De um modo geral, a tecnologia é essencial para as atividades e interações que acontecem no ambiente virtual e da mesma forma ocorrem os sistemas de reputação. A possibilidade de usos diferentes e específicos proporciona, conforme podemos observar a partir de Lima (2010), o desenvolvimento de modelos de reputação cada vez mais especializados.
O modelo de reputação baseado em perfis tem, na sua dinâmica de funcionamento, a criação de perfis virtuais para os seus usuários, nos quais cada um deles só pode ser detentor de uma única conta que pode ser alterada ao longo das interações. Os usuários participantes devem cumprir com os direitos e deveres impostos pela comunidade. Esse modelo é inadequado às comunidades que têm como foco a competitividade entre seus participantes. Porém, ele pode ser muito indicado para incentivar o trabalho colaborativo entre as partes envolvidas, podendo ser exibidos os resultados e o avanço individual de cada usuário, mediante suas contribuições.
Lima (2010, p. 14) esclarece que, no funcionamento desse modelo de reputação, “cada perfil deve representar uma categoria diferente de usuários, com direitos e recompensas melhores que a categoria anterior. Também devem ser usados nomes únicos e bem distintos para cada perfil, de modo a serem facilmente entendidos e comparados”. De acordo com esse modelo, quanto mais um colaborador exercer suas atividades, mais rápido ele ascenderá de nível. Por consequência, maior e melhor será sua reputação diante dos demais usuários. As regras devem ser suficientemente claras para que os participantes saibam o porquê de terem progredido ou regredido de nível.
A reputação baseada em dados numéricos é similar ao modelo anterior, porém, sua funcionalidade é mais indicada para as comunidades que incentivam a competitividade entre seus participantes (LIMA, 2010). Os índices numéricos são fatores que exibem com maior facilidade a hierarquização da reputação de seus usuários.
O sistema de reputação baseada em nome de membro é diversa dos modelos anteriores. Os usuários recebem rótulos para legitimar os participantes como confiáveis ou não. Esse modelo permite que a estratégia utilizada diferencie os participantes oficiais de uma dada comunidade dos administradores de um sistema (LIMA, 2010).
O modelo de reputação baseado em pontos é indicado para as comunidades altamente competitivas, como as comunidades destinadas aos desportos (LIMA, 2010). A perda ou o ganho de pontos é o que eleva ou diminui a reputação dos seus membros. Nele, as regras também têm de ser explícitas para que os participantes estejam cientes dos critérios que os levaram a conquistar certa quantidade de pontos.
A reputação baseada em rankings é recomendada para comunidades competitivas que almejam tornar público o desempenho de seus participantes em relação aos demais usuários. O uso de rankings é uma alternativa para que os usuários visualizem com maior facilidade os membros que se encontram em uma posição inferior ou superior à sua. Como forma de impulsionar a competição entre os membros, podem ser oferecidos prêmios e brindes virtuais tanto para os participantes melhores colocados no ranking quanto para os que se encontram em posições inferiores (LIMA, 2010).
Obviamente, o sucesso e o funcionamento de todos esses sistemas de reputação dependem das interações e das participações dos usuários envolvidos. A adequação desses sistemas depende do fluxo de atividades que ocorrem entre seus usuários. Por esse motivo, os sistemas de reputação também devem ser o mais flexível possível para que haja transformações no seu regimento quanto mais interações e colaborações haja nos sistemas abertos e interativos que a web disponibiliza aos seus internautas.
Nesse tocante, é preciso estar alerta para as reais intencionalidades desses sites e comunidades virtuais, para se que se possa pensar na implementação de sistemas de reputação cada vez mais precisos e adequados à proposta inicial do referido endereço da Internet.Lima (2010)menciona que o portal Yahoo! realizou um fórum de suporte ao desenvolvedor no ano de 2010 como forma de ajudar os usuários a escolherem e desenvolverem um sistema de reputação propício para cada situação, voltando os olhares para a finalidade dessas comunidades virtuais. O autor destaca e segmenta cinco padrões das comunidades virtuais em atenciosas, colaborativas, cordiais, competitivas e combativas.
Em geral, os participantes da comunidade atenciosa têm como objetivo a ajuda mútua e recíproca entre si. Nessas comunidades, a reputação tem como serventia apenas a identificação do tempo de colaboração dos participantes mais antigos e mais recentes, o que proporciona a troca de experiência e o pedido de ajuda na realização de tarefas específicas. Serve como esse exemplo, o blog Y! Health Expert Blogs (LIMA, 2010).
Nas comunidades de padrão cordial, os participantes possuem interesses adversos, mas nem por isso travam qualquer tipo de conflito ou competição. Os dados históricos possibilitam identificar quais usuários possuem a maior quantidade de contribuições. O Yahoo Answers e o pioneiro eBay são exemplificados por Lima (2010) como comunidades de padrões cordiais.
Nas comunidades competitivas, os participantes travam uma espécie de competição, mesmo sabendo que compartilham de objetivos comuns. Um sistema de reputação adequado para esse tipo de caso são aqueles que visam a mostrar quem são os participantes mais atuantes. O Y! Fantasy Sports é um exemplo (LIMA, 2010).
Na comunidade combativa, padrão apresentado por Lima (2010), os usuários competem entre si, uma vez que possuem metas completamente opostas. Os sistemas de reputação servem para mostrar quem são os colaboradores que estão em estágios mais avançados que os outros, como ocorre com o Xbox Live.
Os envolvidos na comunidade colaborativa têm como meta comum agir em prol da comunidade, trabalhando e operando de forma conjunta para alcançar o objetivo proposto. Nessa comunidade, Lima (2010) aconselha que os participantes sejam identificados como ativos, antigos e confiáveis.
Conhecer as funcionalidades e os objetivos das comunidades virtuais é imprescindível para a escolha de um sistema de reputação adequado e condizente com as necessidades delas. Sob essas premissas, observamos mais um sistema de reputação pensado especificamente para uma comunidade virtual acadêmica: o Activ UFRJ.