Uma das maneiras de reverter esse quadro e melhorar a fertilidade do solo, mais praticada entre os assentados, é pela aplicação de fertilizantes. Assim, identificou-se que a maioria dos lotes faz adubação, 85,5% e 14,5% não adotam essa prática. Dos que se utilizam dessas técnicas, considerando que o entrevistado poderia escolher mais de uma opção, observou-se que 74% fazem adubação orgânica e 33% química, ou seja, metodologia típica do modelo camponês.
Os adubos orgânicos citados com maior frequência foram: esterco (cama de frango), 20,5%; esterco de gado, 29,5%; compostagem, 6%; minhocário, 3% e, adubo de mamona, 3%. Entre os fertilizantes químicos, predominou: o NPK (1-14-8), 17,5%; NPK (25-20), 9%; NPK (10-41-48), 6%; NPK (4-20-20), 3% e; Uréia, 9%. Cabe salientar que, somente 31% dos entrevistados souberam responder qual era o tipo de adubo utilizado, o que denota pouco conhecimento do que está sendo aplicado ao solo.
Verificou-se que 64% dos lotes obtiveram orientação técnica para aplicação dos adubos. A Figura 42 expressa a porcentagem dos lotes que tiveram esse auxílio indicando o órgão responsável. Destaca-se a participação do INCRA, 52% do total, porém, tendo em vista que esta é a instituição responsável pelo assentamento, atender apenas a metade dos lotes é insuficiente. Desse modo, a procura por agrônomos representou a segunda opção mais adotada pelos entrevistados, 25%.
Figura 42 - Assistência técnica para adubação do solo da Gleba I do assentamento rural Horto
Aimorés.
Fonte dos dados: Questionário aplicado na Gleba I assentamento rural Horto Aimorés.
Notou-se que parcela considerável dos agricultores não souberam estimar os custos relativos à adubação, 13%; ainda, 31% não quis declarar, e 16% alegaram não terem custos, totalizando 60% dos lotes. Essa última refere-se, possivelmente, àqueles que usam fertilizantes orgânicos e têm assistência técnica proveniente dos órgãos públicos. Dos que afirmaram adubar o solo, 25% gastam até 250,00 e 15% entre R$ 250,00 a mais de R$ 750,00 (TABELA 9). Assevera-se desse modo a importância dos fertilizantes orgânicos, mais acessíveis a população camponesa, de baixo custo e sem danos ao meio ambiente.
Tabela 9 - Estimativa dos custos com adubo por mês Custos com Adubos (R$) Número de lotes (%) 0 ⊣ 250,00 31 25 250,00 ⊣ 500,00 9 7 500,00 ⊣ 750,00 6 5 >750,00 4 3 Sem custos 20 16 Não sabe 16 13 Não declarou 38 31 TOTAL 124 100
Fonte dos dados: Questionário aplicado na Gleba I assentamento rural Horto Aimorés.
52% 25% 8% 5% 1% 3% 6% INCRA AGRO. PARTICULAR SEBRAE SENAR CATI NÃO SABE NÃO DECLAROU
Outro tipo de manejo, que viabiliza o cultivo agrícola, é a aplicação de defensivos para o combate às pragas e ervas daninhas. Evidencia-se que poucos assentados adotam essa prática se comparado à adubação, 33%; ou seja, 68% não o fazem. Os lotes que aplicaram os venenos, na sua maioria, tiveram a assistência técnica, 64%. A recomendação foi feita principalmente por agrônomos particulares, 37%; pelo SEBRAE 10% e; pelos próprios fornecedores dos produtos, 7%; perfazendo mais da metade dos casos, 54%. O SEBRAE, de acordo com os entrevistados, cobra R$ 50,00 por mês para prestar esse serviço. A assistência vinda do INCRA atingiu somente 30% dos lotes (FIGURA 43).
Figura 43 - Assistência técnica para aplicação de defensivos agrícolas na Gleba I do assentamento
rural Horto Aimorés
Fonte dos dados: Questionário aplicado na Gleba I assentamento rural Horto Aimorés.
Os tipos de defensivos mais utilizados foram o Rundup (Sal de Amônio de Glifosato) em 26% dos lotes, conhecido como “mata-mato”, geralmente recomendado para o controle de plantas infestantes, conforme prescreve a bula fornecida pela MONSANTO (S/A); venenos para formiga (13%), como, Butox, Betox Sulfluranida e o veneno granulado; inseticidas (11%), como o DECIS, esse é um inseticida de contato e ingestão do grupo piretróide, utilizado para eliminação de pragas como lagarta pulgão e moscas, conforme define a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (ADAPAR, s/a).
