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3. MATERYAL VE YÖNTEM

3.2. Sonlu Elemanlar Analizi

Bianca percebe a mulher trabalhadora na revista Lola como bem sucedida, “parece que é escolhida a dedo”, mas antes mesmo de ser questionada, analisa que não é possível saber se a mulher estampada na revista é bem sucedida pessoalmente. Segundo ela, faz-se uma “marketing” pessoal com algumas mulheres famosas, como a Angélica, cita, que faz as pessoas acreditarem que ela é bem sucedida profissionalmente. Porém, segundo Bianca, as revistas não falam da pessoa pela sua vida pessoal, e sim pela profissional. Ela analisa ainda, que geralmente quando se fala da vida pessoal é “meio fake, meio falso” e “se pessoalmente ela é bem sucedida, isso pra mim não fica claro”, afirma.

Ao longo da conversa Bianca demonstrou conhecer muito bem a revista, apontou nas edições textos que leu, colaboradores que gosta, teceu comentários sobre conteúdos, fotografias e propagandas, porém, ao ser questionada sobre materiais relacionados a carreira e trabalho, ela sentiu dificuldade. Quando questionada sobre a divisão do trabalho na revista, por exemplo, primeiro tenta responder de acordo com o que pensa da sociedade: “Acho que é muito variado”, mas quando instigada a localizar esta opinião na revista, Bianca fica até surpresa e conclui exemplificando que: “Eles não falam que professora é bem-sucedida” e também não consegue citar profissões e nem materiais que tenha lido nas revistas sobre o assunto: “Não. Não consigo me lembrar. Eu não lembro de ter lido sobre isso aqui. A não ser atrizes. Não, parece que eu nunca li sobre profissões”, diz.

Apesar de não conseguir localizar a temática trabalho nas revistas, Bianca mantém a opinião de que as mulheres da Lola são bem sucedidas, porque segundo ela, esta seria uma condição para determinada mulher estampar a capa e outras matérias da revista.

Instigada a pensar no seu “conceito” de bem sucedida ao longo da conversa, definido por ela como um equilíbrio entre o pessoal e o profissional, é 119 Site de receitas e variedades culinárias: www.olivieranquier.com.br

questionada “é possível ser bem sucedida profissionalmente sem ser bem sucedida pessoalmente?”, e Bianca reflete:

Não. Na minha opinião de bem-sucedida, não. Eu acho que são pessoas que deram certo num negócio que fazem. Apesar que eu tô me contradizendo, em relação a capa. Essa mulher [apontando para a capa com a Cláudia Raia] tá com a vida ganha. Claudia Raia se separou agora do marido, mas eu acho que ela tá feliz, tá madura pra fazer isso. Bem pensado. Então, eu acho que eu tô me contradizendo. Ela representa sim pessoas que tão bem-sucedidas, bem-sucedidas no sentido amplo. Equilibradas, profissional e pessoal. (Bianca, 33 anos, Fonoaudióloga)

Apesar de cogitar estar sendo contraditória, Bianca mantém a sua posição inicial, seu conceito de mulher bem sucedida. Para ela é preciso haver um equilíbrio entre a profissão e a vida pessoal, porém, anteriormente ela já havia manifestado que as revistas maquiam a vida pessoal das pessoas famosas, e que então, não é possível ter certeza se elas são bem sucedidas pessoalmente, mas que certamente tem um destaque profissional.

Bianca não conseguiu lembrar, espontaneamente, de materiais sobre carreira ou trabalho nas edições disponíveis e solicitou ajuda à pesquisadora. Ela escolheu uma crônica intitulada “Casadas com o trabalho”, da edição de fevereiro de 2012. Ela foi solicitada a tecer um comentário, de acordo com a conversa. Ela perguntou se poderia120 ler em voz alta, como não houve a definição de um padrão nas outras entrevistas, ficou a seu critério. Enquanto lia, Bianca foi, de maneira muito empolgada, gostando do texto e tecendo comentários121:

Bianca: É ótimo. É muito bom. Show.

Janaina: O que tu acha? Tu tinha lido quando tu leu a revista?

Bianca: Me lembrei que eu li quando ela falou da cereja. Eu tinha

adorado isso. Mas já nem lembrava. Não poderia te dizer assim. Mas de certa forma isso tava em mim. Isso é bem o que eu penso. Tinha muito do que já tinha te dito. É exatamente o que eu penso. E eu gosto da Patricia Travassos. Essa aqui tem muito a ver comigo e o humor dela escrevendo. Muito gostoso de ler.

Janaina: E tu concorda com isso que ela fala?

Bianca: Plenamente. Ela antecipa um pouco, me parece que eu não

cheguei nisso ainda. Mas ao mesmo tempo já tô perto disso. Tem uma bolsa-sanduíche pra ir pro exterior, que eu jamais que eu vou sair da minha casa. Longe do meu marido, dos meus filhinhos. Não, vamos juntos, os filhos vão junto, o marido quando der vai visitar. Isso

120 Bianca foi a única que optou por ler todo o material enquanto comentava.

121 Neste momento não seria possível o entendimento das falas isoladas da entrevistada, por isso optamos por inserir o diálogo, recurso que não foi utilizado na descrição das outras entrevistas.

é uma experiência na minha vida. Há um ano atrás, eu não pensaria dessa forma. Então, eu me identifiquei. Eu espero conseguir fazer essa conciliação. Manter, eu me vejo assim. Eu acho que eu tô numa fase da minha vida que tá conciliado, muito bem, a questão do relacionamento, do trabalho.

Janaina: E essa questão do conflito, trabalho, família, tu acha que a

gente colocaria em 3º plano, como ela fala no texto?

Bianca: Não, eu acho que não. Isso ela exagerou um pouco. Não é.

Pra mim o trabalho seria a cereja. Continua sendo. Hoje.

Janaina: Daqui uns dias, daqui um tempo? O que ela diz é ao longo

da vida.

Bianca: Sim, o amadurecimento, a mulher vai se sentindo mais

segura. Eu acho que pode. Mas mesmo assim, porque não é só a relação afetiva com o marido que ela coloca ali. Parece que são as relações afetivas. Eu acho que eu sou movida por isso, por relações afetivas, por parcerias. Eu não conseguiria me imaginar só com a cereja. Tem um exagero aí.

Com a chegada do marido, a conversa foi encerrada com Bianca refletindo a analogia do texto que leu, que se a vida fosse um sorvete, o trabalho seria o próprio sorvete e a família a cereja. Ela discorda, mantendo as opinião da longa conversa, afirmando que para ela é a família que seria o sorvete, e o trabalho “apenas” a cereja.

Benzer Belgeler