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2.11. Folyo Üretim Prosesi

2.11.4. Soğuk hadde ürünü levhanın folyoya dönüşüm süreci

O ensino e a educação de professores e seu comprometimento na formação de cidadãos críticos, como sujeitos de uma educação democrática de qualidade para todos têm feito parte do caminho que venho percorrendo desde jovem, quando iniciava a carreira no magistério. A formação do cidadão e do homem, comprometido com o outro e com a sociedade, capaz de reflexão sobre seu fazer pedagógico são questões que instigam minha curiosidade investigativa. Estão muito presentes na memória alguns momentos de minha vida, embora apenas tateando na busca de alternativas quando, em família, participava de alguns processos de inclusão dos pobres e analfabetos na sociedade, ensinando-os a escrever o próprio nome e a ler pequenas palavras.

A delimitação do tema: o desenvolvimento da profissionalização do professor universitário circunscreve-se no trabalho que venho realizando desde 1995, no envolvimento com a formação de professores, acumulando experiências, mas também dúvidas e questionamentos. Como professora nos cursos de graduação, já percebia o maior

74 envolvimento com a comunidade acadêmica, e crescimento intelectual de alguns professores em relação a outros. Esta situação se confundia cada vez mais, e por ocasião de exercer a coordenação do curso de pedagogia, e ter me envolvido com o processo de estágio dos alunos, mais me instigava sobre os fatores ou determinantes da profissionalização.

Alguns anos depois, à frente do Núcleo de Ensino, responsável pelo apoio pedagógico aos cursos da área de ciências humanas, sociais aplicadas, fui surpreendida com alguns episódios e constatações no que se referia aos professores universitários bem sucedidos, pois a relação da formação pedagógica ou de bacharelado não se apresentava como fator determinante disto. Alguns, embora sem formação pedagógica ou licenciatura, destacavam-se tanto no trato com os alunos, na relação com eles, na organização do trabalho pedagógico, na habilidade ao conduzir o processo de ensino / aprendizagem e também no envolvimento com questões políticas e administrativas da universidade, comprometendo-se com seu crescimento, seu projeto e avaliação. Questiono como é a caminhada pessoal e profissional destes professores que demonstram ser diferentes e bem sucedidos? Como estabeleceram as relações no contexto do trabalho, a ponto de desencadear seu desenvolvimento profissional e, neste interim, inventarem-se como professores universitários, capacitarem-se e em paralelo, participar do processo de fortalecimento da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul;

Daí surge o objetivo geral do estudo: compreender o desenvolvimento profissional de professores universitários, com titulação de bacharéis a partir da (re) construção de suas histórias de vida, identificando condições que favorecem esta profissionalização.

Por meio da metodologia de pesquisa qualitativa com Histórias de Vida, na perspectiva do estudo de caso, por meio da investigação narrativa, propus a três professores universitários da instituição à qual estou vinculada profissionalmente, a produção de narrativas individuais, com vistas à construção das suas próprias histórias de vida e formação, em virtude de que não tiveram formação pedagógica. Um é bacharel em turismo, um é bacharel em Ciências Contábeis e outro bacharel em Direito. Parto do pressuposto de que a profissionalização e a construção identitária desses professores se dão pela vivência reflexionada no desempenho docente na vida universitária como professores.

Segundo Denzin e Lincoln (2006, p.17), “a pesquisa qualitativa é uma atividade situada, que localiza o observador no mundo”, desenvolve-se num determinado contexto social e tempo histórico, sempre sujeita a interpretação e visão de mundo de quem pesquisa. Ao estudar as coisas em seu ambiente natural, e os fenômenos a partir do significado atribuído

pelo sujeito, o pesquisador confere à pesquisa qualitativa uma abordagem naturalística. Nesta perspectiva, a pesquisa qualitativa envolve o estudo das Histórias de Vida, como representante dos significados individualmente construídos, para compreender o fenômeno no seu todo.

Nesta direção, procuro expressar uma compreensão do todo das histórias de vida dos professores pesquisados, analisando tensões presentes nas relações e correlações do discurso e refletir sobre o significado atribuído à própria vida, enquanto obra de arte pessoal e produção própria. Concebo, portanto, que os relatos sob a forma de linguagem, expressam os contextos e experiências contextuais do sujeito, que pela apropriação do discurso, ele apropria-se também de uma visão particular de mundo.

E ainda, na intenção de clarificar as interrogações escolhi como problema de pesquisa o seguinte: como se desenvolve a profissionalização do professor universitário considerado bem sucedido e qual a participação da Universidade nessa profissionalização?

Derivam-se da questão primeira, outras questões orientadoras da investigação:

a) Como se constituem ao longo da vida as identidades e os saberes profissionais dos bacharéis professores universitários, considerando o fato de não terem cursado uma Licenciatura, que possivelmente os prepararia para a atividade de ser professor?

b) Como se profissionalizam os professores bem sucedidos no trabalho na perspectiva do “cuidado de si” e da “invenção de si”?

c) Como a Universidade participa neste processo?

d) Como se configurariam as ações da instituição universitária a respeito da profissionalização do professor universitário, na perspectiva de uma prática docente bem sucedida sob a ótica dos próprios professores?

e) De que maneira se processa a ocupação de si de professores universitários, na perspectiva da subjetivação, em construir a vida profissional como uma obra de arte?

