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2012

Utilizando a metodologia explicitada anteriormente, com a base de dados extraída da STN, mais especificadamente, dos dados consolidados da Execução Orçamentária dos Estados, se construiu índices de capacidade de investimento, por meio de equações cujas variáveis foram retiradas do Balanço Orçamentário Estadual. O trabalho foi realizado através de fórmulas elaboradas nas planilhas do Microsoft Excel, onde posteriormente os índices obtidos, foram importados para o Software livre R-Project versão 3.1.1, com o intuito de criar gráficos expositivos dos estados e das regiões do país. Os resultados estão especificados abaixo.

Observando o Gráfico 04, que retrata os resultados do Índice de Capacidade de Investimentos com Recursos Próprios de 2002 a 2012, vale ressaltar que em média os estados do Brasil apresentam um baixo índice de capacidade de investimento com recursos próprios (ICI-RP), ou seja, uma reduzida poupança líquida interna em nível estadual, concentrando-se na faixa de 0,25 e 0,5. A poupança reduzida dos estados decorre principalmente do elevado nível de endividamento contraído antes e durante o período de análise.

Não ultrapassaram o baixo índice de capacidade de investimento com recursos próprios (ICI-RP) durante toda a série histórica os estados de(o): Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins. Ou seja, quase metade dos estados brasileiros apresentam uma capacidade de investimento com recursos próprios baixa, sem nenhum pico, acima ou igual a 0,5, sendo quase que linear ao longo da série.

No outro extremo, existem poucos estados com alto índice de capacidade de investimento com recursos próprios, concentrando-se entre 0,75 e 1. Nesta faixa alguns estados conseguiram chegar, no entanto, não permaneceram por muitos anos, são eles, Minas Gerais de 2007 a 2010, com 0,78, 0,89, 0,78 e 0,85 respectivamente; e São Paulo de 2002 a 2007, com 0,82, 0,81,0,87, 0,95, 1,00 e 0,87. Vale ressaltar que, o estado de

São Paulo teve uma queda considerável nos anos posteriores. Cabe observar que, devido a metodologia utilizada, este estado atingiu o índice 1,00 em 2006, por possuir o maior valor amostral e índice 0,00 em 2012 devido ser o menor valor da mostra. Os demais estados não citados, bem como alguns que já foram citados anteriormente encontram-se oscilando entre a faixa baixa de 0,25 a 0,5, e média de 0,5 a 0,75.

Em relação ao estado do Ceará avaliado neste período, observa-se que este apresentou no período de 2002 a 2011 um baixo índice de capacidade de investimento com recursos próprios, oscilando na faixa de 0,42 a 0,49, no entanto no ano de 2012 ele apresentou um salto quantitativo para 0,54, mudando de faixa, atingindo um nível médio de capacidade de investimentos com recursos próprios. Tal situação reflete o esforço do estado em controlar os gastos de caráter corrente, bem como da criação de políticas de estímulo à arrecadação e geração de poupança interna.

Cabe destacar que, o alto nível de endividamento, bem como o elevado nível de gastos correntes, comprometem enormemente a capacidade de investir com recursos próprios pelos estados, sendo esta a melhor forma de gerar crescimento e desenvolvimento no longo prazo para os estados de um país.

O Quadro 2 traz um panorama evolutivo geral dos dados do Gráfico 4, complementando a análise com a média anual da capacidade de investimentos com recursos próprios em nível de regiões do país. Observando a evolução em termos regionais, a região Norte em média oscilou de 2002 a 2012 entre 0,41 e 0,46; a região Nordeste entre 0,42 e 0,49; a região Centro Oeste entre 0,42 e 0,50; a região Sudeste entre 0,41 e 0,66 e a região Sul entre 0,47 e 0,60.

O Gráfico 05 abaixo retrata o mapa do ICI-RP de 2002 a 2012, reforçando os índices citados acima, bem como traçando visualmente as mudanças temporais destes em nível estadual e regional. Durante os anos iniciais da série, as Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste estiveram sempre um baixo nível de investimento com recursos próprios, porém ao longo do período analisado tal situação reverteu-se, onde estados destas regiões alcançaram uma média capacidade. Por sua vez, estados das Regiões Sudeste e Sul que apresentavam médio e alto nível de capacidade de investimento,

retrocederam, caindo consideravelmente neste indicador, dentre eles, o estado do São Paulo, que ao longo da série apresentou resultados degradantes, em virtude dentre outros fatores, do elevado nível de endividamento.

