3.BİREYLER VE YÖNTEM
4.20. Skapular Stabilizasyon ile Yorgunluk Arasındaki İlişk
É fundamentado na estrutura simbólica da metanarrativa da Modernidade, que o repertório de ações políticas e econômicas desenvolvimentistas vai se concretizar. A abrangência da noção de
desenvolvimento recobre desde direitos individuais, passando por cidadania, até esquemas de
classificação dos Estados-Nações no sistema mundial, encobrindo atribuições de valor à justiça social, ao bem-estar, à acumulação de poder econômico, militar e muitas outras conotações
vinculadas a ideais de relações apropriadas entre homens e entre estes e a natureza (RIBEIRO,
1991, p.131). Uma plasticidade tamanha de leituras e, consequentemente, de aplicabilidades que acaba por gerar conflitos de sentidos atribuídos entre atores coletivos que procuram estabelecer
suas perspectivas particulares (RIBEIRO, 1991, p. 133). Emblematicamente,
O início da era desenvolvimentista ocorreu em dia e hora precisos. No dia 20 de Janeiro de 1949, no discurso inaugural endereçado ao Congresso pelo Presidente Harry S. Truman, nomeou a casa de mais da metade da população mundial de “áreap pubdepenvolvidap”. Esta foi a primeira vez que a palavra “pubdepenvolvido”, que mais tarde se tornou uma categoria para ordenar as relações globais, foi usada por uma figura política proeminente
(SACHS, 2000, p.4) (Tradução livre nossa).7
7 ...but the dawning of the development age occurred at a precise date and time. On 20 January 1949, President Harry
S. Truman, in this Inaugural Address to Congress, dubbed the home of more than half the world´s people ´underveloped areas´.. This was the first time that he word úndervelopment, which was later to become a key category ordering global relations, was used by a prominent political figure. (SACHS, 2000, p.4)
Como grande saída civilizatória para essa população que se aloja em áreas subdesenvolvidas, no ponto quatro de seu discurso, Trumam propõem o desenvolvimento nos seguintes termos:
Nós devemos fazer um programa novo e corajoso para disponibilizar nossos avanços científicos e progresso industrial para melhoria e crescimento de áreas subdesenvolvidas. Mais da metade da população mundial está vivendo em condições que se aproximam da miséria. A comida deles é inadequada. Eles são vítimas de doença. A vida econômica deles é primitiva e estagnada. Sua pobreza é um impedimento e uma ameaça tanto para eles, quanto para áreas mais prósperas. Pela primeira vez na história, a humanidade tem o conhecimento e capacidade de aliviar o sofrimento desses povos. Os Estados Unidos entre nações têm proeminência no que se refere ao desenvolvimento tecnológico industrial e científico. Os recursos materiais de que nós podemos dispor para ajudar outros povos são limitados, mas os recursos imponderáveis em conhecimento tecnológico estão em constante crescimento e são inesgotáveis (SACHS, 2000, p.4) (Tradução livre nossa)8.
A visão de mundo expressa acima, que objetivava ampliar o crescimento econômico em todo o globo, mediada pela frágil idéia de preocupação moral da ajuda, fazia parte dos debates acadêmicos de economistas e cientistas sociais da época. Além disso, vale dizer também que esse discurso está contextualizado no pós-II Guerra, da qual os Estados Unidos emergiram como grande potência vencedora e ávida por disseminar o american way of life. Assim, a associação entre a idéia de desenvolvimento ao modo americano de viver permitir-lhe-ia uma estratégia eficiente de expandir seus ideários políticos e a consolidação de zonas de influência no hemisfério Sul em contraposição às pretensões soviéticas. Muito mais que um simples empreendimento socioeconômico; é uma
percepção que molda a realidade, um mito que conforta a sociedade, uma fantasia que desencadeia paixões (SACHS, 2000, p. 12).
