“Nenhuma discussão sobre ESG ou RSC é completa se deixar de mencionar a Global Reporting Initiative – GRI”, segundo Eccles (2011, p.104)
A GRI produz a mais abrangente Estrutura para Relatórios de Sustentabilidade do mundo, proporcionando maior transparência organizacional. Esta Estrutura, incluindo as Diretrizes para a Elaboração de Relatórios, estabelece os princípios e indicadores que as organizações podem usar para medir e comunicar seu desempenho econômico, ambiental e social. A GRI forma uma parceria estratégica global com as seguintes organizações: Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP), e com o Pacto Global das Nações Unidas (UNGC). As Diretrizes mantêm conexões com The Earth Charter Initiative, Corporação Financeira Internacional, Organização Internacional para Padronização e com Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento. Segundo o site do GRI:
A GRI – Global Reporting Initiative é uma organização sem fins lucrativos que promove a sustentabilidade econômica, ambiental e social fornecendo às empresas e organizações uma estrutura de relatórios de sustentabilidade abrangente, que é amplamente utilizado em todo o mundo. Tem a seguinte visão: uma economia
globalmente sustentável é a economia onde as organizações gerenciam seu desempenho econômico, ambiental, social e governamental e são responsáveis pelos impactos e os reportam transparentemente, e sua missão é fornecer orientações e apoio às organizações, para tornar a sustentabilidade uma prática padrão de relatórios.
Para a GRI, a economia global sustentável deve combinar rentabilidade em longo prazo com justiça social e cuidado ambiental. Isso significa que, para as organizações, a sustentabilidade abrange as principais áreas de desempenho econômico, ambiental, social e governamental.
A Global Reporting Initiative, ‘GRI’, promove a elaboração de relatórios de sustentabilidade que pode ser adotada por todas as organizações onde o foco é dar a transparência da operação aos stakeholders. As Diretrizes para a Elaboração de Relatórios estabelecem os princípios e indicadores que as organizações podem usar para medir e comunicar seu desempenho econômico, ambiental e social de forma gratuita no seu site.
No Brasil, a GRI conta com a parceria da UniEthos e do núcleo de estudos em sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas, o GVces, e é também um núcleo oficial de colaboração do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.
Em 2008, 435 empresas publicaram oficialmente seu relatório pela GRI e estima-se que mais de 1000 utilizaram informalmente suas diretrizes para a elaboração de seus relatórios. No Brasil, a Natura Cosméticos foi à empresa pioneira com a publicação de seu relatório em 2004. Atualmente, mais de 100 empresas brasileiras publicaram relatórios GRI. Algumas empresas brasileiras que divulgaram relatórios GRI: Banco Real, Aracruz Celulose, Natura Cosméticos, Sadia, Perdigão, Bunge, Usina São Manoel, Duratex, Medley, Petrobrás, Banco Itaú, Wal-Mart Brasil, Nestlé, África – Grupo ABC, VW, Toyota, Bradesco , Itaú, Santander, Banco do Brasil, Petrobras, Vale, CPFL, Banco do Brasil, Eletrobrás, EDP, UNIMED, KPMG, Philips, Suzano, BRF, JBS, Usiminas, CPFL e outros.
Para a gestão corporativa da empresa, o relatório pode representar o diagnóstico das principais fortalezas e debilidades no que tange o seu desempenho
socioambiental, e, assim, uma oportunidade de inovação e alto desempenho. Para a imagem pública da empresa, o relatório GRI é a oportunidade de transparência, melhoria da reputação e o aumento da fidelidade, motivação e compromisso de seus diferentes stakeholders (funcionários, colaboradores, fornecedores, acionistas e investidores). Apesar de não ser uma certificação e sim um processo voluntário e interno da empresa, os benefícios da elaboração e divulgação são:
(a) Auxilia na redução de custo de financiamentos com bancos privados e melhora acessos a empréstimos subsidiados (IFC e BNDES);
(b) Aumenta o valor da Marca e melhora a percepção perante os consumidores. Protege e aumenta valor da empresa;
(c) Avalia de forma organizada o processo de Ciclo reverso que já movimenta, nos EUA, o valor de US$ 20 Bi (por ano?);
(d) Auxilia na obtenção de certificações, como por exemplo: Linha Azul; certificações de exportação, licenças ambientais e etc.;
(e) Ajuda os processos de Homologação e concorrências públicas;
(f) Contribui para Diagnóstico interno de economia de matéria prima, água e energia;
(g) Traz oportunidade de inovação, melhoria na gestão e performance; (h) Traz mais transparência, melhoria da reputação e o aumento da
fidelidade, motivação e compromisso de seus diferentes stakeholders (funcionários, colaboradores, fornecedores, acionistas e investidores); (i) Auxilia no diagnóstico das principais fortalezas e debilidades no que
tange o seu desempenho socioambiental; (j) Tem ênfase em reciclagem de materiais;
(k) (auxilia na?) Definição de processos de produção no padrão das exigências legais com conceito energia limpa e eco eficiente;
(l) Permite a verificação na cadeia de fornecedores sobre a certificação ISO 14001 e trabalho infantil;
(m) Não há custo se a empresa não tiver interesse de auditar, confirmar o nível A, B e C, ou fizer publicação;
(n) Gera comprometimento e fidelidade dos funcionários, fornecedores e clientes;
(o) Permite fazer comparações com outras empresas.
