o trabalho para eles não significa apenas sobrevivência, mas a realização de sonhos. Todos esses depoimentos podem ser conferidos no Quadro 5.

Quadro 5 - Espiritualidade na IES

Espiritualidade

Sentido de comunidade na equipe

- “Eu não sei se sou eu ou as pessoas, mas eu não tenho dificuldade em me

relacionar [...]” (E1).

- “[...] quando eu não posso por algum motivo eu peço ajuda e sinto esse

suporte acho que a gente se (sic) dá muito suporte um ao outro” (E3). - “[...] assim me dou muito bem com todos; tenho facilidade de

entrosamento do modo geral é agradável estar aqui” (E4).

- “[...] sempre fui bem recepcionada e atendida quando havia necessidade [...]” (E7).

- “[...] isso aqui para mim é uma segunda família [...] nós damos suporte ao

outro, é um ambiente muito acolhedor” (E9).

- “Fazer parte deste grupo é uma satisfação porque o entrosamento com todos é muito bom” (E14).

- “O clima no sentido de apoio é muito bom o sentimento de parceria e

apoio então estou feliz trabalhando aqui que forma de fato um time” (E20). - “[...] eu encontrei uma família é... eu me senti assim me senti acolhida no primeiro momento [...]” (E22).

Alinhamento com os valores da organização

- “[...] eu gosto eu me sinto bem aqui, por que trabalho durante o dia em um ambiente muito pesado ‘delegacia ‘ é bem pesado então eu saio de ambiente pesado e venho para um ambiente digamos assim mais leve [...]” (E2). - “[...] eu gosto muito da docência e isso me faz bem” (E3).

- “O sentimento de fazer parte deste grupo é [...] sinto muita satisfação; me sinto (sic) muito bem” (E9).

- “[...] fiz colegas aqui e me sinto bem e gosto de trabalhar aqui [...] tenho um carinho muito grande pela IES” (E15).

- “[...] acho que a Faculdade tem um elo de parceria com o colaborador; é uma família” (E19).

Sentido de préstimo à comunidade

- “Sempre venho para Faculdade muito satisfeita [...] me sinto útil no que eu faço” (E11).

- “É um sentimento... eu tenho um sentimento de pertencimento eu tenho satisfação e realização com o trabalho [...] é ter consciência que estar

formando cidadãos” (E21).

Alegria no trabalho

- “[...] aqui tem um clima muito saudável as pessoas são muito boas compartilham muito bem com informação até agora estou muito bem” (E1). - “[...] eu estou gostando muito da faculdade e aqui ela tem uma coisa de

aconchego [...]” (E2).

- “[...] eu me sinto muito bem nessa instituição, há um entrosamento, por conta dos laços afetivos [...]” (E3).

- “Para mim é um prazer sinceramente passo o dia todo trabalhando, mas quando chega o momento que (sic) eu venho ministrar minha aula eu venho

com muita energia [...]” (E4).

- “[...] sinto prazer, aqui eu me sinto satisfeito” (E6).

- “Prazer alegria por que tenho um grupo me esperando, a sala sempre teve (sic) cheia. Então o fato de eu saber que tenho aquele grupo me esperando muito me alegra então eu ensino com muito prazer” (E7).

- “A Faculdade ela me dá uma renovação, eu posso estar cansado, mas quando venho para cá dar aula é como se eu revigorasse as forças meio que recarregar as baterias” (E8).

- “[...] quando eu chego tem sempre um clima amistoso” (E10). - “É extremamente prazeroso estar aqui; eu me sinto em casa” (E12). - “[...] quando venho para cá eu venho feliz e com satisfação” (E17).

Oportunidade para a vida interior

- “É muito bom vim para Faculdade venho feliz e tranquilo [...]” (E1). - “[...] todo mundo me deixa muito bem, assim, eu gosto do ambiente adoro

a área externa o mar vim pra aqui eu adoro” (E2).

- “[...] tem uma energia muito boa na faculdade na sala dos professores na coordenação acho que isso ajuda eu (sic) vim bem” (E3).

- “[...] eu não me sinto no ambiente competitivo eu acho que trabalhamos no

ambiente muito saudável [...]” (E5).

- “Para mim é uma experiência muito boa porque foi minha primeira experiência na instituição de ensino superior e estou muito feliz porque estou

entrando na área que sempre quis que é lecionar” (sic) (E16).

- “[...] um ambiente muito saudável; o respeito é muito grande a gente conversa [...]”. (E21).

- “[...] gosto dos professores também é até porque eu acho que não existe aquela coisa obscura aquela... Não sei disputa... É acho que não existe não... Aqui não existe, eu acho que aqui as pessoas são amigáveis e... Pelo menos eu sinto assim [...]” (E22).

Fonte: Dados da pesquisa, 2013.

Interessante e que valoriza este trabalho, foi o fato de ter surgido outro fator dentre aqueles citados por Rego; Cunha; Souto (2005): o ‘sentido de gratidão’ o qual está associado ao reconhecimento de um favor prestado a si, pela IES (cf. Quadro 6).

Quadro 6 – Nova Espiritualidade na IES

Espiritualidade

Sentido de gratidão

- “[...] que eles me acolheram a primeira vez mesmo sem experiência me deram essa oportunidade. Eu acho que tenho um pouquinho de débito com a Faculdade” (E2).

- “[...] tenho é um pouco de favor por ela ter me acolhido sem experiência” (E2).

- “[...] me sinto acolhido não percebo nenhum elemento lingüístico que me aponte o contrário, até porque a Faculdade abriu as portas para mim” (E6). - “[...] às vezes fico chateada com algumas coisas [...] mas depois [...] já estou há muito tempo aqui [...] devo muita coisa a esta Faculdade” (E9). - “[...] tenho muito o (sic) que agradecer [...] a instituição me deu apoio no inicio da minha carreira [...] isso para mim é muito importante” (E12). - “[...] procuro agradecer sempre por tudo que a instituição fez por mim [...] no inicio da minha escolha para ser docente” (E19).

Fonte: Dados da pesquisa, 2013.

Percebe-se a gratidão dos docentes pela Instituição, pois eles acreditam que o fato dela ter dado oportunidade para se desenvolverem profissionalmente e as suas atividades é o suficiente para permanecerem na IES. Esse resultado vai ao sentido daquilo que afirma Vasconcelos (2008) quando diz que a solidariedade, respeito e consideração são traços marcantes da espiritualidade no trabalho.

Os resultados encontrados nesta pesquisa conduzem à uma conclusão sobre espiritualidade nessa organização, tal como a fundamentação teórica indica: valor de comunidades segundo Duffy (2006). Nos diversos relatos dos docentes identificam-se sentimentos referentes a: compartilhamento, valorização, cuidado, respeito, conhecimento, alegria, prazer e energia; consequentemente espera-se como resposta um comportamento direcionado ao sentimento de pertencer, fruto, certamente de uma situação onde tudo indica que haja alinhamento entre os valores da organização e dos indivíduos (HAWLEY, 1995).

Corroborando Ashmos e Duchon (2000) confirmam que espiritualidade também significa poder encontrar uma oportunidade no trabalho para expressar aspectos do ‘ser’, mas não apenas a capacidade para executar tarefas físicas ou intelectuais, mas principalmente, a oportunidade de se desenvolver com indivíduo.

Benzer Belgeler