Gráfico 04 – Índice de Capacidade de Investimento com Recursos Próprios – 2002 a 2012

Quadro 2 – Resultados do ICI-RP por Estados e Regiões de 2002-2012

Fonte: Elaboração Própria com dados da STN

REGIÃO NORTE 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 Acre 0,40 0,40 0,40 0,41 0,41 0,41 0,42 0,41 0,40 0,41 0,41 Amapá 0,40 0,40 0,40 0,41 0,41 0,41 0,42 0,41 0,42 0,43 0,43 Amazonas 0,43 0,42 0,43 0,43 0,44 0,46 0,48 0,44 0,46 0,47 0,47 Pará 0,44 0,45 0,45 0,45 0,45 0,44 0,46 0,45 0,46 0,52 0,58 Rondônia 0,40 0,40 0,40 0,41 0,41 0,42 0,43 0,42 0,43 0,43 0,42 Roraima 0,40 0,40 0,40 0,41 0,41 0,40 0,41 0,41 0,41 0,49 0,41 Média Anual (Região) 0,41 0,41 0,42 0,42 0,42 0,42 0,44 0,42 0,43 0,46 0,45

REGIÃO NORDESTE 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 Alagoas 0,40 0,40 0,40 0,42 0,43 0,44 0,45 0,43 0,44 0,43 0,43 Bahia 0,48 0,48 0,47 0,51 0,53 0,51 0,53 0,50 0,56 0,54 0,60 Ceará 0,42 0,43 0,43 0,44 0,44 0,47 0,49 0,47 0,49 0,48 0,54 Maranhão 0,42 0,40 0,43 0,45 0,46 0,48 0,48 0,48 0,46 0,46 0,51 Paraíba 0,42 0,42 0,41 0,42 0,43 0,43 0,43 0,45 0,45 0,47 0,48 Pernambuco 0,45 0,45 0,46 0,49 0,50 0,47 0,49 0,47 0,50 0,50 0,48 Piauí 0,40 0,40 0,41 0,42 0,41 0,40 0,42 0,42 0,44 0,41 0,43 Rio Grande do Norte 0,42 0,42 0,43 0,43 0,43 0,42 0,43 0,43 0,44 0,43 0,45 Sergipe 0,42 0,41 0,41 0,43 0,42 0,44 0,45 0,43 0,43 0,41 0,45 Média Anual (Região) 0,42 0,42 0,43 0,45 0,45 0,45 0,46 0,46 0,47 0,46 0,49

REGIÃO CENTRO OESTE 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012

Distrito Federal 0,46 0,43 0,44 0,45 0,47 0,49 0,51 0,46 0,51 0,46 0,53 Goiás 0,43 0,45 0,45 0,46 0,46 0,48 0,51 0,51 0,45 0,56 0,62 Mato Grosso 0,41 0,42 0,44 0,44 0,45 0,45 0,46 0,45 0,48 0,45 0,48 Mato Grosso do Sul 0,41 0,41 0,41 0,40 0,41 0,41 0,43 0,42 0,43 0,40 0,45 Tocantins 0,42 0,42 0,42 0,43 0,43 0,43 0,44 0,43 0,44 0,43 0,44 Média Anual (Região) 0,43 0,42 0,43 0,44 0,44 0,45 0,47 0,45 0,46 0,46 0,50

REGIÃO SUDESTE 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012

Espírito Santo 0,44 0,45 0,47 0,46 0,47 0,49 0,50 0,47 0,50 0,53 0,64 Minas Gerais 0,49 0,53 0,62 0,68 0,72 0,78 0,89 0,78 0,85 0,70 0,70 São Paulo 0,82 0,81 0,87 0,95 1,00 0,87 0,41 0,40 0,50 0,23 0,00 Rio de Janeiro 0,56 0,58 0,52 0,33 0,45 0,42 0,48 0,36 0,50 0,39 0,30 Média Anual (Região) 0,58 0,59 0,62 0,61 0,66 0,64 0,57 0,50 0,59 0,46 0,41