C
OMO FUNCIONAA GRI desenvolveu a “Estrutura de Relatórios de Sustentabilidade” e as Diretrizes para a Elaboração de Relatório de Sustentabilidade”, que compõem o conjunto de documentos que formam a base para a elaboração do relatório de sustentabilidade de qualquer organização. Atualmente, a GRI está em sua quarta versão de diretrizes, chamada de G4-GRI.
As diretrizes estão estruturadas em duas partes.
Parte 1: Princípios e Orientações, que definem o “como relatar”, trazendo orientações para definição do conteúdo do relatório, assegurar a qualidade da informação e estabelecer o limite ou escopo do relatório.
Parte 2: Conteúdo do Relatório, ou o “o que relatar”, que estabelece referências para relatar o perfil da organização, sua forma de gestão (governança, compromisso e engajamento) e finalmente os indicadores de desempenho.
Segundo Eccles (2011, p.105), as diretrizes da GRI são formuladas por um processo que envolve múltiplas partes interessadas. Seu objetivo é reunir um amplo espectro de interesses: negócios, sociedade civil, trabalhadores, firmas de contabilidade, investidores, acadêmicos, governos e outros para alcançar um consenso sobre o seu conteúdo.
Existe uma preocupação em que não haja um envolvimento profundo e atento das partes interessadas, o que pode gerar problema na avaliação das informações, porém este mesmo desafio acontece com o FASB e IASB, que não têm o envolvimento completo por parte do investidor na definição de normas contábeis.
O processo de elaboração do relatório de sustentabilidade é um ciclo permanente de engajamento, tanto de funcionários quanto stakeholders, para entender, debater, mensurar e melhorar os processos internos e também monitorar e comunicar o desempenho da empresa em relação à sustentabilidade.
O processo de relatório GRI é uma jornada, que pode ser descrita num ciclo de 5 passos, como mostra a figura abaixo:
Fonte: Site da GRI
Com relação à comunicação ou à publicação do relatório, é importante esclarecer que existem três níveis de aplicação do relatório estabelecidos pela GRI (C, B e A). Cada nível estabelece um número de indicadores de desempenho que deve ser respondido e de quantidade de informações que deve conter o relatório. O nível C, por exemplo, estabelece um mínimo de 10 indicadores que deve ser respondido, enquanto o nível B exige um mínimo de 20 indicadores.
Além do nível de aplicação, existem também 3 formas de comunicar o relatório:
• Autodeclaração simplesmente. (A empresa divulga o relatório sem revisão do GRI ou auditoria externa).
• Revisão do relatório pela GRI (A GRI faz uma análise da coerência e consistência do relatório. Se aprovado, o relatório pode ser publicado com o logotipo da GRI).
• Verificação de terceira parte. A empresa contrata um organismo de verificação e realiza uma auditoria não só do relatório, mas também de suas operações, para comprovar a autenticidade do relatório. Realizada esta auditoria, o relatório é classificado com o símbolo +, juntamente com a letra de nível de aplicação (C, B ou A).
A tabela abaixo traz mais detalhes sobre esta questão:
(Textos e figuras desta seção tiveram como referência I) Apostila do Programa de Treinamento da GRI pela UniEthos, II) Diretrizes para Relatório de Sustentabilidade da GRI, III) Publicação: Caminhos. Ciclo Preparatório para elaboração de relatórios de sustentabilidade da GRI.)