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TÜRKİYE'DE EĞİTİM SOSYOLOJİSİNDEKİ SON GELİŞMELER

4. Siyasal Toplumsallaşma

Na abordagem de temas relacionados ao processo saúde-doença, considerar os diversos contextos sociais e culturais e lançar mão da Antropologia pode representar uma perspectiva complementar e enriquecedora, conforme reconhece Gualda (1998). Para Gualda e

Bergamasco (2004) é imprescindível a abordagem antropológica na tentativa de compreender o processo saúde-doença, uma vez que este fenômeno abarca fatos reais, sejam eles clínicos ou socioculturais. Essa abordagem permite uma nova construção de modelos de saúde-doença, que recuperam a dimensão experiencial, assim como aquela psicossocial, adequada para estudar a menopausa, na perspectiva das mulheres.

Partindo de um resgate histórico, a Antropologia é a ciência da humanidade e da cultura. A Antropologia tem uma dimensão biológica, enquanto Antropologia física; uma dimensão sociocultural, enquanto Antropologia social e/ou Antropologia cultural; e uma dimensão filosófica, enquanto Antropologia filosófica (Chauí, 1997). Constata-se, então, a diversidade dos seus campos de interesses e o foco único como sendo o homem e a cultura.

Partindo do princípio de que cada indivíduo é uma parte do todo social e que a cultura é a dimensão na qual se articulam os conflitos e as concessões, as tradições e as mudanças e onde tudo ganha sentido, Minayo (1999) assegura que é na vida das pessoas que a cultura deixa de ser subjetiva e passa a expressar aspectos macroestruturais (políticos, econômicos e religiosos).

Para Caprara (2003), particularmente, na Antropologia, a saúde não é vista somente como conseqüência de fatores sociais e econômicos e sim como produto culturalmente determinado. Nesta perspectiva, a cultura é entendida como conjunto de idéias, conceitos, regras, comportamentos compartilhados em um determinado grupo e, organiza a experiência da saúde e da doença nas diferentes sociedades (Good, 1994; Kleinman, 1988).

Lançando mão desta vertente, estudiosos das mais diferentes áreas têm se preocupado em problematizar e, por conseguinte, compreender o processo saúde-doença, as experiências dos colaboradores no mundo que eles vivem considerando que a influência da herança cultural intergeracional, aos comportamentos e interpretações, podem ser mantidos, esquecidos ou incorporados novos valores (Mello, 1995). A compreensão do processo saúde- doença como fenômeno sociocultural, mostra que as experiências de saúde e de doença são permeadas pelos significados construídos socioculturalmente, logo, não pode ser desvinculado das estruturas sociais mais abrangentes que permeiam as sociedades.

A preocupação dos antropólogos com questões do processo saúde- doença passou, a partir dos anos 60, a focalizar a compreensão dos sistemas de saúde; das relações estabelecidas entre os profissionais e os pacientes e dos universos simbólicos relacionados aos fenômenos da vida, destacando a influência da Antropologia Interpretativa de Geertz, conforme apontado por Minayo (1998a).

Clifford Geertz é, provavelmente, depois de Claude Lévi-Strauss, o antropólogo cujas idéias causaram maior impacto na segunda metade do século XX, para Antropologia, quer seja no campo teórico, quer seja na prática. É considerado o fundador de uma das vertentes da Antropologia contemporânea - a chamada Antropologia Hermenêutica ou Interpretativa.

A Antropologia interpretativa, enquanto projeto de análise cultural, propõe-se a compreender, a partir da interpretação. Destarte, o indivíduo que outrora era retratado como sujeito à cultura da qual fazia parte e mero repetidor de comportamentos previamente aprendidos, passa a ser considerado sujeito

da própria cultura, o que implica um reconhecimento da cultura enquanto processo (Eckert, 1994).