Estas questões emergiram das falas dos professores pesquisados, quando abordei o processo de desenvolvimento da profissionalização do professor bacharel, que não teve na formação inicial e, não raro, nem nos cursos de pós-graduação, a formação didático- pedagógica para o exercício da profissão. O estudo pretendeu verificar também a participação

76 da universidade, mesmo indireta no processo de desenvolvimento profissional de professores, embora não havendo implementação de políticas ou ações metodológicas para este fim, porém proporcionando trocas de experiências e aprendizagens entre os pares, por meio de reuniões e algumas assessorias.

A atitude investigativa da compreensão do “como aconteceu a profissionalização” presente no problema desta pesquisa, objeto de investigação, na perspectiva de processo permanente, na ótica de quem aprende sempre, faz emergir conceitos importantes de temporalidade, experiência, construção de conhecimentos e aprendizagens, identidades e saberes docentes. Investigar o desenvolvimento profissional na ótica dos docentes não significa ignorar os processos formativos formais, mas analisar o processo de profissionalização no contexto econômico político e cultural, que a singularidade das Histórias de Vida nos proporciona, na perspectiva de encontrar o lugar dos processos constitutivos, no movimento da dinâmica das vidas.

Parto do princípio de que, como assinala Abrahão (2006), História de Vida não é a vida na integralidade, é a vida contada, com sentido e significada. A narrativa de vida é um momento no processo de produção de uma história de vida. A História de Vida, enquanto metodologia de investigação/formação tem início quando o indivíduo retoma algumas estruturas de sua trajetória, na possibilidade de organizar a própria vida, a partir da ressignificação de sentido, que a vida inclui.

A narrativa, quando reflexionada, torna-se história de vida pela reapropriação do sentido e, por meio o que o narrador imprime às vivências hauridas e, por meio dessa reflexão, pode representar experiências. Na interação com outras subjetividades, é possível o conhecimento do próprio processo de formação, na medida em que se colocam em questão as práticas de conhecimento, fazendo emergir oportunidades de aprendizagens pela experiência. As práticas biográficas, na possibilidade de se pensar a formação, representam não apenas as histórias singulares, como também as manifestações do indivíduo na capacidade de produzir a si mesmo, ou como diriam Maturana e Varela (2001), na capacidade de autopoiésis45.

Segundo Josso (2004) o que constitui a experiência formadora são aprendizagens articuladas aos conhecimentos, saberes e fazeres, com significação e funcionalidade para si e,

45 Autopoiésis, segundo Humberto Maturana e Francisco Varela (2001), é produzir a si mesmo, referindo-se aos sistemas que produzem seus componentes, interações e transformações, regenerando o sistema que o produz.

em específico para cada situação didática, o qual acontece a partir da mobilização dos registros, que são, por sua vez, individuais e singulares. Neste sentido, desenvolver-se como profissional da docência ou aprender a ser professor pela experiência inclui o processo de integração de habilidades e saberes, e da capacidade de resolver problemas, em articulação com formulações teóricas num tempo também singular e subjetivo.

A abordagem autobiográfica permite a interrogação dos saberes e das referências, no sentido da compreensão de si e do processo de formação. Para isto é preciso observar as experiências, para poder considerá-las como formadoras. A narração do si mesmo, na perspectiva da construção da narrativa a partir de recordações de toda a vida implica deixar vir à tona e evocá-las, mas também organizá-las sistemática e coerentemente em torno de uma temática da formação. Neste sentido para Foucault (1999) admite a experiência como fundadora da história e criadora da ciência, estando os saberes entre as duas condições. Numa perspectiva histórica- crítica, a experiência torna-se o espaço de constituição do sujeito a partir da relação consigo mesmo e com os outros: “a experiência que é a racionalização de um processo” (Foucault, 1984, p. 137). A operacionalização da experiência poderá ser gerada pela narrativa ao configurar as ações.

Na abordagem autobiográfica, as recordações simbolizam a compreensão da própria formação de quem narra. As recordações têm uma dimensão concreta constituída das percepções e uma dimensão não concreta constituída por sentimentos e valores. Segundo Josso (2006) essas recordações ou referências traduzem-se em experiências formadoras porque formam o corpo de saberes e aprendizados do professor, ilustram a história de vida e a história das transformações.

É neste sentido que Josso (2004) apresenta as dimensões antropológica, ontológica e axiológica da narrativa de formação. Antropológica porque sempre inclui a essência humana, independente da condição sócio-cultural; ontológica porque propicia o questionamento do próprio eu; axiológica porque evidencia sempre valores presentes em atos, pensamentos e opções. E ainda, porque “nos identificamos com nossas experiências” (JOSSO, 2006, p.41), quando a formação confunde-se e funde-se com identidade, integrando saberes e saber fazer. Nesta perspectiva, a formação e a profissionalização acontecem em meio ao processo individual e coletivo.

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3.3 - A RECONSTRUÇÃO DE ALGUMAS HISTÓRIAS DE VIDA DE

Benzer Belgeler