1. BÖLÜM
3.1. Siyasal Şiddet Hareketleri ve İdeolojik Grupların Tarihsel Süreci
O funcionamento do sistema de prevenção e combate à conflitualidade, na ordem interna, assenta numa base conceptual e normativa credível, à luz do que, como podemos analisar, se passa noutros países europeus, susceptível de, com alguns ajustamentos, se transformar num modelo de actuação ajustado à realidade portuguesa.
De facto, a matriz do modelo português de Segurança Interna assenta, fundamentalmente, na primazia da acção das Forças e Serviços de Segurança, reservando para as Forças Armadas a intervenção em situações de violência generalizada.
No entanto, as profundas alterações ocorridas no mundo, durante os últimos anos, evidenciaram algumas fragilidades dos Sistemas de Segurança Interna dos países desenvolvidos, embora muitos deles tenham, de imediato, corrigido essas vulnerabilidades, o que nos parece não ter sido o caso de Portugal, dadas as lacunas, já evidenciadas anteriormente, que ainda falta colmatar.
Desde logo, porque “ao contrário do que acontece com todos os outros países cujo sistema é o da dupla componente policial, confundem-se as tarefas das duas forças de segurança (GNR e PSP), como se ambas tivessem igual natureza e a mesma razão de ser, chegando ao ponto de se atribuírem responsabilidades maiores em termos de Segurança e Defesa, àquela que é civil, num total desperdício das potencialidades da que tem natureza militar e numa completa adulteração do sistema. (Segurança Aeroportuária, Controlo e Fiscalização das Armas e Explosivos, Segurança de Embaixadas portuguesas no estrangeiro)” (BRANCO, 2003, 664).
Naturalmente, como sugere o General Loureiro dos Santos, na entrevista que nos concedeu, deveria materializar-se neste sistema, a existência de um patamar intermédio de intervenção, responsabilidade da GNR, que funcionasse como mecanismo amortecedor perante o emprego da força pelas Forças Armadas. De facto, a natureza militar da GNR, desde
logo, indicia uma vocação superior à da PSP para lidar com situações de maior exigência de emprego da força.
Por outro lado, como já referimos anteriormente, existem “Situações de Crise”, em Território Nacional, que embora correspondam a uma tipificação de “anormalidade grave”, não são passíveis, no momento, de originar a declaração do Estado de Sítio, e que requerem a intervenção das Forças Armadas, situação que urge corrigir, sob pena de, a qualquer momento, sermos confrontados com situações, inerentes as possíveis intervenções das Forças Armadas, não legitimadas pela força da lei.
Deste modo, a intervenção das Forças Armadas, em matéria de Segurança Interna, deve ser conduzida de forma supletiva em relação às Forças e Serviços de Segurança, em situações em que esteja comprovadamente excedida a sua capacidade, quer pela dimensão da ameaça, atingido um determinado grau ou patamar de violência cujo combate não seja acessível às Forças de Segurança, quer pela especificidade ou insuficiência de meios necessários ao cumprimento de determinada missão ou tarefas.
De acordo com Gonçalves et al (2002), esta parece ser a postura recomendável para o caso nacional, pois corresponde à adopção de um modelo, designado por Modelo
Interdependente, que não desilude a expectativa da população, mas que também não
transforma as Forças Armadas em verdadeiras Forças de Segurança Interna (ver Apêndice E).
III.2.2. Princípios de Actuação
Considerando como inevitável que a participação das Forças Armadas se fará em plena coordenação com os demais elementos das Forças de Segurança e de outros órgãos julgados necessários e adequados, torna-se fundamental, para o êxito das operações, que estas preservem determinados princípios, inerentes a esta actividade. Assim sendo, elegemos os seguintes princípios orientadores que enformarão a cooperação entre as Forças Armadas e as Forças e Serviços de Segurança:
III.2.2.1. Princípio da Permanência
Considerando a imprevisibilidade da ameaça, a actividade de Segurança Interna deve exercer-se de forma contínua e permanente, em todo o espaço sujeito a jurisdição nacional, actuando de forma preventiva e dissuasora, mesmo que cumulativamente ao cumprimento de outras missões.
III.2.2.2. Princípio da Unidade de Comando
A interdisciplinaridade dos fins prosseguidos e a diversidade institucional dos organismos que protagonizam esta actividade determinam que seja acautelada a Unidade de
Comando, o que já se encontra previsto, ao mais elevado nível, pelo consignado na lei de Segurança Interna, ao referir no seu Art.º 9º que “O Primeiro-Ministro é politicamente responsável pela direcção da política de segurança interna, competindo-lhe, designadamente” entre outras competências “Coordenar e orientar a acção dos membros do Governo nos assuntos relacionados com a segurança interna”.