Por esta razão, os estudiosos da área reconhecem que o foco de análise passa a ser os significados que emergem da interação social, levando- se em consideração a realidade concreta dos indivíduos. O trabalho do etnógrafo seria, então, desvendar os significados imbricados nas relações sociais, reconhecendo a cultura

como sistemas entrelaçados de signos interpretáveis, a cultura não é um poder, algo ao qual podem ser atribuídos casualmente os acontecimentos sociais, os comportamentos, as instituições ou os processos; ela é um contexto, algo dentro do qual eles podem ser descritos com densidade. (Geertz 1989: 24)

Para a Antropologia interpretativa, somente a partir do processo histórico – do encadeamento - é possível captar a vida de outrem e conhecê-lo, sendo, portanto, necessário situar o indivíduo imerso na sociedade e na história como forma de compreender a si mesmo. Na interpretação, a busca de leis gerais é descartada em favor de uma análise das particularidades. Temos de, ao invés de empreender uma simples descrição de fatos não-familiares, buscar compreender os sentidos comuns a eles subjacentes, considerando os contextos nos quais estes fenômenos culturais ocorrem.

Com o desenvolvimento da corrente interpretativa em Antropologia, surge uma nova concepção da relação entre indivíduo e cultura e torna-se possível uma verdadeira integração da dimensão contextual na abordagem dos problemas de saúde (Uchoa e Vidal, 1994). Geertz, que se situa na origem dessa corrente, concebe a cultura como o universo de símbolos e significados que permite aos indivíduos de um grupo interpretar a experiência e guiar suas

ações (Geertz, 1989). Segundo ele, a cultura fornece modelos "de" e modelos "para" a construção das realidades sociais e psicológicas.

Para o antropólogo, a cultura é o contexto no qual os diferentes fenômenos se tornam inteligíveis. Essa concepção estabelece uma ligação entre as formas de pensar e as formas de agir dos indivíduos de um grupo, e ressalta a importância da cultura na construção de todo evento humano. Nessa perspectiva, considera-se que as percepções, as interpretações e as ações, até mesmo no campo da saúde, são culturalmente construídas.

A partir da Antropologia Geral e influenciada pelo interpretativismo de Geertz, desenvolveu-se a Antropologia Médica, como ramo aplicado à Epidemiologia e à Clínica. A antropologia médica, parafraseando Helman (1994), estuda como as pessoas explicam as causas das doenças, os tratamentos e como as enfrentam considerando as diferenças entre as culturas e os grupos sociais.

Este ramo da Antropologia também estuda como essas crenças e práticas estão relacionadas com mudanças biológicas e psicológicas no organismo humano, tanto na saúde como na doença. É neste sentido que se resgata a Antropologia médica neste estudo, tentando compreender qual o significado da menopausa para mulheres, entendendo este fenômeno como uma mudança biológica e psicológica, sob a qual fatores sociais e culturais, que interagem no curso da história de vida, exercem fortes pressões.

A Antropologia médica ressalta a existência de três dimensões na doença: disease, illness e sickness. Disease expressa a realidade biológica da doença, sob a concepção do profissional. Illness enfatiza a experiência, a percepção individual e a reação social a ela. Sickness diz respeito à desordem

e seu sentido genérico é usado pela população, que o relaciona às forças macrossociais culturais (Kleinman, 1988; Coelho e Almeida Filho, 2002). Segundo Kleinman (1980), todas as atividades de cuidados em saúde são respostas socialmente organizadas frente às doenças e podem ser estudadas como um sistema cultural. Todo sistema de cuidados em saúde seria, portanto, constituído pela interação de três setores diferentes (profissional, tradicional e popular).

Os trabalhos desenvolvidos por Arthur Kleinman e Byron Good, que se situam entre os principais representantes da corrente interpretativa em Antropologia médica, fornecem os elementos-chave de um quadro teórico e metodológico para análise dos fatores culturais que intervêm no campo da saúde. Nesse sentido, procurando enriquecer a análise de componentes não biológicos do fenômeno da saúde-doença, sistematizaram um modelo que atribuísse a importância teórica, enfatizando os aspectos social e cultural que tinham sido negligenciados em aproximações sociológicas precedentes (Kleinman et al, 1978).