A forma encontrada para mensurar essa percepção que molda a realidade foi o crescimento econômico traduzível em indicadores objetivos tais como, Produto Interno Bruto, tidos como universais na aferição do nível de desenvolvimento. O padrão utilizado para se considerar uma nação desenvolvida ou em vias de se tornar é a proximidade ou o distanciamento do PIB dos países 8...we must embark on a bold new program for making the benefits of our scientific advances and industrial progress
available for the improvement and growth of underdeveloped areas. More than half the people of the world are living in conditions approaching misery. Their food is inadequate. They are victims of disease. Their economic life is primitiv and stagnant. Their poverty is a handicap and a threat both to them and to more prosperous areas. For the first time in history, humanity possesses the knowlwdge and the skill to relieve the suffering of these people (SACHS, 2000, p.4). .
do Sul em relação ao PIB dos países do Norte. Crescimento econômico e o bem-estar da população foram fundidos em único conceito: desenvolvimento pensado como crescimento econômico9. Podemos identificar na essência dessa lógica de discurso uma crença em que a trajetória da humanidade deve ser guiada por uma imagem ideal, utópica, onde deve residir seu destino final. Um lugar perfeito em termos de cultura, organizações políticas e econômicas – os países do Norte ou, nos termos de Truman, desenvolvidos -, pautada, dessa forma, em uma rudimentar, porém, maneira de medir o progresso: PIB10. A idéia de crescimento é essencial para a forma moderna de
ver a vida humana (...) É, simultaneamente, uma verdade universal e o único meio normativo de alcançar a sociedade ideal (BERTHOUD, 2000 p. 134).
Se o meio para a concretização do desenvolvimento é o progresso assegurado pelo crescimento econômico, o que se deve fazer para atingi-lo? O receituário apresentado pelos países desenvolvidos aos países “subdesenvolvidos” estabeleceu a modernização das estruturas sociais e produtivas como elemento central para a efetivação do desenvolvimento. Esta percepção implicou na modernização dos mecanismos agrícolas, transformando as economias de subsistência em grandes monoculturas exportadoras11 e produtoras de matéria-prima para as indústrias e, em decorrência disso, a expulsão dos trabalhadores rurais para a então nova área de oportunidade de empregos – a cidade, local de instalação das indústrias. Era nesses termos que uma Nação deveria se auto-avaliar como caminhando rumo ao progresso.
Então, progresso deixou de ser um mero princípio de explicação científica sobre o “caminhar da humanidade” e passou a conferir à sociedade um estilo de vida. Ou seja, a noção de progresso passou a gerar um modo de vida específico que deveria ser traduzido em crescimento de cidades, 9 Vale dizer ainda que nesse contexto de pós-Guerra, estava sendo difundido pelas Nações Unidas que a paz só poderia ser assegurada se o crescimento econômico se tornasse um exercício global (SACHS, 2000).
10 E é exatamente essa lógica que guiou alguns autores do Iluminismo, como por exemplo, Jacques Bossuet (1627- 1704), Condorcet (1734-1794), Giambattista Vico (1668-1744) e Imanuel Kant (1724-1804) na produção da periodicidade da história universal, estabelecendo, cada um a seu modo, estágios de desenvolvimento da sociedade (SZTOMPKA, 1998).
11 Nesse contexto, a divisão internacional do trabalho pressupunha um sistema internacional dividido entre: países exportadores de matéria-prima (países do sul) e os exportadores de tecnologia (países do norte).
indústrias, desenvolvimento de novas tecnologias, etc. Sugere, explícita ou implicitamente, que a
forma de vida ocidental é a única capaz de assegurar a felicidade humana (BERTHOUD, 2000, p.
135). Marcadamente simbolizado pelo tipo de ação social que passou a caracterizar a modernidade: modo racional referente a fins. Os recursos deveriam ser combinados, a qualquer preço, de forma a se atingir a melhor otimização em termos de custo/benefício para que se alcance o desenvolvimento.