III.2.2.3. Princípio da Supletividade
Apesar da diversidade organizacional, dos objectivos institucionais específicos, das competências cometidas estatutariamente e da vocação operacional, todas as forças e órgãos envolvidos deverão concorrer, de forma necessariamente concertada e numa relação de complementaridade, para a prossecução dos objectivos da actividade de Segurança Interna.
III.2.2.4. Princípio da Legalidade
Toda a actividade de Segurança Interna deve considerar-se intimamente ligada à ideia da garantia do cumprimento das leis em geral, e do respeito pelos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos e pelos demais princípios do Estado de direito democrático.
III.2.2.5. Princípio da Nacionalidade
Tendo em conta os objectivos permanentes da política de Segurança Interna estabelecidos, os deveres gerais e especiais de colaboração consignados na Lei de Segurança Interna e o facto de todas as forças e órgãos envolvidos estarem exclusivamente ao serviço do povo português, facilmente se reconhece que esta actividade pressupõe um esforço colectivo nacional.
III.2.3. Acções e Medidas de Segurança Interna
As acções e medidas de Segurança Interna que as Forças Armadas podem ser chamadas a adoptar podem agrupar-se em Preventivas ou Operacionais, consoante as necessidades resultantes da actividade levada a efeito por Forças Adversas33.
As acções e medidas Preventivas, normalmente, têm carácter permanente e incluem, entre outras actividades, as que se desenvolvem no âmbito da Vigilância do Espaço Estratégico de Interesse Permanente34, da protecção das próprias instalações e meios, das Informações e da Informação Pública. Também poderão ser executadas algumas acções de
33
Designemos por Forças Adversas, os “provocadores de acontecimentos ou acções, por vontade consciente, própria e adversa, que contrariem a consecução de um objectivo e que sejam causadores de danos.
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De acordo com o CEDN, considera-se Espaço Estratégico de Interesse Permanente, o território, o espaço de circulação entre as parcelas do Território Nacional e os espaços aéreo e marítimo sob responsabilidade nacional.
natureza policial, de forma episódica, como segurança de entidades e instalações, entre outras, num quadro de cooperação e reforço das autoridades policiais.
O planeamento e a condução das acções dependem, fundamentalmente, dos dados obtidos e dos conhecimentos produzidos pelos órgãos de pesquisa35, normalmente agrupados em Sistemas de Informações. Embora, no Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP), seja ao Serviço de Informações de Segurança (SIS) que é cometida a missão de produzir informações que contribuam para a salvaguarda da Segurança Interna, a actuação de Forças Adversas deve ser acompanhada pelos outros órgãos de pesquisa, nomeadamente o Serviço de Informações Estratégicas de Defesa e Militares (SIEDM), dependente do Primeiro- Ministro, através do Ministro da Defesa Nacional, e a estrutura de informações das Forças Armadas36, num espírito de plena cooperação entre os diversos elementos integrantes da estrutura de informações nacional e os congéneres estrangeiros.
No cumprimento das missões específicas que poderão ser cometidas às Forças Armadas, no âmbito da Segurança Interna, para além do estrito respeito pelos preceitos legais vigentes, assumem especial importância as repercussões que esta actuação poderá ter junto da opinião pública. De facto, as actividades de Informação Pública representam um importante factor de êxito, para o emprego de forças militares na Segurança Interna, devido à imperiosa necessidade de se conquistar o apoio da opinião pública, quanto à aceitação dos métodos utilizados e à própria mobilização da população para o apoio às acções, mantendo-a informada sobre a evolução dos acontecimentos. Outro vector importante desta actividade é o apoio às acções de dissuasão, cujo impacto depende, em muito, do tratamento que, sobre o assunto, lhe for dado pela comunicação social. Esta actividade, dada a sua elevada importância neste tipo de acções, deve ser centralizada ao mais elevado nível de comando em presença.
Porém, entre a prevenção e a neutralização ou a eliminação de acções adversas vai uma grande distância que, nalgumas situações, só a utilização da força pode ultrapassar, levando o combate aonde seja necessário e as circunstâncias o recomendarem.
No entanto, as acções e medidas Operacionais só deverão ocorrer, em princípio, quando esgotadas as capacidades das Forças de Segurança, como último recurso para a manutenção ou o restabelecimento da Normalidade Institucional.
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Segundo a doutrina nacional, “um órgão de pesquisa é qualquer indivíduo, entidade ou unidade que obtém ou processa notícias” (Regulamento de Informações, 1979, 30).
36
Nesta estrutura assume especial importância a Divisão de Informações Militares (DIMIL), ao nível do EMGFA, que, apesar de não se inserir formalmente no SIRP, apoia o sistema, pelo fornecimento de informações resultantes da actividade dos diversos ramos.