Embora importantes vitaminas e sais minerais não são fatores limitantes para os insetos, já que a necessidade é mínima e estes nutrientes encontram-se bem distribuídos nas fontes naturais (STANDIFER et al., 1977). Como as exigências nutricionais são pequenas (quantidade traço) por vezes é difícil determinar a quantidade necessária ou a influência desses no metabolismo, pois qualquer impureza de outros componentes fornecidos pode satisfazer as necessidades exigidas (STANDIFER et al., 1977; PARRA, 1986).
Para os insetos é necessário o fornecimento das vitaminas lipossolúveis A, D, E e K e das vitaminas hidrossolúveis tiamina, riboflavina, ácido nicotínico, piridoxina, ácido pantotênico, biotina, colina e ácido fólico (DADD, 1973; HERBERT Jr. et al., 1978). Krol (1993) observou que o fornecimento de vitamina B1 aumenta a área de cria em 40% e a produção de mel em 30 a 45%.
Os insetos não podem sintetizar carotenóides, sendo necessário seu fornecimento na dieta. Importante na formação de pigmentos visuais, a vitamina A é oxidada a rodopsina e uma avitaminose causa a perda da sensibilidade visual (DADD, 1973; PARRA, 1986; PEPE & CUGNOLI, 1980). Quando o β-caroteno é suprido da dieta de insetos com pigmentação verde ou amarela, os mesmos passam a ter uma cor azulada (DADD, 1973).
Embora nos vertebrados a vitamina D facilite a absorção e o metabolismo do cálcio, como os insetos não necessitam de grande quantidade desse mineral, não se tem observado essa dependência (DADD, 1973).
A vitamina E, α-tocoferol, além de ter significado especial na reprodução de muitos insetos, afetando a embriogênesis, o desenvolvimento dos espermatozóides e, em alguns casos, o crescimento larval, tem demonstrado ter efeito antioxidante, minimizando as conseqüências do metabolismo dos ácidos graxos (DADD, 1973).
A carnitina está envolvida na oxidação de ácidos graxos e na biossíntese de fosfolipídios. Exerce, também, importante função fisiológica no transporte de acetil coenzima A do citosol para a mitocôndria do inseto, contudo pode ser sintetizada pelos mesmos (DADD, 1973; PARRA, 1986).
Tiamina, riboflavina, ácido nicotínico, piridoxina, ácido pantotênico e carnitina participam dos processos metabólicos como componente da estrutura de algumas enzimas (PARRA, 1986). Dietas deficientes em tiamina e riboflavina reduzem a postura da rainha, longevidade das abelhas adultas, desenvolvimento da glândula hipofaringeana e o teor de nitrogênio corporal (HERBERT Jr. et al., 1978).
Segundo Horie & Nakasone (1968, citado por DADD, 1973) a biotina tem papel importante na síntese de ácidos graxos e sua redução na dieta de insetos reduz proporcionalmente a presença desses lipídeos nos tecidos.
O ácido fólico origina, pela ação da enzima ácido dihidrofólico redutase, tetrahidrofolato que está envolvido na síntese de nucleotídeos, contudo como a necessidade de ácido fólico é mínima, demonstrar sua necessidade para os insetos é difícil (DADD, 1973).
Utilizada como co-fator em transaminase, quando a piridoxina é retirada da dieta das abelhas o desenvolvimento larval é interrompido (BARLOW, 1962, citado por DADD, 1973; DIETZ, 1975).
A carnitina é usada ativando intermediários na oxidação dos ácidos graxos e biossíntese de fosfolipídios (GILBERT, 1968, citado por DADD, 1973). Embora muitos insetos estejam habilitados a sintetizar essa vitamina, por vezes é necessário o fornecimento exógeno (DADD, 1973).