REGIÃO SUL 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012

Paraná 0,48 0,50 0,50 0,51 0,54 0,56 0,60 0,60 0,63 0,66 0,66 Santa Catarina 0,44 0,44 0,47 0,48 0,41 0,45 0,48 0,55 0,58 0,70 0,64 Rio Grande do Sul 0,49 0,57 0,55 0,57 0,59 0,60 0,63 0,36 0,34 0,29 0,49 Média Anual (Região) 0,47 0,50 0,51 0,52 0,51 0,53 0,57 0,50 0,52 0,55 0,60

Gráfico 05 – Mapa Evolutivo do ICI - RP – 2002 a 2012

Gráfico 06 – Índice de Capacidade de Investimento com Recursos de Terceiros – 2002 a 2012

Quadro 3 – Resultados do ICI-RT por Estados e Regiões de 2005-2011

Fonte: Elaboração Própria com dados da STN

REGIÃO NORTE 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Acre 0,36 0,36 0,38 0,39 0,40 0,40 0,41 Amapá 0,37 0,38 0,40 0,42 0,41 0,41 0,43 Amazonas 0,47 0,49 0,52 0,57 0,54 0,59 0,65 Pará 0,48 0,52 0,55 0,61 0,63 0,68 0,74 Rondônia 0,36 0,37 0,39 0,41 0,41 0,43 0,46 Roraima 0,34 0,35 0,36 0,37 0,36 0,37 0,40

Média Anual (Região) 0,40 0,41 0,43 0,46 0,46 0,48 0,52

REGIÃO NORDESTE 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Alagoas 0,29 0,29 0,31 0,31 0,32 0,33 0,35 Bahia 0,51 0,57 0,65 0,73 0,77 0,91 1,00 Ceará 0,47 0,51 0,54 0,60 0,64 0,68 0,72 Maranhão 0,35 0,38 0,41 0,46 0,47 0,51 0,58 Paraiba 0,39 0,40 0,43 0,46 0,47 0,50 0,54 Pernambuco 0,49 0,55 0,60 0,68 0,70 0,77 0,86 Piauí 0,36 0,37 0,39 0,43 0,44 0,46 0,48

Rio Grande do Norte 0,43 0,46 0,47 0,50 0,51 0,54 0,56

Sergipe 0,39 0,40 0,42 0,46 0,46 0,48 0,48

Média Anual (Região) 0,41 0,44 0,47 0,51 0,53 0,58 0,62

REGIÃO CENTRO OESTE 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011

Distrito Federal 0,55 0,59 0,64 0,70 0,73 0,77 0,84

Goiás 0,31 0,31 0,37 0,42 0,45 0,46 0,54

Mato Grosso 0,38 0,39 0,42 0,48 0,51 0,54 0,58

Mato Grosso do Sul 0,31 0,32 0,35 0,38 0,39 0,39 0,41

Tocantins 0,40 0,41 0,43 0,46 0,46 0,47 0,50

Média Anual (Região) 0,39 0,40 0,44 0,49 0,51 0,53 0,57

REGIÃO SUDESTE 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011

Espírito Santo 0,48 0,50 0,54 0,60 0,59 0,62 0,69

Minas Gerais 0,14 0,21 0,20 0,27 0,29 0,27 0,31

São Paulo 0,00 0,12 0,30 0,38 0,59 0,62 0,75

Rio de Janeiro 0,32 0,41 0,39 0,49 0,44 0,55 0,66 Média Anual (Região) 0,24 0,31 0,36 0,44 0,48 0,52 0,60

REGIÃO SUL 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011

Paraná 0,44 0,47 0,52 0,52 0,56 0,69 0,81

Santa Catarina 0,38 0,40 0,46 0,51 0,53 0,56 0,66 Rio Grande do Sul 0,13 0,13 0,11 0,13 0,19 0,21 0,22 Média Anual (Região) 0,32 0,33 0,36 0,39 0,43 0,49 0,56

Gráfico 07 – Mapa do ICI - RT – 2002 a 2012

Observando o Gráfico 06, que detalha os resultados do Índice de Capacidade de Investimento com Recursos de Terceiros (ICI-RT), temos que a grande maioria dos estados oscilam entre uma baixa e média capacidade de investimento ou de endividamento, compreendendo-se na faixa de 0,25 a 0,5 (baixa) e 0,5 a 0,75 (média),