Foram citados também, o Recop, Enxofre, Evidence e Aplaudd e Bravonil, perfazendo 2% cada. O Recop é um fungicida inorgânico de contato, utilizado para uso preventivo de doenças nas culturas. O Bravonil é um fungicida usado na pulverização de algumas culturas para o controle de doenças. O Evidence e o Aplaudd são inseticidas, o primeiro pertence ao
34% 24% 7% 6% 4% 4% 2% 2% 17% AGRO. PARTICULAR INCRA CATI SEBRAE AGROSSOLO UNESP SENAR CONAB NÃO SABE
grupo neonicotinóide, e o segundo tem a função de regular o crescimento de insetos. (ADAPAR s/a). Por fim, a uréia, usada em 2% dos lotes, refere-se a um herbicida de ação sistêmica utilizada em pré e pós emergência no controle de plantas infestantes, principalmente para as culturas de café e cana de açúcar (OUROFINO, s/a ).
Os defensivos orgânicos são empregados por 6% dos assentados. Foram citados: o fumo, sabão, folha de mamona, sabão em pó e esterco; o que permite constatar que a inserção dos defensivos químicos é superior a dos fertilizantes. No segundo caso valoriza-se mais os conhecimentos e técnicas tradicionais da população camponesa, pelo emprego de adubos orgânicos.
Os custos com defensivos agrícolas, apresentados na Tabela 10, mostram que esses têm grande amplitude entre os lotes, chegando a valores superiores a R$ 1.000,00, contudo grande parte (40%) gasta um valor bem abaixo, R$ 120,00 e; somente 4% chegam desembolsar valores superiores a R$ 720,00. Cabe destacar a alta porcentagem de assentados que não declararam 26%; não souberam responder, 13% e; diferente dos fertilizantes, não tiveram custos com os defensivos, apenas 2%.
Tabela 10 - Custos com defensivos agrícolas na Gleba I do assentamento rural Horto Aimorés. Custos com Defensivos (R$) Número de lotes (%) 0 ⊣ 120,00 19 40 120,00 ⊣ 240,00 4 9 240,00 ⊣ 480,00 1 2 480,00 ⊣ 600,00 1 2 600,00 ⊣ 720,00 1 2 720,00⊣ 1.080,00 2 4 Não declarou 12 26 Não sabe 6 13
Não tem custos 1 2
TOTAL 47 100
Fonte dos dados: Questionário aplicado na Gleba I assentamento rural Horto Aimorés.
Tendo em vista a importância da qualidade do solo para a produção, coube investigar quais medidas de conservação do solo foram/são empregadas no assentamento. Destarte, averiguou-se que, 68% dos agricultores praticam algum tipo de técnica de conservação. Desse
percentual, a principal prática citada foi a curva de nível, 85% dos lotes, todas elas anteriores ao assentamento, feitas pelos grileiros e empresas que ocupavam as terras do Horto anteriormente. Por esse motivo, 21% dos assentados declararam terem aplicado alguma técnica de conservação do solo a mais de 10 anos. Outros métodos empregados foram rotação de culturas 21%; adubação verde, 14%; plantio direto, 5% e; terraceamento, 2%. Além disso, os extratos mais expressivos estão entre 4 a 5 anos, 16% e; 5 a 6 anos, 13% (FIGURA 44). O fato de tais medidas terem sido implantadas, prioritariamente nos anos iniciais do assentamento esta relacionado ao crédito inicial fornecido.
Figura 44 - Período em que as práticas de conservação do solo foram adotadas nos lotes da Gleba I do
assentamento rural Horto Aimorés
Fonte dos dados: Questionário aplicado na Gleba I assentamento rural Horto Aimorés.