O modelo de saúde da antropologia médica, sob a perspectiva interpretativa contemporânea, critica o pressuposto da universalidade dos padrões saúde-doença e afirma sua determinação cultural por meio de um sistema de cuidado à saúde. Este sistema seria composto por três setores – o setor da cura profissional, o setor das curas populares e o setor popular das crenças, escolhas, decisões, papéis, relacionamentos, interações e instituições (Kleinman, 1988). Sendo, portanto, importante considerar que a interpretação das pessoas está atrelada a um modelo construído culturalmente, numa rede influenciada por fatores sócio-econômicos.

Para Helman (1994), a ênfase nos aspectos fisiológicos, até então marcantes, significava a tentativa médica de relacionar sintomas manifestos pelo paciente a um processo físico subjacente. Assim ocorreu com a menopausa.

Reconhecendo a necessidade de se considerar o que o ser humano sente, estudiosos propuseram a utilização do termo illness (doença) para se referir a resposta subjetiva do sujeito, que engloba a interpretação da origem e a importância do evento, bem como os efeitos sobre seu comportamento e seu relacionamento com as outras pessoas e as providências tomadas por ele para remediar a situação. Convém registrar que entendemos por evento “todo acontecer vivido da existência que motiva as operações textuais, nelas penetrando como temporalidade e subjetividade” (Bosi, 1988: 12)

Neste estudo, interessa-nos abordar esta perspectiva junto com as mulheres que vivenciam a menopausa considerando que a definição de illness não inclui somente a experiência pessoal, mas também, o significado que o indivíduo confere a experiência. Optamos por esta abordagem por considerar que a menopausa, parte integrante da vida da mulher, necessita ser um evento compreendido pelas mulheres pesquisadas.

Considerando os pressupostos de Helman (1994), a cultura pode influenciar a experiência da menopausa pelas formulações da própria menopausa e pelas formas de lidar com ela, por isso, tanto as práticas populares como as médicas são práticas culturais. Para Gadamer (1994), a diferença entre conhecimentos médicos e práticas populares é objeto de discussão e de estudo no interpretativismo. Os conhecimentos são adquiridos

por meio do estudo, enquanto que sua aplicabilidade pode ser adquirida somente por intermédio de um longo processo experiencial.

Neste sentido, para Coelho e Almeida Filho (2002), a experiência da doença e os padrões de saúde variam em diferentes sociedades, tendo como fator determinante a posição socioeconômica e a subcultura de quem os concebe.

Por esta razão, os modelos explicativos só podem ser interpretados, e por conseqüência compreendidos, considerando-se, como propõem Kleinman (1988) e Helman (1994), o contexto específico em que são empregados, no qual se incluem a organização social e econômica em que o indivíduo está inserido.

Neste sentido, a mulher, ao viver a experiência da menopausa molda de maneira única a sua identidade, considerando os múltiplos modelos que se fazem presentes no seu convívio e as influências destes, em seus enfrentamentos da vida. Helman (1994) considera que mais do que um conjunto de sintomas e sinais as doenças (illness) possuem vários significados - moral, social, psicológico e cultural.

É provável que, pelo fato de a Medicina ocidental ser considerada como área pertencente às ciências naturais, os seres humanos sejam muito freqüentemente analisados de um ponto de vista biológico (Caprara, 2003). Todavia, a perspectiva interpretativista vê os indivíduos para além do corpo biológico, considera-os sujeitos que refletem e vivenciam uma experiência subjetiva no processo saúde-doença.

A partir de uma perspectiva antropológica, o universo sociocultural das mulheres foi tomado como referência para compreensão do significado da

menopausa, analisando a cultura como hierarquia de significados, pretendendo que a etnografia seja uma “descrição densa” e cuja análise é possível por meio de uma inspiração interpretativista. Passaremos, a seguir, a tecer considerações sobre a Etnografia.