Direcionamos a pesquisa a partir de cinco eixos teóricos, considerados para a análise investigativa dos dados colhidos mediantes fontes bibliográficas, os quais serão apresentados a seguir. Para esse momento, utilizamos instrumentos de compreensão teórico-metodológica por intermédio de diversas fontes obtidas a partir da pesquisa bibliográfica, que ampara a construção teórico-metodológica da dissertação.
Como fontes documentais escritas recorremos a monografias, dissertações, teses, artigos e livros disponíveis no Grupo de Pesquisa GESTAR: Território, Trabalho e Cidadania, do qual participamos. Destacamos de modo especial os estudos que têm como tema as comunidades quilombolas. Também consultamos o acervo das bibliotecas (Central e Setorial) da UFPB; de outras Instituições de Ensino Superior (IES) e do Portal da Capes. Além dessas fontes, consultamos sites ligados às entidades governamentais que estão relacionadas ao tema, como a Biblioteca Virtual Domínio Público do Ministério da Educação (MEC), o Portal da Fundação Cultural Palmares (FCP), os documentos divulgados pelo Programa Brasil Quilombola (PBQ), entre outros. Também acessamos sites independentes, onde observamos artigos científicos e documentos referentes ao tema.
38 A pesquisa bibliográfica e documental entrecruzam constantemente ao longo deste estudo, suas fontes teóricas estruturadas permitem desmistificar a realidade de um cotidiano.
O primeiro eixo corresponde a matriz teórica que sustenta a pesquisa, o método, que no trabalho se apresenta mediante o materialismo histórico dialético. Existe um diálogo com uma realidade dinâmica e complexa que contextualiza as diferenças (conflitos e contradições espaciais) que tanto a EMEFPASSM, quanto a CNP vivenciam, pois se tratando de uma comunidade descendente de quilombo, uma comunidade urbana, torna-se necessário compreender questões históricas que são decisivas nas realidades em foco.
O segundo eixo corresponde às discussões das leituras, tanto realizadas nas disciplinas obrigatórias e complementares, quanto as afins, a partir das quais fundamentamos parte da pesquisa. As discussões sobre conceitos como território, cultura, identidade, etnia, raça, racismo, currículo e educação quilombola, refletem nossa preocupação quanto à complexidade das tramas e dos dramas que permanecem escondidos, além disso, requer um diálogo entre si, de forma que estejam em um contexto harmonioso. Reconhecendo que mesmo nos apoiando em autores que dialogam com a temática, não respondem a todas as inquietações, pois esses conceitos demonstram seus questionamentos perenes, necessitando de sempre mais estudos e mais convivências no sentido de estar cada vez mais próximo da verdade daquele grupo social que foi pesquisado.
Alguns desses conceitos tornaram-se próximos nas leituras feitas no grupo GESTAR e constituem nosso plano de trabalho teórico. Os autores tratados nesses temas dão suporte às nossas discussões e argumentos sobre as categorias adotadas.
O terceiro eixo corresponde às leituras investigativas acerca dos textos jurídicos e documentos oficiais correlatos, no qual o recorte temporal propõe discutir o acesso dos negros à educação. Entre os documentos destacamos as Constituições de 1824, 1891 e 1988; a Primeira Lei Geral de Educação de 1827; Lei da Província da Parahyba nº 20 de 1837; Lei de Terras de 1850; Lei Imperial nº 3.356 de 1888; Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional (LDBEN) 9.394 de 1996; Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s) de 1998; Lei 10.639 de 2003; Lei 11.645 de 2008; Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Étnico-Raciais (DCNs) (2004): Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) para Ensino Fundamental II - Geografia e Pluralidade Cultural (1998); Decretos nº 1.331 de 1854; nº 7.031 de 1878; nº 4.788 de 2003;
39 Legislações como o Ato Adicional do Império nº 40 de 1834; Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT); Instrução Normativa nº 57 de 2009; Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola na Educação Básica de novembro de 2012; Relatório Técnico de Identificação e Delimitação do Território da CNP de novembro/dezembro de 2012 e páginas policiais de anúncios de escravos fugidos nos jornais das Províncias do Império.
Para fundamentar o 4º eixo, partimos da reflexão sobre a escola e sobre o quilombo de Paratibe, utilizando dois elementos para entender os campos. O primeiro elemento corresponde aos autores que discutam pesquisa de campo, que discorrem sobre procedimentos necessários aos geógrafos na realização de realizar trabalhos de campo, sobretudo com os limites e possibilidades do que a geografia pode desvendar e sobre os diálogos com outras áreas do conhecimento. Quanto ao segundo elemento, corresponde aos estudos acerca de autores que pesquisam a Geografia escolar e como podem contribuir com a Educação Quilombola e com a aplicação da Lei 10.639 de 2003. Nesse eixo, nos detivemos no ensino de Geografia, a fim de subsidiar os debates sobre a identidade territorial quilombola, o combate ao racismo e incentivar um olhar crítico socioespacial. Para tanto, nos aproximamos das leituras feitas pelo Grupo de Pesquisa Ciência, Educação e Sociedade – GPCES e de autores que discutem esta questão.
O último eixo corresponde aos estudos acerca dos temas paralelos que preenchem as várias discussões que interagem, como a história da fundadora da escola pesquisada, Dona Antônia Socorro da Silva Machado, o significado dos estudos do continente africano para a educação quilombola, a formação do educador sobre temas como a educação diferenciada para estudantes de origem quilombola e sobre o livro didático, com suas visões de mundo e como pode contribuir para o educador contruir práticas educativas em meio a uma escola que comporta uma diversidade étnico- cultural.
Nesse primeiro momento de edificação do referencial teórico-metodológico, procuramos nos corresponder e articular trabalhos de campo, dando condições para ampliar nosso olhar no terreno investigado, compreender melhor as relações existentes na escola considerando a aparência mais visível e a origem da essência e contribuir de modo teórico e prático nas vivências dos sujeitos pesquisados. Todos os momentos da pesquisa foram construídos mediante leituras que dialoguem com o campo,
40 possibilitando condições de análise dos eixos práticos das coletas de dados. A investigação de campo com seus eixos serão discutidos a seguir.