O ácido pantotênico é necessário para diferenciação de castas e a riboflavina e o ácido nicotínico são vitais para iniciar a criação das larvas (STANDIFER et al., 1977). O desenvolvimento larval depende, também, das vitaminas lipossolúveis, piridoxina,
inositol. O enriquecimento de dietas com estas vitaminas aumenta a sobrevivência da cria (COUTO, 1998).
O inositol é um componente fosfolipídico (DADD, 1973; PARRA, 1986). Os requerimentos de colina e inositol sugerem que eles não atuem no organismo dos insetos como vitaminas. Exigidos em doses muito maiores que as vitaminas típicas, são essenciais a todos os insetos (PARRA, 1986). Embora várias estruturas similares à colina possam ser usadas pelos insetos, essas estruturas não possuem a mesma eficiência (DADD, 1973).
A colina, além de ser percussora do neurotransmissor acetilcolina, participa de diversas reações de transaminação, é um subcomponete da lecitina e de fosfolipídios, estando envolvida na estrutura da membrana lipídica no transporte de lipoproteínas. (DADD, 1973; PARRA, 1986). Os dados sobre síntese de colina são contraditórios, segundo Parra (1986) essa vitamina não é sintetizada pelo inseto apesar de ser exigida em grande quantidade. Contudo, segundo Dadd (1973), é provável que todos os insetos sintetizem colina a partir da transaminação do etanolamina, originado da glicina via serina.
Os sais minerais são importantes para o balanço iônico e permeabilidade das membranas nos insetos, atuando também como ativador enzimático e fazendo parte da estrutura de alguns pigmentos (PARRA, 1986). São considerados essenciais cobre, ferro, zinco, potássio, fósforo, magnésio, manganês, sódio, cálcio, cloro, iodo, cobalto e níquel (STANDIFER et al., 1977; PARRA, 1986). Dietz (1975) sugere a inclusão de sais minerais na alimentação das abelhas. Entretanto, o consumo dos mesmos em excesso afeta negativamente as abelhas adultas. Segundo o autor a adição de 0,2 a 0,5% de NaCl e 0,2% de KCl na alimentação das abelhas aumenta a atividade das enzimas amilase e lipase, auxiliando na digestão do pólen.
O corpo das abelhas é rico em potássio e fósforo e o alimento larval em fósforo e enxofre. O fornecimento de alimento com escassez destes minerais prejudica a produção de cria (HAYDAK, 1936). Para o crescimento os insetos necessitam de grande quantidade de potássio, fósforo, ferro e magnésio e quantidades menores de cálcio e cloro (DADD, 1973; PARRA, 1986).
O processo de oogênese, espermatogênese e síntese de hormônios nos insetos necessita da presença de vitaminas do complexo B, sódio, potássio, cloro e esterol (ZUCOLOTO, 1994).
Em alguns insetos o potássio é usado no intestino médio para o transporte de alguns aminoácidos até a membrana celular e o transporte de γ-aminobutirato (GABA) é dependente do sódio e do cloro (WOLFERSBERGER, 2000).
A quantidade de zinco presente na hemolinfa está fortemente correlacionado com a titulação de vitelogenina na mesma (AMDAM & OMHOLT, 2002).
O cálcio é importante na transdução de alguns sinais informativos no sistema nervoso (MENDES et al., 2001).
A presença do ferro no corpo das abelhas vem aguçando a curiosidade dos pesquisadores, pois se supõe que o mesmo seja usado na orientação durante o vôo, captando ondas eletromagnéticas. Keim et al. (2002) observaram a presença de grânulos ricos em ferro no corpo gorduroso de rainhas de Apis mellifera e Sacptotrigona postica, contudo a elevada quantidade de fosfato deve dificultar a percepção magnética destes grânulos, que devem ocorrer também em outros órgãos do corpo, possivelmente nos pêlos presentes no dorso do abdome. Apesar de ser essencial, o metabolismo do ferro libera radicais livres que prejudicam os componentes das membranas celulares, os ácidos nucléicos e outros (NICHOL et al., 2002).