5. YAPI SEKTÖRÜNDE KULLANILAN SINIFLANDIRMA
5.2. Sınıflandırma Sistemleri Đçerisinde ‘Duvar’ Elemanının Örneklerle
5.2.1.2. Sistemlerin ‘Betonarme perde bodrum duvarı’ örneğ
Os anos que cobriram o último episcopado do reverendo Isaías Fernandes Sucasas (1960-1965) podem ser considerados como um preâmbulo para o Período da Reação Conservadora que se iniciou no IX Concílio Geral. Nesses anos, acompanhando o clima tenso vivido pelo país no governo João Goulart, as vozes do polifônico conservadorismo metodista começaram a se levantar.
Em meio a este coral, uma das vozes que se fez ouvir de forma mais forte foi a do movimento conhecido como Esquema205. Ele tinha como um de seus líderes o antigo reitor da Faculdade de Teologia e pastor da Igreja Metodista Central de São Paulo, reverendo Nathanael Innocêncio do Nascimento206. Aliás, a figura do reverendo Nathanael é uma das mais interessantes do Metodismo da época. E uma das menos pesquisadas. Orador cativante, extremamente inteligente e provavelmente membro do antigo Partido
205 O Esquema foi um dos grupos mais sui generis da história do Metodismo. Aliás, ele se apresenta como uma
grande sugestão de pesquisa, pois ainda foi pouco explorado. Porém o pesquisador que se dedicar ao tema terá que enfrentar a questão da precariedade das fontes. O material produzido pelo próprio grupo é muito reduzido. Muitos de seus principais membros já são falecidos, outros estão em idade avançada. Talvez fosse o caso de se levantar a memória dos membros sobreviventes. A meu ver, a melhor definição para o movimento pode ser dada pela expressão “partido político.” Isso devido à própria maneira como o grupo se comportava. Esse partido político era liderado, sim (apesar da negativa apresentada na edição de 15 de março de 1965 do Expositor Cristão) pelo reverendo Nathanael Innocêncio do Nascimento. Outro de seus líderes era o reverendo Alípio da Silva Lavoura. Tinha membros no pastorado e no laicato metodista. Como partido político que era o grupo se fechava em torno de certas questões, mesmo que não existisse unanimidade interna. Eram feitas campanhas políticas para eleger seus representantes em todos os níveis da administração da Igreja. Suas reuniões eram realizadas em caráter sigiloso, com a utilização de senhas e slogans. Cf. DORNELLAS, João Wesley. Informações sobre o Bispo Nathanael. [Mensagem Pessoal]. Mensagem recebida por [email protected] em 09 de novembro de 2007.
206 Creio, aliás, que o trocadilho é bastante pertinente. O reverendo Nathanael ficou conhecido também pelo seu
Integralista207, o pastor da Igreja Metodista Central de São Paulo quase levou seu grupo à
vitória no Concílio de 1965.
Em 15 de março daquele ano, o informativo oficial da Igreja publicou uma entrevista de página inteira com o reverendo Nathanael.
O reverendo Nathanael I. do Nascimento é convidado pelo redator do Órgão Oficial para momentosa entrevista...208
207
A menção à provável filiação do reverendo Nathanael Innocêncio do Nascimento ao Partido Integralista é importante, pois simboliza o tipo de mentalidade conservadora que chegou ao poder na Igreja Metodista na segunda metade da década de sessenta. A Ação Integralista Brasileira foi um movimento político-social criado pelo escritor modernista Plínio Salgado (1895-1975). O surgimento da AIB é fruto do extremo impacto do fascismo italiano e alemão no Brasil. XXXXXSomadas às condições externas (crise de 1929, enfraquecimento das democracias liberais) as condições internas do país (fim do ciclo do café, Revolução de 1930, quebra do regime do “Café com Leite”) propiciaram o surgimento de movimentos de caráter semelhante no Brasil dos anos 30. Em 1930, surgiu o Partido Fascista Brasileiro. Logo foi seguido por outros como a Legião de Outubro, Partido Nacional-Fascista etc. E em 1932 surgiu o mais famoso deles: a já citada AIB. Em meados da década, este último partido acabou englobando todos os outros grupos de tendência fascista existentes no país. Num congresso realizado no Espírito Santo em 1934, Plínio Salgado foi eleito como chefe nacional do partido. A partir daí, a agremiação só fez crescer. Em 1937 a Ação Integralista alcançou o auge de sua popularidade. Plínio Salgado acabou lançando sua candidatura à Presidência da República. Porém, veio o Estado Novo e as eleições foram canceladas. Crendo que teria participação no governo do agora ditador Getúlio Vargas, Plínio passou a apoiá-lo. Porém Getúlio queria governar sozinho. Ao se perceberem alijados do poder, os integralistas tentaram derrubar o governo num putsch no ano de 1938. O golpe acabou malogrando e Plínio Salgado foi para o exílio em Portugal. Quando de seu retorno, tentou devolver ao Integralismo seu antigo fôlego. Porém o movimento havia se esvaziado. No período do Golpe Civil e Militar, aderiu à ARENA (partido de apoio ao governo). As propostas da AIB eram antiliberais, antiimperialistas (Estados Unidos e Europa) e anticomunistas. A idéia era estabelecer um Estado forte, governado por um líder autoritário assessorado por intelectuais . XXXXXXXXXXXOs integralistas procuravam ao máximo possível ser semelhantes aos movimentos europeus. Usavam uniformes (a famosa camisa verde com a letra grega sigma na braçadeira), adotavam hierarquia militar e cerimônias pomposas. Ficou também bastante conhecida a saudação usada pelo grupo: Anauê! (um termo que talvez seja de origem indígena e signifique “Salve”). O único fator que os