Convém ressaltar que, na contramão, os estados mais endividados do país encontram-se nas faixas 0,00 a 0,25 (muito baixas) e 0,25 a 0,5 (baixas), com picos em alguns anos na faixa de 0,5 a 0,75 (média) capacidades. Neste caso enquadram-se, os estados de Minas Gerais, oscilando de 0,14 a 0,31 de 2005 a 2011, onde apenas em 2011 teve uma média capacidade, Rio Grande do Sul, oscilando de 0,11 a 0,22 e Alagoas oscilando de 0,29 a 0,35. Nos casos de Minas Gerais e Rio Grande do Sul o motivo é a trajetória ascendente da dívida bruta ou consolidada. Já em relação ao estado de Alagoas, além do avanço da dívida bruta, o baixo dinamismo da Receita Corrente Líquida é o fator explicativo para tal situação.

Nos casos de São Paulo e Rio de Janeiro a evolução da capacidade de investimento é notória. Em São Paulo o índice oscilou de 0,00 (o menor valor da mostra) para 0,75 no ano de 2011. Tal avanço de deu pelo mais que proporcional aumento da Receita Corrente Líquida quando comparada a Dívida Consolidada. Sendo essa também, a mesma justificativa para o estado do Rio de Janeiro, que saiu de um índice de 0,32 em 2005 para 0,66 em 2011, possuindo uma média capacidade de investimento com recursos de terceiros para este ano.

No caso do estado do Ceará, avaliado neste período, observa-se uma mudança na capacidade de investimento com recursos de terceiros, com índices que variam de 0,47 a 0,72, seguindo uma trajetória ascendente, um esforço realizado pelo estado para aumentar a receita corrente líquida bem como reduzir a sua dívida fundada. Ou seja, o estado possui capacidade potencial para aumentar o seu nível de investimento, utilizando- se para isso, de operações de crédito com terceiros, porém conforme explicitado anteriormente, existem uma série de exigências contratuais e/ou legais a se seguir para que se possa contrair tais empréstimos.

O Quadro 3 traz um panorama evolutivo geral dos dados do Gráfico 6, complementando a análise com a média da capacidade de investimentos com recursos de terceiros em nível de regiões do país. Observando a evolução em termos regionais, a região Norte em média oscilou de 2005 a 2011 entre 0,40 a 0,52; a região Nordeste entre 0,41 e 0,62; a região Centro Oeste entre 0,39 e 0,57; a região Sudeste entre 0,24 e 0,60 e a região Sul entre 0,32 e 0,56.

O Gráfico 07 acima retrata o mapa do ICI-RT de 2005 a 2011, reforçando os índices citados acima, bem como traçando um visual das mudanças temporais destes em nível estadual e regional. Cabe observar que, no ano de 2005, praticamente todos os estados do país concentravam-se nas faixas de muito baixa e baixa capacidade de investimento com recursos de terceiros, com exceção do estado da Bahia, que apresentava uma média capacidade nos anos de 2005 a 2008, apresentando a partir daí uma elevada capacidade. O motivo principal foi a eficiência arrecadatória medida pela Receita Corrente Líquida e o controle eficiente da dívida consolidada.

Já em 2011, último ano da análise, a divisão por faixa apresenta-se da seguinte forma: alta capacidade de investimento (São Paulo, Paraná, Bahia e Pernambuco), média capacidade de investimento (Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Maranhão, Amazonas, Pará, Mato Grosso, Goiás, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Santa Catarina), baixa capacidade de investimento (Roraima, Amapá, Acre, Rondônia, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Piauí, Sergipe, Alagoas e Minas Gerais) e muito baixa capacidade de investimento (Rio Grande do Sul).

Vale ressaltar que, a capacidade de investimentos originária de recursos de terceiros é uma medida potencial, que pode ser utilizada se necessário, observando-se do ponto de vista legal, devido os limites impostos pela LRF, a poupança pública futura a ser gerada, no entanto, tal indicador é dependente da capacidade de investimentos com recursos próprios, uma vez que, o princípio do equilíbrio do Balanço Orçamentário entre as receitas e despesas é fator primordial quando se busca realizar investimentos públicos em uma perspectiva de crescimento de longo prazo.