Grande parte dos entrevistados, afirmaram que a adoção destas técnicas resultou em melhorias para o lote, 82%; 12% não obtiveram melhoras e 6% não declararam. Os principais benefícios das práticas de conservação do solo, apontados pelos assentados, foram: evitar enchente, 25%; evitar erosões, 21%; aumentar a produção, 6%. Cabe destacar, que somente 3% dos entrevistados declararam não notar mudanças na qualidade do solo com as técnicas adotadas (TABELA 11). 4 1 5 8 16 13 6 5 5 6 21 6 2 0 5 10 15 20 25 (%) de as sent ado s Anos
Tabela 11 - Benefícios das práticas de conservação do solo nos lotes da Gleba I do assentamento rural
Horto Aimorés
Benefícios de Lotes Número %
Evita enchentes 24 25
Evita erosões 20 21
Aumenta a produção 6 6
Melhora o plantio
(no caso da adubação verde) 6 6
Melhora o solo 3 3
Aumenta a renda 2 2
Outros* 4 4
* elimina determinadas pragas, no caso da adubação verde (1), economiza com adubos, no caso da adubação verde (1), corrige o solo (1), evita o uso de venenos, no caso da adubação verde (1), preserva as estradas, no caso da curva de nível (1).
Fonte dos dados: Questionário aplicado na Gleba I assentamento rural Horto Aimorés.
Por fim, têm-se a análise do solo como uma importante conduta para a conservação do mesmo, uma vez que esta estima a fertilidade e possíveis deficiências de nutrientes, necessários para um bom cultivo. Isto posto, investigou-se a ocorrência desta ação na Gleba I. Constatou-se que apenas 33% dos entrevistados já tinham feito; 66% nunca fizeram e 1% não soube responder.
Dentre os lotes que afirmaram terem feito a análise, 98% tiveram assistência técnica para realizá-la. Como expresso na Figura 45, 35% efetuada por laboratórios particulares; 24% por intermédio do INCRA; 7% pela CATI; 6% pelo SEBRAE; 4% pelo AGROSSOLO; 4% pela UNESP; 2% pelo SENAR e 2% pela CONAB. É notório também o número elevado de agricultores que não souberam responder onde tinham feito as análises. Apurou-se que 15% dos assentados não obtiveram os resultados das amostras coletadas pelos órgãos públicos.
Figura 45 - Assistência técnica para análise de solo dos lotes da Gleba I do assentamento rural Horto
Aimorés
Fonte dos dados: Questionário aplicado na Gleba I assentamento rural Horto Aimorés.
No que se refere à frequência em que foi feita a análise do solo, constata-se que 66% dos assentados realizaram-na somente uma vez e 34% fizeram duas vezes ou mais. Essas análises, em sua maioria, saíram sem custos para os agricultores, conforme declarado por 32% deles; 11% gastaram até R$ 20,00; 17% gastaram entre 20,00 a 40,00 reais; 13% entre 40 a 60,00 e 2% mais do que R$ 60,00. Não souberam responder ou não declararam, representam 9 e 17%, respectivamente.
Assevera-se a importância da análise de solo para o preparo do cultivo agrícola, assim conforme os resultados laboratoriais ficavam prontos estes eram entregues aos assentados ao longo dos trabalhos de campo (FIGURA 46) (APÊNDICE F), os quais tiveram a oportunidade de solicitar auxílio de um agrônomo para orientação quanto adubação e correção do solo.
Nesse sentido, realizou-se por intermédio do presidente da associação VIVERDE e o professor Diego Cunha Zied da Faculdade Integrada de Bauru (FIB), uma parceria com essa instituição particular, que promoveu a assistência técnica para 30 assentados com os resultados fornecidos pela pesquisa. A atividade ocorreu no dia 26 de outubro de 2013, na sede da associação, onde os alunos de agronomia da referida universidade instruíram os assentados quanto à quantidade necessária de adubo e calagem para melhorar a qualidade do solo (FIGURA 47). 34% 24% 7% 6% 4% 4% 2% 2% 17% AGRO. PARTICULAR INCRA CATI SEBRAE AGROSSOLO UNESP SENAR CONAB NÃO SABE
Figura 46 - Entrega dos resultados para os assentados
Foto: Abdel (2013)
Figura 47 a;b - Assistência técnica fornecida aos assentados com o resultado das análises químicas
Foto: Rodrigues (2013)
Do disposto anteriormente, ressalta-se a baixa fertilidade da camada agricultável do solo da Gleba I do Assentamento Rural Horto Aimorés, com deficiência em todos os atributos analisados, menos da calagem. Ademais, constata-se baixo emprego de práticas conservacionistas. As análises das amostras de solo podem auxiliar na adubação e correção mais adequada, desde que contem com o apoio técnico de órgãos responsáveis.
5.5 A questão do trabalho e a inserção de atividades não agrícolas assentamento