distanciava do Nazismo era a pouca ênfase na pureza racial. Cf. A Era de Vargas. São Paulo: Abril Cultural, 1986. (Coleção Nosso Século, vol. V), pp. 157-160. Existe também uma interessante relação entre o Metodismo e a Ação Integralista Brasileira. Ela se deu através do colégio metodista O Granbery, em Juiz de Fora (MG). Ao contrário de outras localidades em que o vínculo se dava através da Igreja Católica, foi numa instituição protestante metodista (o já citado colégio) que o Integralismo encontrou base inicial naquela cidade mineira. Isto aconteceu através da figura de Oscar Machado, Diretor da Escola de Comércio, do Ginásio e professor de Sociologia daquela instituição. No ano de 1934, Machado convidou o segundo homem do Integralismo, Gustavo Barroso, para uma série de conferências “literárias” nas dependências do colégio. Nos dias 20 e 21 de outubro, o líder da milícia Integralista falou sobre A Inquietação do Século XIX e a Reconstrução do século XX e O Sentido novo da Política, da Educação e da Economia. Embora não fosse a intenção aparente, as conferências tiveram forte tom doutrinário. Em uma delas, Barroso declarou sua admiração pelo Fascismo Italiano. A mensagem integralista acabou encontrando uma forte recepção no corpo docente e discente do colégio. A própria direção exercida por Oscar Machado tinha acentuado teor integralista. Primava pela ordem e pela hierarquia. Em tom humorístico, um periódico da escola falava de uma funcionária que “fazia a saudação integralista” ao toque da campainha do refeitório. O ideário integralista de Machado (membro da Igreja Metodista Central de Juiz de Fora) acabou extrapolando as fronteiras da escola. Seu objetivo era criar no colégio um grupo anticomunista. Em 1934, ele se tornaria o primeiro líder municipal do Integralismo. Cf. GONÇALVES, Leandro Pereira. Tradição e Cristianismo: o nascimento do Integralismo em Juiz de Fora. In: SILVA, Giselda Brito (Org.). Estudos do Integralismo no Brasil. Recife: UFRPE, 2007, pp. 81-94. É possível deduzir a provável participação do reverendo Nathanael no Integralismo ao analisar o conteúdo do discurso e das práticas do grupo por ele liderado: anticomunismo, antiamericanismo e tendência autoritária.
Na seqüência, o reverendo apresentou os motivos que levaram à formação do grupo. Eles eram três: o desejo de combater o Liberalismo Teológico, o desejo de combater o “comunismo” presente nas pregações e periódicos da denominação e a visão de que o Metodismo estava perdendo o seu dinamismo.
As razões desta ação podem ser resumidas em três itens: Entendemos que a Igreja Metodista do Brasil não pode aceitar nem permitir no seu seio o liberalismo teológico que gradualmente vem penetrando seus quadros. Ela tem digna e respeitável herança teológica que continua atual e, por isso, não carece de revisão. Os padrões doutrinários do metodismo histórico devem ser mantidos. A segunda razão é pregação comunista por púlpitos e periódicos de nossa igreja... sem que o apelo de pastores e leigos... lograsse atendimento e sem que a cúpula administrativa se pronunciasse... sobre matéria que punha em perigo a unidade do metodismo pátrio. Essa infiltração comunista ameaçava a unidade da Igreja e nós não poderíamos permanecer de braços cruzados. Em terceiro lugar, mobilizou-nos a falta de iniciativas dinamizadoras da Igreja por parte de nossos dirigentes...209
Em termos de propostas, o grupo visava à simplificação da máquina administrativa da Igreja, a renovação dos quadros e a retirada dos missionários norte-americanos das funções administrativas. Quanto a esta última proposta, a idéia era transferi-los para o ministério pastoral.
... há, ao menos três idéias gerais...: 1. Simplificação da máquina eclesiástica retirando-lhe peças dispensáveis ao funcionamento nesta fase da história da Igreja Metodista do Brasil, 2. Renovação dos quadros administrativos gerais da Igreja uma vez que a orientação administrativa que há trinta anos existe na Igreja precisa ser modificada para atualizar atitudes, métodos e procedimentos. 3. Retirada dos missionários dos cargos e funções administrativas para situá-los no trabalho pastoral.210
É importante dizer que a influência do Esquema não foi pequena. No plenário do Concílio Geral de 1965, que marcou o início do Período da Reação Conservadora, esse grupo representava a maioria. E mesmo que suas propostas não tenham sido aprovadas ele ainda teve forças para levar um de seus membros ao episcopado. No caso, o seu líder, Nathanael Innocêncio do Nascimento. O pêndulo do Metodismo mudava agora de direção.
208 Cf. Desvendando o Esquema. Expositor Cristão, São Paulo, 15 de março de 1965. Pág. 12. Entrevista
concedida a José Sucasas Júnior.
209 Cf. Idem.
210 Cf. Idem. Ainda no nível das propostas, o grupo tinha outras idéias. Algumas (poucas) foram aprovadas no
Concílio, outras não. Uma delas, por exemplo, era a manutenção das cinco regiões eclesiásticas já criadas. Outra era a criação do cargo de Bispo Presidente, com poderes extraordinários. Ainda com relação ao episcopado (cargo ao qual o grupo tinha levado uma lista de nomes para eleição no concílio, que esperava ver aprovada) outra proposta era que fosse vitalício. Esta última foi a única a ser aprovada, sendo, porém, revogada no Concílio Geral de 1970. Cf. DORNELLAS, João Wesley. Informações sobre o Bispo Nathanael. [Mensagem Pessoal]. Mensagem recebida por [email protected] em 09 de novembro de 2007.